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Constituição tem 118 pontos sem regras, e Bolsonaro tenta aproveitar brechas

Reynaldo Turollo Jr. / FOLHA DE SP
 
BOLSONARO E A CONSTITUIÇÃO
BRASÍLIA

Mais de 31 anos depois de ser promulgada, a Constituição de 1988 ainda tem 118 dispositivos sem regulamentação. A medida depende da aprovação de leis pelo Congresso Nacional. Esse número representa quase um terço dos 382 dispositivos passíveis de serem regulamentados.

Desde 1987 houve oito legislaturas completas na Câmara e no Senado, além da atual, que está em seu segundo ano.

A ausência de leis abre um espaço muito grande para o STF (Supremo Tribunal Federal) atuar, segundo especialistas, e tem possibilitado que o presidente Jair Bolsonaro busque avançar nas lacunas, como no caso do projeto enviado ao Congresso para liberar mineração em terras indígenas.

A proposta visa regulamentar o artigo 176 da Constituição, que diz que uma lei estabelecerá condições específicas quando atividades de mineração "se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas", e o 231, que estipula que tais atividades só podem ser efetivadas com autorização do Congresso, "ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra".

 

Outro dispositivo não regulamentado até hoje está no artigo 41, que prevê que servidores públicos estáveis possam perder o cargo "mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa".

O tema está nos debates em torno da reforma administrativa que o governo pretende enviar ao Congresso e é um dos planos do Ministério da Economia, sob Paulo Guedes.

 

A própria Constituição estabelece quando um dispositivo deve ser regulamentado por lei ordinária ou complementar.

A principal diferença é que o segundo tipo requer um número maior de votos nas duas Casas para ser aprovado (257 deputados e 41 senadores).

A necessidade de lei complementar foi prevista pelos constituintes para temas que eles julgaram que seriam polêmicos ou sensíveis no futuro, explica o advogado e cientista político Fernando Sabóia Vieira, que foi consultor da Câmara por 38 anos.

Além disso, diz, dispositivos que precisam de lei complementar não podem ser regulamentados por meio de medida provisória, instrumento do Executivo que acelera a análise do tema pelo Legislativo.

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Situação do Rio Salgado pode impactar na recarga do Castanhão

diarionordeste

Com 308 quilômetros de extensão e em uma bacia hidrográfica distribuída em 24 municípios do Cariri e Centro-Sul, o Rio Salgado é o principal afluente do Rio Jaguaribe e o maior responsável pela recarga do Açude Castanhão, que abastece a Região Metropolitana de Fortaleza. Apesar da importância, inclusive no povoamento da região, o curso d'água sofre com a poluição e a destruição da mata ciliar, além das chuvas irregulares. A chegada das águas do "Velho Chico", por meio do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf), pode dar nova vida ao manancial.

Caminho da água

O Salgado surge da confluência do riacho dos Porcos e do Rio Batateiras, que nascem no sopé da Chapada do Araripe, o primeiro em Porteiras e o segundo no Crato. Encravado em um território com vários afluentes, sua bacia hidrográfica tem uma característica interessante: 20% dela são formadas pela Bacia Sedimentar do Araripe. Composta por vários aquíferos, as fontes naturais geram os primeiros riachos numa drenagem que começa a 750 metros de altitude.

No Crato, o Rio Batateiras se une aos rios Granjeiro e Saco-Lobo. Mais à frente, se encontra com o Rio Carás, que nasce no mesmo município, no distrito de Santa Fé e recebe água de outros riachos. Em Juazeiro, chamado de Rio Salgadinho, recebe água do Rio Salamanca, principal curso d'água de Barbalha. De lá, segue em direção à Cachoeira de Missão Velha, no município homônimo, se encontrando com outros riachos.

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Bolsonaro é alvo em manifestações do Dia Internacional da Mulher

FORA BOLSONARO DIA 8 PELAS MULHERES DE ESQUERDA

A chuva não impediu que coletivos de mulheres fossem à Avenida Paulista, no centro de São Paulo, se manifestar pelo Dia Internacional da Mulher, neste domingo 8. Entre os grupos feministas estavam Evangélicas pela Igualdade de Gênero, Central Sindical Popular e Mulheres do Sindicato dos Metroviários de SP. Militantes do Psol, PSTU, PCO e PT também participam do ato. Em coro, os presentes gritam “Fora Bolsonaro! Ele não, ela sim! Nenhuma a menos!”.

As mais de 80 entidades organizadoras do ato esperam atrair até o fim da tarde 60.000 pessoas, mesmo tamanho do público estimado no ano passado.

A exemplo de São Paulo, ao longo da manhã deste domingo 8 o discurso política foi o tom das manifestações do Dia Internacional da Mulher. Bolsonaro foi alvo dos protestos. O clima de oposição ficou mais acirrado depois da convocação do presidente para as manifestações de apoio no próximo domingo, 15. Além das questões ligadas à mulher, a defesa da democracia e o respeito à Constituição passaram a fazer parte das bandeiras levantadas.

Em Brasília, cerca de 3,5 mil mulheres, segundo os organizadores do I Encontro Nacional das Mulheres Sem Terra, saíram em ato pelo Parque da Cidade. Entre os cartazes, a era ampla a galeria de temas: racismo e o preconceito contra pessoas LGBTs, o esclarecimento do assassinato de Marielle Franco e posicionamentos contra o fascismo e o patriarcado, entre outros.

Além da capital, houve manifestações pela manhã em Belém, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Aracaju e Maceió.

“Estamos de pé na defesa dos avanços dos direitos conquistados pela classe trabalhadora que vêm sendo retirados. Vamos lutar contra a violência e o corte de verbas promovidos pelo governo Bolsonaro aos programas sociais, que fragilizam e colocam em risco a vida das pessoas mais pobres. Caminharemos juntas contra todas as formas de violência, pelo direito à diversidade, à autonomia, à liberdade, pelo direito e soberania de nossos corpos, pelo direito de existir”, dizia o texto de convocação para os atos.

A marcha no Rio de Janeiro ocorrerá nesta segunda 8, a partir das 17h, na Candelária, com o lema “Um Rio de coragem feminista contra a violência e os governos fascistas.”

Além dos atos deste final de semana, estão programadas ainda manifestações para os dias 14 (em memória dos dois anos do assassinato da vereadora Marielle Franco) e 18 de março (movimento organizado por sindicatos e entidades ligadas à educação). VEJA

Em protestos pelo país, mulheres repudiam Bolsonaro e violência de gênero

SÃO PAULO e BRASÍLIA

Grupos de mulheres se reúnem na avenida Paulista, centro de São Paulo, em uma manifestação pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8).

Na avenida Paulista, em São Paulo, manifestantes de coletivos como Evangélicas pela Igualdade de Gênero, Central Sindical Popular e Mulheres do Sindicato dos Metroviários de SP começaram a se reunir às 14h no vão-livre do Masp e no parque Mario Covas.

O ato, sob chuva, também contou com a presença de grupos ligados a partidos, como PSOL, PSTU, PCO e PT —havia uma cabana de filiação para esta legenda.

Portavam tambores, bandeiras e faixas com dizeres em lembrança à vereadora Marielle Franco, cujo assassinato completa dois anos no próximo dia 14, a favor da democracia, contra o presidente Jair Bolsonaro e e em defesa das mulheres, como “em casa, na rua, no trabalho e no transporte: exigimos respeito! Basta de violência”.

"Fora Bolsonaro! Ele não, ela sim! Nenhuma a menos!”, repetiam os presentes em coro, ecoando fala de uma representante do Cabaré Feminista em uma caixa de som. “Ele não, ele nunca, nós sim!”, "Nós não queremos Doria governador!”, emendou ela.

 

Um tumulto ocorreu quando um homem foi expulso do agrupamento em frente ao parque Mario Covas após ofender uma das representantes do coletivo. Alterado, ele foi sendo empurrado para longe da reunião e foi embora pela alameda Ministro Rocha Azevedo.

Um coletivo formado por nove organizações religiosas entoava “quem é cristão não apoia a ditadura, Bolsonaro não é cristão coisa nenhuma” durante o ato.

A chuva não impediu a estudante Marina Pio, 23, de participar do ato. “É um dia muito simbólico, e as mulheres têm que se posicionar e mostrar que exigem um país com mais respeito e representatividade”, diz ela, para quem “o movimento feminista e o contra o governo Bolsonaro são paralelos.”

A técnica de segurança do trabalho Karine Goulart, 31, foi ao ato com um cartaz escrito “o que é coronavírus perto do feminicídio”. “As pessoas colocam mais energia no vírus do que no tanto de mulher que morre todo dia. Ninguém pensa em como parar isso, que também é muito importante”, diz.

Fruto de um grupo de WhatsApp criado na segunda (2), o grupo Mulheres pela Democracia encenava gestos inspirados na coreografia feminista chilena “Um violador no teu caminho”. ​

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Em 15 anos, governos de esquerda no Uruguai avançaram em direitos, mas deixaram dívidas

Janaína Figueiredo, enviada especial / O GLOBO

 

MONTEVIDÉU - O Uruguai encerrou há uma semana um ciclo de 15 anos de governos da esquerdista Frente Ampla (2005-2020) que deixou importantes conquistas em matéria social e de direitos civis mas, também, uma pesada herança econômica. Nesse período, o Parlamento legalizou o aborto até as 12 semanas de gestação, aprovou uma lei de casamento gay e liberou o consumo e comercialização da maconha. A taxa de pobreza caiu de 30% para 8% e a indigência (pessoas que não têm recursos para satisfazer necessidades básicas de alimentação) praticamente desapareceu.

Paralelamente, o déficit fiscal alcançou um recorde histórico, chegando a 4,6% do PIB. A economia uruguaia cresce há 17 anos consecutivos, mas as taxas superiores a 6% atingidas durante o primeiro governo do partido foram drasticamente reduzidas. Em 2019, o PIB registrou variação positiva inferior a 2%, e as previsões para este ano não são muito otimistas.

Contagiado pela recessão argentina e pela desaceleração do crescimento no Brasil, o Uruguai conseguiu evitar uma crise dramática, mas não uma deterioração em relação aos anos dourados do primeiro governo de Tabaré Vázquez (2005-2010). Dos 300 mil empregos criados em 15 anos — num país de 3,5 milhões de habitantes é muita coisa — cerca de 60 mil foram perdidos nos últimos três anos.

— O segundo governo de Tabaré (2015-2020) foi o mais fraco dos três. Mas a melhora em relação a quando chegamos ao poder é notável — disse ao GLOBO Carlos Luján, especialista em relações internacionais e alto funcionário da Chancelaria uruguaia durante o governo de José Pepe Mujica (2010-2015).

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Segurança

Para ele, “a Frente Ampla não conseguiu melhorar a segurança, a educação e manter uma estabilidade financeira. Mas é responsável por uma importantíssima agenda de direitos e por ter combatido como ninguém a pobreza”.

Muitos uruguaios saíram da pobreza. Basta visitar bairros de Montevidéu como La Teja, onde cresceu Vázquez, para ver de perto essa melhora. Foram perdidos empregos nos últimos tempos, mas muitos outros foram criados e em La Teja a população reconhece o trabalho feito pelos governos de esquerda em murais espalhados pelo bairro.

— Esses três governos da Frente Ampla serão lembrados pela agenda de direitos e pela queda da pobreza. Mas também é verdade que houve uma reforma tributária que prejudicou muito os profissionais de classe média, faltou uma reforma na educação e no Estado, desafios que a esquerda decidiu não encarar — avaliou a analista Mariana Pomies, da empresa de consultoria Cifra.

Para ela, “a questão da segurança e da penetração do narcotráfico e do crime organizado também são graves”.

— Vázquez venceu a eleição de 2004 no primeiro turno, criou uma enorme expectativa. Foram anos difíceis, renegociamos nossa dívida e saímos de um buraco econômico e social muito profundo — lembrou Mariana.

Na época, os canais de TV do Uruguai faziam reportagens sobre pessoas na extrema pobreza que comiam grama. A Frente Ampla conseguiu, nesse aspecto, dar a volta por cima. Mas manteve um Estado burocrático e em muitos aspectos ineficiente; uma educação pública e privada que mantém o mesmo currículo dos últimos 50 anos; e em nome da política social elevou o déficit fiscal aos níveis mais altos desde 1989.

Receita para a ruptura - O ESTATADO DE SP

Num regime democrático, o governo não pode tratar o Congresso como inimigo. Ao fazê-lo – por exemplo, ao dizer que o país não avança porque os parlamentares não aprovam ou sabotam seus projetos –, o governo manifesta inclinação pelo autoritarismo e, no limite, dá a entender que não reconhece a legitimidade dos deputados e senadores igualmente eleitos pelo voto direto. Quem age assim sugere disposição de criar um clima de confronto, algo que só interessa a quem acalenta tendências autoritárias.

A democracia supõe a prevalência do desejo da maioria, mas essa maioria só se constitui momentaneamente, depois de amplo debate público, no qual os pontos de vista divergentes também são considerados. Ou seja, não existe maioria constituída a priori, por mais que os governantes interpretem sua plataforma política como sendo o desejo majoritário do país. 

Os projetos de qualquer governante, ainda que este tenha recebido expressivo aval das urnas, precisam ser negociados um a um no Parlamento, que por sua vez reflete a multiplicidade de interesses da sociedade e deve igualmente proteger a minoria contra a tirania da maioria. Ou seja, a maioria dos votos nas eleições precisa ser convertida em apoio no Parlamento – a isto se dá o nome de política.

Para conseguir implementar as ideias com as quais se elegeu, o governante precisa dialogar com as diversas forças democráticas do país, num duro trabalho de convencimento. Nessa tarefa, o sucesso obviamente depende muito da capacidade do governante de argumentar em favor de seus projetos, mas, antes de mais nada, depende de uma demonstração cabal de respeito pelo órgão deliberativo. Isso se dá quando o governante expressa disposição para conversar e explicar em detalhes o que pretende, dando aos parlamentares o esclarecimento necessário para que estes ponderem e calibrem a matéria antes de comunicar sua decisão pelo voto.

Quando um governante se limita a enviar projetos ao Congresso, sem se dar ao trabalho de explicá-los nem de defendê-los, menospreza o Parlamento. Dá a entender que o Legislativo deve apenas chancelar o que já teria ficado decidido nas eleições, como se aquilo que o povo quis naquele momento fosse uma decisão de cabimento universal, para tudo e para todos. Não é. Por essa lógica, o Congresso, caso rejeite o projeto encaminhado pelo governo, estará se opondo não ao governo, mas ao próprio país – o que é um absurdo.

Considerando-se conectado diretamente aos eleitores, o governo que revela esse caráter demagógico alimenta uma crise que pode desembocar numa ruptura – e são inúmeros os exemplos históricos de governantes que violaram a Lei Maior porque se sentiam tolhidos para exercer um poder que julgam ter recebido do povo, estando manietados pelo Parlamento e pelo Judiciário. Mais recentemente, verifica-se o fenômeno de autocratas que nem precisaram dar um golpe clássico, com tanques e militares, para vergar as instituições a propósitos. Na Venezuela, o chavismo se impôs minando paulatinamente o Parlamento e a Suprema Corte, enquanto destruía a imprensa livre, sufocando economicamente os jornais críticos do regime, e arregimentava cada vez mais apoio popular graças ao mais desbragado clientelismo.

Esse trabalho de destruição da democracia por dentro – que inclui a desmoralização da política, o frequente desafio à Constituição e o ataque sistemático à imprensa nos últimos tempos, ficou tremendamente facilitado pelo trabalho de aguerridas milícias digitais. Essas milícias multiplicam o poder de destruição da reputação daqueles que ousam questionar o governo ou salientar seus aspectos autoritários.

Um governo que escolhe cercar-se não de articuladores políticos, mas de delinquentes digitais, demonstra evidente desapreço pela democracia e indisfarçável desejo de provocar uma ruptura institucional. O antídoto para essa insensatez é dobrar a aposta na democracia: o Congresso deve ser capaz de recuperar o valor da negociação política, o Judiciário deve preservar o império da lei contra os ímpetos liberticidas e a imprensa deve ter serenidade para mostrar a verdade dos fatos no momento em que a máquina governista de desinformação está a pleno vapor.

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