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Rompimento de barragem particular acende alerta para construções irregulares

BARRAGEM ARROMBADAS

O rompimento da barragem Maracanã, no sítio homônimo, na zona rural de Icó, evidencia o cenário de médios e pequenos açudes construídos em propriedades particulares. Muitos desses reservatórios, a exemplo da barragem que se rompeu neste fim de semana, foram construídos sem qualquer acompanhamento ou supervisão técnica.  

No caso da barragem Maracanã, o proprietário do terreno onde o açude foi erguido, em 1984, disse ter “cedido o espaço para que o Governo do Estado assumisse a construção”. Raimundo Sobrinho garante que, a construção original, contou com orientação técnica.

No entanto, ao longo dos anos, os próprios moradores do Sítio Maracanã aumentaram a área de barragem das águas, saltando de 45 metros de comprimento, para 65 metros. 

Esta expansão, no entanto, não teve supervisão ou autorização de nenhum órgão competente. Conforme o coordenador da Defesa Civil de Icó, Hélio Silva, a barragem não suportou a pressão da água. “A parede foi aumentada em 60 centímetros. Isso aumentou a capacidade do açude e, com as cheias, a estrutura não suportou”, detalhou Silva. 

Com o rompimento parcial da parede, áreas de plantio foram destruídas. Os agricultores estimam prejuízo de R$ 20 mil. Nenhuma casa foi afetada. Ainda conforme a Defesa Civil, outras barragens estão sendo monitoradas. “Notificamos dois pequenos açudes e os proprietários já estão tomando as providencias”, acrescentou Hélio. DIARIODONORDESTE

Pouco conhecido, Rio Cariús garante recarga hídrica ao Açude Orós

RIO CARIUS

Pouco conhecido, o Rio Cariús é o principal responsável por cheias da Bacia do Alto Jaguaribe e pela recarga do Açude Orós - segundo maior reservatório do Estado, hoje com apenas 4,87% de sua capacidade - que é estratégico para abastecimento das cidades de Orós, Jaguaribe, Jaguaretama, Pereiro e dezenas de vilas e localidades rurais. Porém, sua nascente, em Santana do Cariri, nos últimos anos, tem sofrido com o desmatamento, a captação de água nas fontes e a ocupação irregular.

Já no seu trajeto, o Cariús recebe esgoto de quatro municípios. Quem vê as águas escorrerem no leito do Rio Jaguaribe na cidade de Iguatu, cerca de 30 Km do Açude Orós, não imagina que essas são oriundas da Chapada do Araripe. O fato é que o principal curso d'água cearense nasce na região dos Inhamuns, em Tauá, na Serra da Joaninha, e faz com que os moradores imaginem que a cheia do rio é favorecida somente por chuvas daquela região.

O Rio Cariús deságua no Jaguaribe no município de Jucás, acima de Iguatu. "É um dos mais importantes afluentes da Bacia do Alto Jaguaribe, pois, na região do Cariri, historicamente chove bem mais do que nos Inhamuns", observa o gerente do escritório da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), em Iguatu, Anatarino Torres.

No último mês de fevereiro, as chuvas em Santana do Cariri (272,7 mm), Nova Olinda (350,5 mm) e Farias Brito (233,8 mm) ficaram acima de suas médias históricas em 65,3%, 101,3% e 39,3%, respectivamente.

"A pequena cheia atual no Rio Jaguaribe, em Iguatu, é oriunda totalmente do Cariús", reforça Anatarino "Quando chegar a água vinda do Alto Jaguaribe haverá um aumento do volume porque ela se une com a oriunda do Cariri", completa.

Segundo o geólogo e gestor de recursos hídricos, Yarley Brito, o Rio Cariús é um dos melhores para a recarga do Orós porque não há nenhum barramento em seu trajeto. "Construíram muitos reservatórios ao longo do (Rio) Jaguaribe que impedem a água de chegar no Orós", frisa. "Os últimos foram o Arneiroz II, em Tauá, e o Trussu, em Iguatu". Ao longo do curso, são mais de 500 milhões de metros cúbicos acumulados. "O Cariús é o grande contribuidor porque ele está livre", completa o geólogo.

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20 reservatórios no Ceará atingiram a capacidade máxima

OPOVO14:07 | 09/03/2020
Açude Araras, em Varjota, atingiu 58,43% da capacidade
Açude Araras, em Varjota, atingiu 58,43% da capacidade (Foto: Emanuell Coelho/Especial Para O POVO)

Vinte reservatórios no Ceará atingiram a capacidade máxima e estão sangrando. Na última semana, a Barragem do Batalhão, em Crateús, atingiu sua média, assim como os açudes Gangorra, em Granja, e Gomes, em Mauriti. Os dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) indicam ainda que outros 26 reservatórios estão acima dos 90% de capacidade.

Mesmo com o alívio na região, a preocupação persiste no restante do Estado, com 87 açudes abaixo dos 30%. Entre eles, o Castanhão, responsável pelo abastecimento de municípios do Vale do Jaguaribe e da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), que atingiu apenas 3,2% da sua capacidade.

O acude Orós, da bacia do Alto Jaguaribe, está com 4,87% e o Banabuiú, na bacia de mesmo nome, apresenta 6,15%.

As precipitações em fevereiro excederam o esperado para o mês em apenas 18 dias. Ainda na pré-estação, em janeiro, o resultado também ficou acima do normal para o mês. 

Confira os reservatórios que estão sangrando no Ceará:

Itaúna (101,5%)

Gangorra (101,2%)

Tucunduba (110,32%)

Diamantino I I (106%)

Várzea da Volta (110,5%)

Jenipapo (103,2%)

Sobral (103,9%)

Acaraú Mirim (110,3%)

São Vicente (102,1%)

São Pedro Timbaúba (108,7%)

Quandú (102,2%)

Gamaleira (104,6%)

Itapebussu (117,7%)

Germinal (100,09%)

Acarape do Meio (100,3%)

Tijuquinha (100,2%)

Barragem do Batalhão (100,05%)

Colina (101,9%)

Calderões (103,9%) 

Gomes (100,7)

A deterioração da infraestrutura -

Os investimentos federais em transporte vêm caindo desde 2012 e a previsão é de que em 2020 recuarão ao patamar de 2001. O dado levantado pela Confederação Nacional da Indústria expõe os efeitos deletérios das más políticas públicas no setor de infraestrutura e a urgência de fomentar condições para atrair o capital privado.

Investimentos em infraestrutura são cruciais para desenvolver a economia e garantir direitos fundamentais à população. Cerca de 100 milhões de brasileiros não têm acesso a esgoto, o que os expõe a toda sorte de moléstias que põem em risco o mais fundamental dos direitos: o direito à vida. Ao mesmo tempo, a precária estrutura de transportes mina a competitividade do agronegócio e da indústria, inviabilizando qualquer perspectiva de desenvolvimento nacional. Do norte ao sul do País, dez em dez empresários podem confirmar o ônus da má logística nacional para a produção e comercialização de seus produtos.

Os custos logísticos no Brasil correspondem a 12,3% do PIB, bem mais do que, por exemplo, nos Estados Unidos (7,8%). De acordo com o Fórum Econômico Mundial, num grupo de 137 países, o Brasil ocupa a 65.ª posição quanto à infraestrutura de transportes. O Banco Mundial estima que o Brasil poderia exportar cerca de 30% mais somente com melhorias logísticas. Os custos do transporte na exportação são maiores que as tarifas do protecionismo, e a rentabilidade dos produtos exportados tem caído consistentemente.

Segundo a InterB, consultoria especializada em infraestrutura, na década de 1980 o estoque de investimentos em infraestrutura representava cerca de 60% do PIB. Hoje corresponde a pouco mais que 35%. Em países desenvolvidos, este estoque responde por algo entre 65% a 85% do PIB. Entre 2001 e 2017, o investimento anual médio em saneamento básico ficou em 0,18% do PIB, quando o ideal seria 0,45%, e o investimento em transporte ficou em 0,67%, bem abaixo do ideal de 2%. Hoje os investimentos públicos e privados em infraestrutura totalizam cerca de 1,8% do PIB, muito aquém dos 4,15% estimados para elevar, em duas décadas, o estoque de infraestrutura ao nível dos anos 80 – o mínimo necessário para garantir a competitividade do setor produtivo e a oferta de serviços básicos à população.

Mas este crescimento quantitativo não virá do setor público, que, na melhor das hipóteses, pode qualificar os seus investimentos. Há anos os investimentos públicos são devorados pela Previdência e o custeio do funcionalismo. Quase 60% dos gastos da União se destinam a pensões e aposentadorias, quando o padrão mundial gira entre 20% e 25%. E os gastos não param de crescer, e os investimentos de encolher – tendência acelerada com a recessão. Em 2012, a União chegou a investir R$ 35,6 bilhões em transporte. Em 2020, serão apenas R$ 7,9 bilhões.

Além de cada vez menores, os investimentos do Estado são cronicamente ruins, como testemunha o festival de obras paradas no País. Segundo o TCU, das 38 mil obras federais, cerca de 14 mil (38%), totalizando R$ 144 bilhões em contratos, estão paralisadas, mormente por deficiências na elaboração e avaliação dos projetos. Isso sem falar do volume de recursos drenados pelos propinodutos dos quais se tem uma pálida ideia por operações como a Lava Jato.

Tudo isso escancara a necessidade de avançar a agenda contra a corrupção e pressionar o governo e o Parlamento por reformas que viabilizem as contas públicas. Além disso, eles precisam robustecer e acelerar os planos de concessões e privatizações, com regras equilibradas que garantam a um tempo rentabilidade e segurança aos investidores, e qualidade a custos razoáveis aos usuários. O maior fluxo de capital privado dará algum respiro ao poder público para eleger melhor suas prioridades e investir justamente nas áreas mais vulneráveis – isto é, cujo retorno é menos palpável e vem a longo prazo –, mas essenciais, como saúde e educação. 

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 03h00

BOLSONARO APOIA MANIFESTAÇÃO - Ação e reação

O presidente Bolsonaro, demonstrando o quão o faro político pode substituir sua tosca visão de mundo, deu ontem um salto triplo carpado e passou a convocar a manifestação do dia 15 retirando dela o caráter crítico aos poderes da República.

Não quer dizer, e ele sabe disso, que não haverá bonecos infláveis do presidente da Câmara Rodrigo Maia, ou faixas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros, ou a imprensa independente.

Apenas, com a fala explícita, Bolsonaro, em tempos de coronavírus, lavou as mãos, dissociando-se da original manifestação baseada do “foda-se” o Congresso dito pelo General Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em conversa vazada.

Quando apoiou reservadamente o movimento, em grupo de WhatsApp, Bolsonaro desencadeou crise institucional que ainda assombrava a manifestação convocada por seus seguidores nas mídias sociais. Distorcendo o sentido original da manifestação para ampliá-la em direção a uma improvisada advertência popular aos mandatários do país, inclusive ele próprio, Bolsonaro oficializa a manifestação e tira de seu apoio o caráter conspiratório.

Mas se exime de culpa caso ela retome seu rumo inicial de criticas aos que não “deixam o homem trabalhar”, no caso ele próprio. Foi um lance improvisado, sem dúvida, pois até mesmo seu filho Eduardo estava pedindo a correligionários que não fossem à manifestação para não criar embaraços políticos a seu pai.

Bolsonaro foi além e liberou os manifestantes. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já tentara fazer isso, sem sucesso, junto aos movimentos populares de direita que organizam a manifestação. Sugeriu que ela fosse a favor das reformas, e não contra o Congresso. Mas não tem força política fora de sua área, nem a habilidade do presidente Bolsonaro, que consegue transformar as piores derrapadas em jogadas de mestre para os já convencidos.

O General Augusto Heleno, que pelo jeito gosta de uma disjuntiva, disse que é mentira que a manifestação seja contra a democracia, apesar de temas como intervenção militar ou fechamento do Congresso e do Supremo façam parte da pauta de reivindicações.

Ontem, contei aqui que ao ser consultado pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia sobre o temor de deputados de estarem sendo grampeados nas conversas telefônicas ou gravados em encontros no Palácio do Planalto no inicio do governo, o ministro tranquilizou-o: “Isso aí acabou”. Uma negativa que traz consigo uma afirmação de que em algum momento houve.  

Como autor intelectual da manifestação, pois foi ele quem sugeriu que o povo fosse convocado para impedir a “chantagem” do Congresso sobre o Executivo, o General Augusto Heleno sabe que ninguém quer “calar o povo” criticando a manifestação, mas travar uma marcha antidemocrática que estava sendo estimulada pelo próprio governo.

Na verdade, ninguém faz marcha a favor de alguma coisa, mas contra. Marcha a favor do aborto é contra a legislação que o proíbe ou restringe. Marcha a favor do Governo é contra os que não o deixam atuar. E ao dizer que o presidente Bolsonaro está encontrando resistências de grupos corruptos que combate, o General Heleno está endossando os manifestantes que acusam Congresso e Supremo de impedir o presidente de ir adiante.

De fato, o presidente Bolsonaro, com sua rede nos meios sociais, está criando um ambiente no país que obscurece sua incapacidade de gestão com a sombra de uma suposta manobra de “forças ocultas” que o impedem de avançar.

Já vimos esse filme antes, numa tentativa de golpe do então presidente Jânio Quadros, que não deu certo. Mas Bolsonaro está tendo o cuidado de tentar criar um ambiente propício a um autogolpe, jogando seus seguidores - que hoje já não representam a maioria do povo brasileiro - contra as instituições que dão limites ao Executivo: imprensa independente, Legislativo e Judiciário.
 Haverá reações institucionais.

Para pesquisadores, criação de factoides ajuda Bolsonaro a mobilizar militância e lidar com notícias negativas

Marlen Couto / O GLOBO

 

BOLSONARO À PORTA DO ALVORADA

 

RIO - A cena tem se repetido na saída do Palácio da Alvorada. Sob aplausos de sua claque, o presidente Jair Bolsonaro é questionado pelos jornalistas sobre temas do momento — do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) aos desdobramentos da investigação do Ministério Público do Rio envolvendo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). A resposta do presidente é disparada na forma de ataques à imprensa ou de declarações não esperadas de quem ocupa o comando do Executivo.

 

Aparentemente espontânea, a fórmula é uma estratégia que, na avaliação de especialistas consultados pelo GLOBO, serve a múltiplos propósitos: mobiliza sua base mais fiel nas redes sociais; cultiva a posição antiestablishment adotada por Bolsonaro desde a campanha de 2018; e divide a atenção de notícias negativas para sua gestão e a primeira-família.

No episódio mais recente, Bolsonaro foi ao encontro dos jornalistas na última quarta-feira, acompanhado pelo humorista Márvio Lúcio, conhecido como Carioca, que estava fantasiado com terno, peruca e faixa presidencial. Perguntado sobre o resultado do PIB, que segundo o IBGE teve alta de 1,1%, a menor taxa desde o fim da recessão, o presidente fugiu do tema e sugeriu ao humorista responder à imprensa. A cena foi filmada por um ajudante de ordens da Presidência e transmitida nos perfis de Bolsonaro nas redes sociais, onde gerou mais de 5,7 milhões de visualizações até a última sexta-feira.

No Twitter, o resultado do PIB gerou 208,8 mil menções entre o dia 2 e 6 de março, de acordo com levantamento da startup de big data Arquimedes, feito a pedido do GLOBO. A maior parte das postagens, cerca de 81,2%, teve tom de desaprovação ao desempenho da economia e à participação do humorista na coletiva de imprensa na porta do Alvorada. Já as publicações em defesa do governo e que repercutiram positivamente a presença de Carioca somaram 18,8% das menções.

— No saldo final, o humorista acabou dando mais argumentos aos detratores do governo, que dominaram o debate nas redes — avalia Pedro Bruzzi, sócio da Arquimedes.

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