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O racha do Centrão - ISTOÉ

A tentativa do governo de conquistar apoio no Congresso, abraçando o Centrão, pode estar indo por água abaixo. O “namoro” entre o Executivo e o Legislativo, que nunca foi muito tranquilo, está tenso novamente com o impasse provocado pela decisão do MDB e do DEM de dar um tempo na relação. A movimentação no bloco, que ao longo dos últimos anos se tornou o fiel da balança no Congresso, tem como pano de fundo a escolha do sucessor do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pode abalar o equilíbrio de forças na Casa.

 

O relacionamento começou a azedar quando o deputado Arthur Lira (PP-AL) — nome de confiança do Planalto e encarregado de aglutinar bases que garantissem a Jair Bolsonaro o poder de barrar eventuais denúncias contra ele —, tentou minar o poder do presidente da Câmara e, de quebra, colocar-se como sucessor de Maia. Por estar no comando do chamado blocão, que reunia, além do Centrão, os deputados da base governista, Lira achou que teria mais força do que realmente tinha. A reunião dos dois grupos ocorreu no ano passado para definir a formação da Comissão Mista de Orçamento (CMO), unindo legendas como PL, PP, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, PROS e Avante.

Com o Centrão, anteriormente formado por 252 deputados de dez legendas diferentes, somado aos 41 do PSL, o governo poderia chegar a 293 deputados na sua base de apoio, um sonho impossível. Agora, com a saída do MDB, DEM, PTB e PROS, o jogo parece que virou. Na nova configuração, o governo fica só com 199 deputados, número insuficiente para aprovar reformas e governar com maioria. Porém, pode conseguir impedir uma votação de impeachment contra o presidente. Na outra ponta, o grupo independente, que antes tinha 78 deputados, engordou com a chegada do novo grupo e agora soma 171 membros, podendo colocar mais pedras no caminho do governo e até eleger o presidente da Câmara.

O presidente Jair Bolsonaro se aproximou do Centrão quando se sentiu acuado após denúncias de influência na PF e a prisão de Queiroz

Pressão

Bolsonaro se aproximou do Centrão em abril deste ano, quando começou a se sentir acuado com as investigações sobre sua interferência na Polícia Federal, após a saída do ministro da Justiça, Sergio Moro. A tensão se acentuou com a prisão de Fabrício Queiroz, em junho. A partir daí o presidente passou a oferecer cargos em troca de sustentação política, adotando a prática que sempre condenou, a chamada política do toma lá da cá.

No entanto, a vitória de Maia na votação do fundo que financia a educação básica, o Fundeb, comprovou a força que o líder ainda mantêm na Casa e colocou o governo, e o próprio Lira, numa saia justa, provocando o racha no bloco. Agora, além do grupo chefiado pelo deputado de Alagoas, e do outro liderado pelo presidente da Câmara, ainda existe uma terceira frente costurada pelo presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), considerado um dos desafetos de Bolsonaro. Tudo isso junto e misturado, acabou enfraquecendo Bolsonaro. Daqui pra frente, ele só poderá observar as peças se mexendo nesse novo jogo para a disputa pela presidência da Casa, sem grande poder de fogo.

Neste novo cenário, o DEM e o MDB estudam lançar um candidato com apoio de Maia. O nome mais cotado é o de Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, que deve começar a ganhar maior projeção no segundo semestre, com a discussão da Reforma Tributária, uma das especialidades do parlamentar. Rossi é autor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que tramita no Congresso e que conta com a chancela de Maia.

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