Butantan produzirá 400 milhões de doses de vacinas com investimento do Ministério da Saúde, diz secretário paulista
O complexo de fábricas de vacinas do Instituto Butantan pode ser ampliado para produzir 400 milhões de doses caso o Ministério da Saúde concorde em investir R$ 1,9 bilhão em sua ampliação.
Neste número estão incluídas 120 milhões de doses de vacina para o novo coronavírus _sem a ampliação, será possível produzir apenas a metade disso.
A informação foi dada à coluna pelo secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, antes de entrar na reunião com o ministro interino da Saúde, Ernesto Pazuello, na manhã desta quarta (26).
Gorinchteyn foi ao encontro acompanhado pelo presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, que já tinha recebido integrantes da pasta da saúde em SP nesta semana para expor o projeto de produção da vacina do novo coronavírus em larga escala.
O secretário afirma que a fábrica do Butantan já está começando a preparar a reforma que a capacitará a produzir 60 milhões de doses do imunizante para o novo coronavírus a partir de 2021.
Parte dos R$ 150 milhões para essa etapa já estão garantidos, em arrecadação feita com empresas da iniciativa privada. Já são R$ 100 milhões disponíveis. Faltam R$ 50 milhões.
Uma ampliação efetiva, que permitisse dobrar a produção do imunizante do novo coronavírus para 120 milhões de doses, no entanto, dependeria de uma injeção mais forte de recursos.
Por isso o secretário marcou encontro para iniciar uma negociação com o Ministério da Saúde.
A vacina do novo coronavírus já está na terceira etapa de testes clínicos, que estão sendo feitos também em 9.000 voluntários no Brasil, num acordo com a farmacêutica chinesa Sinovac, que lidera as pesquisas e fabrica a vacina.
Caso ela seja de fato segura e efetiva, os chineses se comprometeram a enviar 45 milhões de doses a São Paulo até dezembro, e mais 15 milhões de doses no primeiro trimestre de 2021, totalizando 60 milhões de doses.
O restante teria que ser fabricado no Brasil.
"O investimento [de R$ 1,3 bilhão] é baixo perto do que pode acontecer com o país se não tivermos a vacina disponível para todas as pessoas", diz Gorinchteyn.
Ele diz estar otimista quanto à segurança e à efetividade do imunizante. "É preciso garantir a produção para que a vacina seja acessível a todos os brasileiros, de forma gratuita, para que possamos controlar essa epidemia", segue o secretário.
A ampliação do complexo, que fabrica atualmente 120 milhões de doses de vacinas contra os vírus da gripe, da hepatite A e B, da raiva humana e HPV, permitiria ao Butantan, em até quatro anos, produzir as 400 milhões de doses de todos esses imunizantes, aí incluída a vacina para a Covid-19.
Mônica Bergamo
Brasil perdeu 3 milhões de sindicalizados após reforma trabalhista, diz IBGE
O Brasil perdeu 3 milhões de sindicalizados desde a reforma trabalhista ocorrida em 2017, mostram dados da Pnad Contínua do ano passado divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (26).
Eram 13,5 milhões de brasileiros ocupados e sindicalizados em 2016, último ano antes de a reforma entrar em vigor. A partir do ano seguinte, o país começou a ter queda brusca no contingente de trabalhadores ligados a sindicatos. No ano passado, chegou a 10,5 milhões, uma queda de aproximadamente 3 milhões.
Além da redução, o país também aumentou o número de pessoas ocupadas em quase 4 milhões no período. Eram 90,8 milhões em 2016, passando a 94,6 milhões no ano passado. E o percentual de trabalhadores sindicalizados caiu de 14,9% para 11,2%.
A reforma trouxe liberdade de associação sindical e deu aos trabalhadores possibilidade de negociar bancos de horas, jornadas e outros itens individualmente, sem participação de sindicatos.
Por exemplo, criou um novo tipo de demissão, que pode ser negociada por patrões e empregados, e estabelece normas que reduziram a interferência dos sindicatos. Em caso de o funcionário ser demitido, a rescisão do contrato de trabalho não precisa mais ser homologada pelos sindicatos, por exemplo.
Já as demissões coletivas poderão ser feitas sem negociação com sindicatos, que não precisam mais ser comunicados da decisão da empresa
Os sindicatos também ficaram enfraquecidos com o fim de sua principal fonte de financiamento, o imposto sindical obrigatório. Com a reforma, o imposto passa a ser recolhido apenas de quem autorizar o desconto no salário.
Com a reforma, a queda na sindicalização foi generalizada, ocorrendo em todas as regiões do Brasil. No Nordeste, o contingente caiu de 15,7% em 2016 para 12,8% em 2019. No mesmo período, o Sudeste foi de 14,3% a 10,8% e o Sul de 17,8% a 12,3%.
A redução ainda ocorreu mesmo nos setores com sindicatos tradicionalmente mais fortes. No grupo Transportes, armazenagem e correios, por exemplo, eram 20,9% de sindicalizados em 2012. A partir de 2017, quando ainda a taxa ainda era alta, de 17,5%, a diminuição passou a ser brusca e chegou a 11,9% no ano passado.
Isso ocorreu mesmo com um aumento na população ocupada desse grupo nos últimos anos, principalmente devido à atividade de transporte terrestre de passageiros, com a expansão dos aplicativos de motoristas.
"Essa categoria se caracteriza por trabalhadores por conta própria, sem vínculo sindical. Então, temos um aumento na base da população ocupada e uma redução na associação a sindicatos, que acarreta uma queda na taxa”, disse Adriana Beringuy, analista do IBGE.
De acordo com Beringuy, apesar de a reforma trabalhista de 2017 ter seu foco nos trabalhadores com carteira assinada, os resultados mostram que a organização sindical como um todo foi afetada.
“Em um primeiro momento, as atividades com mais contratos celetistas tiveram maiores quedas em 2018, porém a perda nos recursos e capacidade de organização e mobilização das centrais sindicais pode, também, ter afetado o setor público”, disse Beringuy.
Segundo a analista, as grandes centrais sindicais congregam trabalhadores do setor público e privado, como professores e médicos, por exemplo. Entre 2018 e 2019 ocorreu uma queda recorde no grupamento de administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde e serviços sociais, que registrou menos 531 mil pessoas sindicalizadas.
Outro fator que pode ter contribuído para a diminuição do número de sindicalizados no país foram as aposentadorias.
Em 2019, diante da tramitação da reforma da Previdência, vários servidores públicos que já reuniam alguns requisitos para se aposentar adiantaram a burocracia.
De acordo com a analista do IBGE, no primeiro semestre do ano passado houve mais pedidos de aposentadoria no setor público do que em todo o ano de 2018. "Os servidores mais antigos costumam ser associados a sindicatos, e suas aposentadorias representaram uma queda na taxa de sindicalização”, explicou.
Dados do CNJ apontam custo de R$ 51 mil por juiz aos cofres públicos
O relatório “Justiça em Números”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), referente ao ano de 2019 mostrou que cada juiz brasileiro custa aos cofres públicos R$ 50,9 mil por mês em média.
Na quantia estão englobados os custos com a remuneração, indenizações, encargos sociais, previdenciários, Imposto de Renda e despesas com viagens. Também estão incluídos pagamentos a inativos e pensionistas.
Apesar dos vencimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) não estarem incluídos nos números divulgados pelo CNJ, o reajuste salarial concedido aos ministros da Suprema Corte em 2018 incidiu nos salários de todos os tribunais do País. Com isso, a folha de pagamento sofreu um aumento na escala hierárquica do Judiciário brasileiro.
Outro dado mencionado pelo CNJ foi que, pela primeira vez desde 2009, a Justiça registrou um congestionamento menor que 70%. Além disso, a produtividade dos magistrados também aumentou e foi a maior registrada no período de 10 anos. ISTOÉ
POPULARIDADE DE BOLSONARO ACENTUA DIVISÃO NA ESQUERDA
Sérgio Roxo / ÉPOCA
O crescimento da popularidade do presidente Jair Bolsorano acentuou a divisão dos partidos de esquerda e centro-esquerda sobre os caminhos da articulação da oposição ao governo federal. Enquanto o PT descarta uma ameaça ao lulismo, líderes de outras siglas enxergam um enfraquecimento do ex-presidente e acusam sua legenda de impedir a união desse campo político.
As diferentes forças concordam, porém, que as chances de impeachment, uma bandeira que vinha sendo levantada em conjunto, se tornaram remotas desde que o Datafolha mostrou no último dia 14 uma elevação do índice de ótimo e bom do governo de 32% para 37%, o melhor patamar desde o começo do mandato em janeiro do ano passado.
A pesquisa registrou uma melhora da popularidade no Nordeste, onde a aprovação passou de 27% para 33%. Desde a eleição presidencial de 2006, a região deu vitórias eleitorais robustas a Lula e candidatos do PT. O crescimento de Bolsonaro entre os nordestinos é atribuído ao pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 desde abril.
"Bolsonaro tenta migrar de uma base unida pela questão dos costumes para uma base de necessitados. E quem é mais afetado com isso é Luiz Inácio lula da Silva. O eleitor que Bolsonaro tenta capturar nem é de esquerda", afirma Carlos Lupi, presidente do PDT.

O dirigente trabalhista diz que Lula tem hoje uma preocupação maior de cuidar de sua biografia e de seu partido, como fazia antes de ser eleito presidente.
"Isso é legítimo, mas o coloca em patamar inferior ao que já teve. Em todas as pesquisas nos estados, a queda da influencia eleitoral do Lula é impressionante. Ele preso estava muito melhor do que está hoje".
Presidente do PSB, Carlos Siqueira também avalia que a ameaça do crescimento de Bolsonaro é muito maior para o PT do que para a esquerda em si. Ele ainda classifica o Bolsa Família, implantado na gestão petista, de “assistencialista”.
"O Bolsonaro busca o tipo de eleitorado que se comporta de acordo com o nível de assistencialismo de cada governo. Isso não se pode chamar de programa social".
Siqueira vê um problema de comunicação da oposição, que permitiu ao presidente ficar com todos os louros da distribuição do auxílio emergencial, apesar de ter proposto inicialmente uma quantia de R$ 200 para o benefício. O valor foi aumentado durante a tramitação no Congresso.
Carcinicultura no Nordeste, escândalo ambiental fora da mídia

RIO JAGUARIBE CE
A história que vamos contar tem tudo a ver com suas escolhas como consumidor, e lembra um filme de horror recheado de escândalos. Envolve crimes de morte, ameaças e intimidações, como testemunhei. E ainda contempla a extirpação de grandes espaços de mangue, área protegida (APP – Área de Preservação Permanente), e o segundo mais importante criatório de vida marinha depois dos corais, áreas públicas protegidas mas ‘doadas’ aos produtores; sem falar nos muitos e importantes serviços ecossistêmicos que presta. Carcinicultura no Nordeste, escândalo ambiental fora da mídia.
Quando fiz a primeira viagem pela costa brasileira, saindo do Oiapoque e chegando no Chuí dois anos depois, fiquei impressionado com vários aspectos, bons, e ruins; o pior era o descaso com o tema que hoje debatemos. Ao entrar no Piauí, e até o Sul da Bahia, o que mais vi foram estuários degradados pela carcinicultura. O único Estado a contestar a atividade era a Paraíba.
Em todos os outros, quando perguntava sobre carcinicultura os funcionários públicos desviavam do tema, rodeavam, e não explicavam. Como é possível destruir impunemente um dos mais importantes berçários de vida marinha protegido pela legislação ambiental?
O escândalo da Operação Marambaia no Ceará
Em 2008 foi iniciada no Ceará a Operação Marambaia, investigação da Polícia Federal, sobre licenças ambientais fraudulentas em áreas de preservação, estudos de impacto ambiental viciados, tráfico de influência, peculato, prevaricação, suborno e outros crimes que favoreciam a especulação imobiliária no litoral de Fortaleza.
O juiz Danilo Fontenele, da 11ª Vara Federal ‘aplicou pena de até 32 anos e meio a um dos acusados, o geólogo Tadeu Dote Sá, 62 anos, proprietário da Geoconsult’. Foi acusado ‘por elaborar laudos fraudulentos para a viabilização de quatro empreendimentos construídos em praias do Estado’.
Professor da UFC condenado à pena acima de 30 anos
Jornal O Povo: ‘Outro sentenciado que teve uma pena acima de 30 anos foi o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luís Parente Maia. Ele, que já coordenou o Laboratório de Ciências do Mar (Labomar), pegou 32 anos em regime fechado e terá de reembolsar R$ 2 milhões por dano ambiental’.
Parente Maia utilizava pessoal e material da UFC para fazer seus pareceres de impacto ambiental, e ‘recebia honorários que eram pagos pelos empreendedores’.
‘Entre os condenados da Operação Marambaia está Raimundo Bonfim Braga (Kamundo), ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), que pegou seis anos em regime aberto. Também Hebert de Vasconcelos Rocha, ex-superintendente estadual do Meio Ambiente (Semace) durante a primeira na gestão do governador Cid Gomes, que pegou sete anos’.
‘E a ex-secretária do Meio Ambiente de Fortaleza, Daniela Valente Martins. A arquiteta, que atuou no primeiro mandato da prefeita Luizianne Lins, foi condenada a oito anos por tráfico de influência.
Atenção: a carcinicultura conseguiu diversos ‘pareceres’ semelhantes aos mencionados, alguns assinados pelo mesmo Luís Parente Maia (coordenador do Labomar, da UFC) negando impacto ambiental mesmo para ações que extirpavam manguezais, áreas de preservação permanente, as APPs.
Como a Justiça no Brasil, é a Justiça do Brasil, em 2019 o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF 5), absolveu nove réus da Operação Marambaia, já condenados pela Justiça Federal. O décimo envolvido foi absolvido pelo processo ter prescrito. O décimo primeiro teve a pena reduzida, e outro réu morreu antes do julgamento.
Escândalo na carcinicultura da Bahia
Como disse, parte das fazendas é de políticos, outras, nas mãos de gente do crime; caso de uma das maiores da Bahia (à época da viagem, 2005 -2007), a Lusomar, no município de Jandaíra.
Investiguei os antecedentes da empresa. Tudo indicava que o então governador da Bahia, Paulo Souto, financiou as obras da empresa com dinheiros públicos do FNE (Fundo Constitucional do Nordeste).
O FNE afirma em suas diretrizes “preferência aos mini e pequenos empreendedores”, e projetos que “protejam o meio ambiente”. Paulo Souto favoreceu o empréstimo em troca da Lusomar contribuir para a campanha de um prefeito de sua corrente política no município de Jandaíra onde se localiza a fazenda (o antigo prefeito era aliado de ACM, inimigo e rival político).
A Lusomar cumpriu sua parte, elegeu Herbert Maia, do PDT, como prefeito de Jandaíra. Fui atrás. Ele tem dois CPFs, e farta ficha policial. Cinco processos na Justiça de Alagoas, 41 no TJ de Sergipe, e 11 processos do Tribunal de Contas da União.
Herbert Maia estava envolvido em emissão de notas frias, roubo e desmanche de veículos, e crimes de pistolagem. Em 1988 foi preso em Sergipe. Acusação: líder de quadrilha, vendia notas fiscais frias para diversas prefeituras.
Segundo nossa pesquisa, também estava envolvido em crimes de morte, como o que vitimou o promotor de Cedro de São João, Waldir de Freitas Dantas, assassinado em 19 de março de 1988.
Por fim, Herbert foi denunciado pelo comparsa de nome Cristinaldo Santana, vulgo “ Veneno ”, de receptação e desmanche de carros roubados. Os casos vieram à tona com sua “ vitória ” nas eleições (1797 votos contra 1721 do segundo colocado).
Assim funciona a carcinicultura no Nordeste.
Carcinicultura no Nordeste: sustentável ou insustentável?
Os camarões são alimentados com farinha de peixe. Para produzir um quilo de farinha, são necessários sete quilos de peixes não visados pela pesca profissional, mas com igual importância na cadeia de vida marinha. Note o paradoxo: para produzir um quilo de crustáceos, mata-se sete quilos de peixes. A conta não fecha, é totalmente insustentável.
Isto não é tudo. Além de gerar poucos empregos, a maioria sem carteira assinada mas empregos sazonais, a atividade é extremamente poluidora. Na hora da despesca, a água poluída dos tanques de criação é devolvida para a gamboa, contaminando o restante do manguezal não extirpado.
O maior escândalo de todos: carcinicultura no Nordeste, escracho ambiental ausente da mídia
Apesar de parte das fazendas serem de políticos, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, e até um ex-presidente da República, a mídia tupiniquim não abre sequer um parágrafo para comentar a carcinicultura. Assim, como o público fica sabendo? A despeito disso, a mídia internacional botou a boca no trombone.
Desde 2005 o Mar Sem Fim denuncia o descalabro da criação de camarões praticamente sozinho (entre a mídia) no Brasil. Pode ser que algum veículo do Sudeste já tenha feito reportagem a respeito mas, se fez, não vimos e foi exceção. Pesquise e verá.
Você come camarão?
Pois saiba que até o início dos anos 2000, a maior parte era exportada para o exterior. Os clientes de fora, ao descobrirem o impacto ambiental, boicotaram o produto. A partir de então a quase totalidade da produção passou a ser vendida no mercado interno.
Aqui entra o poder do consumidor. Ao comprar camarão, verifique a origem do produto. Se for do Nordeste, exerça seu poder. Dê preferência ao do Sudeste (onde quase não há carcinicultura).
Para discutir este assunto conversamos com o professor Jeovah Meireles.
Conheça Jeovah Meireles
Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e dos Programas de Pós-Graduação em Geografia e em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA). Doutor em Geografia pela Universidade de Barcelona (2001).
Desenvolve pesquisas em Geociências, com ênfase em Geografia Física e Geomorfologia.
João Lara Mesquita / O ESTADÃO
A crise sanitária afetou metade das empresas
Nada menos do que 44,8% de 2,8 milhões de empresas que estavam em funcionamento no Brasil na primeira quinzena de julho foram afetadas pela pandemia do novo coronavírus. É o que mostra a terceira rodada da Pesquisa Pulso Empresa que faz parte do segmento de Estatísticas Experimentais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais do que constatar a amplitude dos problemas advindos da crise sanitária, a pesquisa ajuda a entender a situação das companhias que foram mais atingidas pela crise e as que se saíram melhor.
As maiores dificuldades foram observadas no setor terciário, no qual 47% das empresas foram afetadas negativamente. Entre estas, destacaram-se as que prestam serviços às famílias (55,5% delas foram atingidas). Isso se explica porque a maioria das famílias deixou de ir a bares e restaurantes (para se alimentar no domicílio), hospedar-se fora de casa ou frequentar salões de beleza e academias de ginástica.
Um porcentual expressivo (44%) de empresas comerciais sofreu com a crise, como lojas de vestuário e de calçados. No comércio de veículos, peças e motocicletas, os problemas afetaram 52,4%. Na área industrial, 42,9% das companhias enfrentaram dificuldades.
As companhias de menor porte (2,75 milhões, com até 49 empregados) foram mais atingidas do que as médias e as grandes empresas.
Não deixa de causar surpresa que 28,2% das empresas tenham sentido pouco ou nada os efeitos da crise. É o caso de 46,3% das companhias de serviços de informação e comunicação e de 46,4% das empresas de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios.
Ainda mais surpreendente é que 27% das companhias tenham afirmado que ganharam com a pandemia, entre as quais 37,8% ligadas ao comércio varejista e 28,7% com atividades de atacado. Parece evidente que nesses nichos estão supermercados e farmácias, que comercializam itens essenciais.
Outros dados do levantamento revelam a flexibilidade das companhias, que enfrentaram a crise negociando salários ou postergando obrigações fiscais. Isso permitiu que 86% das empresas mantivessem ou até aumentassem o quadro de pessoal em relação à segunda quinzena de junho. O ESTADÃO.

