Avanços no Bilhete Único
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Uma parceria entre a Prodam, empresa de tecnologia da Prefeitura de São Paulo, e o Google permitirá aos usuários dos ônibus municipais incorporar o Bilhete Único ao aplicativo de pagamentos Google Wallet. Na prática, os usuários de celular Android poderão pagar a passagem de ônibus na capital paulista por meio do celular. Não haverá custo extra para utilizar o aplicativo nem para comprar a passagem pela plataforma.
Além de pagar a tarifa aproximando o celular do validador da catraca de ônibus, os usuários também poderão recarregar o bilhete, solicitar um novo cartão digital ou até emitir o documento pela primeira vez.
Extremamente bem-vinda, a medida é potencialmente a maior atualização do Bilhete Único desde que o cartão de transporte foi criado, em 2004, na gestão da prefeita Marta Suplicy.
A Prefeitura espera, ainda, que a parceria ajude a reduzir fraudes no uso do Bilhete Único. Outro aspecto positivo seria a ampliação do acesso de turistas e passageiros esporádicos ao transporte público paulistano. Em grandes centros urbanos do mundo, como Nova York, e também em capitais brasileiras, como o Rio de Janeiro, o pagamento de passagens de transporte já é feito também por meio digital. Logo, faz todo sentido que uma metrópole tão movimentada quanto São Paulo finalmente adeque seu transporte público às práticas mais modernas de pagamento já vigentes no mundo.
Na terra do Pix, tecnologia que não só caiu no gosto dos brasileiros, como também inspira outros países, não faz sentido que os cidadãos da maior cidade do País ainda percam tempo precioso em filas para adquirir ou recarregar seus cartões de transporte.
Apesar de todos os aspectos positivos do acordo entre o Google e a Prefeitura, a incorporação do Bilhete Único ao aplicativo Google Wallet ainda não tem data definida. A expectativa é de que isso ocorra até o fim deste ano. Será necessário integrar o Google Wallet com a empresa que produz os cartões físicos com chip e com a companhia responsável pelo sistema da catraca.
Também é desejável que se busquem acordos semelhantes com outras empresas. Embora celulares com sistema Android tenham participação de mercado de cerca de 80% no Brasil, quanto mais ampla for a gama de opções de pagamentos digitais, melhor.
Por ora, também não está definido se o pagamento por aproximação funcionará nas catracas do Metrô e nas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que são de responsabilidade do governo estadual.
Tanto as composições do Metrô quanto as da CPTM são modais amplamente utilizados pela população paulistana e também por turistas. Adaptá-las à nova realidade dos pagamentos digitais também é do interesse da população.
Símbolo da capital paulista, o Bilhete Único é exemplo de política pública efetiva, que promove o uso do transporte público e beneficia a população. Nesse sentido, adaptá-lo aos novos tempos, tornando-o ainda mais prático e funcional, é extremamente necessário.
A granada mudou de bolso
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Em pleno ano eleitoral, o governo Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei complementar que autoriza o pagamento retroativo, a servidores públicos, de benefícios que haviam sido congelados durante a pandemia de covid-19. A proposta alcança adicionais como quinquênio, triênio e anuênio, sexta-parte e licença-prêmio. Ainda permite que o período entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021, durante o qual vigorou o estado de calamidade pública, seja contabilizado para fins de aferição de adicionais por tempo de serviço.
A lei vale para servidores da União, Estados e municípios, mas pesará, sobretudo, sobre as contas dos dois últimos entes federativos, haja vista que o Executivo federal extinguiu os mecanismos que garantiam progressão automática de carreira com base na duração do vínculo do servidor ao cargo público.
Não houve um único relatório que estimasse o quanto isso custará aos entes federativos, mas isso não impediu que a proposta fosse aprovada por ampla maioria na Câmara, em agosto, e no Senado, em dezembro, convenientemente na última semana de votações do ano.
A desculpa para esse desmazelo foi o caráter autorizativo da proposta. Não há obrigação para que o pagamento seja realizado, mas apenas anuência para que isso seja feito caso haja interesse de governadores e prefeitos, bem como leis próprias e disponibilidade orçamentária.
Mas, a meses das próximas eleições, talvez apenas os incautos que ainda acreditam na possibilidade de o Congresso aprovar a reforma administrativa neste ano tenham dúvidas sobre o esforço que governadores e prefeitos farão para assegurar o pagamento retroativo aos servidores.
O congelamento dos benefícios foi uma contrapartida do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro ao repasse de recursos extras para o enfrentamento do coronavírus por Estados e municípios, cujas contas foram abaladas pela queda da arrecadação, consequência da redução da atividade econômica durante a emergência sanitária.
À época, governadores e prefeitos receberam R$ 60 bilhões. O veto aos reajustes e benefícios era uma tentativa de garantir que o dinheiro não se perdesse em despesas com pessoal, de caráter obrigatório, e fosse utilizado em ações de apoio à saúde e assistência social. Foi uma das poucas vezes em que Bolsonaro privilegiou a opinião da equipe econômica em detrimento dos conselhos da ala política de seu governo.
O então ministro da Economia, Paulo Guedes, jactou-se da vitória durante a fatídica reunião ministerial conduzida por Bolsonaro em abril de 2020, e a comparou ao ato de colocar “uma granada no bolso do inimigo”. Ainda naquele ano, a então deputada e atual senadora Professora Dorinha (União-TO) apresentou uma proposta para impedir que os efeitos da lei fossem aplicados ao magistério.
Entre idas e vindas, a restrição foi derrubada para servidores das áreas de saúde e segurança em 2022, enquanto o projeto, que valia apenas para professores, passou a abarcar todas as carreiras públicas. Em agosto, apenas a líder do Novo, deputada Adriana Ventura (SP), manifestou preocupação com o passivo que a proposta poderia gerar.
No Senado, por sua vez, coube ao senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) fazer as perguntas que seus colegas deveriam ter feito antes de aprovar a medida. “Não que não sejam justas, não que os funcionários não mereçam, eles merecem. Mas a questão não é merecer; a questão é: o Estado pode? O Estado tem condições? Se é para fazer tudo o que as pessoas merecem, é preciso ter um Estado muito rico, e nós não temos esse Estado muito rico. Esse é o problema central”, afirmou.
Contabilizado em caráter retroativo, o tempo de serviço dos funcionários públicos aumentaria em 583 dias. Os sindicatos já começaram a mobilizar suas bases, e advogados trabalhistas preveem uma enxurrada de ações judiciais para reconhecer o direito das categorias e eventualmente beneficiar até mesmo inativos.
Como no País até o passado é incerto, a granada a que Guedes fez referência está agora no bolso dos governadores e prefeitos. Mas a conta ainda pode sobrar para a União, a quem cabe, em última instância, socorrer entes federativos em dificuldades financeiras. Não terá sido por falta de aviso.
É inaceitável desvio de armamento da polícia e do Exército para o tráfico
Por Editorial / O GLOBO
É estarrecedor que armas e munições continuem a ser desviadas da polícia e das Forças Armadas para traficantes. Investigações a partir de cartuchos apreendidos em operação nos complexos da Penha e do Alemão comprovaram lotes desviados de diversas polícias estaduais e também do Exército, como revelou reportagem do GLOBO. A operação chegou a apreender um fuzil da PM desaparecido havia 15 anos de um batalhão local. A história recorrente de armamento desviado para o tráfico revela um misto de desleixo e indícios graves de corrupção. Em todo o Brasil há envolvidos no abastecimento do arsenal do Comando Vermelho em seu quartel-general.
Em junho de 2019, PMs interceptaram em Santa Maria, Distrito Federal, um carregamento destinado ao Complexo da Penha. Estava num carro que vinha de Cuiabá. Eram mil projéteis para fuzis. Havia munição das polícias de Rio de Janeiro, Mato Grosso, Distrito Federal, Bahia e até do Exército. Quatro projéteis eram de um lote comprado pelo Exército identificado nos cartuchos da maior chacina realizada em São Paulo, em agosto de 2015. O combinado era levar o carregamento para a rodoviária ou, caso ninguém aparecesse, procurar o chefe do tráfico no Complexo da Penha (até hoje foragido). Em junho de 2018, um casal foi preso ao chegar ao Rio de carro, transportando 1.390 balas para fuzil, oriundas de lotes do Exército. A Polícia Civil informou que a munição também seria entregue no Complexo da Penha.
Na ocasião, a Polícia Civil do DF abriu inquérito para apurar o desvio da munição. Identificou mensagens trocadas entre criminosos e um sargento do Corpo de Bombeiros, na época lotado no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. Ele admitiu ter “cedido gratuitamente” 12 caixas de munição a outro envolvido no esquema. Chegou a ser preso, mas foi absolvido. O Exército também fez sua investigação. Todos os acusados foram absolvidos pela Justiça Militar. Preso mesmo, só o casal apanhado com a munição, que recebeu pena de dez anos.
Tais investigações só foram possíveis porque, a partir do Estatuto do Desarmamento de 2003, passou a haver a obrigatoriedade de identificar munições destinadas às forças de segurança. Mesmo assim, as regras são falhas. Os lotes são amplos demais, impossibilitando o rastreamento preciso no caso de crimes. Tecnologicamente, seria viável cada munição ter um identificador único.
Falta também compreensão das autoridades — em especial da Justiça — para a gravidade das conexões subterrâneas de policiais e militares corruptos com o crime organizado. Por princípio, as instalações militares devem ter padrões máximos de segurança. Não tem cabimento que tolerem desvios de armamento. É inaceitável que munição ou armas do Estado sejam usados contra a população que deveriam defender.
Armamento apreendido em ação da Polícia Civil e do MPRJ — Foto: Felipe Grinberg / Agência O GloboSaúde em risco com má formação de médicos
Os dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados pelo Ministério da Educação na segunda (19), mostram que a preocupação de especialistas em relação à expansão indiscriminada de cursos de medicina tem razão de ser.
Dos 351 cursos de universidades federais, privadas, estaduais e municipais que participaram da prova em outubro, 107 (30,5%) tiveram desempenho insuficiente (notas 1 e 2); dos 304 regulados pelo MEC (instituições federais e privadas), também um terço (99) obteve resultado insatisfatório.
Numa escala de 1 a 5, os conceitos 1 e 2 indicam cursos em que menos de 60% dos formandos alcançaram proficiência mínima.
A situação é mais grave nas instituições municipais: 37,5% tiraram nota 1, e 50%, nota 2. Em seguida, vêm as privadas com fins lucrativos (11,5% e 46,9%, respectivamente). Mas quase 30 mil estudantes estão nas particulares, ante 944 em municipais.
Já as estaduais alcançaram a maior porcentagem com conceito 5 (46,2%), além de 38,5% com 4. Nas federais, foram 25,3% com nota máxima e 61,3% com 4.
Como é a primeira edição do exame, o MEC aplicará punições gradativas, que valerão até a próxima prova. Os cursos com conceito 1 e 2 podem ser proibidos de aumentar vagas, de formalizar financiamento por meio do Fies e do Prouni, ter número de vagas reduzidas ou ingresso suspenso e, no futuro, até ser desativados. As instituições têm prazo de 30 dias para apresentar defesa.
O Enamed foi uma resposta do governo a um projeto de lei, em tramitação no Congresso, que pretende criar uma avaliação específica —como a aplicada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)— vinculada não ao MEC, mas ao Conselho Federal de Medicina, que apoia a proposta.
O resultado do exame sinaliza riscos à saúde pública, mas o problema é complexo e, portanto, exige atuação em várias frentes.
Especialistas apontam que os dois exames, do MEC e do CFM, poderiam coexistir, mas que só avaliação teórica é insuficiente. Além de melhorar a formação, é preciso aumentar a participação dos egressos em residência médica, ainda mais considerando a expansão acelerada de cursos.
De 2012 a 2023, segundo o Censo da Educação Superior, as vagas em cursos privados de medicina passaram de 10.217 a 46.152. Como mostra o Enamed, porém, tal quantidade não foi acompanhada por qualidade, nem ampliou acesso num país permeado por desigualdades —a cobertura de médicos no Distrito Federal, por exemplo, é cinco vezes a do Pará.
Cunhado de Vorcaro doa apartamento de R$ 2,6 mi para nutricionista
O apartamento de R$ 4,4 milhões doado em dezembro de 2024 por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma mulher que se definiu como "sugar baby" não foi a única doação de imóvel pela família no fim daquele ano.
Em 21 de novembro, o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou um outro apartamento, de R$ 2,6 milhões, para a nutricionista Gabriela Amaral Rocha.
O imóvel de 94 metros quadrados de área privativa está localizado na alameda Franca, no bairro dos Jardins, área rica de São Paulo.
Em 16 de dezembro, ou seja, 25 dias depois, a empresa Super Empreendimentos doou o apartamento de R$ 4,4 milhões para Karolina Trainotti, que teve o nome citado em uma operação policial contra tráfico internacional de drogas em 2022. A defesa de Trainotti negou as acusações e afirmou que ela atuava como "sugar baby", tendo os seus gastos pessoais custeados no período do relacionamento amoroso que mantinha com um dos réus naquele caso.
Além de ser ligada a Vorcaro, a Super teve Zettel como diretor, e uma sócia do pastor permanece na direção.
Procurada pela reportagem, Gabriela Amaral Rocha disse que, no caso do apartamento de R$ 2,6 milhões, a doação fez parte de um investimento realizado por Zettel em sua empresa de marmitas, a Feed Me Up.
No entanto, os dados da firma registrados na Receita Federal e na Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) não demonstram qualquer investimento realizado pelo pastor.
A Feed Me Up, com capital social de R$ 10 mil, foi constituída em abril de 2023, mas Gabriela só aparece nos registros da junta em 10 de dezembro de 2024, quando ela entrou com R$ 2.000 de participação na sociedade.
O registro formal da entrada da nutricionista como sócia pela Jucesp só aconteceu em março de 2025, ou seja, meses depois de ela ganhar o imóvel.
Em nota enviada à Folha, Gabriela diz que é "nutricionista, empreendedora e sócia da Feed Me Up, empresa regularmente constituída e em atividade, dedicada à produção e comercialização de refeições saudáveis, cujas operações sempre foram conduzidas de forma lícita e transparente".
Em conversa anterior com a reportagem por videochamada, ela disse que a empresa decretou falência em novembro de 2025. Dados da Receita apontam que a firma segue em atividade.
Sobre a doação do apartamento, a nota enviada por Gabriela afirma que "em 2024, houve investimento na Feed Me Up por parte do sr. Fabiano Zettel, realizado de maneira formal e regular, mediante a aquisição de 20% das cotas sociais por meio de fundo de investimento regularmente constituído".
"Como parte do ajuste, o investimento foi realizado mediante a transferência regular de um apartamento. Os fatos ocorreram antes de qualquer notícia pública ou investigação conhecida envolvendo o referido investidor", afirma a nota.
Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, que se define como uma empresa de private equity especializada em investimentos direcionados a negócios de bem-estar. A Feed Me Up aparece no site da Moriah, na lista de investidas, ao lado de nomes como a rede de açaí Oakberry e a academia Les Cinq, além de marcas como Desinchá e Super Nutrition, de suplementos e creatina.
O empresário foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero deflagrada na última quarta-feira (14) pela Polícia Federal. Ele foi preso ao tentar viajar para Dubai, mas foi liberado horas depois. Zettel foi afastado do posto de pastor da Igreja Batista da Lagoinha no dia seguinte.
Em 2024, Gabriela foi processada pela SulAmérica em um caso em que a operadora acusava um grupo de cerca de dez pessoas de participar de um esquema de fraude contra plano de saúde, no qual ela teria recebido aproximadamente R$ 20 mil em solicitações de reembolso falso, segundo a companhia.
A nutricionista firmou um acordo, extinguindo seu processo e ressarcindo a SulAmérica em maio de 2025.
Sobre o processo do plano de saúde, o comunicado enviado pela nutricionista diz que ela "foi excluída do polo passivo antes de qualquer decisão de mérito, não tendo integrado o julgamento da causa, inexistindo condenação ou imputação de responsabilidade judicial em seu desfavor".
Ela diz ainda que "não é investigada, não possui vínculo com o Banco Master e não teve qualquer participação ou conhecimento acerca dos fatos atualmente apurados, os quais não guardam relação com suas atividades profissionais ou empresariais".
Procurada pela reportagem, a assessoria de Zettel não respondeu.
Investimento estadual em segurança é insuficiente contra o crime organizado
Por Editorial / O GLOBO
É compreensível que, neste ano eleitoral, os governadores queiram dar publicidade a suas ações na área da segurança pública, até para contrastar com a omissão do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. Multiplicam-se eventos e postagens em redes sociais sobre o tema, como mostrou reportagem do GLOBO.
Em São Paulo, nas redes sociais do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a segurança foi o tema mais frequente em dezembro, com publicações sobre operações policiais, formatura de agentes e combate ao crime organizado. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou com estardalhaço investimentos de R$ 116 milhões na segurança pública. O pacote inclui helicópteros, 1,5 mil fuzis e 91 veículos para a polícia. “Não teremos nenhuma viatura sem um fuzil”, disse. Ronaldo Caiado (União), governador de Goiás, anunciou em dezembro R$ 81 milhões em armamentos e um helicóptero para a Polícia Militar.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), costuma enfatizar em suas publicações os baixos índices de criminalidade no estado. Em setembro, anunciou a compra de 350 fuzis israelenses para a Polícia Civil, dizendo que eram semelhantes aos usados pelo Bope, no Rio, ou pelo Exército americano. “Se a polícia me pedir um tanque de guerra, eu vou autorizar”, disse. O petista Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia, que tem na segurança um dos seus maiores desafios, rebateu críticas da esquerda à compra de armas. “Eu vou comprar mais armas, e armas potentes, para enfrentar o crime à altura que o crime merece”, afirmou.
Os governadores estão certos em equipar a polícia para que possa enfrentar o crime organizado em igualdade de condições. Não é segredo que as quadrilhas estão, com frequência, mais bem armadas que os policiais. Na operação contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha no ano passado, traficantes usaram drones para lançar bombas contra os agentes. O lucro obtido com a atividade criminosa lhes permite comprar armamento potente de guerra para usar contra o Estado.
Mas o combate à violência precisa ir além disso. A realidade mostra que mesmo as polícias estaduais mais bem equipadas têm dificuldades para derrotar facções que se tornaram multinacionais do crime. Não se vislumbra sucesso contra o crime organizado sem um plano nacional abrangente, que uniformize procedimentos e bases de dados, reunindo governos federal, estaduais e municipais trabalhando de forma integrada. Os mesmos governadores que acertadamente investem na segurança deveriam apoiar maior participação federal na área. Esse é o tema da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que enfrenta no Congresso forte resistência justamente das bases ligadas a eles. Por mais bem armados que seus estados estejam, claramente não terão condição de enfrentar o crime sozinhos.
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