Brasil será 'parceiro-chave' em negociações climáticas, diz porta-voz de Biden
28 de janeiro de 2021 | 20h01
WASHINGTON - Um dia após lançar um plano ambiental que deve pressionar o governo brasileiro a assumir compromissos com a preservação da Amazônia, a porta-voz do governo dos Estados Unidos, Jen Psaki, afirmou que o Brasil será um "parceiro-chave" no debate sobre questões climáticas que o país planeja liderar.
"Nós anunciamos que faremos uma Cúpula do Clima e é claro que essa é uma grande prioridade para Biden. É por isso que ele pediu para seu amigo, o ex-secretário (John) Kerry, liderar o nosso esforço climático internacional. Certamente, o Brasil será um parceiro-chave nisso", afirmou Psaki nesta quinta-feira, em uma entrevista coletiva, após ser questionada por repórter da GloboNews sobre quais medidas poderiam ser tomadas como forma de pressão ao Brasil na agenda de proteção ambiental.
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Ontem, Biden assinou medidas executivas para colocar as questões climáticas no centro da discussão de política internacional. No texto de uma das ordens assinadas pelo presidente americano, há uma citação à Amazônia. O presidente americano defende a criação de um plano para proteção da floresta e de ecossistemas críticos que reduzam a pegada de carbono global.
Durante a campanha, Biden chegou a dizer que organizaria um fundo de US$20 bilhões para preservação da Amazônia e que o Brasil sofreria sanções econômicas caso não se comprometesse com a preservação da floresta. Nenhuma dessas medidas, no entanto, foi detalhada até o momento. Departamento de Estado e Tesouro americano deverão trabalhar sobre o tema nos próximos meses.
Psaki disse que "ainda é cedo para falar como essas negociações serão". Ela também evitou antecipar quais países serão convidados para a Cúpula que os EUA pretendem organizar em 22 de abril, sobre o clima. Segundo ela, não foram feitos convites até o momento.
Segundo a ordem executiva, o encontro é uma reedição do Fórum das Grandes Economias para Energia e Clima, lançado em 2009 no governo Obama. Nas edições passadas, os EUA convidaram Austrália, Brasil, Canadá, China, União Europeia, França, Alemanha, Itália, Indonésia, Índia, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, África do Sul e Reino Unido.
As medidas assinadas ontem por Biden colocam a questão climática como elemento central da política externa americana, o que deve pressionar o governo Bolsonaro a assumir compromissos concretos pela preservação da floresta. Desde o primeiro ano de seu mandato, Bolsonaro sofre críticas da comunidade internacional pela alta nas queimadas na floresta e por declarações que negam a existência de uma crise ambiental.
A mudança na Casa Branca, com a gestão Biden, muda a posição dos EUA sobre o assunto. Os americanos estão mais próximos, agora, dos europeus, que já vinham cobrando o Brasil por um compromisso explícito com a agenda climática.
Vitória do chiclete - Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo
Parabéns, presidente Jair Bolsonaro! Quanto mais erra escandalosamente em todas as frentes de combate à pandemia, com um saldo macabro acima de 220 mil mortos e 9 milhões de infectados, mais ele vai se revelando um craque sem escrúpulos no jogo da velha política. Interfere em outro Poder, não desperdiça em emendas e cargos e está a dias de botar no bolso os presidentes da Câmara e Senado. De quebra, embaralhou o tabuleiro da oposição para 2022.
O Centrão e a direita estão unidos e de barriga cheia, enquanto o PT trincou vergonhosamente as esquerdas no Senado e o DEM da Bahia traiu miseravelmente Rodrigo Maia na Câmara. É assim que o PT vai inviabilizando uma frente de esquerdas, ao mesmo tempo em que o DEM do ex-prefeito ACM Neto dá as mãos ao DEM de Davi Alcolumbre para queimar a largada de uma candidatura de centro em 2022. A reeleição de Bolsonaro agradece.
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Nunca se viu o presidente irritado, ao menos chateado, diante do avanço do coronavírus e das mortes de milhares de brasileiros. Sempre que ele aparece bravo, aos palavrões, é porque a PF e o Ministério Público descobriram mais uma dos filhos ou porque a imprensa revelou mais um chiclete e um leite condensado milionários. O País que se dane. Só importa o que dói nele e na família.
Depois de “cuidar” dos órgãos de investigação do governo, Bolsonaro agora avança pelos outros Poderes. O ministro Kássio Nunes está a postos no Supremo, o deputado Arthur Lira (PP-AL) vai trancar o impeachment na Câmara e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) se prepara para enquadrar o Senado.
O Congresso vira a página de independência do Executivo e abre capítulos de vitórias de Bolsonaro. A CPI da Saúde é natimorta, a das Fake News perde fôlego, a “boiada” do Meio Ambiente vai passar e os retrocessos em armas, gênero e orientação sexual são favas contadas. Ficará evidente a simbiose entre Legislativo e Executivo, ou a submissão da pauta do Congresso aos interesses e crenças pessoais de Bolsonaro.
Na economia? Bem... Desde a campanha, a dupla personalidade do governo é óbvia, basta confrontar a vida e obra de Bolsonaro no Exército e na Câmara com o discurso dele como candidato e depois presidente. E, assim como Pazuello é escudo na Saúde, Ernesto Araújo na política externa e Ricardo Salles no Meio Ambiente, Paulo Guedes é na economia.
Nada anda. As reformas administrativa e tributária estão amarelando e dois símbolos das privatizações jogaram a toalha, o secretário de Desestatização e agora o presidente da Eletrobrás. Guedes engole as desfeitas do chefe e rebate a culpa para Rodrigo Maia, o Congresso, a esquerda. Todo mundo tem culpa, menos o presidente – que a vida inteira agiu na direção exatamente oposta à do seu ministro da Economia.
Quanto mais a popularidade cai e a pressão por impeachment sobe, mais Jair Bolsonaro adapta seu discurso às conveniências, joga o governo nas mãos de ministros e assessores e vai se revelando o verdadeiro Jair Bolsonaro. Bom de lábia, palavrão, velha política, estatização e ideologia de fundo de quintal. E ele tem estratégia e alvo certo, o Congresso, sem se descuidar do Supremo. Em julho, Kássio Nunes ganha reforço.
Até agora fundamentais contra as investidas golpistas e retrocessos bolsonaristas, Congresso e Supremo serão os pilares de Bolsonaro, apesar da absurda incompetência e da má-fé na contratação de vacinas, na condução da pandemia, no investimento em cloroquina, nas rachadinhas e chicletes. Em vez de impeachment, Bolsonaro colhe vitórias. Como Pazuello e Forças Armadas, o Congresso adere ao “um manda, o outro obedece”. O próximo deve ser o Supremo. Depois, não adianta chorar sobre o leite derramado. Nem condensado.
*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA
Prefeita conservadora de Bauru “peita” Doria e não “fecha” a cidade

A Prefeitura de Bauru, sob o comando da recém-eleita Suéllem Rosim (Patriotas), publicou, na noite do domingo (24), decreto com as novas regras para a fase vermelha do Plano São Paulo que, entrou em vigor nesta segunda-feira (25) e segue até o dia 7 de fevereiro.
Suéllem destacou que o uso de máscara e disponibilização de álcool em gel seguem obrigatórios em todos os estabelecimentos comerciais e de serviços. Mas, evitou paralisar, totalmente, as atividades ditas “não essenciais” (lojas, shoppings, bares, restaurantes, academias, salões de beleza e escritórios).
No decreto da prefeita, ela ressalta que o limite máximo de ocupação para todas as atividades (essenciais e não essenciais) será de 30% da capacidade do estabelecimento. E vai além: autoriza shoppings, comércios de rua, salões de beleza, entre outros, a funcionarem dez horas por dia, de segunda-feira a sábado, com encerramento das atividades às 20h. O delivery é permitido até as 23 horas. No domingo, o funcionamento de todos os locais continua, mas apenas por delivery.
“A prefeitura quer preservar a vida de todos e também manter de forma responsável as atividades econômicas e os empregos. A população deve estar consciente do momento que vivemos. Além disso, estamos ampliando a fiscalização e seguimos lutando por mais leitos hospitalares públicos para o nosso município”, afirma a prefeita, que definiu os pontos do decreto em reunião com técnicos e secretários.
Durante a fase vermelha, imposta pelo governador João Doria (PSDB), a gestora municipal ainda permite a prática de atividades físicas individuais ao ar livre - desde que mantida a distância mínima de 1,5 metro entre as pessoas - e as academias poderão funcionar, seguindo o limite de 30% de capacidade de público, também até as 20 horas, de segunda a sábado.
O antigo prefeito, Clodoaldo Gazzetta (PSDB) que, por sinal, é do mesmo partido que Doria, já tinha discordado das medidas restritivas do governo estadual, em maio de 2020. Na época, ele argumentou que o único ente da Federação que pode definir a lista de serviços essenciais é a União.
"Então, cabe aos Estados e municípios respeitar o pacto federativo", finalizou a discussão.
Ofensas
Em dezembro do ano passado, Suéllem Rosim, que é jornalista profissional, recebeu apoio da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa (FJLP), depois de ser chamada de “macaca” e receber ameaças de morte.
Um homem chegou a dizer, em mensagem, que Bauru “não merecia ter essa prefeita de cor, com cara de favelada, comandando nossa cidade”.
Suéllen é a primeira mulher negra a comandar a Prefeitura de Bauru em 124 anos de história da cidade. Ela registrou boletim de ocorrência e lamentou os comentários.
"... A gente tem tanta coisa pra discutir da cidade, tantos problemas no município e a gente ter que discutir um assunto tão pesado", afirmou.
E completou:
"É uma minoria que ataca, mas precisa ser combatida. porque eu ainda acredito muito que as mensagens de carinho que eu recebi foram muito maiores. Que a Justiça seja feita para que essa pessoa não faça isso com outras", disse.
Vereadora do PT se envolve em ‘quebra-quebra’ em Natal/RN

E o PT continua em sua trajetória de revolta e raiva.
Na manhã desta terça-feira (26), em Natal/RN, um grupo de pessoas do Movimento de Luta dos Bairros, Vila e Favelas, lideradas pela vereadora Brisa Bacchi (PT), promoveu um ‘quebra-quebra’, invadindo a pré-conferência do Plano Diretor e aterrorizou servidoras do município, incluindo uma grávida, que desempenhavam o seu trabalho.
O grupo de vândalos, vestidos de camisetas vermelhas, protagonizou cenas lamentáveis, quebrando mesas e cadeiras, e causando pânico nos presentes, com seus brados que destilavam ódio.
A vereadora, que deveria estar preocupada em apresentar propostas para a reformulação do Plano Diretor da cidade, foi a responsável por convocar seus colegas do ‘movimento’ para a balbúrdia...JORNAL DA CIDADE ONLINE
Com as mãos ao alto - Rosângela Bittar, O Estado de S.Paulo
As lideranças políticas estão a cinco dias da rendição ao presidente Jair Bolsonaro, o que se consumará ao elegerem o novo comando do Poder Legislativo. A confirmarem-se as prévias, estarão os parlamentares promovendo sua incorporação às vilanias do governo. Tiremos desta grave onda de cumplicidade o Senado, onde a extremada independência de cada um supera qualquer imposição de compromissos da cúpula.
Na Câmara, porém, é outra a essência do poder. As indicações de insidiosa conspiração parlamentar fazem o favoritismo do candidato Arthur Lira, patrocinado por Bolsonaro com todas as garantias de sucesso. Inclusive os habituais objetos da feira de trocas de favores, avançando pela coação em casos de resistência.
À população, traída, resta levantar as mãos ao alto enquanto alimenta a esperança de reversão do golpe legislativo, pela traição. Embora o momento exija coragem e não esta covardia marota, os deputados, em maioria, estão levando na displicência esta grave iminência de desastre político.
Como se fosse natural, os brasileiros amanhecem o dia temendo a morte, que já levou 220 mil cidadãos por idiossincrasias, crendices e incompetência do governo. Têm crescido os protestos de rua e manifestos propondo o impedimento do presidente. Crimes de responsabilidade foram cometidos, sobretudo na gestão da crise sanitária mundial. O País tinha, até agora, no Judiciário e no Legislativo, sua fresta de oxigênio.
Mas a Câmara parece disposta a sujeitar-se e debandar. Sem ter consciência de que está prestes, inclusive, a referendar o projeto de reeleição de Jair Bolsonaro para continuar o desgoverno que vem liderando.
A capitulação da Câmara significa muito mais do que engavetar o impeachment. O compromisso inclui a aprovação de políticas contrárias aos interesses da população.
O candidato favorito fala a linguagem do presidente. Fugiu do debate alegando que a pandemia é assunto demagógico. Se ainda houvesse dúvida sobre tão estreita afinidade, está sobre a mesa, já compromissado, o aumento de impostos, com a aprovação da mal afamada CPMF.
Negacionista desumano, para quem vida e morte são a mesma coisa, Bolsonaro escolheu para exercer o controle da Câmara, em seu nome, alguém ardorosamente com ele identificado. O faroeste não é um modelo de projeto parlamentar, entretanto será o único possível com a direção da Câmara subjugada pelo presidente da República.
Bolsonaro perdeu Donald Trump, cujo exemplo copiava e se esgotou como modelo. Está isolado politicamente e escolheu para o Brasil a posição de pária. Seu governo é fraco, sem maioria, investigado em inquéritos judiciais variados. Contudo, supera estas desvantagens com um arsenal de guerra que construiu para resguardar sua cidadela.
Registros de uma breve memória: já reuniu a proteção do procurador-geral da República; duas vagas no STF; duas vagas no TSE por onde tramitará sua denúncia de fraude no sistema eleitoral; a cooptação das polícias militares, que deseja agregar oficialmente ao portfólio de poder; boa parte da Polícia Federal; o apoio das tropas armadas, que cultiva como se líder sindical ainda fosse; acesso às violentas seitas da conspiração; a fidelidade de extremistas e milícias, sob o comando do gabinete do ódio e de empresários do círculo íntimo.
São itens especiais: o culto às armas de fogo, que segue em velocidade e disseminação preocupantes; e a produção de uma rede de filhos e amigos dispostos a cometer o que for preciso para autenticar seu método.
A rendição irrestrita da presidência da Câmara é armação política de um pacto que tornará o Executivo e o Legislativo um só bloco, indiferente à dor, ao luto e à indignação do povo.
*COLUNISTA DO ‘ESTADÃO’ E ANALISTA DE ASSUNTOS POLÍTICOS
Gestores da calamidade - J.R.Guzzo, O Estado de S.Paulo
27 de janeiro de 2021 | 14h46
São Paulo está entrando no segundo ano seguido com as suas escolas basicamente fechadas; elas até podem funcionar, mas só com 35% da sua capacidade e de forma “híbrida”, como dizem os gestores dessa calamidade. Para dois terços dos alunos, aulas “presenciais” – o único tipo de aula que existe na vida real – continuam proibidas. Os alunos devem ficar sentados em casa na frente dos computadores e, como no ano passado, fazer seus cursos online; no fim do ano serão de novo aprovados para a série seguinte, mesmo que tenham aprendido o equivalente a três vezes zero.
O anúncio foi feito com a naturalidade com que se anuncia os horários de funcionamento para os shopping centers, os borracheiros ou os parques aquáticos. “Qual é o problema?”, perguntam os responsáveis pela decisão. Qualquer coisa, é só procurar o serviço de atendimento digital que está aí para resolver as emergências. Todos eles, ali, vivem num mundo onde tudo se resolve online, no home office e no delivery; não há, para os habitantes dessa bolha, a necessidade de uma vida fora de “casa”.
A pergunta mais sensata que se poderia fazer diante disso tudo é a seguinte: “Os médicos, os professores e as autoridades enlouqueceram?” Não bastou, pelo jeito, manter as escolas fechadas durante o ano de 2020 inteiro; querem dobrar a aposta e repetir a dose em 2021. E depois, se a mídia continuar anunciando 1.000 mortes de covid por dia? As aulas “presenciais” serão suspensas por um terceiro ano consecutivo? E depois? E no ano seguinte?
Nunca, em nenhuma hipótese, os que resolvem essas coisas levam em conta que o mundo desenvolvido, onde os índices da educação pública são umas 150 vezes melhores que os do Brasil, fez questão de manter as escolas abertas durante a maior parte do ano letivo de 2020. Não dá para dizer que a covid esteja sendo mais camarada por lá. Ao contrário: Itália, Inglaterra, França, Espanha, Suécia, Estados Unidos e outros tantos países têm mais mortes que o Brasil por grupos de 1 milhão de habitantes.
Também não é uma boa ideia perguntar aos gestores da covid qual a sugestão que eles fazem para os milhões de alunos que não dispõem de computadores, nem de pais com tempo livre para ficarem acompanhando as lições ao seu lado. Muitos, nos fins de mundo à beira do Rodoanel e outras quebradas, não têm nem escolas; imagine-se, então, escolas online. A qualquer observação desse tipo, os que mantêm as salas de aula fechadas vêm com uma resposta automática: “Negacionismo”.
Desde o início da pandemia, a educação pública em São Paulo vem sendo dirigida por sindicatos de professores, médicos oficiais e um consórcio de burocratas e políticos – com a colaboração de muitos grupos de pais de alunos e outros crentes do “distanciamento social”. As autoridades que assinam atos administrativos e aparecem nas entrevistas coletivas foram atropeladas; suas declarações são, na maior parte do tempo, apenas um reflexo das forças que estão realmente tomando as decisões. Vai ser difícil mudar isso.






