Assembleia Legislativa anuncia novos membros da Comissão da Saúde
O deputado Guilherme Landim (PDT) foi eleito presidente da comissão e a deputada Augusta Brito (PCdoB), vice-presidente. Os outros membros são os deputados Elmano Freitas (PT), Lucílvio Girão (Progressistas), Dra. Silvana (PL), Agenor Neto (MDB) e Fernanda Pessoa (PSDB).
Como membros suplentes do colegiado foram designados os deputados: Queiroz Filho (PDT), Carlos Felipe (PCdoB), Acrísio Sena (PT), Fernando Hugo (PP), David de Raimundão (MDB) e Oriel Nunes Filho (PDT).
O deputado Guilherme Landim agradeceu a confiança dos membros da comissão, do partido dele e do presidente da Casa, deputado Evandro Leitão (PDT). Ele ressaltou o trabalho realizado pela deputada Dra. Silvana (PL), que esteve à frente da Comissão de Saúde nos últimos dois anos, e disse que vai estar sempre à disposição do povo cearense. "Nesse momento tão difícil pretendo contribuir para vencermos juntos essa pandemia", afirmou.
O deputado Carlos Felipe também parabenizou Dra. Silvana pelo trabalho à frente da comissão e disse que o novo presidente tem grandes desafios. Ele ainda destacou o fortalecimento da regionalização da saúde, a realização de concursos e seleções públicas na área e o aumento no valor do repasse de recursos por clínicas dos Hospitais Polo.
A deputada Fernanda Pessoa também destacou o trabalho de Dra. Silvana e disse que a comissão tem o papel fundamental nesse momento de pandemia ressaltou a necessidade de melhores condições para combater o avanço da Covid-19 em Fortaleza e munícipios da Região Metropolitana.
O deputado Lucílvio Girão destacou a previsão de chegada de mais um lote de vacina contra a Covid-19 no final do mês e outro no começo de março para conter o avanço da doença, mas lembrou que não se pode cancelar todas as cirurgias eletivas por conta da pandemia, pois há casos que precisam de urgência como câncer de próstata, vesícula, hérnia e outras patologias que podem também causa a morte do paciente.
Já o deputado Renato Roseno (Psol) pediu também o empenho da comissão para acompanhar a imunização no Estado.
WR/LF
Informações adicionais
Pouso do rover Perseverance, da Nasa, em Marte
Após mais de quatro décadas, a Nasa vai retomar a busca direta por evidências de vida em Marte, com a missão Mars 2020 e o pouso do rover Perseverance, que acontece nesta quinta-feira (18). Acompanhe ao vivo com o Mensageiro Sideral, a partir das 17h.
O sinal de confirmação de uma descida segura ao planeta vermelho deve pintar às 17h55 – com alguma margem de incerteza, como tudo que cerca uma chegada ao mundo vizinho.
Pode-se olhar o copo meio cheio ou meio vazio. Por um lado, até hoje apenas missões americanas conseguiram descer com sucesso à superfície marciana. Fracassaram, em diversas tentativas, russos e europeus. No lado otimista, o histórico de tentativas da Nasa, agência espacial dos EUA, é muito bom. Foram até agora 9 missões, com apenas 1 insucesso (a Mars Polar Lander falhou em pousar em 1999; acertaram Viking 1 e 2, em 1976, Mars Pathfinder, em 1997, os rovers Spirit e Opportunity, em 2004, a sonda Phoenix, em 2008, o rover Curiosity, em 2012, e a sonda InSight, em 2018).
Isso enseja alguma confiança nos responsáveis pela missão, gerenciada a partir do JPL, o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, na Califórnia. Mas ninguém se engana quanto à tensão. “O pouso em Marte é sempre uma coisa muito dramática, não tem garantia de que realmente tudo vai dar certinho como a gente espera”, conta ao Mensageiro Sideral o físico brasileiro Ivair Gontijo, que participa da missão no JPL e tem envolvimento direto com um dos instrumentos do Perseverance, a SuperCam, instalada no mastro do veículo.
Na missão Curiosity, por sinal, Gontijo teve envolvimento no desenvolvimento do sistema de radar que permitiu o pouso do veículo. O Perseverance usa o mesmo sistema, que envolve paraquedas e um guindaste propulsado para a colocação do rover em solo (leia quadro abaixo). Mas agora há um aprimoramento no sistema de inteligência artificial embarcado, o que permitiu aos gerentes da missão escolherem um local de pouso mais acidentado, mas cientificamente muito promissor, na cratera Jezero.
“O Curiosity não poderia descer onde o Perseverance vai. Ele desceu numa cratera de 154 km de diâmetro, que tem uma região plana suficientemente grande. A cratera Jezero tem 40 km de diâmetro, é cinco vezes menor, e a região plana é muito pequenininha”, relata Gontijo. “Ele vai usar uma técnica chamada de navegação relativa de terreno – vai tirar fotos durante a descida, comparar com fotos orbitais e tentar evitar os obstáculos, ele mesmo escolhendo a região onde vai descer.”
Serão sete minutos eletrizantes da chegada ao topo da atmosfera, a 20 mil km/h, ao pouso, enquanto o processo é acompanhado a partir de dados de telemetria.
BUSCA POR VIDA
De forma emblemática, a missão tem um olhar duplo, para o passado e para o futuro. A principal meta científica do rover é buscar evidências de vida pregressa em Marte – sinais fósseis de que o planeta vermelho tenha sido habitado, na época em que era mais azul, como a Terra, entre 4 bilhões e 3 bilhões de anos atrás.
Uma inquirição direta por sinais biológicos é algo que a Nasa não faz desde as missões Viking, que obtiveram detecções ambíguas, enfim tidas como negativas, nos anos 1970. A agência concluiu que precisava entender muito melhor o passado e o ambiente de Marte antes de tentar encontrar vida, presente ou pregressa.
Passou então a seguir o lema “siga a água”. Como água é essencial para vida como a conhecemos, as missões se voltaram para a decifração do passado hidrológico de Marte. Daí não surpreende que a última década foi muito focada no estudo e na detecção desse composto no solo marciano.
Com o Curiosity, deu-se o primeiro salto, ainda tímido: a busca passou a ser pelos compostos orgânicos, ou seja, por moléculas complexas de carbono que estão intimamente associadas à vida. E agora vamos ao passo final, a busca por sinais fósseis de vida, com o Perseverance.
O nome parece ecoar não só esse arco na busca por biologia marciana, mas sobretudo o desafio de lançar e preparar a missão em meio à pandemia.
FUTURO VERMELHO
Além desse olhar para o passado de Marte, a missão é um primeiro passo na direção de um amanhã promissor para o planeta vermelho. Embarcado no rover, há um sistema que fará a coleta de amostras em pequenos tubos lacrados. Eles serão deixados reunidos na superfície, onde uma próxima missão os recolherá e os embarcará em um foguete para o primeiro lançamento já feito a partir de outro planeta.
O retorno de amostras é tido como o principal objetivo do programa de exploração marciana nesta década e será conduzido em parceria pela Nasa e pela ESA (Agência Espacial Europeia). O Perseverance é o primeiro passo dessa nova fase.
Depois disso, restará a realização de uma missão tripulada. Algo para a qual o Perseverance também tem uma contribuição para dar. O experimento Moxie, embarcado nele, pela primeira vez vai produzir oxigênio a partir do dióxido de carbono da atmosfera marciana. Será tecnologia essencial para futuras visitas humanas ao planeta.
Também está em teste pela primeira vez um mini-helicóptero chamado Ingenuity, que, se funcionar, realizará o primeiro voo por sustentação aérea em outro planeta. Jogando em seu favor, a baixa gravidade marciana, apenas 40% da terrestre. Jogando contra, a baixa densidade atmosférica, um centésimo da nossa. Testes em solo em câmaras de baixa pressão sugerem que deve funcionar. Mas, como tudo em exploração espacial, a certeza só vem depois que acontece.
Siga o Mensageiro Sideral no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube
Deus morreu e agora tudo pode? Reflexões sobre a prisão do deputado
O episódio da prisão do deputado Daniel Silveira coloca uma questão central para a democracia, na sua relação com a sua antítese: a ditadura. Ah: antes de falarem que "matei Deus", leiam até o final. A frase não é minha, se entendem a ironia.
Diz o deputado que estava sob o manto protetor da imunidade. Só que, em primeiro lugar, a finalidade da imunidade é proteger a democracia e não a de servir de escudo para destruí-la. Simples assim. E esse é mais um episódio, entre os tantos vários dos últimos tempos, de algo legítimo sendo usado para defender o seu contrário. Aqui, é a imunidade contrariando sua própria razão de existência.
O deputado claramente ameaça com o uso da violência contra o STF. Sistematicamente. Intermitentemente. Até mesmo na hora de sua prisão ele incita a violência. Ofende.
Mais uma vez o STF está sob Contempt of Court (ataque-desprezo à Corte), questão que já esteve na pauta quando do julgamento do Inquérito das fake news. Fui o primeiro a dizer que o STF estava sob Contempt of Court. E é um Contempt mais grave, porque é um ataque sistemático à Corte não apenas nas pessoas de seus ministros, mas na própria função que ela desempenha na República enquanto Suprema Corte. É a completa avacalhação institucional.
O deputado já estava sendo investigado no Inquérito das Fake News. Ele cometeu vários crimes contra a honra dos ministros (cada coisa que disse...), cometeu incitação ao crime, e, agora, foi preso também por ter cometido crimes contra a Lei de Segurança Nacional (segundo o Ministro Alexandre de Moraes, artigos 17, 18 e 22).
A questão da LSN me deixa sempre preocupado. Desde os anos 90 que digo que não foi recepcionada pela Constituição. Devíamos já ter uma Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito, cujo projeto ajudei a elaborar. Em termos de validade, o STF diz que foi recepcionada. Portanto, é com isso que temos de lidar.
De mais a mais, seria bem curioso ver um defensor do AI-5 reclamando de ser enquadrado na LSN, pois não? Aí está um retrato do paradoxo daqueles que gritam "liberdade de expressão" para defender ditadura. A contradição performática tem consequências quando usada para atacar o Estado de Direito.
O deputado louva ditadura. Que arque com as consequências de uma lei em vigor. Uma lei que veda que ele saia por aí conspirando contra a ordem política.
Resta a dúvida acerca do estado de flagrância pelo qual o deputado foi preso. O senador Delcidio do Amaral já havia sido em circunstâncias um pouco diferentes.
Havia flagrante? Pode ser questionado. A flagrância hoje não pode ser examinada como na década de 40 ou até mesmo 80. Assim como o conceito de "dependências internas do STF", que, hoje, estão em qualquer lugar em que alguém ofenda a Corte. Quando foi aprovada a Lei das Interceptações, não havia smartphones. Por isso, hoje um Iphone faz parte de nossa residência, de nossa privacidade. Um simples telefone celular mequetrefe não era assim.
Alguém que comete crime e recebe views intermitentemente e insufla aliados a cometerem crimes e ele mesmo comete crimes por meio da instantaneidade das redes sociais está fora do flagrante? Eis uma boa discussão.
Concordo com o grande Juarez Tavares, quando lembra que, quando se trate de crime praticado pela internet, a expressão "logo após" tem que ser interpretada de acordo com o tempo de ofensa ao bem jurídico e a possibilidade real de se afirmar e identificar o fato e seu autor. O próprio código de processo penal admite que possa haver flagrante quando o agente seja perseguido logo depois de haver cometido o fato. Portanto, é uma questão de adaptar a lei às particularidades do caso. Foi por isso que afirmei, já no calor dos acontecimentos, que o flagrante "pós-moderno" não é o mesmo flagrante "moderno". A ver, portanto.
Sigo. Vejamos, de novo, a gravidade: além de ofender, caluniar e incitar a violência, o deputado fala e incita o fechamento da Suprema Corte. E fala em espancar ministro. Isso fica na conta da liberdade de expressão? Se sim, temos de aguentar as consequências. Se tudo pode, depois nada pode. Deus morreu e agora pode tudo? Não. Se Deus morreu, agora é que não pode, para trazer à lume a grande discussão da modernidade. É na ausência de uma instância superior transcendente que se impõem os interditos. Para segurar essa bagunça toda.
Além disso, há a quebra de decoro do parlamentar, esculpida em carrara. No mais, independentemente de a Câmara manter ou não a prisão, parece claro que o Brasil, como democracia, deve dizer o que quer. Somos instados, todo o tempo, a dizer aquilo que somos e aquilo que queremos, aquilo que concebemos como legítimo.
De novo e sempre: a democracia permite que se conspire abertamente contra ela, em seu nome?
Voltemos à imunidade. O Supremo Tribunal já disse que "(...) o fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no momento em que proferiu as declarações não afasta a possibilidade de cometimento de crimes contra a honra, nos casos em que as ofensas são divulgadas pelo próprio parlamentar na Internet. (...) a inviolabilidade material somente abarca as declarações que apresentem nexo direto e evidente com o exercício das funções parlamentares. (...) O Parlamento é o local por excelência para o livre mercado de ideias – não para o livre mercado de ofensas. A liberdade de expressão política dos parlamentares, ainda que vigorosa, deve se manter nos limites da civilidade. Ninguém pode se escudar na inviolabilidade parlamentar para, sem vinculação com a função, agredir a dignidade alheia ou difundir discursos de ódio, violência e discriminação." [PET 7.174, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, j. 10-3-2020, 1ª T, Informativo 969.]
Claro, alguém dirá: é porque queremos democracia e legalidade que precisamos atentar ao que é legítimo em uma prisão. Volto à argumentação do ministro Alexandre: alguém nega que haja permanência no crime quando segue no ar um vídeo que incita a violência? Em 2021, seguiremos amarrados a 1968? Bem, é o que o deputado quer. Mas, para arrepio dos reacionários, o novo sempre vem. E as coisas mudam. E o direito só o é no seu tempo.
Quiseram usar a internet para atacar a Corte. Não adianta se albergar em algo fora dela quando convém.
É claro que a questão jurídica que surge é complexa. E seria interessante — se pudéssemos falar em algo interessante num momento de tanta gravidade. Meu ponto aqui é que dizer que o crime é apenas gravar o vídeo é ignorar a natureza do crime, é ignorar a forma que ele toma nesse mundo de redes e acessibilidade e mensagens e compartilhamentos instantâneos.
E é, por tabela, ignorar sua gravidade e as consequências: entender que é legítimo alguém usar suas prerrogativas e suas redes para atacar aquilo que segura nossa democracia.
Não contem comigo para o Contempt of Court.
Porque, no limite, o que se coloca é mesmo isso: o que nós aceitamos como legítimo numa República que merece o nome de república? Vamos aceitar que a liberdade de expressão e a democracia, coisas que nos são tão caras e pelas quais tanto lutamos, sejam utilizadas para o cometimento de crimes que, ao fim e ao cabo, são exatamente os crimes que colocam fim na liberdade de expressão e na democracia?
Vamos aceitar que um dos pilares do Estado de Direito seja esculhambado? Já se aceitou — pior, se parabenizou com votação altíssima — que o agora deputado quebrasse uma placa em homenagem a uma vereadora assassinada. Barbárie. E agora o deputado tenta dar o passo além do simbólico. Ontem quebrou placas, hoje quer quebrar a Suprema Corte — e falar em AI-5 mostra que não é metaforicamente.
Atentar contra a ordem política era um problema na ditadura de que o deputado gosta. Atentar contra o Estado de Direito é algo que impõe que nenhum democrata reste silente. Não gosta do Supremo? Imagine como seria sem ele.
Não concorda com a tese do flagrante? Argumente, mostrando que o ministro Alexandre está errado. Falo isso como alguém que sabe que este texto vai ao ar e que estará lá para ser acessado. As palavras têm caráter de permanência nesta era das redes. O deputado sabia disso. Foi eleito muito por isso também. Precisamos responder por aquilo que fazemos, afinal.
Eu respondo por aquilo que falo. Eis que repito: não contem comigo para o Contempt of Court.
Lenio Luiz Streck é jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do escritório Streck e Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.
Revista Consultor Jurídico, 17 de fevereiro de 2021, 13h20
STF julga se teles devem continuar usando espaços públicos sem pagar nada
17 de fevereiro de 2021 | 05h00
BRASÍLIA - A regra que poupou às empresas de telecomunicações um valor estimado em cerca de R$ 4 bilhões ao longo dos últimos anos deve passar hoje pelo crivo do Supremo Tribunal Federal (STF). Em ação que antagoniza setores da economia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) busca acabar com a gratuidade garantida às teles para instalação de equipamentos de infraestrutura em locais públicos, incluindo espaços concedidos como rodovias. A não cobrança está prevista oficialmente desde 2015 pela Lei Geral das Antenas.
LEIA TAMBÉM
STF derruba lei das antenas em SP, que impedia novas instalações na cidade
De um lado, as empresas de telecomunicação alegam que a gratuidade é fator essencial para os serviços estarem em cidades mais distantes. Sem ela, a cobertura pode não chegar em alguns cantos do País ou tornar o produto mais caro ao consumidor, afirmam.
Ceará já registra mais de 400 homicídios no ano de 2021
O ano de 2021 começou com aumento de 15,4% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) em janeiro, no Ceará, na comparação com igual período de 2020. Com os homicídios registrados em fevereiro, já são mais de 400 mortes violentas no Estado. A guerra entre facções criminosas deixou mais três mortos, dois feridos e um desaparecido, em uma tentativa de chacina, no Vila do Mar, no bairro da Barra do Ceará, em Fortaleza, na noite da última segunda-feira (15).
Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), o mês de janeiro do ano corrente teve 306 homicídios, enquanto em janeiro do ano passado foram 265 casos. Neste mês de fevereiro, a Pasta registrou mais 112 crimes (número ainda não consolidado), até o último dia 13.
No total, são ao menos 418 mortes no Ceará em 2021, o que representa uma média diária superior a 9 homicídios (9,5, para ser exato). Contudo, o ano de 2020 terminou com 4.039 CVLIs, o que significou uma média diária de 11 registros. Sobre o aumento das mortes em janeiro, a SSPDS foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.
Somam-se a essa lista de vítimas da violência, no ano atual, três jovens – dois do sexo masculino e uma do sexo feminino – ainda não identificados, que foram espancados e mortos a tiros, no Vila do Mar. Um vídeo da ocorrência mostra várias pessoas participando do ataque criminoso.
Outras duas pessoas do sexo feminino – uma mulher de 24 anos e uma adolescente de 16 anos – também ficaram feridas, foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levadas ao Instituto Doutor José Frota (IJF) sem risco de morte.
Um sexto integrante do grupo atacado segue desaparecido. Após receber informações de que pelo menos um corpo estaria enterrado na praia, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) e o Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (PMCE) realizaram buscas, com o auxílio de cães farejadores, durante a tarde de ontem – próximo aonde os outros três corpos foram localizados – mas nada foi encontrado. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Ceará (PCCE).
Buscas
“Estamos aqui desde o ocorrido, nas buscas. Encontramos os corpos ontem à noite (segunda-feira), hoje pela manhã encontramos o corpo de mais uma vítima. Estamos aqui colhendo informações de um desaparecido. Tivemos acesso via Ciops que pessoas da comunidade informaram que teriam três corpos enterrados nesse perímetro da praia. Mas trabalhamos com a hipótese de um ou dois corpos”, revelou o sargento Marley, do 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM), ontem à tarde. Um suspeito de participar da tentativa de chacina foi preso, ainda na manhã de ontem.
A reportagem apurou que Antônio Mariano Neto, 25, seria motorista de aplicativo e teria levado o grupo de seis pessoas do bairro Papicu para o Vila do Mar, ocasião em que teria passado essa informação para integrantes de uma facção criminosa rival. Antônio Mariano é suspeito de homicídio, tráfico de drogas, formação de quadrilha e porte ilegal de arma de fogo.
Ele havia sido preso em flagrante em 9 de maio do ano passado, também na região da Barra do Ceará, na posse de um revólver calibre 38. Mas foi solto em plantão da Justiça Estadual (em substituição à audiência de custódia), no dia seguinte, com a aplicação de medidas cautelares, como o uso da tornozeleira eletrônica.
Outros presos
Outras quatro pessoas suspeitas de participação nas mortes e tentativas de homicídio foram presas. Os detalhes das prisões serão divulgados em coletiva para a imprensa, na manhã de hoje. diarionordeste
Sem auxílio e sob restrições da pandemia, economistas apontam risco de recessão
17 de fevereiro de 2021 | 05h00
RIO - Em meio ao recrudescimento da pandemia, a economia brasileira entrou em 2021 dando sinais de perda de fôlego. Sem o auxílio emergencial para trabalhadores informais, extinto a partir de janeiro, uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) neste primeiro trimestre já estava no radar. Agora, vem crescendo o número de analistas que esperam queda também no segundo trimestre, configurando o que o mercado chama de “recessão técnica”, quando a economia se contrai por dois trimestres seguidos.
Com um Natal fraco para o comércio e com o setor de serviços terminando o ano ainda longe do normal, o sinal de dezembro foi de arrefecimento na retomada da economia. Para piorar, os primeiros dados de janeiro, como os índices de confiança do consumidor e dos empresários, o fluxo nas estradas e a venda de veículos, não foram bons.
LEIA TAMBÉM
Governo quer aprovação em 3 semanas de proposta de pagamento do auxílio emergencial
Um movimento de revisão para baixo nas projeções de crescimento para o primeiro trimestre e para 2021 como um todo já estava em curso desde o ano passado. Agora, os dois trimestres seguidos de retração já estão no cenário das equipes de análise do banco BNP Paribas, da consultoria MB Associados e do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
A MB Associados passou a projetar duas retrações seguidas no PIB, tanto no primeiro (-0,8%) quanto no segundo (-0,3%) trimestres. Para o economista-chefe da consultoria, Sérgio Vale, um dos problemas é que a vacinação contra a covid-19 vai demorar a deslanchar.
“Estou otimista com as vacinas, e vejo chance de o programa de imunização acelerar ao longo do caminho, podendo ter impacto potencialmente explosivo lá na frente, já que mais vacinas estão surgindo. No começo, no entanto, a produção, aquisição de insumo, negociação política, é tudo mais lento e podemos entrar numa recessão leve”, diz Vale.
Outras equipes – como as dos bancos Citi, Goldman Sachs, Fibra e Santander e a da consultoria Tendências – veem a economia estagnada no primeiro semestre, combinando queda no PIB do primeiro trimestre com baixo crescimento no segundo.
Pessimismo
Dados econômicos da última semana corroboraram o cenário mais pessimista. Na quarta-feira, o IBGE informou que as vendas do varejo caíram 6,1% em dezembro ante novembro, bem abaixo das mais pessimistas projeções. Na quinta-feira, o desempenho negativo do setor de serviços – queda de 0,2% ante novembro, que não surpreendeu – confirmou o clima de desaceleração. Na sexta-feira, o IBC-Br, indicador de atividade do Banco Central (BC), veio com alta de 0,64% em dezembro, mas não foi suficiente para mudar o humor.
Segundo Bráulio Borges, economista sênior da LCA Consultores, se mantido o ritmo de crescimento de 3,14% do IBC-Br no quarto trimestre de 2020 sobre o terceiro, seria o suficiente para o PIB como um todo crescer 3,5% em 2021. Ou seja, se o crescimento for zero ao longo do ano, sempre na comparação de um trimestre com o imediatamente anterior, a economia já fecharia com ganho. É o que economistas chamam de “carregamento estatístico”.
“Qualquer crescimento na faixa de 3,0% ou 3,5% (em 2021 como um todo) significará que a economia estará andando de lado. Seria o crescimento mais elevado desde 2013, mas seria ilusório”, afirma Borges.
A LCA Consultores ainda não projeta dois trimestres seguidos de queda, mas, segundo Borges, pode haver retração no primeiro trimestre. Para o economista, mais preocupantes do que os dados do fim de 2020 que mostraram arrefecimento são os indicadores que já saíram sobre janeiro./ COLABOROU EDUARDO LAGUNA






