Como fica imagem internacional do Brasil, dividido entre Bolsonaro e Lula?
Por Aluizio Falcão Filho / EXAME
Até o mais entusiasta do seguidor de Jair Bolsonaro irá concordar que a imagem do presidente brasileiro no exterior é muito ruim. Em seguida, este militante bolsonarista irá dizer que isso é culpa da imprensa – mas vamos deixar essa discussão para outro momento. O fato é que os estrangeiros associam o governo a várias características negativas, até exagerando em alguns pontos. Mas é inegável que existe hoje uma rejeição em relação ao mandatário brasileiro, que atinge cidadãos de vários países e mesmo Chefes de Estado.
A eleição de Bolsonaro está diretamente ligada aos problemas enfrentados pelo Partido dos Trabalhadores, que viram sua reputação murchar com os casos de corrupção desvendados pela Operação Lava-Jato. Como ápice deste processo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou na cadeia. Toda essa saga foi publicada na imprensa internacional.
Mas o processo de Lula acabou sendo reiniciado e ele ganhou condições de disputar a próxima eleição. Assim, as últimas pesquisas eleitorais mostram que o petista está liderando a intenção de voto para 2022.
Os estrangeiros que leem essa notícia, assim, acreditam que o Brasil é um país dividido pelos extremos, pois teoricamente teríamos um segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Ou seja, possuímos um presidente rejeitado pela comunidade internacional. E seu grande adversário é alguém cujo nome está associado ao maior processo de corrupção já visto no Brasil, que teve repercussão internacional.
Diante dessa possibilidade, qual é a imagem que os investidores estrangeiros terão de nós?
Em primeiro lugar, Bolsonaro foi eleito com um discurso privilegiando privatizações e o fim do velho toma-lá-dá-cá. Hoje, em seu terceiro ano de mandato, não tivemos uma só privatização expressiva ou intenção de se reduzir o tamanho do estado. Além disso, o governo associou-se ao Centrão, que é conhecido por seu fisiologismo – um apetite voraz por verbas estatais e cargos públicos. Some-se isso à narrativa impingida a Bolsonaro: leniente com o meio ambiente, pouco sensível às minorias e praticante do negacionismo científico. Neste caso, a discussão se ele é ou não é qualquer uma dessas três coisas, é inútil. A opinião pública internacional já encontrou um consenso e ele não é bom para nós, brasileiros.
Hoje, vemos a possibilidade de o PT voltar ao governo. Investidores que viveram o mandato de Dilma Rousseff devem se arrepiar com essa possibilidade. No governo Dilma turbinou-se o déficit público, a inflação campeou e a insegurança jurídica bateu recordes. Além disso, tivermos acusações seríssimas de corrupção por parte do PT.
Ao observarem essas duas opções para 2022, os agentes do mercado internacional, responsáveis por uma liquidez que há muito não se via, devem ficar extremamente desanimados. Ou seja, o dilema vivido por um naco do empresariado brasileiro também é experimentado por muitos economistas e executivos internacionais.
Como podemos justificar para as matrizes das grandes empresas que atuam no Brasil que estamos diante apenas dessas duas opções? Os CEOs das subsidiárias nacionais fazem uma verdadeira ginástica para explicar esse cenário. Muitos deles têm a seu favor resultados positivos que falam mais alto do que a análise do cenário político. Mas, e aqueles que ainda sofrem os efeitos da estagnação econômica provocada pela pandemia? Como justificar um investimento no Brasil se estamos diante de duas opções que os estrangeiros não gostam?
Trata-se de uma tarefa difícil, dificílima.
Relatório americano sobre laboratório de Wuhan provoca novo choque entre EUA e China
Reuters e Bloomberg / O GLOBO

WASHINGTON — A China acusou os Estados Unidos de promoverem teorias de que o novo coronavírus escapou de um laboratório de alta segurança em Wuhan, um dia depois de o jornal Wall Street Journal, citando um relatório da Inteligência americana feito ainda no governo Trump, afirmar que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan procuraram atendimento médico em novembro de 2019, um mês antes de Pequim relatar os primeiros casos de Covid-19.
O jornal disse que o relatório forneceria detalhes sobre o número de pesquisadores que adoeceram, o momento de suas doenças e suas visitas ao hospital, o que pode fortalecer os pedidos de uma investigação mais ampla sobre a origem do coronavírus.
O GLOBO em Xinjiang:Acusada de crimes contra a Humanidade, China lança ofensiva para conter danos a sua imagem
Ainda segundo o Wall Street Journal, funcionários antigos e atuais, familiarizados com o relatório, expressaram opiniões diferentes sobre a força das evidências que apoiaram o documento. Um deles, que não foi identificado, disse que uma "investigação adicional e confirmação adicional" seriam necessárias. Outro, no entanto, descreveu o relatório como forte.
— As informações que recebíamos de várias fontes eram de excelente qualidade. Foi muito preciso. O que eles não dizem é por que exatamente eles ficaram doentes — disse a fonte, referindo-se aos pesquisadores que teriam adoecido.
Outro confronto: China é campeã disparada da exportação de vacinas, mas guerra com EUA por fornecimento está a caminho
Os primeiros casos da Covid-19 foram relatados no final de dezembro de 2019 em Wuhan, onde está localizado o laboratório especializado na pesquisa de vírus que surgem em animais e eventualmente podem ser transmitidos a humanos.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse nesta segunda-feira que é "completamente falso" que três membros da equipe do instituto tenham ficado doentes no período citado.
— Os Estados Unidos continuam a espalhar a teoria do vazamento do laboratório — disse ele. — Mas os EUA de fato se preocupam em estudar a origem do vírus ou estão apenas tentando desviar a atenção?
Autoridades e cientistas chineses têm rejeitado a hipótese de que o vírus tenha escapado do laboratório, que começou a ser propagandeada por autoridades americanas no governo Trump.
Um relatório da Organização Mundial da Saúde divulgado em março após estudos na China afirmou que a hipótese mais provável é que o coronavírus tenha passado de morcegos para o homem por meio de um animal intermediário, mas ressaltou que são necessários mais estudos sobre sua origem e que nenhuma hipótese pode ser descartada.
Nesta semana, em sua assembleia anual, a OMS deve deliberar sobre a próxima fase de sua investigação sobre as origens da Covid-19.
Uma porta-voz do Conselho de Segurança Nacional das Casa Branca não fez comentários sobre o relatório mencionado pelo Wall Street Journal, mas disse que o governo Biden continua a ter "sérias dúvidas sobre os primeiros dias da pandemia da Covid-19, incluindo suas origens na República Popular da China".
Ela acrescentou que o governo dos EUA está trabalhando com a OMS e outros países-membros para apoiar uma avaliação das origens da pandemia "que esteja livre de interferência ou politização".
Volume atual acumulado nos açudes está 3,8% menor em relação a 2020 no Ceará

As reservas hídricas do Ceará estão inferiores 3,8% em comparação com o mesmo período do ano passado, que acumulava 34%. Faltam oito dias para o fim da atual quadra chuvosa (fevereiro a maio) e os 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) apresentam acumulado de 30,2%.
O Ceará é dividido em 12 bacias hidrográficas. E mais uma vez, as localizadas na região norte e no litoral cearense são as mais favorecidas, a exemplo do que vem ocorrendo nos últimos quatro anos. A do Coreaú acumula 94,26%, seguida do Litoral com 85,12% e do Acaraú com 78,95%.
A bacia da Serra da Ibiapaba ocupa a quarta posição do ranking, com 70,63%. Depois vem a Metropolitana com 62,46% e em seguida aparece a do Salgado com 54,50%.
As três bacias que acumulam menores volumes são Banabuiú com 9,39%, Médio Jaguaribe, 13,49% e Crateús com 32,33%.
A Bacia Hidrográfica do Baixo Jaguaribe está com 35,29% e do Alto Jaguaribe, 34,76%.
21 AÇUDES SANGRANDO
Atualmente, o Ceará está com 21 açudes sangrando; outros 14 têm volume acima de 90% e 46 apresentam volume inferior a 30%. Cinco reservatórios estão secos: Forquilha II, Madeiro, Monsenhor Tabosa, Pirabibu e Salão.
Outros nove reservatórios estão com volume morto (abaixo da cota de liberação de água). São eles: Barra Velha, Cipoada, Joaquim Távora, Pompeu Sobrinho, Potiretama, São Domingos, Sousa, Trapiá II e Várzea do Boi.
O titular da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira, ensina que as bacias do Salgado e do Alto Jaguaribe são as principais e os olhares devem estar voltados para essas duas áreas, uma vez que direcionam água para os dois maiores açudes do Estado – Castanhão e Orós. “São reservatórios estratégicos para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza, a maior do Ceará, além de cidades do Médio e Baixo Jaguaribe”, pontuou Texeira.
Atualmente, o Castanhão, mesmo com a transferência de água do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), acumula 13,09%, e o Orós, 29,18%. O reduzido volume no gigante reservatório cearense se deve à liberação de 10 metros cúbicos de água por segundo para a RMF e Baixo Jaguaribe desde o início de abril passado.
O Castanhão acumulava, há um ano, 15,77%, segundo dados do Portal Hidrológico da Cogerh. Já o Orós estava com 27,07%. Esses dois reservatórios têm, portanto, menor quantidade de água do que em relação ao mesmo período do ano passado.
TRUSSU
Já em relação ao açude Trussu, que abastece Iguatu e Acopiara, a população dessas duas cidades comemora a recarga obtida no reservatório que chegou a 30,56%. Há um ano estava com 24,5%.
“Temos garantia de água para dois anos seguidos mesmo que não ocorra nenhuma recarga”, comemorou o engenheiro e assessor técnico da Prefeitura de Iguatu, Marcos Ageu Medeiros.
Acopiara também ganhou um reforço de reserva de água porque a barragem municipal está transbordando neste ano e vai fornecer água para o sistema local de abastecimento por pelo menos seis meses.
CHUVAS
O volume de chuva vem caindo nos últimos sete dias como já era esperado pela meteorologia, impactando o aumento do volume dos açudes no interior do Estado.
Para o mês de maio, que é o último da quadra chuvosa, o esperado em índice pluviométrico é o menor para o período, ou seja, 90.6mm. Até o momento, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou 95.4, que representa um desvio positivo de 5,3%.
O atual maio é o melhor desde 2011, quando a Funceme registrou 136.1mm, ou seja, um desvio positivo de 50.2mm. DIARIONORDESTE
Lula é caso perdido - O ESTADO DE SP
23 de maio de 2021 | 03h00
O ex-presidente Lula da Silva, hoje o grande favorito à eleição presidencial do ano que vem, tratou de lembrar ao eleitorado por que razão a simples menção de seu nome evoca um Brasil prisioneiro de ideias retrógradas e nocivas. A propósito do processo de privatização da Eletrobrás – que talvez seja finalmente levado adiante, muito a contragosto do presidente Jair Bolsonaro –, o chefão petista foi às redes sociais para qualificar a venda da estatal de “crime contra o povo brasileiro”.
Lula é um caso perdido. Mesmo que, por mera estratégia eleitoral, procure se apresentar como o muito procurado candidato do “centro” – responsável, democrático e moderno –, o demiurgo de Garanhuns jamais conseguirá superar sua natureza autoritária e estatólatra.
Não há motivo racional para se opor à privatização da Eletrobrás (nem de qualquer outra estatal), ainda mais nos termos usados por Lula da Silva. Ao dizer que a venda da Eletrobrás, “a preço de banana”, ameaça “o futuro do nosso país” e coloca em risco “a soberania e a segurança energética do Brasil”, o ex-presidente comporta-se como agitador de grêmio estudantil, e não como alguém que reivindica a chefia do governo.
Mas Lula da Silva não se limitou a denunciar o ataque à “soberania” brasileira. Declarou, sem qualquer evidência, que a privatização da Eletrobrás “vai também elevar consideravelmente as tarifas de energia”. É um escárnio.
Sob a Presidência de Dilma Rousseff – suposta expert em energia que foi ministra de Lula e que depois sucedeu a seu criador –, o governo tentou reduzir na marra a conta de luz dos brasileiros, por meio da infame Medida Provisória 579. O desconto chegou a 20% em 2013, mas a medida demagógica criou um passivo de mais de R$ 60 bilhões – custo da indenização aos transmissores afetados pela renegociação das concessões conduzida por Dilma.
Um ano mais tarde, em 2014, o governo se deu conta de que não teria recursos para a indenização. Para evitar um aumento na conta de luz em ano eleitoral, Dilma preferiu deflagrar uma operação de socorro às empresas de energia, liderada por bancos públicos.
Dilma passou a campanha toda negando que haveria um tarifaço. Assim que foi reeleita, a presidente acabou com a farsa da conta de luz barata: em 2015, houve um tarifaço médio de mais de 50% – suficiente apenas para cobrir o aumento dos custos das empresas de energia, mas não para as indenizações. Ou seja, os brasileiros continuam até hoje financiando a lambança irresponsável de Dilma, que Lula finge ter esquecido.
A indecente aposta de Lula na falta de memória do eleitor não para por aí. O ex-presidente declarou que a venda da Eletrobrás aumenta o “risco de apagões”. Dilma havia dito o mesmo em 2017, quando o governo de Michel Temer tentou avançar a privatização. “O consumidor vai pagar uma conta de luz estratosférica por uma energia que não terá fornecimento garantido”, disse Dilma na ocasião.
A desfaçatez é impressionante, mesmo para os padrões lulopetistas. Sob o governo de Dilma – que se elegeu prometendo acabar com os apagões –, houve uma série de blecautes. Só em outubro de 2012 houve dois: um que afetou o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste e outro que atingiu o Nordeste e o Norte. Em vez de assumir que faltaram investimentos no setor elétrico, o governo preferiu culpar a natureza.
É justamente para melhorar o setor elétrico que a privatização da Eletrobrás é urgente, pois o governo não tem condições de fazer os investimentos necessários e não há perspectiva de que venha a ter num futuro previsível.
Mas parece haver um consórcio destinado a impedir a modernização do Brasil, representado pelos dois candidatos que lideram as pesquisas, Lula e o presidente Bolsonaro. Pois Bolsonaro, desde sempre, é contra privatizações. Na campanha de 2018, usou uma analogia avícola para descartar a venda da Eletrobrás: “Suponha que você tem um galinheiro no fundo de sua casa e viva dele. Quando privatiza, você não tem a garantia de comer um ovo cozido. Nós vamos deixar a energia nas mãos de terceiros?”.
Dilma não faria melhor.
O Apartheid da vacina - ISTOÉ
Com diferentes ritmos de vacinação e produtos próprios, países ricos e pobres se distanciam na imunização e criam um novo fosso de desigualdade sanitária que vai restringir a circulação de milhões de pessoas pelo planeta. Os passaportes Covid se transformarão em documentos básicos para viagens internacionais
Uma nova forma de desigualdade está se desenvolvendo e ganhando força globalmente: a vacinal. De uma hora para outra, a vacina contra a Covid-19 virou um instrumento de poder e de acirramento das diferenças sociais entre os povos. Nesse momento crítico, o que se vê é um desequilíbrio escandaloso na abrangência e na velocidade da imunização entre países ricos e pobres, com amplas vantagens para os primeiros, e o estabelecimento de novas barreiras sanitárias e limites para a movimentação de pessoas pelo globo. Diversos países e blocos econômicos tratam, por exemplo, de instituir passaportes da vacina para controlar o fluxo de imunizados em suas fronteiras e evitar a circulação de contaminados. Para o Brasil, o cenário é o pior possível e sua condição de pária internacional pode se fortalecer ainda mais, dada a lentidão da campanha local de vacinação. Enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 50% dos adultos foram imunizados, por aqui esse percentual é de 19%. Na Europa, o índice médio já supera os 40% e as pessoas estão sendo liberadas de usar máscaras e podem sair do isolamento. Também surge uma diferença entre vacinas para países ricos e pobres. As vacinas chinesas Sinopharm e Sinovac e a russa Sputnik V não têm autorização para distribuição na Europa e nos Estados Unidos e estão restritas aos seus locais de origem e aos mercados emergentes.
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Na semana passada, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, chamou a atenção para o aumento da desigualdade vacinal e para os problemas sociais decorrentes do fenômeno. Ele disse que países de alta renda, que respondem por 15% da população mundial, contam com 45% das vacinas produzidas, enquanto países de renda média e pobres concentram quase a metade dos habitantes do planeta, mas recebem apenas 17% dos imunizantes. “Acho que irei um passo adiante e direi que o mundo não está sob o risco de um apartheid de vacinas, ele já está em um apartheid de vacinas”, afirmou Tedros. Até a segunda-feira, 17, mais de 80% das 1,2 bilhão de doses disponibilizadas em todo o mundo tinham sido aplicadas em cidadãos de países de renda alta e de renda média para alta, o que inclui Brasil e México. Na África, por sua vez, foram disponibilizados até agora 20 milhões de vacinas, o que atende apenas 2% da população. Um dos efeitos perversos dessa situação desigual é que moradores ricos de países pobres começaram a praticar uma espécie de turismo vacinal para receber o imunizante no exterior.
O aumento do controle sanitário das fronteiras será inevitável e como se espera que as vacinações contra a Covid-19 acontecerão anualmente, isso deve se prolongar por muito tempo. A União Europeia, por exemplo, defende que apenas pessoas imunizadas com vacinas aprovadas para uso no bloco tenham acesso ao passe livre do Certificado Digital Verde, que a entidade evita chamar de passaporte da vacina. Se for assim, pessoas vacinadas com a Coronavac, da Sinovac, ou com a Sputnik V estarão impedidas de entrar na Europa e também nos EUA. Para circular pelo mundo será necessário agora um comprovante de vacinação e, em alguns casos, nem isso se mostrará suficiente, se o produto não for aprovado pela agência reguladora local. Enquanto marcas do Ocidente como Pfizer, Moderna, Janssen e AstraZeneca abrirão portas em qualquer lugar do mundo, outros produtos poderão ser tratados com preconceito e usados como pretexto sanitário para barrar a entrada de certas pessoas que possam representar alguma ameaça ou que simplesmente venham de países pobres. Especificamente no caso da Coronavac, na situação atual seu uso pode representar alguma dificuldade para a entrada de brasileiros em países que exijam o passaporte Covid.

Além do problema global, há também a desigualdade local. No Brasil, onde as vacinas são escassas e a vacinação está atrasada, os ricos levam vantagem sobre os pobres. Até o início de abril, o Brasil tinha aplicado pelo menos uma dose de vacina em 8,4% da população, o que deixava o Pais em 68º lugar num ranking com 166 nações e territórios. Um levantamento feito pelo Instituto Pindograma, com base nos microdados do Open Data SUS, mostrou que na cidade de São Paulo os bairros mais vacinados têm renda média oito vezes maior e vacinam quatro vezes mais do que os bairros menos vacinados. Já no Rio de Janeiro, um habitante do Baixo Leblon tem três vezes mais chances de ter recebido a primeira dose da vacina contra a Covid- 19 do que um vizinho da favela do Vidigal. Como se vê, a lógica da vacinação reproduz o funcionamento desigual da sociedade e também cria uma multidão de excluídos. Para diminuir o problema a única saída é acelerar a imunização.
Navio da salvação ambiental - ISTOÉ
Um dos maiores desafios da humanidade hoje é reduzir e controlar a poluição dos oceanos. Há alguns meses, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que esta década será dedicada à proteção das águas dos mares, algo indispensável para evitar uma catástrofe. Mas, independente dos índices alarmantes de poluição, ainda é possível sonhar com um futuro sustentável. A esperança tem nome e se chama Manta.
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Com mais de 45 metros de comprimento, trata-se de um navio com capacidade de coletar lixos dos oceanos, sobretudo plástico, e transformá-lo em energia. Isso lhe dá condições para operar de maneira autônoma em 75% do tempo que está em atividade. A embarcação é forjada com aço de carbono e possui painéis solares, geradores potentes e turbinas eólicas. “A capacidade de recolher o lixo é inovadora”, conta o engenheiro naval João Ferreira Netto, da Escola Superior de Engenharia e Gestão (ESEG). Com mais de 22 funcionários, o Manta poderá coletar cerca de três toneladas de lixo por hora, um marco no setor marítimo. “Os incentivos irão crescer com embarcações como esta”, explica Netto.
10 mil toneladas
É a quantidade anual de plástico que o Manta pode coletar nos mares
Idealizador do projeto ao lado da ONG SeaCleaners (Limpadores do mar), o velejador suíço Yvan Bourgnon, conta que há décadas observa a degradação das águas e sentiu que tinha que fazer alguma coisa. “A poluição de plástico é alarmante”, diz. Por enquanto, só há um protótipo do navio autônomo disponível, mas Bourgnon já sabe onde ele poderá ser mais útil. “Nossa esperança é que centenas de Mantas sejam construídos para ajudar na limpeza dos oceanos, sobretudo na Ásia”, diz, referindo-se à região que concentra 60% da poluição de plástico no mundo. Segundo a SeaCleaners, os dois primeiros navios serão comercializados a partir de 2024: cada um deles coletará mais de dez mil toneladas de plástico por ano.

