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‘Vai ter que provar o que diz ou estará em maus lençóis', diz Eduardo Bolsonaro sobre servidor que citou presidente no caso Covaxin

Paulo Cappelli / O GLOBO

 

BRASÍLIA — O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou nesta quarta-feira que o servidor que citou o presidente Jair Bolsonaro na suspeita de irregularidades na compra da Covaxin, caso investigado pela CPI da Covid, terá que “provar o que diz ou estará em maus lençóis”. Eduardo Bolsonaro disse não se lembrar de foi alertado sobre o assunto pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF), colega de parlamento e irmão do servidor da Saúde que fez as revelações.

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— Ele (servidor) vai ter que provar o que diz ou estará em maus lençóis. É uma acusação muito grave — disse Eduardo BolsonIndagado se chegou a ser avisado sobre a suspeita de irregularidade pelo deputado Luís Miranda, Eduardo Bolsonaro respondeu que não se lembra se recebeu algum alerta.

— Tenho um zilhão de grupos de WhatsApp. Se ele mandou alguma coisa aqui, pode dizer depois que me alertou e eu não me lembro.

Em seguida, o deputado pegou o celular para mostrar ao GLOBO o registro de mensagens com Miranda no aplicativo, mas não havia qualquer comunicação. O parlamentar, em seguida, afirmou que costuma apagar as mensagens com frequência.

O caso Covaxin e o fim do fim da mamata

Diga-se que não terão sido poucos os patriotas da cepa robertojefferson que “derrubaram a República”. Faço tal prevenção porque a credibilidade deste deputado Luiz Miranda não resiste a quinze segundos de pesquisa; este sujeito que ora se apresenta como paladino da luta contra a corrupção. Ademais, a título de advertência: trata-se de um bolsonarista. De um enrolado e bolsonarista. De um enrolado bolsonarista, do tipo – é impressionante – que tem acesso fácil, preferencial mesmo, ao gabinete do presidente da República. Um conjunto a nos demandar prudência.

 

Daí por que me seja impossível não considerar a hipótese de que seu surgimento súbito – cheio de verdades – decorra não somente do óbvio interesse em proteger o irmão, a quem se refere como “garoto”; mas também da intenção de blindar Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello. Desconfio.

Para que fique claro: não tenho dúvida de que o deputado deva ser ouvido na CPI. Ele decerto tem muito a dizer. Já demonstrou que tem; inclusive para nos iluminar sobre o grau de prevaricação em xeque. Vai longe... E alto. Mas me parece deletério que o faça – que fale – em sessão conjunta com o irmão, Luiz Ricardo Miranda, o servidor do Ministério da Saúde que teria sofrido carga de superiores para facilitar a vida da Covaxin; ou melhor: da intermediária Precisa, a representante do laboratório Bharat Biotech no Brasil.

Mais: o deputado deveria ser ouvido necessariamente depois de Luiz Ricardo. São dois depoimentos relevantes; mas que tratam de matérias diferentes – complementares por confronto.

Juntos, planta o ceticismo, Luiz Miranda, o bolsonarista, tende – desconfio – a operar como filtro do irmão, o “garoto”; uma espécie de apara a que Luiz Ricardo talvez se limitasse a responsabilizar escalões menores do ministério pela forma excepcional com que foi abraçada a vacina Covaxin.

Aliás, por que o deputado seria útil – porta-voz? – ao depoimento de alguém que, afinal, sofreu diretamente as supostas pressões? Luiz Miranda não estava lá. Ele ouviu do irmão os relatos sobre o que se teria passado. O peso do que o deputado tem a apresentar está no que fez – com quem falou a respeito – e no que colheu detendo aquelas informações. (Colheu, por exemplo, a manutenção do irmão no cargo.) Uma outra inquirição, de natureza diversa, tão importante quanto a de Luiz Guilherme, a merecer mesmo exclusividade.

Em suma. Luiz Guilherme tem a relatar sobre o submundo do Ministério da Saúde – não obrigatoriamente um universo distante do primeiro escalão da pasta. E Luiz Miranda, sobre como levou as notícias daquele submundo ministerial ao gabinete do presidente da República. Chegaremos lá.

Ao Ministério Público Federal, em 31 de março, Luiz Guilherme citou o tenente-coronel do Exército – ah, Exército! – Alex Lial Marinho como um dos responsáveis pelas gestões excêntricas para que se liberasse açodadamente a importação da Covaxin. Marinho era coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde, integrava o grupo de auxiliares próximos, gente de confiança, de Pazuello – e só seria demitido do ministério sob Marcelo Queiroga.

Antes, houve a demissão do próprio Luiz Guilherme – derrubado, segundo o deputado, por denunciar internamente o esquema de corrupção. Informou-nos Luiz Miranda que, ao saber da exoneração do irmão, procurara Pazuello, contara-lhe sobre os desvios e ameaçara “explodir” o caso na mídia – o que faz agora – caso “o garoto” fosse prejudicado. Teve sucesso. Luiz Guilherme se manteve no posto, como chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde. E o deputado segurou a bomba. (Por que a detona agora?)

A bola, então, ficava com Pazuello, o ministro de Estado: não apenas para reverter, como reverteu, uma injustiça; mas para – não prevaricando – avançar na apuração da grave denúncia. Avançou? Ou prevaricou? Ou – há fios narrativos para se proteger assim – teria sido vítima daquela cultura dos pixulecos, de um Ministério da Saúde profundo e obscuro, contra o qual resistia e que afinal o derrubaria? O deputado Luiz Miranda, bolsonarista, parece armar a embocadura para poupar o ex-ministro. Desconfio.

O grau de possível prevaricação, porém, sobe. Porque Luiz Miranda – segundo Luiz Miranda – teria relatado a existência do esquema, pessoalmente, a Bolsonaro; e ainda, por escrito, via mensagem, a um assessor direto do presidente. O deputado dá detalhes. No encontro com Bolsonaro, diante do relato e ante documentos, teria ouvido que o Planalto acionaria a Polícia Federal imediatamente. Era 20 de março. Naquela altura, contudo, o contrato para aquisição da Covaxin já fora assinado, em 25 de fevereiro. Nada impedia, dada a gravidade do acusado, a revogação – registre-se.

Ocorre – atenção a isto – que Miranda também estivera com Bolsonaro bem antes, nos dias 29 e 30 de janeiro; e, segundo o site O Antagonista, teria detalhado ao presidente a situação relativa à contratação da Covaxin, mui provavelmente mais preocupado em proteger o irmão.

Naquela altura, o governo já estava mais do que engajado na aquisição da vacina indiana. E sem se importar com o histórico da Precisa; ou não teria sido uma empresa sócia, a Global, aquela que, em 2017, dera um calote de R$ 20 milhões no Ministério da Saúde do então ministro Ricardo Barros, hoje líder de Bolsonaro na Câmara?

Somente isso já bastaria a que se impusesse – ao governo que acabaria com a mamata – a pergunta: como se pôde fechar, frente ao que valera uma ação de improbidade contra Barros, contrato de intermediação com a Precisa? (Aliás: legislando em causa própria, a Câmara tenta forjar uma nova lei de improbidade que seria um presente para o líder do governo; né?)

Voltemos a janeiro de 2021, quando o Parlamento passou a tratar de uma medida provisória que permitiria que a Anvisa concedesse “autorização para importação e distribuição de quaisquer vacinas” sem registro na agência desde que aprovadas por algumas autoridades sanitárias internacionais específicas e restritas. A MP, para fins de uso emergencial de imunizantes, fora editada pelo Planalto a 5 de janeiro – precisamente. E listava as agências admitidas: dos EUA, da União Europeia, do Reino Unido, do Japão e da China.

Em 7 de janeiro, agentes da Precisa – em viagem à Índia para cuidar da representação da Covaxin – tiveram reunião na Embaixada brasileira em Nova Déli. No dia seguinte, 8 de janeiro, com a Precisa se movendo na Índia, Bolsonaro escreveria ao primeiro-ministro indiano informando que a Covaxin – ainda não contratada, e descoberta para qualquer uso emergencial – integraria o Plano Nacional de Imunização do Brasil.

Sim. O mesmo Bolsonaro para quem a falta de chancela da Anvisa fora grave impeditivo para que se firmasse contratos diretos com Coronavac (U$10,30 a dose) e Pfizer (U$10); este – o mesmo Bolsonaro – que então corria, ele mesmo em campo, para assinar, via intermediário, por uma vacina (U$15) não apenas não avalizada pela agência como ainda em estágio de testes anterior. Estava certo. Aprovação de autoridade sanitária é para aplicar imunizante no braço do povo. Não para se firmar contratos que colocariam o país bem na fila dos recebimentos. Estaria o presidente aprendendo? Não. O governo começava a fazer a coisa certa – tudo indica – por interesses errados.

No Brasil, a MP tramitava. Lembremos: Bolsonaro teria sido informado sobre o caso de corrupção – por Luiz Miranda – ao fim de janeiro; e teria se comprometido a agir. Em 3 de fevereiro, olha ele aí, Ricardo Barros, antigo conhecido da turma da Precisa, propôs emenda à medida provisória; ajuste que incluía a agência sanitária indiana à lista das autoridades cujo aval serviria para a importação e distribuição emergencial de vacinas – o que, claro, contemplava a Covaxin. A emenda seria aprovada com louvor.

Neste mesmo início de fevereiro, em entrevista ao Estadão, Barros declarou: “Estou trabalhando. Eu opero com formação de maioria. O que eu apresentar para enquadrar a Anvisa passa aqui [na Câmara] feito um rojão”. (...) “Eu vou tomar providências, vou agir contra a falta de percepção da Anvisa sobre o momento de emergência que nós vivemos. O problema não está na Saúde, está na Anvisa. Nós vamos enquadrar.”

E, no fim de abril, desde a tribuna, à parte os delírios sobre um governo vacinador, bradou: “Muitos bilhões de reais foram disponibilizados para o combate à Covid, vacinas compradas, contratadas, ainda com poucas vacinas autorizadas pela Anvisa e, portanto, atrasando o nosso cronograma de vacinação. Mas o governo fez e assinou os contratos. Nós temos 500 milhões de doses de vacinas contratadas. E contratará mais, porque, como estamos vendo a programação de entrega de vacinas não pôde ser cumprida porque não houve liberação da Anvisa nem da Covaxin, nem da Sputnik, nem de outras vacinas que estão lá com pedido de uso emergencial.”

Fim.

Fim do fim da mamata. O GLOBO

Universidade de Oxford anuncia novo teste de ivermectina como tratamento para Covid-19

Universidade de Oxford anuncia novo teste de ivermectina como tratamento para Covid-19 / O GLOBO

LONDRES - A Universidade de Oxford informou nesta quarta-feira que incluiu o antiparasitário ivermectina na lista de drogas a serem testadas contra a Covid-19 como parte de um estudo apoiado pelo governo britânico. O medicamento será testado em ambientes não hospitalares.

A ivermectina resultou em uma redução da replicação do vírus em estudos de laboratório, disse Oxford, acrescentando que um pequeno piloto mostrou que a administração precoce do medicamento pode reduzir a carga viral e a duração dos sintomas em alguns pacientes com COVID-19 leve.

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Batizado de Principle, o projeto britânico revelou em janeiro que os antibióticos azitromicina e doxiciclina foram ineficazes contra a Covid-19 em estágios iniciais.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências reguladoras dos EUA e da Europa recomendaram contra o uso da ivermectina em pacientes de Covid-19, ela está sendo usada para tratar a doença em alguns países, incluindo a Índia, Argentina e o Brasil.

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— Ao incluir a ivermectina em um ensaio clínico de grande escala como o Principle, o que esperamos é gerar evidências robustas para determinar quão eficaz esse tratamento contra a Covid-19 é e se há benefícios ou danos associados ao seu uso — afirmou o vice-chefe do projeto, Chris Butler.

Segundo a universidade, não serão recrutados para o teste voluntários que tenham problemas hepáticos graves, que estejam tomando varfarina (medicamento para afinar o sangue) ou outros fármacos para os quais já se sabe que há interação medicamentosa com a ivermectina.

A ivermectina é o sétimo tratamento a ser investigado no projeto Principle e atualmente está sendo avaliada juntamente com o antiviral favipiravir, informou a universidade.

 

 

 

Empresário que negociou Covaxin por valor 1.000% mais caro tem histórico de investigações

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 05h00

No centro das apurações sobre o processo de aquisição das vacinas indianas Covaxin pelo governo Jair Bolsonaro, o empresário Francisco Emerson Maximiano atua no setor farmacêutico há mais de uma década. Nome tido como próximo do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), ele é dono de empresas que tiveram contratos contestados por órgãos de investigação em gestões do MDB e do PT, além de uma série de processos judiciais de cobranças de dívidas. 

Maximiano era esperado nesta quarta-feira, 23, na CPI da Covid, mas sua defesa alegou que ele não poderia prestar depoimento porque está em quarentena após voltar de uma viagem à Índia

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Uma das empresas de Maximiano é a Precisa, que em janeiro deste ano havia se tornado a única representante no País da Bharat Biotech, fabricante indiana da Covaxin. Na ocasião, o empresário brasileiro viu grande oportunidade de negócios e, de posse do contrato de representação, procurou a Associação Brasileira de Clínicas de Vacina (ABCVAC), que organizou uma comitiva ao país asiático. 

Francisco Emerson Maximiano
O prédio que abriga a sede da Precisa Medicamentos, informado como residência do dono, o empresário Francisco Emerson Maximiano Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

O trunfo de Maximiano, segundo um integrante da associação, era o fato de a Bharat se apresentar como única empresa no mundo disposta a vender vacinas para o setor privado – embora ela tivesse dito, no comunicado, que a preferência seria a venda para o governo federal. 

Os termos da aproximação entre a Precisa e a Bharat ainda não são claros para a CPI. A reunião que selou a parceria teve presença, virtual, do embaixador do Brasil na Índia, André Aranha Corrêa do Lago, segundo informações do fabricante indiano. 

A Precisa é uma empresa que Maximiano adquiriu em 2014, vendida pela Orizon – empresa do grupo Bradesco. Desde 2012, ele era sócio de outra companhia do setor, a Global Gestão em Saúde. Atualmente, além das duas empresas, ele é sócio de outras nove companhias, sendo quatro do ramo da saúde. 

A Global já teve contratos com o governo federal, conforme o Estadão publicou em fevereiro. Enquanto Ricardo Barros era ministro da Saúde, a empresa vendeu, mas não entregou, remédios de alto custo ao ministério, um prejuízo estimado em R$ 20 milhões aos cofres públicos. O Ministério Público Federal move uma ação contra a empresa e, contando os danos coletivos, cobra R$ 119 milhões da Global na Justiça. 

Em março, a revista Veja publicou que a empresa também havia sido multada em R$ 2,3 milhões pela Petrobrás por não cumprir contrato de fornecimento de medicamentos para funcionários da estatal. O contrato havia sido assinado em 2015, durante o governo Dilma Rousseff (PT). O contrato havia sido encerrado no mesmo ano, após constatação de fraudes na execução do acordo. 

A própria Precisa também já era investigada pelo Ministério Público Federal antes de obter o contrato com a Bharat. Ela é um dos alvos da operação Falso Negativo, que desde o ano passado apura a venda de testes rápidos contra a covid-19 com valores superfaturados e qualidade inferior ao recomendado na gestão de Ibaneis Rocha (MDB). O contrato foi de R$ 20 milhões. 

Débitos

Em São Paulo, Maximiano e suas empresas são alvo de ações de cobrança por atraso no pagamento de impostos e dívidas trabalhistas. Em uma das companhias, a Interfarmácia, ele é cobrado por antigos sócios que alegam que tiveram de assumir dívidas trabalhistas que ele deixou de arcar, segundo processo no Tribunal de Justiça. Ele também chegou a ser acionado por não pagamento do aluguel de uma cobertura, no bairro do Campo Belo, que contratou em parceria de um empresário e da modelo Marthina Brandt, Miss Brasil de 2015. 

O empresário, entretanto, tem um padrão low profile. Não há fotos dele nas redes sociais e mesmo agentes do mercado e do setor farmacêutico o desconheciam antes do contrato com a Bharat. 

A reportagem esteve nesta terça, 22, no endereço indicado em documentos enviados à CPI como domicílio de Maximiano, mas não o encontrou. O local na verdade é a sede da Precisa Medicamentos, em Barueri, na Grande São Paulo. A empresa informou que ele cumpria quarentena em casa. A Precisa não se pronunciou. A reportagem também tentou contato com Barros, mas ele não atendeu às ligações nem retornou as mensagens. O Estadão não conseguiu localizar Marthina Brandt. / BRUNO RIBEIRO, FERNANDA GUIMARÃES, ISADORA RUPP e TULIO KRUSE

Favoritos não têm do que reclamar na Copa do Brasil

Os próximos confrontos da Copa do Brasil foram definidos nesta terça-feira (22), em sorteio, e a expectativa de vermos clássicos estaduais ou grandes duelos entre os favoritos ao título se decepcionou. Ao menos em tese, nesses primeiros instantes. Porque, ao analisarmos os jogos que vão indicar os oitos classificados, com direito a um prêmio de R$ 3,45 milhões, vemos que a história pode nos trazer bons momentos nesses confrontos.

O Santos faz o primeiro jogo em casa contra o Juazeirense, da Bahia, e esse será o primeiro encontro das equipes. Os paulistas seriam favoritos, afinal estão na Série A, enquanto os baianos disputam a D. Mas basta lembrar da terceira fase para ver que o Juazeirense não deve ser considerado batido. O Cruzeiro que o diga.

O clássico nordestino, entre CRB e Fortaleza, nunca foi realizado na Copa do Brasil. Mas nas 28 vezes em que foi disputado, o time cearense, que fará a primeira partida em casa, tem leve vantagem, de 10 vitórias contra sete dos alagoanos. As duas equipes tiveram desafios difíceis na terceira fase, mas sem dúvida que o CRB promoveu uma das maiores zebras da história da Copa do Brasil ao eliminar o Palmeiras, lá no Allianz Parque.

O jogo com mais história é São Paulo x Vasco, que será decidido no Rio de Janeiro. Neste momento, o Tricolor está na Série A; os vascaínos, na B. Mas a fase dos dois times não é boa, o que torna o duelo parelho. Na história, esse confronto já decidiu o Brasileirão de 1989, vencido pelo Vasco por 1 a 0, gol do Sorato. Os times já se enfrentaram em outras competições com mata-mata, e existe empate. Mas o São Paulo leva a melhor na Copa do Brasil: em 1998, o Vasco bateu os paulistas nas quartas de final, mas nesta mesma fase, em 2002 e 2015, deu São Paulo. Não custa lembrar que o São Paulo jamais venceu a Copa do Brasil.

Dois jogos reúnem equipes da Série A. E o que promete ser o mais equilibrado desta fase será decidido em Salvador, quando o Bahia receber o Atlético Mineiro. Até porque esse jogo terá a chance de revanche para o Tricolor baiano. Em 1999, pela segunda fase, o Bahia levou a melhor vencendo o Galo fora de casa. Mas em 2002, a eliminação foi amarga: o Atlético venceu em casa por 2 a 1 e, em Salvador, perdeu por 4 a 3, com o Bahia mandando bola na trave e perdendo gols em sequência. Levou a melhor no critério do gol qualificado, fora de casa, o que não acontece mais na atual edição da Copa. Para mim é o jogo de prognóstico mais difícil.

O outro jogo da Série A terá os Atléticos, um com H, o Paranaense, e outro sem, o Goiano, que vai decidir em casa, no jogo da volta. Mais uma vez pesou o gol qualificado, porque os mandantes venceram seus jogos, nas oitavas da competição de 2007: 3 a 1 em Goiânia e 2 a 0 em Curitiba. O Furacão seguiu em frente e, atualmente, já tem até um título, conquistado em 2019.

O Grêmio vai em busca do sexto título da competição, o que só o Cruzeiro tem. E vai decidir em casa a classificação para as quartas de final contra o Vitória. O retrospecto é bem favorável aos gaúchos, que já bateram os baianos em duas oportunidades, ambas nas quartas: em 1994, com duas vitórias, e em 1997, com vitória e empate.

Para a maioria, além de Santos x Juazeirense, outro duelo com grande favorito reúne Flamengo e ABC, que está na Série D e vai decidir a vaga em casa. Já são seis jogos entre as equipes e o melhor resultado dos potiguares foi pelo Brasileiro de 1972, empate de 0 a 0, em casa. Depois disso, cinco vitórias do Flamengo, três delas pela Copa do Brasil, sempre na segunda fase: em 2001 e em 2006.

O único duelo entre dois times campeões da Copa do Brasil terá Criciúma, campeão em 1991, e Fluminense, campeão em 2007, com o primeiro jogo em Santa Catarina. Essa será a segunda vez em que vão se enfrentar e o Tricolor carioca teve dificuldades para se classificar na terceira fase, em 2017: empate de 1 a 1 em Criciúma e vitória por 3 a 2, em Edson Passos.

A bola só vai rolar nos dias 28 de julho e 04 de agosto. Até lá deveremos ter muitas mudanças, inclusive nas equipes por conta da abertura das janelas de transferência para o exterior. Se os favoritismos serão mantidos, não temos como prever. Mas sem dúvida alguma os jogos da Copa do Brasil serão mais atrativos que os atuais do Brasileirão. E se o meu time não estiver envolvido, que os classificados sejam definidos em disputas de pênaltis.

Sergio du Bocage é apresentador do programa No Mundo da Bola, da TV Brasil

Edição: Verônica Dalcanal

Fatia do 1% mais rico no Brasil é a maior entre dez países

Por Ben Stupples e Marion Halftermeyer, da Bloomberg / EXAME

 

A proporção de riqueza em mãos do 1% mais rico em países como Estados UnidosChinaBrasil e Índia aumentou na esteira da pandemia, impulsionada pelas medidas para aliviar o impacto do coronavírus, segundo o Credit Suisse.

 

Os ricos do Brasil aumentaram sua fatia em 2,7% no ano passado e agora respondem por quase 50% da riqueza do país, a maior proporção entre as dez nações citadas no Relatório de Riqueza Global do banco suíço divulgado na terça-feira.

 

O 1% mais rico em oito das dez nações aumentou sua fatia de riqueza no ano passado, principalmente devido aos cortes das taxas de juro após o surto de covid-19, segundo o Credit Suisse.

 

O relatório destacou o rápido aumento das fortunas globais: as 500 pessoas mais ricas do mundo elevaram seu patrimônio líquido combinado em 1,8 trilhão de dólares no ano passado, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, mas as desigualdades também aumentaram.

“Os maiores grupos de riqueza são relativamente imunes às reduções no nível geral de atividade econômica e, mais importante, também se beneficiaram do impacto das taxas de juro mais baixas sobre os preços das ações e dos imóveis”, afirmou o relatório.

O coeficiente de Gini — um indicador de desigualdade mais amplo que captura mudanças em ambas as extremidades do espectro — aumentou ao longo de 2020 em todos os dez países selecionados para o estudo, exceto nos Estados Unidos, onde o índice caiu marginalmente, disse o Credit Suisse.

A riqueza global das famílias totalizava 418 trilhões de dólares no final de 2020, aumento de 7,4% em relação aos 12 meses anteriores, segundo o banco.

A rápida criação de riqueza, a desigualdade e os déficits públicos incentivam ações ao redor do mundo para tributar os ricos.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tem planos de aumentar os impostos sobre ganhos de capital e as quantias que herdeiros ricos pagam quando os ativos são transferidos.

Em dezembro, uma comissão independente do Reino Unido recomendou um imposto único sobre a riqueza para arrecadar cerca de 260 bilhões de libras (361 bilhões de dólares), enquanto outras nações, como Argentina e Bolívia, já levantaram fundos no último ano com medidas com alvo nos ricos.

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