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Copa América, aloprados e o sono da oposição

Carlos Graieb / ISTOÉ

 

Iguais na irresponsabilidade
Não há defesa possível para os manifestantes de esquerda que se aglomeraram no sábado pelo Brasil afora, assim como não há defesa para os apoiadores de Jair Bolsonaro que se aglomeram em qualquer oportunidade. Há quem diga que as barbaridades cometidas pelo presidente foram tantas que a população perdeu o medo de enfrentar a pandemia para tentar derrubá-lo. Isso nada mais é do que uma variação do argumento bolsonarista, segundo o qual ficar em casa é coisa de maricas. Sim, os corajosos têm o direito de se matar como quiserem. Talvez devessem fazer isso com mais frequência no Brasil. Mas não podem contribuir para a propagação do vírus e o surgimento de novas variantes do Covid-19, impedindo que a pandemia seja controlada. A única coisa boa das passeatas do fim de semana foi mostrar – mais uma vez – que lulistas e bolsonaristas se equivalem na irresponsabilidade. Que recebam uma resposta contundente dos milhões que ficaram em casa nas eleições de 2022.

O risco é a sabotagem
Se os estádios permanecerem fechados e as comitivas dos dez times forem submetidas a um regime draconiano de testagem e isolamento, a Copa América não deve fazer diferença nenhuma na dinâmica da pandemia no Brasil. Mantidos esses cuidados, a competição traz muito menos riscos do que as passeatas de aloprados da esquerda e da direita. Mas a decisão de receber o torneio em meio à nossa enorme mortandade, como se isso fosse uma prioridade, de fato tem algo de indecente. E não vamos nos esquecer que a capacidade do governo brasileiro de sabotar a Saúde e fazer coisas erradas nunca deve ser menosprezada.

Paulo Câmara com medo da PM?
Tão preocupante quanto o ataque da Polícia Militar aos manifestantes anti-bolsonaristas de Recife, no sábado, é a débil reação do governo pernambucano a essa ação imotivada, que feriu com balas de borracha e provavelmente deixou cegos dois cidadãos. O governador Paulo Câmara (PSB) prometeu apurar responsabilidades com rigor, mas até agora manteve em sigilo o nome dos comandantes da operação policial – uma informação que certamente é fácil de conseguir. Das duas, uma: ou o próprio Paulo Câmara deu ordens para que a passeata fosse dispersada sem que houvesse qualquer desordem ou baderna, ou ele está com medo de impor sua autoridade aos Policiais Militares de seu Estado. Esta segunda alternativa é preocupante. Seria indício de que a infecção das PMs pelo vírus do bolsonarismo está mais avançada do que se poderia imaginar.

A oposição que dorme de boca aberta
A notícia começou a circular no final da semana passada. A turma de Paulo Guedes está pensando em “testar” um novo programa social no ano que vem, usando recursos extraordinários, fora do teto de gastos. Traduzindo, eles querem dinheiro livre das amarras do Orçamento para ajudar Bolsonaro a se reeleger. Vou repetir o que já disse aqui: a oposição está inerte, enquanto um governo se mexe para pôr de pé uma plataforma assistencialista que possa chamar de sua. A questão, obviamente, não é impedir que os recursos cheguem a quem necessita. A questão é impedir que um presidente e um ministro que desprezam pobres possam se apresentar como grandes benfeitores dos desvalidos. Já sugeri que o Congresso tome conta dessa pauta discutindo em paralelo a reestruturação dos programas sociais da União e a revisão do teto de gastos. O furdunço nas contas públicas provocado pela pandemia já seria motivo o bastante para essa revisão, mas agora temos também o fato de que o governo, de forma calhorda, quer recursos extraordinários para usar em proveito próprio. Outra alternativa: que fim levou aquela discussão sobre transformar o Bolsa Família em programa de Estado, e não mais de governo? Uma comissão foi criada em 2019 para tratar do assunto, mas nunca mais se ouviu falar dele. A oposição está dormindo. De boca aberta.

Jornalismo, importância do factual

Carlos Alberto Di Franco, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2021 | 03h00

Jornalismo é a busca do essencial, sem adereços, adjetivos ou adornos. O jornalismo transformador é substantivo. Sua força não está na militância, mas no vigor persuasivo da verdade factual e na integridade e no equilíbrio da sua opinião. A credibilidade não é fruto de um momento. É o somatório de uma longa e transparente coerência.

A sociedade está cansada do clima de radicalização que tomou conta da agenda pública. Sobra opinião e falta informação. Os leitores estão perdidos num cipoal de afirmações categóricas e pouco fundamentadas, declarações de “especialistas” e uma overdose de colunismo militante. Um denominador comum marca o achismo que invadiu o espaço outrora destinado à informação qualificada: a politização.

Em tempos de ansiedade digital, a reinvenção do jornalismo reclama revisitar alguns valores essenciais: amor à verdade, paixão pela liberdade e imensa capacidade de sonhar e de inovar. Eles resumem boa parte da nossa missão e do fascínio do nosso ofício. Hoje, mais que nunca, numa sociedade polarizada e intolerante, precisam ser resgatados e promovidos.

A democracia reclama um jornalismo vigoroso e independente. Comprometido com a verdade possível. O jornalismo de qualidade exige cobrir os fatos. Não as nossas percepções subjetivas. Analisar e explicar a realidade. Não as nossas preferências, as simpatias que absolvem ou as antipatias que condenam. Isso faz toda a diferença e é serviço à sociedade.

O grande equívoco da imprensa é deixar de lado a informação e assumir, mesmo com a melhor das intenções, certa politização das coberturas. Os desvios não se combatem com o enviesamento informativo, mas com a força objetiva dos fatos e de uma apuração bem conduzida.

As redes sociais e o jornalismo cidadão têm contribuído de forma singular para o processo comunicativo e propiciado novas formas de participação, de construção da esfera pública, de mobilização da sociedade. Suscitam debates, criam polêmicas (algumas com forte radicalização) e exercem pressão. Mas as notícias que realmente importam, isto é, as que são capazes de alterar os rumos de um país, são fruto não de boatos ou meias-verdades disseminadas de forma irresponsável ou ingênua, mas resultam de um trabalho investigativo feito dentro de padrões de qualidade, algo que deve estar na essência dos bons jornais.

Sem jornais a democracia não funciona. O jornalismo não é antinada. Mas também não é neutro. É um espaço de contraponto. Seu compromisso não está vinculado aos ventos passageiros da política e dos partidarismos. Sua agenda é, ou deveria ser, determinada por valores perenes: liberdade, dignidade humana, respeito às minorias, promoção da livre-iniciativa, abertura ao contraditório. O jornalismo sustenta a democracia não com engajamentos espúrios, mas com a força informativa da reportagem e com o farol de uma opinião firme, mas equilibrada e magnânima. A reportagem é, sem dúvida, o coração da mídia.

Jornalismo independente reclama liberdade. Não temos dono. Nosso compromisso é com a verdade e com o leitor. Mas a reinvenção do jornalismo passa por uma imensa capacidade de sonhar. É preciso vencer comportamentos burocráticos, reconhecer a nossa crise e tratar de virar o jogo. O fenômeno da desintermediação dos meios tradicionais teve precedentes que poderiam ter sido evitados, não fosse o distanciamento da imprensa dos seus leitores, sua dificuldade de entender o alcance das novas formas de consumo digital da informação e, em alguns casos, sua falta de isenção informativa e certa dose de intolerância.

Os leitores, com razão, manifestam cansaço com o tom sombrio das nossas coberturas. É possível denunciar mazelas com um olhar propositivo. Em vez de ficarmos reféns do diz que diz, do blablablá inconsistente do teatro político, das intrigas e da espuma que brota nos corredores de Brasília, que não são rigorosamente notícia, mergulhemos de cabeça em pautas que, de fato, ajudem a construir um País que não pode continuar olhando pelo retrovisor.

Não podemos viver de costas para a sociedade real. Isso não significa ficar refém do pensamento da maioria. Mas o jornalismo, observador atento do cotidiano, não pode desconhecer e, mais que isso, confrontar permanentemente o sentir das suas audiências. A verdade, limpa e pura, é que frequentemente a população tem valores diferentes dos nossos.

A violência, a corrupção, a incompetência e a mentira estão aí. E devem ser denunciadas. Não se trata, por óbvio, de esconder a realidade. Mas também é preciso dar o outro lado, o lado do bem. A boa notícia também é informação. A análise objetiva e profunda, sem viés ideológico, é uma demanda dos leitores.

A internet, o Facebook, o Twitter e todas as ferramentas que as tecnologias digitais despejam a cada momento sobre o universo das comunicações transformaram a política e mudaram o jornalismo. Queiramos ou não. Precisamos fazer a autocrítica sobre o nosso modo de operar. Não bastam medidas paliativas. É hora de dinamitar antigos processos e modelos mentais. A crise é grave. Mas a oportunidade pode ser imensa.


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Chuva no Ceará fica mais de 10% abaixo da média na quadra chuvosa; nível dos açudes é de alerta

A quadra chuvosa deste ano – período correspondido entre os meses de fevereiro a maio –  teve precipitações abaixo da média, no Ceará. Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), choveu o acumulado de 533.7 milímetros. Os dados são parciais e podem sofrer atualização. O volume é 11,2% menor que a normal climatológica para o período (600.7 mm).

Nesta última década, apenas em três anos a quadra chuvosa teve pluviometria acima da média: 2020 (728.6 mm), 2019 (671.9 mm) e 2011 (652.5 mm). Neste intervalo, o ano com menor volume de chuva, ainda conforme a Funceme, foi 2016 (317 mm).  

Apesar de o volume de chuva ser inferior à normal climatológica para o quadrimestre (600.7 mm), o acumulado está na margem que a Funceme considera ser "em torno da média". Segundo o órgão, volumes superiores a 695.8 milímetros são considerados “acima da média”.

Já quando o acumulado pluviométrico fica entre 505.6 mm e 695.8 mm, o quadrimestre pode ser analisado como “em torno da média”. Quando o observado é menor que 505.6 mm, considera-se que a quadra chuvosa foi “abaixo da média”. Diário do Nordeste entrou em contato com a Funceme para esclarecer a diferença entre média absoluta (600.7) e intervalo (505.6 mm a 695.8 mm) da quadra chuvosa, no entanto, o órgão disse que essa e outras questões serão abordadas na coletiva de imprensa a ser realizada na próxima quarta-feira (2).

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Origem do coronavírus em laboratório não pode ser descartada, mas fonte natural é mais provável

Ao longo das últimas semanas, o debate sobre a origem do Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, adquiriu uma urgência que não era vista desde o início da presente pandemia. Uma carta publicada por pesquisadores no prestigioso periódico especializado Science, bem como investigações sob os auspícios do governo americano, colocam em questão a possibilidade de que o vírus poderia ter vindo de um laboratório de Wuhan, na China, e não diretamente de um hospedeiro animal na natureza.

É óbvio que esse tipo de debate é um prato cheio para a desinformação. Escrevi esta coluna, portanto, como um pequeno guia para os perplexos, ponto a ponto. Vamos a eles.

1) Ainda não há evidências diretas de vazamento laboratorial, nem propriamente dados novos. Esse me parece um elemento muito importante e pouco mencionado. A discussão sobre o tema não se reacendeu por causa de evidências "positivas" —ou seja, dados diretos indicando o vazamento do Sars-CoV-2 do laboratório chinês. Tais dados, por ora, não existem.

As evidências são, na verdade, "negativas". Isso significa que ainda não foi encontrado um vírus idêntico ao que afeta humanos em hospedeiros animais (selvagens ou domésticos), o que impede a reconstrução completa da trajetória evolutiva do Sars-CoV-2, ou o momento e local aproximados em que ele teria feito o salto de bichos para humanos. É esse ponto que mantém aberta a possibilidade do espalhamento em laboratório.

2) Vazar de um laboratório não é a mesma coisa que ser arma biológica criada propositalmente. A "hipótese laboratorial" na verdade é uma família de hipóteses. O vírus, por exemplo, pode ter sido coletado por pesquisadores em animais, sendo estudado por eles, até que vazou acidentalmente e desencadeou a pandemia.

Também pode ser que um vírus de origem natural tenha sido modificado em experimentos cujo objetivo era entender como esses patógenos adquirem propriedades perigosas para seres humanos. Depois, essa forma alterada teria escapado por acidente.

Por fim, haveria a modificação deliberada para uso como arma biológica. É quase impossível achar um cientista sério que ache que a terceira possibilidade deste item 2 seja mais provável que a primeira e a segunda.

3) É preciso cuidado antes de achar que o Sars-CoV-2 é "engenheirado". Este ponto é um pouco mais complexo de explicar. Alguns defensores da hipótese laboratorial têm dado muito destaque ao fato de que a combinação exata de estruturas moleculares que permitem que o vírus se acople com eficiência às células humanas, por não ter sido identificada ainda em parentes dele na natureza, seria tão incomum que só poderia ter surgido a partir de manipulação genética. Também chamam atenção para o fato de que o coronavírus de morcegos que é o parente mais próximo do Sars-CoV-2 foi identificado muito longe de Wuhan (e, claro, não contém a combinação de moléculas "pronta para atacar humanos").

Por enquanto, parece mais seguro afirmar que essas ideias são, no máximo, meias-verdades. O motivo é simples: só conhecemos a pontinha do iceberg da diversidade viral carregada por animais selvagens, e o esforço de pesquisa de alguns meses depois da pandemia, por mais que tenha examinado dezenas de milhares de bichos e pessoas, está muito longe de esgotar os potenciais reservatórios de vírus.

De mais a mais, não custa ressaltar que nenhum patógeno emergente até hoje veio originalmente de um laboratório "“e a grande maioria surgiu na fauna selvagem. Sempre pode haver uma primeira vez, é claro, mas precisamos de evidências muito sólidas para apostar em hipóteses extraordinárias. FOLHA DE SP

Feira da Beira Mar, em Fortaleza, tem funcionamento liberado em novo decreto

FEIRA DA BEIRA MAR

O novo decreto, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) neste sábado (29), liberou o funcionamento do Polo de Artesanato da Beira Mar em Fortaleza. No entanto, as feiras, no geral, ainda seguem com atividades suspensas.  

Segundo nota da Prefeitura, a feira retorna a partir da próxima segunda-feira (31), com regras que serão divulgadas neste domingo (30) pelo prefeito Sarto Nogueira.

>> Leia o novo decreto

Documento estadual diz que está liberada "a atividade no Polo de Artesanato da Beira Mar, no município de Fortaleza, observadas as medidas sanitárias, as condições de funcionamento e limites de capacidade definidos em protocolo da Prefeitura de Fortaleza”.  

No dia 13 de maio, os feirantes permissionários do local realizaram uma manifestação solicitando a reabertura do espaço. As atividades estão suspensas desde o dia 5 de março, quando a capital cearense entrou em lockdown.  

Desde o dia 15 de maio, o comércio de rua pode funcionar de 10h às 19h, já as lojas de shopping, de 12h às 21h. O decreto ainda institui toque de recolher de 22h às 5h.  

INTERIOR AVANÇA NA REABERTURA  

Nessa sexta-feira (28), o governador Camilo Santana anunciou que as medidas de reabertura econômica se mantêm nas macrorregiões de Fortaleza e Sobral, se estendendo para as regiões do Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe. O Cariri, entretanto, segue com determinações mais restritivas.  

A reabertura regionalizada acontece devido às taxas locais de transmissão do novo coronavírus e ao cenário de atendimento na rede de saúde, com dados analisados pelo comitê que define as medidas estaduais. 

O processo de reabertura econômica no Ceará se iniciou no dia 12 de abril, logo após isolamento social rígido em todas as cidades por um mês. Seguindo a tendência, em 3 de maio o governo autorizou a abertura das atividades aos fins de semana. 

O QUE PODE FUNCIONAR PELO ATUAL DECRETO

Segundo as diretrizes do governo estadual, está permitida a abertura de comércio, shoppings, barracas de praia, restaurantes, atividades religiosas, academias e outras atividades não essenciais, até mesmo nos fins de semana. O que vale para Fortaleza e Sobral, a partir de segunda-feira (31), passa a ser válido nos municípios das macrorregiões do Litoral Leste/Jaguaribe e Sertão Central.

HORÁRIOS:

Comércio de rua: 10h às 19h
Comércio em shopping: 12h às 21h
Restaurantes: 10h às 21h (com capacidade de até 50%)
Academias: Até as 21h
Toque de recolher: 22h às 5h (em todo o Estado)

MUNICÍPIOS POR MACRORREGIÃO

AVANÇAM NA REABERTURA:

Sertão Central: Aiuaba, Arneiroz, Banabuiú, Boa Viagem, Canindé, Caridade, Choró, Ibaretama, Ibicuitinga, Itatira, Madalena, Milhã, Parambu, Paramoti, Pedra Branca, Quixadá, Quixeramobim, Senador Pompeu, Solonópole, Tauá

Litoral Leste/Jaguaribe: Alto Santo, Aracati, Ererê, Fortim, Icapuí, Iracema, Itaiçaba, Jaguaretama, Jaguaribara, Jaguaribe, Jaguaruana, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Palhano, Pereiro, Potiretama, Quixeré, Russas, São João do Jaguaribe, Tabuleiro do Norte

COM REABERTURA EM VIGOR DESDE O DIA 12 DE ABRIL:

Fortaleza: Acarape, Amontada, Apuiarés, Aquiraz, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Beberibe, Capistrano, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, General Sampaio, Guaiuba, Guaramiranga, Horizonte, Itaitinga, Itapajé, Itapipoca, Itapiúna, Maracanaú, Maranguape, Miraíma, Mulungu, Ocara, Pacajus, Pacatuba, Pacoti, Palmácia, Paracuru, Paraipaba, Pentecoste, Pindoretama, Redenção, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, Tejuçuoca, Trairi, Tururu, Umirim e Uruburetama

Sobral: Ararendá, Acaraú, Alcântaras, Ararendá, Barroquinha, Bela Cruz, Camocim, Cariré, Carnaubal, Catunda, Chaval, Coreaú, Crateús, Croatá, Cruz, Forquilha, Frecheirinha, Granja, Graça, Groaíras, Guaraciaba do Norte, Hidrolândia, Ibiapina, Independência, Ipaporanga, Ipu, Ipueiras, Irauçuba, Itarema, Jijoca de Jericoacoara, Marco, Martinópole, Massapê, Meruoca, Monsenhor Tabosa, Moraújo, Morrinhos, Mucambo, Nova Russas, Novo Oriente, Pacujá, Pires Ferreira, Poranga, Quiterianópolis, Reriutaba, Santa Quitéria, Santana do Acaraú, São Benedito, Senador Sá, Sobral, Tamboril, Tianguá, Ubajara, Uruoca, Varjota, Viçosa do Ceará

PERMANECEM COM MEDIDAS RESTRITIVAS:

Cariri: Abaiara, Acopiara, Altaneira, Antonina do Norte, Araripe, Assaré, Aurora, Baixio, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Caririaçu, Cariús, Catarina, Cedro, Crato, Deputado Irapuan Pinheiro, Farias Brito, Granjeiro, Ico, Iguatu, Ipaumirim, Jardim, Jati, Juazeiro do Norte, Jucás, Lavras da Mangabeira, Mauriti, Milagres, Missão Velha, Mombaça, Nova Olinda, Orôs, Penaforte, Piquet Carneiro, Porteiras, Potengi, Quixelô, Saboeiro, Salitre, Santana do Cariri, Tarrafas, Umari, Várzea Alegre ( DIARIONORDESTE).

Supremo desfaz a si mesmo para blindar Toffoli... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2021/05/29/supremo-desfaz-a-si-mesmo-para-blindar-toffoli

Josias de Souza
 

Colunista do UOL

29/05/2021 01h13

Já se sabia que a Justiça é cega. Descobre-se agora, num episódio estrelado pelo ministro Dias Toffoli, que a balança da Justiça está desregulada. A desregulagem ficou evidente na decisão em que o Supremo Tribunal Federal anulou, por 7 votos a 4, a delação do megacorrupto Sérgio Cabral, ex-governador do Rio. Alegou-se que a validade do acordo, celebrado pela Polícia Federal, dependia do aval do Ministério Público. Em 2018, o mesmo Supremo havia decidido o oposto. Reconheceu os poderes da PF para firmar acordos de delação, mesmo que à revelia do Ministério Público.

A delação de Cabral havia sido homologada no ano passado. A Procuradoria contestou a decisão em março de 2020. Só agora, um ano e dois meses depois, o pedido de anulação foi julgado. O assunto saiu da gaveta depois que o nome de Dias Toffoli foi pendurado nas manchetes de ponta-cabeça. Descobriu-se que Cabral acusou Toffoli de receber propina de R$ 4 milhões para favorecer dois prefeitos fluminenses enroscados no Tribunal Superior Eleitoral. Toffoli nega o malfeito. Antes de analisar o mérito da delação, tornou-se necessário julgar a preliminar sobre a validade do acordo.

Coisas estranhas passaram a acontecer. Imaginou-se que Dias Toffoli fosse se abster de participar do julgamento sobre a validade da delação de Cabral. Pois ele participou. Luiz Fux, presidente do Supremo, não costuma votar em processos que envolvem Sergio Cabral. Quando governava o Rio, o personagem apoiou a indicação de Fux para a vaga de ministro do Supremo. Dessa vez, ele votou. Toffoli e Fux engrossaram a maioria favorável à anulação do acordo de delação. A decisão pode produzir um efeito cascata, pois o acordo com Cabral não é o único que foi celebrado pela Polícia Federal, sem a participação do Ministério Público.

Sérgio Cabral é um corrupto de vitrine. Carrega na biografia condenações que somam mais de 300 anos de cadeia. Palavra de delator não é prova. Mas o que incomoda no caso das menções feitas a Toffoli é a forma como a acusação é retirada de cena, num julgamento feito em plenário virtual, sem debate, longe das câmeras da TV Justiça. A democracia não merece que o Supremo desfaça a si mesmo para abreviar o drama de um de seus ministros. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL..

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