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O pós-Lava Jato no combate à corrupção

Martim dela Valle, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2021 | 03h00

O fim da Lava Jato teve grande simbolismo: no dia de seu encerramento foi eleito presidente da Câmara dos Deputados um dos primeiros delatados na operação. O “quadrilhão do PP” de 2014 deu-nos em 2021 um chefe de Poder e líderes a quem se atribuem indicações para tribunais superiores. O símbolo pode ser funesto, mas não constitui presságio.

O balanço da Lava Jato está para ser escrito, decantadas as paixões. Na perspectiva do combate à corrupção, constitui importante capítulo de aprendizados e de desenvolvimento de tecnologias jurídico-institucionais. Tal combate evolui de longa data, em marcos como o caso Banestado, inovações legislativas das décadas de 2000 e 2010, o avanço exponencial da inteligência financeira neste século. Nem todos trouxeram vitórias imediatas, houve derrotas expressivas, mas todos trouxeram aprendizados importantes que foram utilizados com sucesso nas etapas posteriores.

A Lava Jato também trouxe avanços importantes. Seus erros e acertos servirão para a continuidade serena de uma luta cujo horizonte se conta em décadas. A mobilização que o tema provoca mostra sua vitalidade na sociedade. A hora é de reagrupamento e definição de prioridades para a próxima fase, com base em premissas que trarão maior maturidade ao tema.

A primeira é aceitar que a corrupção não é o maior dos males brasileiros. Continuaremos a ter problemas de países de renda média, com escassez de recursos a serem administrada em quase todas as áreas. É importante evitarmos visões messiânicas sobre uma tarefa que é sobretudo de vigilante carpintaria institucional. Elas mobilizam bases, mas se esgotam quando os milagres faltam. Deve-se evitar a tentação do pensamento mágico (balas de prata, salvadores), ao mesmo tempo que se acentuam a dimensão técnica e o caráter comportamental do exemplo.

A segunda é que a luta pela corrupção trouxe melhores resultados no campo técnico, quando conduzidas por profissionais com independência funcional. A transposição de técnicos para o campo da grande política falhou. Salvo a aprovação de medidas pontuais, a transformação de técnicos do Direito em políticos de alto voo não rendeu frutos duradouros. Mesmo governantes eleitos montados em discursos anticorrupção têm causado amplo retrocesso de pauta. Logo, a independência técnica dos órgãos de combate à corrupção deve ser defendida a qualquer custo.

A terceira é o fato (cientificamente provado) de que políticos combatem a corrupção muito menos quando estão na situação do que na oposição. O Brasil é pródigo em zelotes que se tornam “garantistas” no minuto de sua eleição. Situar a luta contra a corrupção em determinado lado do espectro político é um erro grave, que aliena parte importante de apoios na sociedade e afasta o foco da luta mais importante, que é o aprimoramento institucional.

No rescaldo da Lava Jato, a luta contra a corrupção parece dispersa numa miríade de agendas e instituições. Os projetos variam de uma nova Constituição federal a atividades educacionais. Embora meritórias e indicativas da vitalidade do tema, dissipam energia. É hora de reagrupamento dessas forças em torno de uma pauta mínima conjunta, sem prejuízo de temas específicos seguidos separadamente.

Uma pauta agregadora deveria incluir, como mínimo denominador comum, a preservação do trabalho e a inviolabilidade técnica do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A inteligência financeira talvez seja hoje o instrumento mais importante para detecção de corrupção numa economia “bancarizada” como a nossa.

Também deveria incluir incentivos ao setor privado para iniciativas de integridade. Modelos robustos de compliance adequados à realidade brasileira (o que ainda não ocorre), disseminados de forma geral no território nacional, serão o grande vetor para atacar o lado da “oferta” da corrupção. Também o fomento de ações coletivas setoriais para dissuadir e diluir a vingança de agentes públicos contrariados.

Em vista dos sucessivos “enterros” de operações anticorrupção em tribunais superiores por questões processuais, é imprescindível um alinhamento técnico sobre padrões de prova, delação premiada, acordos de cooperação e leniência. Esse alinhamento deve ser promovido pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público, mas a academia deve ter um papel importante de sistematização e articulação de visões técnico-processuais. Por fim, o setor privado e o terceiro setor precisam manter uma agenda mais fluida e constante de contatos com os órgãos técnicos da administração, tais como Controladoria-Geral da União, Tribunais de Contas e demais controladorias.

A pauta comum não prejudica as iniciativas específicas. Antes pode catalisar esforços hoje dispersos e será tanto mais coesa quanto forem definidos metas e resultados esperados. Trata-se de uma corrida de fundo para os de grande fôlego e muitas vezes lembrará a tarefa de Sísifo.


DOUTOR EM DIREITO PELA USP, PROFESSOR DA INTERNATIONAL ANTI-CORRUPTION ACADEMY (VIENA), É SÓCIO DE MARCHINI, BOTELHO E CASELTA ADVOGADOS

Desde o início, China fomenta parceria com Brasil no enfrentamento da pandemia

Yang Wanming

Embaixador da China no Brasil / FOLHA DE SP

 

 

 

VACINA DA CHINA PARA ETIOPIA

A pandemia de coronavírus já perdura por mais de um ano, com sucessivas ondas epidemiológicas e o surgimento de várias mutações, impondo à comunidade internacional novos desafios no enfrentamento da crise sanitária e na recuperação econômica.

Diante dessa situação complexa e crítica, foi realizada, dias atrás, a Cúpula Global de Saúde, uma conferência multilateral de alto nível sobre saúde pública mundial.

Em discurso feito na ocasião, com o título “Unidos na construção de uma comunidade global de saúde”, o presidente chinês, Xi Jinping, apresentou a proposta da China para promover a solidariedade internacional no combate à pandemia e anunciou cinco medidas para apoiar essa campanha, apontando caminhos concretos para superar, o quanto antes, a crise sanitária global.

Em primeiro lugar, devemos priorizar as pessoas e a vida. O presidente Xi assinalou que, para derrotar completamente o vírus, é essencial colocar a vida e a saúde em primeiro lugar e respeitar verdadeiramente o valor e a dignidade de cada vida humana. Precisamos defender o espírito científico e adotar uma abordagem bem fundamentada, para que haja coordenação entre as medidas de contenção e a retomada do desenvolvimento socioeconômico. Com solidariedade e cooperação, a comunidade internacional deve repudiar qualquer tentativa de politizar, rotular ou estigmatizar essa doença.

Em segundo lugar, devemos honrar o compromisso de distribuir as vacinas de forma justa e equitativa. No ano passado, o presidente Xi tomou a iniciativa de propor que as vacinas chinesas se tornassem um bem público global, como forma de colaborar para a disponibilidade e o preço acessível do imunizante nos países em desenvolvimento.

Fiel às suas palavras, a China já disponibilizou 300 milhões de doses de vacinas para o mundo, sendo o país que mais forneceu o imunizante, principalmente às nações em desenvolvimento.

A segurança e a eficácia das vacinas chinesas são amplamente reconhecidas. A vacina da Sinopharm foi aprovada pela OMS para uso emergencial, enquanto a Coronavac está em vias de homologação. Além disso, a China aderiu ao programa Covax e se comprometeu a contribuir com 10 milhões de doses.

CHINA, TERRA DO MEIO

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As ações concretas da China constituem um nítido contraste com o “nacionalismo de vacinas” praticado por alguns países e evidenciam o espírito de solidariedade e responsabilidade da China com a comunidade internacional em momentos difíceis.

Por fim, foram anunciadas novas medidas para fortalecer a solidariedade na resposta mundial à pandemia. O presidente Xi comunicou formalmente que a China fornecerá US$ 3 bilhões adicionais em ajuda internacional nos próximos três anos para apoiar o combate à Covid-19 e a recuperação econômica e social nos países em desenvolvimento. O país fará todo o possível para disponibilizar mais vacinas ao mundo e apoiará seus laboratórios na transferência de tecnologias para outros países em desenvolvimento e na produção conjunta com esses parceiros.

Depois de anunciar apoio à isenção de proteção de propriedade intelectual sobre as vacinas contra a Covid-19, a China também trabalha para que a OMC e outras instituições internacionais possam decidir o quanto antes sobre esse tema. Propõe ainda a criação de um fórum internacional sobre cooperação em vacinas, no qual países que desenvolvem e produzem vacinas, empresas e outras partes interessadas possam discutir meios de promover a distribuição justa e equitativa de imunizantes no mundo inteiro.

Desde o início da pandemia, a China vem fomentando, com espírito humanitário, a parceria com o Brasil no enfrentamento conjunto da crise, levando em consideração a amizade entre nossos povos e a importância do nosso relacionamento bilateral.

O lado chinês doou ao Brasil cerca de R$ 60 milhões em materiais de saúde e auxiliou os brasileiros na compra de 1.200 toneladas de insumos e equipamentos na China. Mais de 20 videoconferências foram realizadas entre as duas partes. Além disso, a China foi o primeiro país a desenvolver uma parceria com o Brasil em matéria de vacinas. Empresas chinesas são responsáveis pela entrega de 90% dos imunizantes e dos insumos disponíveis no Brasil, o que viabilizou a vacinação de 60% dos grupos prioritários, um trabalho fundamental para salvar mais vidas.

Mais do que nunca, a crise sanitária evidencia que a humanidade compartilha o mesmo futuro e está interligada em momentos tanto venturosos como trágicos. Para a China, o Brasil continuará sendo nosso parceiro prioritário. Com união e parceria, vamos trabalhar lado a lado e em sintonia com outros países para defender uma comunidade de saúde para toda a humanidade, superar as dificuldades momentâneas e construir um futuro mais promissor para a saúde humana.

Coronavac desprezada por Bolsonaro evitaria pelo menos 80 mil mortes, diz pesquisador

Julia Chaib / O ESTADO DE SP
BRASÍLIA

O Brasil teria evitado pelo menos 80.300 mortes até maio deste ano se o governo Jair Bolsonaro tivesse fechado em outubro de 2020 um contrato com o Instituto Butantan para a compra de 100 milhões doses da Coronavac, que seriam entregues até este mês.

É o que aponta cálculo feito pelo professor Pedro Hallal, da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e coordenador do Epicovid-19, o maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil.

A conta foi baseada no depoimento de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, à CPI da Covid e considera que o Ministério da Saúde poderia ter recebido 49 milhões de doses a mais do que os 51 milhões previstos para serem entregues até o final de maio.

O estudo faz estimativa de 81.500 óbitos a menos com margem de erro que varia de 80.300 a 82.700.

O Brasil atingiu nesta quarta-feira (26) a marca de 454.623 óbitos em decorrência da Covid.

À CPI da Covid nesta quinta-feira (27) Dimas Covas afirmou que a oferta de 100 milhões de doses da vacina contra a Covid, que é produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, não foi fechada em outubro por entraves políticos e burocráticos.

De acordo com Covas, após o fracasso da negociação naquela época, nova proposta foi feita ao Ministério da Saúde em dezembro, mas não era mais possível entregar a totalidade das doses até maio, mas sim por volta de agosto.

Por fim, o primeiro contrato assinado com o governo foi fechado em dezembro e previu a entrega de 46 milhões de unidades da Coronavac até abril deste ano. O segundo foi assinado em fevereiro prevendo a entrega de mais 54 milhões.

Segundo declaração de Covas, pelo acordo acertado pelo governo federal com o instituto paulista, 51 milhões de doses da Coronavac terminarão de ser entregues até o final de maio. Logo, o Brasil poderia ter garantido mais 49 milhões de doses nesse período não fossem os impasses.

Se tivesse recebido esse volume a mais teria evitado, além das cerca de 81.500 mortes, por volta de 174.642 internações em UTIs (unidades de terapia intensiva), segundo cálculo de Hallal.

Em outro cenário, caso o governo federal tivesse aceitado a oferta da Pfizer em agosto do ano passado, cerca de 14 mil mortes teriam sido evitadas ​com intervalo de confiança entre 5.000 e 25 mil óbitos.

Segundo depoimento à CPI do gerente-geral da farmacêutica na América Latina, Carlos Murillo, 4,5 milhões seriam entregues no país de dezembro a março pela oferta feita ao Brasil no meio do ano passado.

O acordo atual com a Pfizer prevê 100 milhões de doses até o final deste ano. Ou seja, segundo estimativa de Hallal, 95.500 mortes teriam deixado de ocorrer caso o Brasil tivesse fechado os acordos com a Pfizer e com o Butantan mais cedo.

Para o cálculo, o pesquisador usou os seguintes parâmetros: um terço da população com anticorpos, letalidade do coronavírus de 1% e eficácia da vacina de 50% no caso da Coronavac e 94% para a Pfizer.

Com base no índice da população com anticorpos e na letalidade da doença, chega-se a um total de mortes esperado caso o país tivesse recebido as doses previstas. Deste número descontam-se os óbitos que poderiam ter sido evitados com base na eficácia da vacina e chega-se ao resultado.

Nesta quinta-feira, o diretor do Butantan afirmou que as negociações para a compra da Coronavac evoluíram ao longo do mês de outubro. O contrato inicial acordado previa a aquisição de 100 milhões de doses pelo Ministério da Saúde. No entanto, sem nenhuma explicação, esse contrato foi retirado e o governo afirmou que compraria 46 milhões.

Foi nesse momento que o presidente Bolsonaro afirmou a apoiadores, sendo gravado, que não iria comprar a vacina chinesa.

"Infelizmente, essas conversações não prosseguiram, porque houve, sim, aí, uma manifestação do presidente da República, naquele momento, dizendo que a vacina não seria, de fato, incorporada, não haveria o progresso desse processo", afirmou Covas à comissão no Senado.

"Poderíamos ter iniciado a vacinação antes do que começou? Nós já tínhamos as doses, estavam disponíveis. E eu, muitas vezes, declarei de público que o Brasil poderia ser o primeiro país do mundo a começar a vacinação, não fossem os percalços que nós tínhamos que enfrentar durante esse período, tanto do ponto de vista do contrato, como do ponto de vista também regulatório."

A Coronavac começou a ser aplicada em 17 de janeiro, no mesmo dia em que a Anvisa deu autorização para o uso emergencial da vacina.

Prevenção das doenças infecciosas

Ruy Altenfelder, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2021 | 03h00

Na última década o mundo observou a reincidência de doenças até então erradicadas por campanhas de vacinação em massa, apoiadas por políticas públicas de saúde – o surto de gripe aviária, em 2005, que infectou pessoas no Vietnã, na Tailândia, na Indonésia e no Camboja; o recente ressurgimento de ebola na República Democrática do Congo, que já havia sido cessado em novembro de 2020; a volta da febre amarela no Brasil; além do reaparecimento de poliomielite e sarampo, respectivamente erradicados em 1989 e 2016 no Brasil.

Todas essas ocorrências, consideradas doenças infecciosas emergentes e reemergentes, nos mostram a necessidade de darmos mais atenção ao tema, especialmente num período pandêmico, em que os sistemas de saúde estão sobrecarregados. Diversos fatores devem ser considerados para o aumento da incidência dessas patologias nas populações: o surgimento ou identificação de novos problemas de saúde, novos agentes infecciosos, a mudança no comportamento epidemiológico de doenças já conhecidas, além da disseminação de desinformação de movimentos antivacina.

No Brasil, grande parte das condições que favorecem a emergência e reemergência das doenças infecciosas e parasitárias está relacionada a fatores sociais, políticos, demográficos, econômicos e ambientais. Ou seja, é urgente que se discutam os desafios postos à saúde pública, bem como o reforço e a revalorização da vigilância epidemiológica. Em paralelo, em tempos como o que estamos vivendo, são as desigualdades sociais as primeiras a ser explicitadas em âmbito global quanto ao maior risco de exposição a doenças e menores condições de acesso a tratamentos.

Olhando para trás, as grandes epidemias e os surtos enfrentados e superados globalmente transformaram as sociedades. No Rio de Janeiro, em 1904, quando a então capital federal era constantemente vitimada por surtos de febre amarela, varíola, peste bubônica, malária, tifo e tuberculose, a nova regulamentação de vacinação obrigatória, somada às condições precárias do sistema de saúde e política de sanitarista da época, culminou na convulsão da população numa manifestação que ficou historicamente conhecida como a Revolta da Vacina. Historiadores argumentam que não foi apenas a obrigatoriedade da vacina que motivou os protestos, mas, sim, uma entre várias medidas que visavam a disciplinar a população mais pobre, erradicando-a das áreas centrais.

Como desdobramento, a lei foi modificada e a utilização da vacina tornou-se opcional, mas a forma como o Brasil passou a lidar com a saúde pública e sua comunicação voltada para a conscientização da população nunca mais foram as mesmas. A utilização de vasto material informativo, como cartazes, folhetos e manuais; a adesão de celebridades às campanhas em TV e rádio; a criação dos dias nacionais de vacinação e do personagem Zé Gotinha; tudo isso foram novas formas encontradas pelo País de promover a vacinação e erradicar as doenças infecciosas da época.

Hoje, grandes e notórios passos já foram dados no que diz respeito à pesquisa brasileira. Estamos entre os 15 maiores produtores de ciência do mundo e nas áreas relacionadas às doenças infecciosas somos um dos primeiros. O mineiro Vital Brazil, que fundou o aclamado Instituto Butantan (São Paulo), que este ano comemorou 120 anos, liderou o combate a diversas doenças, como febre amarela, cólera, varíola e peste bubônica. Foi pioneiro nas pesquisas e na produção de soros específicos contra veneno de animais peçonhentos.

Referência em pesquisa biomédica, o instituto é o principal produtor de imunobiológicos no Brasil, além ser o responsável por grande porcentagem da produção de soros hiperimunes e pelo grande volume da produção nacional dos antígenos vacinais que compõem as vacinas utilizadas no Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde.

Atualmente, o Instituto Butantan dedica-se à produção da vacina contra a covid-19 e, até o momento, já entregou 22,6 milhões de doses do imunizante Coronavac, produzido em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

E será neste segundo ano de pandemia de covid-19, período em que o Brasil vive um colapso do sistema de saúde, recordes de mortes diárias e nas médias móveis de transmissão da doença, que a Fundação Bunge homenageará profissionais da área das Ciências Biológicas, Ecológicas e da Saúde, especificamente os dedicados à prevenção de doenças infecciosas, um dos temas contemplados pela 65.ª edição do Prêmio Fundação Bunge.

Hoje, com o País em isolamento em meio ao pior momento da pandemia do novo coronavírus, ignorar a gravidade da situação ou aumentar seu risco pode ser fatal. Como previu o Nobel escocês de Economia Angus Deaton em seu livro A Grande Saída, de 2013: “Mais de uma vez na História da humanidade a razão e a ciência provaram ser as armas mais apropriadas e, no fim das contas, bem-sucedidas no combate a inimigos invisíveis”. É preciso valorizar o trabalho da saúde pública, das pesquisas, dos cientistas e dos profissionais da Saúde.


CURADOR DOS PRÊMIOS FUNDAÇÃO BUNGE, É PRESIDENTE DO CONSELHO SUPERIOR DE ESTUDOS AVANÇADOS (CONSEA-FIESP)

Reação paulista ao uso das drogas

Aloísio de Toledo Cesar, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 03h00

Na mesma linha liberalizante que se registra nos Estados Unidos, onde cada vez mais a maconha pode ser vendida e adquirida livremente, tramita em nosso Congresso Nacional um projeto de lei que libera completamente a droga para todos os fins, incluídos os medicinais. Contrariamente a esse pulo no despenhadeiro, ganha força em São Paulo um movimento voltado para a defesa “desse verdadeiro assassinato do futuro de nossos jovens, a ser consumado com a liberação das drogas”. É o que diz a Frente Nacional Contra a Liberação da Maconha e da Cocaína, organização apartidária e sem fins políticos, que tem entre seus entusiastas o advogado e deputado Campos Machado, o qual vem martelando nos ouvidos dos congressistas para que não se deixem seduzir pelos enganos na maconha e da cocaína.

Como está prestes a ser votado no Congresso Nacional o substitutivo ao PL 399/2015, de autoria do deputado Paulo Teixeira, do PT, liberando o uso da maconha, tornou-se mais vivo o sentimento contrário existente na Assembleia Legislativa de São Paulo, que em moção aos congressistas prega sua rejeição, ao fundamento de que seria um risco muito grande para as famílias e para o País.

A despeito de a maconha ter vez ou outra servido para finalidades medicinais, o seu uso recreativo, sobretudo entre jovens, abre caminho para uma perigosa caminhada em vício de difícil controle. Milhares de pessoas repetem que a maconha não vicia ninguém, mas, como continuam fumando, com essa conduta desmentem a si próprios.

O lado pior da maconha está em abrir caminho para drogas mais fulminantes, como a cocaína e a heroína. Isso no terreno unicamente do vício, porque sob o aspecto criminal muitas vezes o uso de drogas empurra o viciado para o caminho do crime.

Experientes policiais de São Paulo, com mais de 30 anos de carreira, apontam que a droga está na raiz de cerca de 80% dos crimes – e isso quer dizer que se não houvesse o vício haveria muito menos crimes. O adolescente com arma na mão que assalta para obter dinheiro não está agindo para comprar uma roupa nova ou jantar com a namorada. Ele quer dinheiro para pagar ao traficante, porque, se não lhe pagar, não terá mais a droga e ainda poderá ser morto.

Sempre se alega que a maconha, se for plantada e vendida livremente, ajudará a reduzir a criminalidade, porque deixariam de existir as “bocas de fumo”. Realmente, poderia haver influência no tráfico da droga, mas o seu uso contínuo, sobretudo entre os jovens, potencializa fraquezas e provoca carências emocionais e de autoestima. Enfim, não é um dano só para o viciado, mas também para a sociedade.

É muito comum os pais não perceberem que o baixo desempenho escolar, a depressão e a ansiedade dos filhos estão vinculados ao uso das drogas ou à carência delas. O uso da maconha provoca passageira euforia, mudanças de humor, pupilas dilatadas, boca seca e aumento do apetite.

É também comum o namorado viciar a namorada, ou vice-versa, como também alguém começar a usar a droga para ser aceito na turma, ou dela depender para ter coragem de se aproximar do sexo oposto e dizer “te amo”. A capacidade de atenção fica diminuída, a mudança de valores e de aceitação da realidade doméstica diminui e, enfim, o recém-usuário passa a ser um drogado. Daí para uma droga mais forte, sobretudo a cocaína, é um passo.

As estatísticas assustam, por mostrarem que 9% dos que experimentam maconha se tornam dependentes e entre os que fazem uso diário a dependência é de 25% a 50%, segundo estudo de pesquisadores publicado no The New England Journal of Medicine. Os adolescentes costumam apresentar duas a quatro vezes mais sintomas de dependência do que os que começaram a fumar já adultos.

Tal circunstância reforça a necessidade de pais, mães, avós e irmãos acompanharem com mais atenção a conduta de adolescentes vulneráveis. É fundamental evitar que os jovens, mais do que os adultos, corram o risco de um vício que pode conduzir ao abismo, concorrendo muitas vezes para destroçar famílias.

O uso regular da maconha concorre para gerar crises de ansiedade, depressão e até psicoses, embora os fumantes se defendam com a alegação de que esses sintomas são da pessoa, não consequência da droga. O efeito mais sentido pelo usuário é a discriminação imposta a si próprio, por saber muitas vezes em sociedade que está isolado na sua escolha.

No Uruguai a maconha passou a ser livremente plantada, mas a venda é feita em farmácias, sob supervisão oficial, assim como se fosse um remédio, em pequenas doses. Os uruguaios demonstraram melhor juízo do que os americanos, porque nos EUA a liberdade para comercialização tem sido cada vez maior. Nós sempre tivemos forte influência do estilo americano de vida e isso, é claro, também influi entre políticos e civis. Daí a preocupação com o projeto de lei que o Congresso Nacional está votando para liberação da maconha.


DESEMBARGADOR APOSENTADO DO TJSP, FOI SECRETÁRIO DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. 

Brasil volta ao ranking dos dez países com maior expansão na energia solar

SÃO PAULO – O Brasil voltou ao grupo dos dez países com maior potência adicionada de energia solar em 2020. A informação é da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a partir de um mapeamento feito com dados da International Energy Agency Photovoltaic Power Systems Programme (IEA PVPS).

Os dados mostram que o Brasil alcançou a 9ª posição no ranking mundial, que inclui a soma da expansão da capacidade de produção de grandes usinas centralizadas e dos pequenos sistemas instalados em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e no setor público que entraram em operação ao longo do último ano.

Polêmica:Subsídio a painel de energia solar está na mira do Congresso

O ranking mundial de capacidade instalada do ano de 2020 foi liderado pela China, seguida dos Estados Unidos, Vietnã, Japão e Alemanha, com destaque para o forte crescimento do Vietnã no período.

No caso do Brasil, o país já havia integrado o grupo dos 'top 10' em energia solar em 2017, ocupando o 10º lugar no ranking. Em 2018, ficou na 11ª posição e em 2019 ocupou o 12° lugar.

Avanço: Hidrelétricas perderão espaço para energia eólica e solar no Brasil

20% da expansão foi nos telhados

O levantamento da Absolar mostra que, em 2020, o Brasil instalou 3.152,9 megawatts (MW) da fonte solar fotovoltaica, incluindo 2.535,3 MW (80% do total) em sistemas de geração distribuída (a dos telhados) e 617,6 MW (20%) em sistemas de geração centralizada (de grande susinas).

Financiamento:Parque solar em Minas Gerais recebe R$ 1,47 bilhão em financiamento do BNDES

Com isso, foram mais R$ 15,9 bilhões em novos investimentos e mais de 99 mil novos empregos gerados. Desde 2012 até o final do ano de 2020, o Brasil acumulou R$ 42,1 bilhões em investimentos na fonte solar fotovoltaica, gerando mais de 236 mil empregos acumulados.

País tem potencial ainda subaproveitado

Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da Absolar, lembra que o Brasil, que tem um dos maiores e melhores recursos solares do mundo, tem condição de assumir mais protagonismo no desenvolvimento do setor.

Eletrobras:Presidente da estatal diz que mudanças em texto podem atrasar privatização

“O país está em vias de votar o Projeto de Lei (PL) nº 5.820/2109, que cria o marco legal da geração própria de energia renovável, que poderá trazer R$ 139 bilhões em novos investimentos até 2050, além de mais de 1 milhão de novos empregos nos próximos anos”, observou Koloszuk, em nota.

Segundo ele, até 2050, a geração própria de energia solar poderá economizar mais de R$ 150 bilhões em custos com o uso de termelétricas fósseis, uma das principais responsáveis pelo aumento tarifário na conta de luz e pelas emissões de poluentes e gases de efeito estufa do setor elétrico, prevê o presidente do Conselho da Absolar. O GLOBO

 

 

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