Ajuda espúria - folha de sp
Mesmo com os desafios ainda presentes, a começar pela morosidade da vacinação, as notícias para a economia têm sido melhores nas últimas semanas. O impacto da segunda onda da pandemia na atividade foi menor que o temido e os indicadores mais recentes mostram aceleração de vendas e produção.
As projeções para o ano sugerem alta do Produto Interno Bruto de até 5%, ante números próximos a 3% até recentemente. O drama social não é aliviado na mesma proporção, certamente, mas há consequências importantes.
Uma delas é a redução dos riscos mais imediatos para as contas públicas, pois o crescimento maior impulsiona a arrecadação. Na última revisão da programação orçamentária, o governo federal elevou a expectativa de receita com impostos para este ano em R$ 88 bilhões, para R$ 1,43 trilhão.
Com as despesas limitadas pelo teto de gastos, mesmo considerando as exceções aprovadas para o combate à pandemia, deve haver redução maior que a estimada do déficit primário (o saldo entre receitas e despesas, excluídos juros).
O perfil da retomada, mais ancorado em setores pagadores de tributos, como a indústria, também sugere maior impacto na arrecadação do que o padrão histórico, ao menos por algum tempo.
Outro fator importante é a inflação, que amplia a base de incidência dos impostos sobre o faturamento, como o PIS e a Cofins, e também atua para reduzir a relação dívida pública/PIB, em razão do maior denominador.
Se no final do ano passado havia a expectativa de que a dívida bruta consolidada do governo atingiria 95% do PIB em 2021, um salto próximo a 20 pontos percentuais em relação ao patamar vigente antes da pandemia, agora já se vislumbram números bem melhores, abaixo de 85% do produto.
Se confirmada essa nova perspectiva, o país terá passado a pandemia com metade do aumento esperado no endividamento. Em face da maior percepção sobre esses números, as condições financeiras começaram a melhorar, com alguma valorização do real e redução incipiente nos juros de longo prazo.
O alívio é frágil, porém, e pode se mostrar perigoso se despertar no governo e no Congresso a impressão de que é conveniente afrouxar as restrições orçamentárias.
O efeito da inflação é apenas transitório, além da óbvia faceta negativa de obrigar o Banco Central a subir os juros e encarecer a rolagem da dívida. Também não é claro o quanto a recuperação da economia será sustentada.
Na realidade, a pressão inflacionária que corrói a renda do trabalhador foi ampliada desde 2020 justamente pela percepção de que o governo perderia o controle de suas contas. Qualquer deslize nessa frente trará ainda mais problemas.
Desaprovação de Bolsonaro fica em 49% com vacina lenta, mostra EXAME/IDEIA
As pessoas que avaliam o governo do presidente Jair Bolsonaro como ruim ou péssimo somam 49%. Apesar de ter oscilado para baixo em relação à última pesquisa, esta variação está dentro da margem de erro que é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Nunca antes na série histórica, medida desde o início do governo, a desaprovação ficou por tanto tempo com um valor próximo dos 50%. O patamar foi alcançado no dia 25 de março. Os que avaliam o trabalho do presidente como ótimo ou bom somam 26%, e os que consideram como regular são 23%.
Estes são os dados da mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. O levantamento ouviu 1.252 pessoas entre os dias 7 e 10 de junho. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. Clique aqui para ler o relatório completo.
Maurício Moura, fundador do IDEIA, pondera que em alguns grupos houve uma melhora na avaliação do presidente, ou pelo menos se manteve alta. “As fortalezas dele seguem firmes, principalmente entre as pessoas do sexo masculino [32% consideram ótimo ou bom] e entre os evangélicos [37%]”, diz.
Outra parcela que também mostra uma avaliação positiva alta é a região Norte [39%]. Para Moura, a nova rodada do auxílio emergencial, pago desde abril, tem uma influência maior entre os moradores desta região. Por outro lado, a avaliação negativa - ruim ou péssima - soma 58% no Nordeste, e 49% no Sudeste.
Ritmo de vacinação
Para o fundador do IDEIA a vacinação lenta é o motivo pela desaprovação de Bolsonaro estar tão alta por tanto tempo. De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados na quinta-feira, 10, cerca de 11% da população brasileira está imunizada com as duas doses.
Isso coloca o Brasil muito atrás de outros países, como Estados Unidos, que já vacinou completamente 42% da população, e até mesmo o nosso vizinho Chile, que conseguiu garantir proteção a 45% das pessoas do país, segundo a plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford.
Outro ponto que expõe negativamente o governo de Bolsonaro é a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, no Senado Federal. Em pouco mais de um mês de trabalhos, os senadores já ouviram ex-ministros da Saúde, o atual, além de representantes de laboratórios de vacinas. Documentos obtidos pela CPI mostram que o governo federal ignorou, pelo menos, 53 e-mails da Pfizer sobre a vacina.
O podcast EXAME Política vai ao ar todas as terças-feiras. Clique aqui para ver o canal no Spotify, ou siga em sua plataforma de áudio preferida, e não deixe de acompanhar os próximos programas.
Governo de SP multa Bolsonaro por não usar máscara em manifestação neste sábado
O governo de São Paulo divulgou nota há pouco informando que equipes da Saúde e Segurança Pública autuaram o presidente Jair Bolsonaro por ser flagrado sem máscara durante a manifestação que realiza nesse sábado na capital. O valor da autuação é de R$ 552,71.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, também foram autuados.
Bolsonaro participa de ‘motociata’ que partiu da zona norte de São Paulo mais cedo e seguiu para a cidade de Jundiaí. O ato deve ser encerrado no Parque do Ibirapuera, na capital.
O governo enviou às autoridades um documento que “pontua a necessidade da manutenção das medidas preventivas já conhecidas e preconizadas pelas autoridades sanitárias internacionais, como uso de máscara e distanciamento”. O uso de máscaras é obrigatório no Estado de São Paulo desde maio de 2020.
O governo também divulgou o balanço de ações da Vigilância Sanitária Estadual na pandemia. Desde 1º de julho de 2020 até 31 de maio de 2021, foram feitas 312.444 inspeções e 7.340 autuações por diversas infrações às normas de prevenção da covid-19.
As autuações com base no Código Sanitário a estabelecimentos por descumprimento das regras preveem multa de até R$ 290 mil. Pela falta do uso de máscara, a multa é de R$ 5.294,38 por estabelecimento, por infrator. Transeuntes em espaços coletivos também podem ser multados em R$ 552,71 pelo não uso da proteção facial. ISTOÉ
Manifestações pró e contra Bolsonaro são um sinal do que está por vir?
Christopher Garman, da Eurasia Group e GZERO Media / ÉPOCA
'60 segundos' é uma parceria entre ÉPOCA e GZERO - empresa da Eurasia Group especializada em análises políticas. Toda sexta-feira, às 10h, Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, apresenta sua avaliação sobre os temas mais relevantes e tendências do cenário político brasileiro e internacional.
As manifestações pró, e contrárias, ao presidente Bolsonaro são um sinal do que está por vir?
A resposta é sim. Tudo indica que nós estamos caminhando para um cenário político cada vez mais polarizado, e uma disputa eleitoral em 2022 apertadíssima entre o presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula. Nesses próximos dois meses, é bem provável que o presidente venha a sofrer com uma intensidade maior de manifestações contrárias a ele. Não só houve o protesto nas ruas contra o presidente no final da semana passada, mas também um panelaço durante o seu pronunciamento.
Olhando para a frente com a decisão do governo de sediar a Copa América, os jogos trarão novas oportunidades para manifestações nas ruas contra o governo Bolsonaro. Mas em contrapartida a base bolsonarista também está mobilizada, e também tem ido às ruas na defesa do governo. E olhando nesses próximos cinco meses nós estamos vendo uma luz no final do túnel da crise sanitária, com a distribuição das vacinas avançando. Isso significa que a economia deve recuperar no segundo semestre desse ano, e vários economistas já estão revisando a sua projeção do PIB para 5% para 2021. Logo, devemos entrar em 2022 com dois candidatos muito fortes, bem competitivos, e com bases sociais dispostas a ir para as ruas para defender sua candidatura. Polarização à frente.
Ficamos por aqui, e até a próxima semana.
O Projeto eólico de R$ 3 bilhões da Enel entra em operação comercial no Piauí
Bruno Rosa / O GLOBO

RIO - A Enel Green Power Brasil iniciou hoje a operação comercial do parque eólico Lagoa dos Ventos, no estado do Piauí. A entrada do projeto ocorre em um momento em que o país passa por uma das maiores crises hídricas da história, o que levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico a emitir um alerta de que diversas usinas podem enrar em colapso.
A construção da unidade de 716 MW, localizada nos municípios de Lagoa do Barro do Piauí, Queimada Nova e Dom Inocêncio, envolveu um investimento de cerca de R$ 3 bilhões.
O parque eólico Lagoa dos Ventos é composto por 230 turbinas eólicas e será capaz de gerar mais de 3,3 TWh por ano, o que equivale ao consumo de 1,6 milhão de residências. Enfileiradas, as turbinas têm uma extensão 10 vezes maior que a ponte Rio-Niterói.
- Como nossa maior usina eólica do mundo, Lagoa dos Ventos representa um passo significativo para o nosso crescimento, contribuindo ainda mais para a diversificação da matriz energética do país - disse Salvatore Bernabei, presidente da empresa.
O projeto já te uma nova expansão agendada. Em dezembro do ano passado, a Enel anunciou o início da construção de um novo projeto, o Lagoa dos Ventos III, com investimento adicional de cerca de 360 milhões de euros.
Assim, o complexo eólico terá 302 aerogeradores e poderá gerar cerca de 5,0 TWh por ano.
No fim de maio, o BNDES anunciou financiamento a outro parque eólico também no Nordeste. O financiamento, no valor de R$ 216,7 milhões, foi concedido ao grupo econômico Casa dos Ventos, no âmbito do BNDES Finem.
Os recursos correspondem a 76% do valor total do investimento (R$ 284,8 milhões). A previsão é de que o parque entre em operação até dezembro de 2021.
Localizado nos municípios de Riachuelo, Bento Fernandes, Caiçara do Rio do Vento e Ruy Barbosa, o espaõ tem 63 MW de capacidade instalada, volume que corresponde ao consumo de 130 mil residências.
Projeto eólico de R$ 3 bilhões da Enel entra em operação comercial no Piauí
Bruno Rosa / O GLOBO
RIO - A Enel Green Power Brasil iniciou hoje a operação comercial do parque eólico Lagoa dos Ventos, no estado do Piauí. A entrada do projeto ocorre em um momento em que o país passa por uma das maiores crises hídricas da história, o que levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico a emitir um alerta de que diversas usinas podem enrar em colapso.

