Agro volta a acelerar em 2025
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A safra recorde prevista para este ano tende a fazer o agronegócio ser em 2025, mais uma vez, o esteio da economia, como ocorreu em 2023. Na divulgação, neste mês, de seu terceiro prognóstico para o setor, o IBGE elevou para 322,6 milhões de toneladas a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, alta de mais de 10% em relação a 2024. Melhora providencial diante do início da desaceleração econômica que vem sendo anunciada por indicadores recentes da indústria, comércio e serviços.
Castigado por fatores climáticos em 2024, ano marcado pelos efeitos dos fenômenos El Niño e La Niña, o PIB do agro teve recuperação rápida. Recuou por dois trimestres consecutivos, mas no terceiro trimestre avançou 1,26%, de acordo com cálculo recém-divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A queda em relação a 2023 será menor do que a esperada.
A capacidade de reação do agro conduz, mais uma vez, à comparação com outros setores da economia que não apresentam dinamismo semelhante, apesar dos incentivos governamentais. São inúmeros os exemplos de programas de estímulo que não se traduzem em ganhos para a economia e que não passam de benesses, como as sucessivas operações de socorro aos setores automotivo e de aviação, entre outros tantos segmentos industriais.
É evidente que há robustos subsídios à agricultura e à pecuária – o Plano Safra 2024/25 recebeu R$ 475,56 bilhões em recursos para financiamentos –, mas o Brasil está entre os países que menos subsidiam sua produção, de acordo com monitoramento feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com subsídios variando entre 1% e 2% em relação à receita bruta do produtor, está muito distante dos países da União Europeia, dos Estados Unidos e da China, cujos porcentuais variam entre 12% e 20%.
As empresas do agronegócio, porém, há muito adotam políticas que as mantêm na vanguarda tecnológica, uma mostra de como incentivos públicos devem ser revertidos em avanço econômico do País. Afinal, o objetivo principal de políticas subsidiadas não é – ou não deveria ser – distribuir recursos para socorrer este ou aquele segmento eventualmente em apuros, mas sim incentivar produção e produtividade, promover o desenvolvimento tecnológico e criar competitividade.
Não fosse o ranço explícito do lulopetismo ao agronegócio, o histórico do setor, que garante o bom desempenho da balança comercial e vem se firmando na liderança da comercialização de commodities no mundo, poderia servir de modelo para a elaboração de políticas públicas em outros segmentos.
A agropecuária é a atividade com menor peso no cálculo do PIB e, no entanto, seu bom desempenho tem sustentado em grande parte o crescimento econômico. Se o governo Lula da Silva parasse de mirar em resultados imediatos e planejasse políticas de longo prazo com base nessa experiência, o País avançaria em inovação e competitividade.
A arte lulista de iludir
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Na mesma reunião ministerial em que anunciou, sem rodeios, que “2026 já começou”, convertendo seu governo num insolente comitê de campanha, o presidente Lula da Silva também recorreu a uma de suas cartadas típicas, sobretudo em períodos pré-eleitorais: a arte de iludir, com a qual invariavelmente sugere sinais opostos a suas reais intenções para obter dividendos políticos no futuro próximo.
Na parte pública da reunião, Lula tratou de invocar mais uma vez a “defesa da democracia”, atribuindo a seu governo (ou melhor, a si próprio) a missão de liderar a resistência nacional contra a “volta ao neofascismo, ao neonazismo e ao autoritarismo”, segundo suas próprias palavras. Já no momento fechado do encontro, o presidente fez chegar aos ministros a ideia de que seu nome poderá não estar nas urnas em 2026. “Deus no comando”, teria dito, segundo relatos, creditando a incerteza a um conjunto de variáveis, entre elas a saúde principalmente. Ao cogitar a hipótese de desistir, Lula teria mencionado ainda recentes episódios que colocaram sua vida em risco, como o problema técnico na aeronave presidencial e a cirurgia na cabeça após uma queda no banheiro.
Noves fora as inevitáveis incertezas do destino, que impedem qualquer ser humano – mesmo aqueles convictos de seus poderes divinos, como Lula – de ter a mais plena segurança sobre o que fará e onde estará daqui a quase dois anos, não há dúvida de que o presidente não pensa em outra coisa senão continuar governando o Brasil e liderando a esquerda tradicional lulopetista. Nesse ponto não lhe falta convicção: para Lula, não só governar é estar no palanque, como ele se sente o único que efetivamente pode salvar o Brasil do “neofascismo” e do “neonazismo”, que é como ele qualifica o bolsonarismo.
A reação de ministros aliados, espontânea ou calculada, foi de “preocupação”. Providencialmente, integrantes da cúpula do PT difundiram a jornalistas as razões para tanto: hoje, segundo petistas, os principais nomes que podem vir a lhe suceder não teriam condições de representar o partido na corrida eleitoral. Seria o caso dos ministros Fernando Haddad, Camilo Santana e Rui Costa. Essa é a costumeira artimanha de lulistas, possivelmente inspirados no próprio Lula: difunde-se uma dúvida sobre a disposição do Grande Líder; faz-se chegar à militância o nome dos eventuais substitutos; conclui-se que nenhum tem condições de conquistar corações e mentes de eleitores; e, por fim, volta-se ao essencial, isto é, Lula precisa ser o candidato.
A prestidigitação lulista já ocorreu em outros tempos, mas rigorosamente nada o impediu até aqui de disputar sete eleições presidenciais, tornando-se o recordista de candidaturas na história de nossa república. Ensaiou desistir – apenas ensaiou, sublinhe-se – em 1998, quando meses antes já parecia certa a sua derrota para um imbatível Fernando Henrique Cardoso pós-Plano Real, e em 2002, quando impôs ao PT carta branca para ele e José Dirceu atraírem alianças para além dos satélites tradicionais da esquerda. Lula não hesitou em ser o candidato nem mesmo quando estava claro que sua candidatura seria barrada. Foi o caso de 2018, ano em que o lulopetismo quis ter o seu nome na urna mesmo com Lula preso. Coube a Haddad então cumprir o papel de boneco de ventríloquo na eleição.
A “vontade de Deus” a que Lula se referiu na reunião, portanto, parece ter muito mais a ver com seu método de fortalecer o próprio nome e manter-se como o único farol a iluminar o espectro da esquerda tradicional liderada pelo PT. É inegável que até aqui o estratagema deu certo para si mesmo. Resta saber se o demiurgo será bem-sucedido novamente. Há quem veja no recado uma forma de galvanizar apoios entre partidos, mas lideranças do Centrão já alertaram publicamente que, ao contrário, isso pode abrir espaço para defecções numa base já ideologicamente frágil.
Pode também ser uma forma de colocar à prova uma providencial fragilidade dos seus substitutos, o que só revela o horizonte rarefeito na esquerda – enquanto na direita já existe uma profusão de nomes dispostos a herdar o espólio de Jair Bolsonaro, à sombra da liderança de Lula poucos emergem para valer. Assim caminha o lulopetismo.
Governo e alimentos: sem intervenção, sem subsídio, sem mudança na data de validade e... sem solução
Por Eliane Cantanhêde / O ESTADÃO DE SP
Enfrentando várias frentes por causa da inflação dos alimentos, o governo Lula conseguiu vencer a primeira batalha, ao impedir que a onda contra “um conjunto de intervenções” virasse tsunami, como no Pix. Mas a guerra continua, e em terrenos muito mais pantanosos: como reduzir os preços e dar uma solução principalmente para a baixa renda, sem bater de frente com o já ariscos mercado e setor do agronegócio?
Sidônio Palmeira mostrou a que veio e reagiu rapidamente a uma palavra maldita usada pelo chefe da Casa Civil, Rui Costa, ao anunciar que o governo agiria contra a inflação da comida: “Intervenção”. Remete a “boi no pasto”, “fiscais do Sarney”, “congelamento”, todas essas invenções que tiveram efeito bumerangue e caíram em cheio sobre os objetivos, na economia e na popularidade dos invencionistas.
O governo inteiro, incluindo Sidônio e Costa, se mobilizou para neutralizar o dano e explicar que, na verdade, o ministro não quis dizer “intervenção”, mas sim “medidas”, ou que se tratou de “ato falho”. Funcionou, mas, cá prá nós, intervenção e medidas, nesse caso, soam praticamente como sinônimos e “ato falho” significa que, lá no inconsciente, o ministro quis dizer, ou defende, exatamente isso: intervenção nos preços. O que é reforçado pela imagem, não sem motivo, de que Lula e o PT são convictamente intervencionistas desde sempre.
Bem ou mal, o estrago na comunicação foi contido, mas São Sidônio não faz milagre e a questão está longe, longíssimo, de ser apenas de comunicação. Mexe com o prato na mesa do pobre, da classe média, de todo mundo, esfria a popularidade de Lula, que já não está lá essas coisas, esquenta as relações internas, por exemplo, entre Costa e Fernando Haddad, que já não são uma maravilha, e apimenta as conexões do governo com o agronegócio e o mercado, já tão ardidas.
Pairando acima de todo esse conjunto, há os efeitos na economia, já preocupante com inflação, desequilíbrio fiscal e juros na estratosfera, num ambiente internacional imprevisível. Logo, o governo está num mato sem cachorro e, o que é pior, sem saída e sem muitas alternativas. No máximo, faz uma reunião atrás da outra, conclui o óbvio e anuncia que vai anunciar alguma coisa. Que coisa?
Até aqui, o foco não está em dizer o que vai fazer, mas no que não vai fazer: intervenção nos preços, que aterroriza o agronegócio, subsídios, que irritam o mercado, e flexibilização da data de validade de produtos nas gôndolas do varejo – que foi sugerida pela associação de supermercados, é até adotada em alguns países, mas geraria uma festa macabra na internet contra Lula. Já imaginaram? “Lula quer vender comida estragada”, “para agradar supermercados, governo defende alimento podre”. Nem pensar!
Assim, a solução até aqui é a “natural”: safra recorde em 2025, São Pedro sendo mais camarada com tempestades e secas, o bom e velho equilíbrio entre oferta e procura. Enquanto isso, a oposição está na espreita, todos os setores se movem e a Casa Civil, a Fazenda, os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário lançam ideias, como redução no imposto de importação, direcionar o Plano Safra para o que está mais caro na cesta básica e até reduzir os custos operacionais do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
Vamos combinar? Parece leque para abanar tsunami, com o pobre comendo menos, o humor da classe média piorando, as incertezas na economia aumentando. Bem... sem falar nas loucuras de Donald Trump e nos combustíveis, que afetam inflação e alimentos e têm muito a ver com aquela palavrinha maldita, “intervenção”. Mas isso é outra história, ou temas para novas colunas.
Saída dos EUA da OMS cria riscos geopolíticos
Por Editorial / O GLOBO
Entre as decisões tomadas por Donald Trump na volta à Casa Branca, a saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS) é a que deverá ter mais impacto nas populações mais pobres de países onde a ação do Estado em prol dos desassistidos é rarefeita. Em seu primeiro governo, Trump só retirou o país da OMS em 2020, e a medida foi revogada por Joe Biden logo no início de seu governo, em 2021. Por isso os efeitos negativos sobre a estrutura e a ação da OMS não foram sentidos. Agora serão.
Os Estados Unidos são, de longe, os maiores financiadores da organização que reúne 194 países. Com o desembolso de cerca de US$ 1 bilhão anualmente, respondem por algo como um quinto do orçamento. A contribuição financeira americana aumentou com a pandemia, tendo chegado a US$ 1,28 bilhão em 2022 e 2023, quase 40% mais que a segunda fonte de recursos, a Alemanha. O temor é que, sem os aportes de Washington, diversas ações fiquem comprometidas, em especial nas regiões menos desenvolvidas. A revista científica Science afirmou em editorial que, com uma OMS enfraquecida, o mundo ficará mais exposto e menos seguro diante de novas doenças ou pandemias. Como princípio, em organizações dessa natureza, cuja missão é agir em benefício de toda a humanidade, é razoável que a maior carga de recursos recaia sobre os países mais ricos.
Um exemplo ilustrativo de ação positiva da OMS, citado pelo infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Julio Croda, é o surto da febre hemorrágica Marburg, que Ruanda tem conseguido conter. O mapeamento desses perigos epidemiológicos depende de uma rede mundial de vigilância, em que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, ocupa papel essencial.
A ciência médica de ponta desenvolvida nos Estados Unidos também é crítica para a OMS. O distanciamento de seus organismos federais representa um retrocesso na vigilância sanitária global. E os próprios americanos dependem da OMS para lidar com ameaças que surgem noutros países.
É verdade que diversas críticas de Trump à OMS são pertinentes. A organização demorou a reconhecer a natureza aérea da transmissão do coronavírus e adotou um papel hesitante diante da responsabilidade da China logo no início da pandemia. Sua iniciativa para um programa global de vacinação também se revelou insuficiente diante do nacionalismo vacinal praticado nos países mais ricos, que tiveram acesso às primeiras doses fabricadas contra a Covid-19. Por fim, a OMS sofre com as amarras burocráticas que emperram grande parte dos organismos multilaterais.
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Pantanal teve um sexto da área total queimada em 2024, aponta estudo
Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro / O GLOBO
Mais de um sexto (17%) da área total do Pantanal foi queimada em 2024. Foram 2,6 milhões de hectares afetados pelo fogo no período — dentro de um universo de território total do bioma de aproximadamente 15 milhões de hectares. Os dados são do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O valor registrado em 2024 é quase três vezes maior que os 0,9 milhões de hectares queimados em 2023.
Na série histórica iniciada em 2012, o ano passado só não teve a maior área atingida do que em 2020 (3,6 milhões de hectares) — quando houve uma crise de incêndios no bioma durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a visitar o Pantanal, pela primeira vez durante o governo, diante do crescimento das queimadas no bioma.
O Ministério do Meio Ambiente anunciou, à época, que 890 profissionais do governo federal atuavam na crise, entre integrantes das Forças Armadas (491), do Ibama e do ICMBio (351), da Força Nacional de Segurança Pública (38) e da Polícia Federal (10), além de 15 aeronaves e 33 embarcações. O efetivo empregado era três vezes maior do que o que estava em ação até o dia 28 de junho.
Queimadas crescem no país
Dados do Monitor do Fogo do MapBiomas, divulgados na semana passada, mostram que a área devastada por queimadas no Brasil aumentou 79% em 2024 e superou os 30 milhões de hectares. Foi a maior extensão atingida pelo fogo desde o início da série iniciada pelo projeto em 2019. A área é maior que o território da Itália.
O crescimento foi de 13,6 milhões de hectares na comparação com 2023, de acordo com o projeto que reúne pesquisadores no acompanhamento do uso do solo do território nacional. Dos 30,8 milhões de hectares queimados no ano passado, 73% foram de vegetação nativa, principalmente em formações florestais; estas, totalizaram 25% do território consumido. Entre as áreas de uso agropecuário, as pastagens aparecem à frente, com 6,7 milhões de hectares impactados.
O relatório do MapBiomas destaca que o crescimento do território queimado no Brasil está associado aos efeitos da seca que afetou grande parte do país, influenciado pelo fenômeno El Niño, entre 2023 e 2024. A baixa umidade tornou a vegetação mais vulnerável e suscetível ao fogo.
— Os dados mostram como funciona essa balança, que impacta na quantidade de fogo, entre as condições climáticas e a quantidade de fontes de ignição. Apesar da queda no desmatamento, que pode ser uma das principais fontes, 2024 foi disparado o ano que mais se queimou no país na série histórica iniciada em 2019 — destaca Ane Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e coordenadora do MapBiomas Fogo.
No Pantanal, o ápice da área queimada foi em agosto. Segundo o MapBiomas, a região teve 1,9 milhão de hectares impactados — um crescimento de 64% em relação à média dos seis últimos anos. O estrago só não superou a área queimada em 2020, quando as chamas consumiram 2,3 milhões de hectares.
Incêndios florestais provocam nuvens de fumaça no Pantanal — Foto: Rogerio FLORENTINO / AFP/13-11-2023
Déficit do Tesouro é maior do que sugerem balanços oficiais
Manobras orçamentárias —para inflar receitas, mascarar despesas públicas e driblar limites legais— começaram a ser utilizadas em grande escala no final do segundo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tornaram-se prática corrente da também petista Dilma Rousseff e voltaram com toda força na ofensiva frustrada de Jair Bolsonaro (PL) pela reeleição.
Como o acúmulo histórico desses expedientes distorce resultados e pode levar a comparações indevidas, estudiosos passaram a fazer análises mais sofisticadas dos balanços do Tesouro Nacional, expurgando não só os efeitos da contabilidade criativa como os de eventos extraordinários, caso da pandemia. Tais cálculos se mostram novamente úteis neste terceiro mandato de Lula.
A administração petista tem propagado que conseguiu reduzir o déficit primário (excluindo gastos com juros) a 0,1% do PIB no ano passado, algo como R$ 11 bilhões, o que parece um tremendo progresso ante os 2,4% de 2023.
Já estão excluídos dessa conta cerca de R$ 30 bilhões em despesas classificadas como extraordinárias para o enfrentamento de tragédias climáticas. Há mais a considerar, entretanto.
Como mostrou na Folha o colunista Marcos Mendes, o rombo subiria a 0,9% se contabilizados, além dos dispêndios emergenciais, desembolsos relativos a 2024 antecipados em 2023 —quando não estavam em vigor as atuais regras fiscais— e receitas adiadas de um ano para o outro. Em outras palavras, o governo piorou o resultado de 2023 para obter melhora mais acentuada em 2024.
Segundo estimativas da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, que descontam a influência de fatores atípicos, as despesas do governo cresceram 4,3% acima da inflação no ano passado, depois de uma alta de descomunais 11% no retrasado.
Outro colunista deste jornal, Bráulio Borges, chamou a atenção para estudo do próprio Tesouro Nacional acerca do chamado resultado fiscal estrutural, que expurga fatores temporários e cíclicos para aferir a real evolução da política orçamentária.
Por essa metodologia, o superávit de 0,55% do PIB oficialmente apurado no último ano Bolsonaro —com a ajuda da alta do petróleo e de um calote nos precatórios— dá lugar a um déficit de 0,8% do produto potencial.
Ainda que tal cálculo possa sustentar o discurso político da herança desfavorável recebida, é inescapável que os números pioraram dramaticamente sob Lula, com déficit de 2% no primeiro ano de governo e de 1,16% nos três primeiros trimestres de 2024.
O que se vê com clareza, portanto, é que a gestão petista foi iniciada com aumento inaudito do gasto público, que hoje se reflete em alta da inflação e dos juros. Obter uma melhora na comparação com a calamidade de 2023 significa pouco na busca pelo reequilíbrio orçamentário. Sem ajustes bem mais profundos e rápidos, o governo levará o país a uma crise econômica.


