Pantanal teve um sexto da área total queimada em 2024, aponta estudo
Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro / O GLOBO
Mais de um sexto (17%) da área total do Pantanal foi queimada em 2024. Foram 2,6 milhões de hectares afetados pelo fogo no período — dentro de um universo de território total do bioma de aproximadamente 15 milhões de hectares. Os dados são do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O valor registrado em 2024 é quase três vezes maior que os 0,9 milhões de hectares queimados em 2023.
Na série histórica iniciada em 2012, o ano passado só não teve a maior área atingida do que em 2020 (3,6 milhões de hectares) — quando houve uma crise de incêndios no bioma durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a visitar o Pantanal, pela primeira vez durante o governo, diante do crescimento das queimadas no bioma.
O Ministério do Meio Ambiente anunciou, à época, que 890 profissionais do governo federal atuavam na crise, entre integrantes das Forças Armadas (491), do Ibama e do ICMBio (351), da Força Nacional de Segurança Pública (38) e da Polícia Federal (10), além de 15 aeronaves e 33 embarcações. O efetivo empregado era três vezes maior do que o que estava em ação até o dia 28 de junho.
Queimadas crescem no país
Dados do Monitor do Fogo do MapBiomas, divulgados na semana passada, mostram que a área devastada por queimadas no Brasil aumentou 79% em 2024 e superou os 30 milhões de hectares. Foi a maior extensão atingida pelo fogo desde o início da série iniciada pelo projeto em 2019. A área é maior que o território da Itália.
O crescimento foi de 13,6 milhões de hectares na comparação com 2023, de acordo com o projeto que reúne pesquisadores no acompanhamento do uso do solo do território nacional. Dos 30,8 milhões de hectares queimados no ano passado, 73% foram de vegetação nativa, principalmente em formações florestais; estas, totalizaram 25% do território consumido. Entre as áreas de uso agropecuário, as pastagens aparecem à frente, com 6,7 milhões de hectares impactados.
O relatório do MapBiomas destaca que o crescimento do território queimado no Brasil está associado aos efeitos da seca que afetou grande parte do país, influenciado pelo fenômeno El Niño, entre 2023 e 2024. A baixa umidade tornou a vegetação mais vulnerável e suscetível ao fogo.
— Os dados mostram como funciona essa balança, que impacta na quantidade de fogo, entre as condições climáticas e a quantidade de fontes de ignição. Apesar da queda no desmatamento, que pode ser uma das principais fontes, 2024 foi disparado o ano que mais se queimou no país na série histórica iniciada em 2019 — destaca Ane Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e coordenadora do MapBiomas Fogo.
No Pantanal, o ápice da área queimada foi em agosto. Segundo o MapBiomas, a região teve 1,9 milhão de hectares impactados — um crescimento de 64% em relação à média dos seis últimos anos. O estrago só não superou a área queimada em 2020, quando as chamas consumiram 2,3 milhões de hectares.
Incêndios florestais provocam nuvens de fumaça no Pantanal — Foto: Rogerio FLORENTINO / AFP/13-11-2023

