Quais as 20 cidades 'mais ricas' do Ceará? Eusébio lidera o ranking
DIARIO DO NORDESTE

A população do município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, detém a maior renda média mensal do Ceará, com R$ 4.607,83. O valor, que considera os ganhos do(a) responsável pelo domicílio, supera, com larga vantagem, o montante registrado em Fortaleza (pouco mais de R$ 3 mil), que aparece na segunda colocação do ranking.
Os números fazem parte de estudo divulgado nesta segunda (21) pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), com base em estatísticas do IBGE, referentes ao ano de 2022.
Eusébio se notabilizou ao longo das últimas décadas por abrigar empreendimentos imobiliários de altíssimos padrão, recebendo famílias de Fortaleza em busca de amplos espaços, luxo e bem-estar. Isso, naturalmente, impulsionou a economia da cidade, levando para a região shopping centers, comércios, restaurantes e escolas de qualidade.
Entre os 20 municípios com os maiores rendimentos, predominam cidades da Região Metropolitana de Fortaleza e de polos regionais como Sobral, Juazeiro do Norte e Crato. O padrão observado é de maior urbanização, dinamismo econômico e inserção no mercado de trabalho formal.
Destaque para Jaguaribara, a primeira da lista do interior, com R$ 2,2 mil de média; e Aquiraz, outra cidade com cifra acima de R$ 2 mil.
Da RMF, desponta também Itaitinga, uma das cidades cearenses que mais crescem, tanto em termos populacionais como nos econômicos, atraindo recentemente uma série de investimentos privados e se tornando um importante hub logístico para o Estado e a Região Nordeste.
Os 20 municípios com maior renda média no Ceará
- Eusébio – R$ 4.607,83
- Fortaleza – R$ 3.084,07
- Jaguaribara – R$ 2.258,48
- Aquiraz – R$ 2.025,55
- Sobral – R$ 1.977,14
- Crato – R$ 1.910,24
- Barbalha – R$ 1.896,87
- Juazeiro do Norte – R$ 1.867,85
- Solonópole – R$ 1.856,47
- Itaitinga – R$ 1.821,18
- Limoeiro do Norte – R$ 1.789,57
- Caucaia – R$ 1.782,25
- Aratuba – R$ 1.761,57
- Iguatu – R$ 1.753,44
- Brejo Santo – R$ 1.751,89
- Jijoca de Jericoacoara – R$ 1.743,94
- Maracanaú – R$ 1.737,23
- Crateús – R$ 1.676,70
- Aracati – R$ 1.665,07
- Tianguá – R$ 1.663,90
O empobrecimento brasileiro
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Reportagem publicada pelo jornal Valor neste mês expõe com clareza quem paga o custo das decisões erradas que o País insiste em tomar há décadas. Em 45 anos, o Brasil regrediu da 48.ª para a 87.ª posição no ranking de PIB per capita em paridade de poder de compra (PPC) do Fundo Monetário Internacional (FMI), aproximando-se perigosamente da metade mais pobre do mundo.
Em termos absolutos, esse indicador até aumentou no período, de US$ 13,7 mil em 1980 para US$ 19,6 mil em 2024. Em conjunto, no entanto, o mundo avançou mais, o que explica a piora na posição relativa brasileira. Em poucas palavras, o indicador mostra que o País, ao longo desse período, cresceu menos que seus pares, enquanto o custo de vida da população subiu mais que a média das nações pesquisadas.
O pior é que, até 2030, a estimativa do FMI é que caiamos ainda mais, para o 89.º lugar. Antes fosse apenas mau agouro. A combinação entre crescimento baixo, poupança reduzida, investimento pífio, produtividade estagnada, mão de obra desqualificada e inflação elevada não poderia gerar resultados diferentes. Se o País seguir na mesma rota em que está há tantos anos, a tendência, de fato, é que essa degradação se acentue no futuro, afastando o Brasil não só dos mais desenvolvidos, mas também das economias emergentes.
Para quem duvida das previsões do FMI, o desempenho econômico do País nos últimos anos é ilustrativo. Ao longo de dez anos, o indicador despencou até 2016, quando o Brasil teve uma recessão; recuperou-se lentamente até 2019; caiu em 2020, ano da pandemia de covid-19; e voltou a subir aos poucos desde então. Assim, o PIB per capita em paridade de poder de compra em 2024 foi de US$ 19.594, praticamente o mesmo de 2013, quando estava em US$ 19.169. A diferença é que, em 2013, estávamos na 79.ª posição e, agora, na 87.ª.
É triste, mas previsível, pois o Brasil parece que não aprende. Há anos se sabe que o crescimento econômico não depende de subsídios para setores ineficientes, mas de investimentos privados em áreas nas quais o País tenha vocação. A História prova que a abertura de mercados reduz o custo de produção e favorece a integração de cadeias produtivas, mas o País prefere a proteção e o isolamento comercial.
Gastos públicos em excesso são um motor para a inflação, pois corrói o poder de compra da população e exige aumento da carga tributária, o que reduz a competitividade da economia brasileira. Ademais, resultam em taxas de juros elevadas, o que inviabiliza o custo de financiamentos para aquisição de bens e para a ampliação da infraestrutura. Educação de baixa qualidade, por seu lado, cria um exército de informais sem capacidade para ocupar postos de trabalho com remuneração mais elevada e que, no futuro, dependerão de políticas de assistência social para sobreviver.
Em vez de reformas estruturais para ampliar o crescimento potencial do PIB, o País aposta em puxadinhos. Favorece empresários e setores próximos do poder, impõe barreiras às importações, aposta na elevação da arrecadação, cria linhas de crédito direcionado que distorcem os juros do restante do mercado, usa as estatais como um orçamento paralelo para induzir o desenvolvimento, patina na melhoria da educação básica e deixa estudantes se iludirem com promessas de empregabilidade em cursos a distância.
Mas governo, Congresso e Judiciário parecem bastante satisfeitos com esse desempenho medíocre. Para eles, esse Brasil à deriva não existe. No Executivo, no entanto, Lula da Silva só pensa em lançar programas que possam recuperar sua popularidade até a eleição. No Legislativo, os parlamentares só querem que suas emendas sejam quitadas. E nos tribunais, sempre há espaço para um pagamento retroativo e para um novo penduricalho, tudo com isenção de impostos.
A maioria da população percebe que o dinheiro já não compra o que comprava no passado e sabe que não tem alternativa a não ser se adaptar à realidade. Mas nenhum dos Três Poderes está disposto a rever despesas e contribuir com o futuro do País em nome do interesse público. A posição do Brasil no ranking do FMI é reflexo dessas escolhas.
A farra dos subsídios
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Será de quase R$ 50 bilhões neste ano a fatura para pendurar encargos e subsídios nas contas de luz, uma desfaçatez à qual o uso frequente tem se encarregado de conferir status de normalidade. Do orçamento de R$ 49,2 bilhões aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) – o fundo setorial que financia os subsídios –, R$ 46,8 bilhões serão pagos pelos consumidores de energia elétrica. O resto virá das multas aplicadas pela Aneel e outras receitas menores.
Na relação de despesas da CDE há de tudo, desde recursos para a energia gerada a carvão mineral ao financiamento da geração em áreas ainda não conectadas ao sistema interligado. São muitos os subsídios: ao consumidor de fonte incentivada, às usinas solares e eólicas, aos pequenos geradores de energia incentivada (usuários de placas solares, por exemplo), a cooperativas, à irrigação e aquicultura, ao saneamento básico, ao consumidor rural, ao consumidor de baixa renda. Entram na conta energia limpa, energia suja e até o que não é energia elétrica. Tudo rateado e embutido na tarifa mensal de luz.
A soma vem galopando desde sua criação, em 2002, como resposta à crise de abastecimento elétrico. O primeiro orçamento, de 2003, foi de R$ 1 bilhão; em 2013, já eram R$ 14 bilhões; em 2018, saltou para R$ 20 bilhões; em 2022, para R$ 32 bilhões; em 2024, para R$ 37 bilhões; e neste ano, para R$ 49 bilhões. O impacto nas contas de luz, por óbvio, segue a escalada, contrariando as promessas de redução das tarifas. O governo Lula da Silva, para dar algum sentido ao discurso de modicidade tarifária, editou recentemente uma medida provisória estipulando um limite máximo para a CDE. Mas, ora vejam, ninguém sabe qual é.
Em vez de estipular o valor, usando fundamentos conhecidos, como a média do orçamento em determinado período, ou uma dotação específica, pormenorizada de forma transparente, o governo apenas determinou que o limite será o do orçamento de 2026. Alvo mais incerto, impossível. Até junho, a Aneel trabalhava com a estimativa de R$ 40,6 bilhões para 2025 e somente em julho ficou definido o total, com quase R$ 9 bilhões a mais. Para o ano que vem, nenhuma projeção.
Especialistas do setor preveem uma explosão da CDE em 2026 em razão da ação de lobistas para garantir igual valor para os anos seguintes e assim evitar que os subvencionados sejam prejudicados. Calculam algo em torno de R$ 65 bilhões para o ano que vem. Faz sentido. O que não faz sentido é o governo esperar algum agradecimento do consumidor pela medida.
Isso sem contar que, na prática, como mostrou o Estadão, o teto pode de fato ser furado porque os subsídios setoriais estão previstos em lei e, eventualmente, podem ultrapassar o limite prefixado. Caso haja insuficiência de recursos para custeio da CDE, a solução encontrada foi criar, adivinhem, mais um encargo – o de “complemento de recursos”. A previsão é que este caiba, proporcionalmente, aos próprios agentes beneficiários das subvenções. Mas a experiência tem revelado que, no fim, quem paga a conta é o consumidor.
Brasil paga a conta da imprudência de Lula
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Muito ainda pode ser dito sobre a irresponsabilidade de Jair Bolsonaro, que, para se livrar da cadeia e continuar com seu projeto golpista, fez lobby nos EUA para que o presidente Donald Trump viesse em seu socorro, ao custo de inestimável prejuízo para a economia brasileira, ameaçada por um tarifaço americano. Só por isso, o nome de Bolsonaro já está gravado no panteão dos maiores traidores da pátria que este país já viu.
Contudo, à medida que novas punições são anunciadas pelo governo americano contra o Brasil, torna-se óbvio que o objetivo de Trump vai muito além de ajudar Bolsonaro – de resto um sujeito absolutamente insignificante para os projetos de poder do presidente americano. Está ficando cada vez mais evidente que o crescente ataque de Trump ao Brasil é, na verdade, parte de uma ofensiva contra o Brics – bloco que, a despeito das fantasias lulopetistas sobre alternativas de desenvolvimento, se presta exclusivamente a projetar o poder da China em contraste com os EUA e o Ocidente, tendo como subproduto o respaldo ao imperialismo da Rússia de Vladimir Putin.
Isso ficou claro quando Mark Rutte, secretário-geral da Otan, a aliança militar ocidental ainda liderada pelos EUA, avisou que os países do Brics podem sofrer sanções por parte do governo americano caso continuem a fazer negócios com a Rússia. A intenção de Washington é obrigar os parceiros russos no Brics a pressionar Moscou a aceitar uma trégua na sua guerra contra a Ucrânia, como deseja Trump.
Como se sabe, Trump ameaça castigar a Rússia com tarifas de 100% caso Putin não interrompa seus ataques à Ucrânia. A medida incluiria sanções secundárias contra países que fazem negócios com a Rússia. A ideia aqui é sufocar economicamente a Rússia, que conseguiu contornar as sanções aplicadas por EUA e Europa graças à manutenção do comércio com os parceiros do Brics.
Ademais, a ofensiva contra o Brics insere-se no objetivo maior de Trump que é minar o poder da China. Para isso, escolheu o Brasil como saco de pancadas – um alvo fácil, dada a sua limitada capacidade de reagir e de arregimentar influência contra os EUA.
Tudo isso só evidencia a imprudência do presidente Lula da Silva de alinhar o Brasil à China e à Rússia a pretexto de fortalecer o Brics contra os EUA de Trump. A única forma de poupar o Brasil dos efeitos deletérios dessa decisão seria abandonar esse bloco, que se presta unicamente aos projetos chineses e russos, sem qualquer ganho concreto e de longo prazo para o País. Com isso, o Brasil retornaria ao terreno seguro do não alinhamento, onde ficam os países com vocação para se relacionar com o mundo inteiro, independentemente de orientação ideológica. Essa sempre foi a tradição brasileira, um patrimônio que seria especialmente relevante no momento em que o mundo se reorganiza não mais em relações multilaterais, e sim em blocos de poder.
Não é prudente, portanto, que o Brasil escolha um desses blocos, dado que o País não tem nem capacidade militar nem poderio econômico para ser protagonista no novo arranjo global. Mas Lula nunca foi prudente. Sempre que pode, movido por suas fantasias megalomaníacas e por suas convicções terceiro-mundistas, põe o Brasil em situações potencialmente danosas – sobretudo quando apoia autocracias só porque estas se dispõem a desafiar os EUA.
Em seu discurso na mais recente cúpula do Brics, Lula reforçou seu antiamericanismo e sua vassalagem à China ao tornar a defender o fim do uso do dólar como moeda comercial global – como se a adoção da moeda americana para esse fim fosse fruto da vontade de alguém, e não resultado de condições geopolíticas e de mercado.
Ademais, deveria causar vergonha a assinatura do Brasil no comunicado final da cúpula, que reservou nada menos que oito parágrafos aos atuais conflitos no Oriente Médio e míseros dois à guerra na Ucrânia – um dos quais, pasme o leitor, dedicado a criticar a Ucrânia por “deliberadamente” atacar áreas e infraestrutura civis na Rússia, sem qualquer menção à brutal e sistemática agressão russa aos ucranianos, inclusive com bombardeios contra civis.
Assim, russos e chineses devem ter saído muito satisfeitos desse rega-bofe antiamericano. Já o Brasil, como se vê agora, ficou com a conta.
Infiltração de organizações criminosas tornou a Amazônia um polo de drogas
Por Editorial / O GLOBO
Há várias maneiras de medir o nível de violência e infiltração da criminalidade na sociedade. Todas atestam que a Amazônia é um território onde a atividade de organizações criminosas é crescente. Seja no tráfico de drogas, seja na exploração ilegal de recursos naturais (ouro, cassiterita, madeira, animais silvestres) e consequente devastação ambiental. A Região Norte faz fronteira com Colômbia, Peru e Bolívia (maiores produtores de cocaína no mundo) e é cortada por muitos rios navegáveis. Tudo isso facilitou a transformação da Amazônia numa central global de drogas.
Tudo na Amazônia tem grandes proporções. Inclusive o crime. O assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, no Vale do Javari, revelou em 2022 que há organizações criminosas até por trás da pesca ilegal. O negócio clandestino convive com o tráfico, explorado por organizações de alcance nacional e internacional. É o caso do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), que disputam espaço com bandos locais como a Família do Norte (FDN). Disputas entre quadrilhas têm sido marcadas por massacres recorrentes em penitenciárias.
O crescimento do tráfico se reflete em mais apreensão de drogas. O total aumentou 40,9% no ano passado na região da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e parte do Maranhão) — de 78,4 toneladas para 110,5 toneladas de cocaína e maconha. Em cerca de 260 dos 772 municípios amazônicos há presença de pelo menos um grupo criminoso.
Com o tráfico, vem a violência. Há 41,5% mais homicídios na região que a média nacional, embora em 2023 tenha havido queda de 6,8% no número absoluto de mortes, constatou a terceira edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), produzida com o Instituto Mãe Crioula (IMC). O Amapá registrou 57,4 mortes intencionais por 100 mil habitantes em 2023, índice mais alto do país (a média nacional foi 22,8, diz o Ipea).
Como região, o Norte só perde para o Nordeste. As quatro cidades mais violentas da Região Amazônica estão no Pará: Cumaru do Norte (141,3 mortes por 100 mil habitantes), Abel Figueiredo (115,5), Mocajuba (110,4) e Novo Progresso (102,7). São cinco vezes mais violentas que a média nacional. E cerca de 15 vezes mais que o Estado de São Paulo, o menos violento, com 6,8 mortes por 100 mil habitantes. O avanço do crime organizado faz com que o Pará tenha hoje mais presos em penitenciárias federais de segurança máxima (61) que o Rio de Janeiro (52). É superado apenas por São Paulo (68).
A infiltração da criminalidade na Amazônia demonstra a urgência da PEC da Segurança, em tramitação no Congresso. A proposta promove a coordenação entre União e estados no enfrentamento da criminalidade. O mínimo a exigir do Estado brasileiro é que se articule para combater com eficácia as organizações criminosas, responsáveis pela violência e pela degradação ambiental na Amazônia.
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Saneamento está melhor, mas quadro ainda é vergonhoso
Por Editorial / O GLOBO
Houve, nos últimos anos, avanços no saneamento básico brasileiro, mas a situação continua precária, revelam os dados mais recentes do ranking elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. Para acabar com os indicadores vergonhosos, é preciso acelerar os investimentos. O Brasil perdeu muito tempo deixando o setor à mercê das empresas estatais de água e esgoto, sem capacidade de investir e dominadas por interesses políticos. Apenas com o Novo Marco Legal do Saneamento, em 2020, a situação passou a melhorar. Infelizmente, em ritmo aquém do necessário para oferecer condições sanitárias dignas à população.
Agora, a questão a resolver é como acelerar os investimentos para atingir a meta de, até 2033, levar água tratada a quase toda a população e o esgoto a 90%. Pelos últimos dados, falta água potável a 16,9% dos brasileiros, e 44,8% não têm coleta de esgoto. Para universalizar os serviços, estima o documento, seria preciso dobrar o volume atual de investimentos — de R$ 22,5 bilhões verificados em 2022 para R$ 46,3 bilhões anuais até 2033.
Apenas 12 dos cem maiores municípios brasileiros investiram acima da meta. Os 20 piores registraram investimento anual médio de R$ 78,40 por habitante, 65% abaixo do patamar necessário para a universalização (R$ 223,82). Nove das 20 cidades em pior situação ficam na Amazônia. Tal realidade não deverá passar despercebida aos participantes da COP30. A própria cidade-sede, Belém, convive com esgoto a céu aberto e padrões distantes do aceitável no abastecimento de água. Das 20 piores cidades, 14 ficam no Norte ou Nordeste, incluindo as capitais Recife, Maceió, Manaus, São Luís, Macapá e Porto Velho.
A análise comparativa das informações revela disparidades que refletem a qualidade da gestão pública. Um exemplo é Niterói, terceira colocada no ranking — abaixo apenas de Campinas e Limeira, ambas em São Paulo. Ela tem como vizinho o município de São Gonçalo, também às margens da Baía de Guanabara, mas na 94ª posição. Cidades coladas uma na outra, mas com perfis de saneamento opostos. Vale lembrar que, em Niterói, os serviços de saneamento foram concedidos ao setor privado em 1999, Campinas é atendida por uma empresa de economia mista e Limeira por uma concessionária privada. Os bons resultados dessas cidades não ocorreram por acaso, mas porque nelas operam empresas com capacidade de investir.
Da região do Grande Rio também aparecem mal colocadas São João de Meriti e Belford Roxo. Até 2021, o governo fluminense controlava a Cedae. Com a privatização, a cidade do Rio passou da 77ª para a 43ª posição, mas neste ano voltou a cair, para a 59ª. Uma das explicações está no ajuste populacional trazido pelo Censo. Mas também houve queda no acesso a água e na coleta de esgoto e, mesmo com a privatização e a melhora perceptível, o investimento continua aquém do necessário.
“Os municípios precisam de planejamento de longo prazo, saber que obras precisam ser feitas, de onde virão recursos e acompanhar”, diz Luana Pretto, presidente executiva do Trata Brasil. A universalização, diz ela, depende de tornar o saneamento uma agenda prioritária nos municípios, abandonando o velho lugar-comum segundo o qual obra enterrada não dá voto.


