Os erros e contradições das delações da Odebrecht e os demagogos
Reportagem publicada pela Folha neste domingo mostra uma penca de contradições entre delatores da Odebrecht: em muitos casos, há versões conflitantes, e estas, por seu turno, não estão espelhadas nas petições que pediram abertura de inquérito, com as quais concordou o ministro Edson Fachin. Antes dele, Cármen Lúcia, presidente do Supremo — e notória pré-candidata a eleição indireta, direta ou, como direi?, a serviço do Espírito Santo —, teve papel definidor. Foi ela quem homologou de cambulhada as delações.
Moro injeta ‘normalidade’ no espetáculo de Lula
Dois espetáculos não cabem ao mesmo tempo num único palco. Atento ao princípio da impenetrabilidade da matéria —“dois corpos distintos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço…”— Sergio Moro se esforça para reagir à tentativa de Lula de enfiar um espetáculo dentro de um ato processual banal.
Debilidade de Temer eleva apetite de fisiológicos
A discrepância entre o discurso ameaçador do Planalto e a suavidade no trato com os parlamentares infiéis leva a plateia a duvidar da seriedade da cena. Michel Temer fica em posição comparável à do sujeito que diz que vai quebrar a cara do outro, mas demora tanto tempo para lenvantar da cadeira que vira motivo de chacota. A situação legislativa do presidente é mais precária do que faz supor a retórica oficial. Os supostos aliados é que ameaçam o governo, não o contrário. Intimados a concluir a votação das reformas de Temer, governistas acenam com a hipótese de dar uma coça no Planalto se os seus apetites fisiológicos não forem saciados.
Além das beiradas dos açudes - OPOVO
Em Tauá (Sertão dos Inhamuns), a saudade tem a extensão do açude Favelas, um dos grandes da região, a 23 quilômetros da sede do município. Pode-se medir pelas conversas no caminho: quando a chuva encontrava o açude, faziam-se “uns cinco, seis quilômetros d´água para um lado e para outro. Quando tá chei, vai até Tauá botando água”, somam as histórias de pescadores e agricultores locais. Quando tinha água, tinha também curimatã, tilápia, traíra, sardinha, paisagem.
Série a peleja da água - OPOVO
178 dos 181 municípios do Ceará estavam em situação de emergência quando O POVO iniciou uma série de reportagens pela etnografia da seca deste século. O caminho pelos sertões do Estado, agora, quer alcançar estratégias de convivência com a falta d´água. A morte do gado e o comércio de uma água suja, por exemplo, são retratados lado a lado com o assistencialismo de governos e questões ambientais.
Pentecostes e Apuarés: A felicidade de cada dia

Nos interiores dos lugares e das pessoas por onde esta reportagem andou, sertão e homem se tornam um só: fazem, da fraqueza, a força. No nascer (e nascer) entre seca e chuva, no viver entre a falta e a fartura, o homem vai se deixando no sertão e o sertão vai sendo humanidade. O agricultor Francisco Fernandes da Silva Maciel, 30, gerente da fazenda Califórnia, em Pentecoste (94,7 quilômetros de Fortaleza), sofre a sede da terra, a fome do bicho. Os últimos cinco anos de estiagem mataram 50 gados dos 180 da fazenda produtora de leite. “Fora os pequeno”, adita.



