O naufrágio da Venezuela
O Estado de S.Paulo
09 Maio 2018 | 03h00
A cada nova estatística sobre a economia da Venezuela, mais evidente fica o tamanho do desastre em que o chavismo afundou e continua a afundar o país. E sem nenhuma perspectiva, pelo menos a curto prazo, de que seja interrompido esse processo que está jogando um número cada vez maior de venezuelanos, não mais na pobreza, mas na miséria. Os dados mais recentes e chocantes se referem à queda da produção de alimentos nos últimos 10 anos e mostram um panorama desolador.
Em 2008, a Venezuela produzia 70% dos alimentos consumidos pelos seus 28 milhões de habitantes e a expectativa para 2018 é de que a produção não vá além de 20% destinados à população, que hoje é de 31 milhões. Segundo reportagem do Estado, com base em informações de representantes do setor produtivo daquele país, que estiveram em São Paulo para participar do Encontro de Segurança Alimentar da América do Sul, o resultado disso e da deterioração do poder de compra da população é que os venezuelanos consumiram no ano passado, em média, 4,7 quilos de carne vermelha, o que representa seis vezes menos do que em 2012. No caso da carne de frango, a queda foi de 42 quilos por pessoa em 2012 para apenas 11 quilos no ano passado.
Não admira que dados de outras fontes, como da revista médica The Lancet, indiquem que a taxa de mortalidade das mães venezuelanas tenha aumentado 65% nos últimos anos e a infantil, 30%. E uma pesquisa realizada no ano passado pelas principais universidades venezuelanas mostrou que 87% das famílias podem ser consideradas pobres, pois não têm condições de adquirir bens mínimos de que precisam.
O responsável direto por esse descalabro – num país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo – é o regime chavista. A queda acentuada da produção de alimentos é resultado direto das intervenções na economia feitas pelo ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013) e, desde sua morte, pelo presidente Nicolás Maduro, como lembra Carlos Albornoz, presidente da Federação Nacional de Pecuaristas da Venezuela (Fedenaga). E essa é uma situação difícil de ser revertida a curto prazo, porque, como afirmam outros líderes empresariais, cerca de 85% do maquinário agrícola está obsoleto e são enormes as dificuldades para comprar insumos e ter acesso a novas tecnologias.
O arrependimento de Dilma
O Estado de S.Paulo
09 Maio 2018 | 03h00
Em Londres para o painel de encerramento do Brazil Forum UK, seminário anual sobre temas brasileiros ocorrido na London School of Economics, a presidente cassada Dilma Rousseff se mostrou arrependida por, “infelizmente”, ter sancionado a Lei n.º 12.850/2013. Foi este diploma legal o responsável por regulamentar o instituto da colaboração premiada, um marco divisor da Operação Lava Jato.
O estridente silêncio do PT sobre a tragédia venezuelana
Por que o PT ainda não disse uma palavra sobre os 50 mil venezuelanos que, nos últimos três anos, cruzaram a fronteira do Brasil em busca da sobrevivência em Roraima? Por que os pregadores de missa negra não deram um pio sobre os 700 refugiados que a cada 24 horas ampliam as dimensões superlativas do drama?
A inovadora técnica capaz de transformar areia do deserto em terra fértil
A nova tecnologia reduz pela metade a água necessária para cultivar alimentos no deserto (Foto: BBC)
Faisal Mohammed Al Shimmari tem uma fazenda em uma das regiões mais inóspitas do mundo para agricultura: Al Ain, um oasis no deserto dos Emirados Árabes Unidos, onde as temperaturas podem alcançar os 50º C.
"É caro porque temos que comprar água para irrigar as plantas", diz ele.
Normalidade da gestão Temer faz mal ao Brasil
Em qualquer parte do mundo, o anormal espanta e inspira providências. No Brasil de hoje, o que choca é a normalidade, não o escândalo. A investigação sobre propinas no setor portuário chegou à família de Michel Temer. E o presidente, que já acumula duas denúncias criminais, diz em entrevista que a hipótese de uma terceira denúncia é “campanha oposicionista”. Maristela, filha de Temer, é interrogada pela polícia sobre a suspeita de ter reformado sua casa com verbas de propinas. Indagado, Temer disse: “Registre o meu sorriso.” Do que ri o presidente?
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