Por que o PT está 'calado'
Cantinho do Moreno, sexta-feira, 26/05*

O PT está encurralado pelas suas próprias circunstâncias. Não pode comemorar publicamente a derrocada de Temer, porque seria referendar as delações de Joesley, que também o atingem mortalmente. O jeito é pedir diretas já, sem entrar no mérito dos motivos da queda do presidente. Mas até isso também é da boca para fora. Ao PT interessa um mandato-tampão para que se cumpra o calendário de 2018. "Diretas já" é incompatível com "Lula lá". Agora, eleição, para Lula, fica muito difícil. *nota publicada na edição impressa de O GLOBO, na coluna "Poder em jogo" da colunista Lydia Medeiros, em 26/05
JBS: uma empresa que cresceu à sombra do PT
Na carta que divulgou ao fim do dia mais conturbado do ano até agora, Joesley Batista, presidente afastado e controlador da J&F, pede “desculpas aos brasileiros pela corrupção praticada” e encerra com uma promessa intrigante. O empresário afirma que o grupo, um colosso de R$ 174 bilhões em receitas e 270 mil funcionários, no Brasil menor apenas que a Petrobras, vai virar as inúmeras páginas de corrupção que escreveu “acordando cedo e trabalhando muito”.
Como se não bastasse a crise
Que o Brasil precise de juros muito mais baixos para crescer mais velozmente ninguém discute, mas é impossível dizer com um mínimo de segurança, hoje, até onde o Banco Central (BC) poderá avançar, nos próximos 12 meses, nos cortes da taxa básica. A crise política interna é o principal fator de insegurança, mas a evolução do cenário externo também poderá dificultar as ações da autoridade monetária em Brasília. Um desses fatores é o aperto gradual da política de crédito nos Estados Unidos. Mais uma alta poderá ocorrer em junho, a julgar pela ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Além disso, muitos analistas apontam como provável uma segunda elevação antes do fim do ano. Quem decide sobre os juros no Brasil tem de incluir cada um desses movimentos em seus cálculos. Taxas mais altas no mercado financeiro internacional diminuem o espaço para redução no Brasil. Perdem com isso os empresários e os consumidores brasileiros.
Sobre seletividade
O Estado de S.Paulo
26 Maio 2017 | 03h07
O PT e seus lambe-botas passaram meses protestando contra a Operação Lava Jato sob o argumento de que se tratava de uma “investigação seletiva” dedicada exclusivamente a “perseguir” Lula e a tigrada. Decepcionaram-se quando a evolução das investigações demonstrou que nenhum partido e nenhuma liderança política está imune à ação da Justiça. Agora, demonstrando que eles próprios também sabem ser seletivos quando lhes convém, os lulopetistas oferecem ao País uma vergonhosa exibição de hipocrisia quando incendeiam – em alguns casos, literalmente – a Esplanada dos Ministérios e os plenários do Senado e da Câmara dos Deputados com iradas manifestações de indignação diante da profunda crise em que o País está mergulhado, escamoteando o fato de que eles próprios têm enorme responsabilidade por essa crise, pois durante longos 13 anos foram os donos do poder, do qual foram apeados, com apoio maciço dos brasileiros, há apenas 12 meses. Os vândalos que botaram fogo e destruíram o patrimônio público numa “manifestação pacífica” a favor do “Fora Temer” e contra as reformas, bem como os senadores e deputados baderneiros que pelos mesmos motivos promoveram cenas de pugilato dentro do Congresso Nacional, cometeram essas barbaridades movidos por uma seletiva indignação contra a crise que eles próprios provocaram e agora procuram agravar em benefício próprio, pois alimentam a pretensão de voltar ao poder ressuscitando Luiz Inácio Lula da Silva.
O calote do século - Eliane Cantanhêde
Antes que a gente se esqueça, Joesley Batista, da JBS, que já foi um dos “campeões nacionais” do BNDES, é agora campeão internacional do calote, um calote não numa pessoa, numa empresa ou num banco, mas num país inteiro. Um país chamado Brasil, onde não sobra ninguém para contar uma história decente e abrir horizontes. Enquanto amealhava R$ 9 bilhões do BNDES, mais uns R$ 3 bilhões da CEF, mais sabe-se lá quanto de outros bancos públicos nos anos beneficentes de Lula, Joesley saiu comprando governos, partidos e parlamentares. Quando a coisa ficou feia, explodiu o governo Temer, a recuperação da economia e a aprovação das reformas, fez um acordo de pai para filho homologado pelo STF e foi viver a vida no coração de Nova York.
Como procuradores e juízes militantes, os tenentes não gostavam de políticos
O Brasil se tornou refém do "Tenentismo da Destruição". O país caminha para o abismo político, legal e institucional. Aparecerá alguém com um lume ao menos, a nos dar uma esperança, ainda que bruxuleante? Esse portador de alguma luz contra as trevas, creiam, era Michel Temer. Torço para que chegue ao fim do mandato. Mas não será fácil. E o futuro? Até agora, o que vejo são pré-candidatos a cronistas das nossas angústias, com suas ligeirezas à direita ou à esquerda. Pergunta rápida, com resposta idem, dois dias depois dos atos terroristas protagonizados pelas esquerdas na Esplanada dos Ministérios: se não se fizer a reforma da Previdência agora, quem terá coragem de levar essa pauta para o palanque?

