Em 100 dias, Bolsonaro não levou governo para a direita, puxou-o para baixo.
É falsa a impressão de que Jair Bolsonaro leva o governo para a direita. Puxa-o para baixo. Sem oposição, Jair desperdiçou os primeiros cem dias criando problemas para Bolsonaro. A fatura da inépcia começa a ser cobrada, indica o Datafolha. O capitão cavalga a pior avaliação já atribuída a um presidente em início de governo desde a redemocratização, em 1985. Decepcionou até quem gosta dele. Quase metade dos seus eleitores negaram-se a avaliá-lo como um presidente ótimo ou bom.
Na campanha eleitoral, Bolsonaro não tinha um programa de governo nítido. Ele dispunha de um bordão —"Brasil acima de tudo, Deus acima de todos"— e de um versículo do Evangelho de João —"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." Descobre agora que, embora Deus esteja em toda parte, o demônio controla o Planalto quando não há uma diretriz. Percebe que a verdade à luz do gabinete presidencial não é a mesma ao sol das filas onde se desesperam 13 milhões de desempregados.
Nando Reis evoca o conservadorismo visual da discografia de Roberto Carlos na capa de álbum em tributo ao 'Re
À primeira vista, a capa do álbum que Nando Reis lança em 19 de abril, Não sou nenhum Roberto (mas às vezes chego perto), parece sem graça, até simplória. SQN. O charme reside justamente na simplicidade do close que expõe o cantor em foto de Jorge Bispo.
É que, com a capa do disco em que canta 12 músicas do repertório de Roberto Carlos, Nando Reis evoca o conservadorismo visual que pauta a discografia do Rei desde sempre, mas sobretudo a partir da década de 1980.
A menina que cresceu sonhando com um lar sem goteiras e hoje 'transforma casas' de graça

Fernanda ainda era criança quando olhava para o teto e pensava: "Sinto raiva da chuva".
Ela morava com os pais e os cinco irmãos em uma casa "bem pequena, de taipa e tijolos brancos" em Natal, no Rio Grande do Norte, onde tinham sala, cozinha, dois quartos e um banheiro nos fundos do quintal - com um monte de goteiras.
Quando chovia, uma caixa de fogão transformada em guarda-roupa, a cama e o chão sempre ficavam encharcados. O "reboco antigo", de barro, também infiltrava e o cheiro que ficava no ar - para "vergonha" da menina - foi chamado de ruim por um amigo da escola.
"O que eu pensava era que quando crescesse ia querer uma casa que não tivesse goteiras", diz. "Era com isso que eu sonhava."
Hoje técnica em controle ambiental, tecnóloga em construção de edifícios e prestes a se formar em Engenharia Civil, ela lembra da história para explicar por que, aos 21 anos, decidiu criar um projeto voluntário para reformar casas, sem cobrar nada.
Conservadores tentam capturar agenda da esquerda
07 de abril de 2019 | 05h00
O casebre de João Paulo Maia e Darlene Rosa é um dos primeiros a despontar na estrada de terra que se desenrola por 60 quilômetros do centro do município goiano de Cavalcante até o povoado quilombola de São Domingos. Cercados pelas paredes de tijolo de barro e sob o teto de zinco e palha, eles criam Tarles, de 8 anos; Rixon, de 6 anos; e Elismax, que chegou há seis meses. Na cozinha, separada do quarto por um lençol, o fogão trabalha quando há dinheiro para o gás. Um pequeno isopor ajuda a manter o que é possível comprar. Não costuma ser muito.
O almoço quase sempre é arroz, feijão e chuchu. Não há banheiro na casa. A energia elétrica ali ainda não chegou. Falta muito. Mas não sonhos. “É tanta coisa que a gente precisa”, diz João Paulo, que tenta fazer bicos em obras ou no roçado para encorpar a renda do casal, que vive dos R$ 212 que chegam do Bolsa Família. O avô, João Francisco Maia, de 74 anos, mora com a família. “Já tive vontade de sair daqui, mas pensei: é nossa terra natal, temos que gostar”.



