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Em 100 dias, Bolsonaro não levou governo para a direita, puxou-o para baixo.

Josias de Souza

07/04/2019 05h36

BolsonaroDragoesIndependenciaAntonioCruzABr

É falsa a impressão de que Jair Bolsonaro leva o governo para a direita. Puxa-o para baixo. Sem oposição, Jair desperdiçou os primeiros cem dias criando problemas para Bolsonaro. A fatura da inépcia começa a ser cobrada, indica o Datafolha. O capitão cavalga a pior avaliação já atribuída a um presidente em início de governo desde a redemocratização, em 1985. Decepcionou até quem gosta dele. Quase metade dos seus eleitores negaram-se a avaliá-lo como um presidente ótimo ou bom.

Na campanha eleitoral, Bolsonaro não tinha um programa de governo nítido. Ele dispunha de um bordão —"Brasil acima de tudo, Deus acima de todos"— e de um versículo do Evangelho de João —"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." Descobre agora que, embora Deus esteja em toda parte, o demônio controla o Planalto quando não há uma diretriz. Percebe que a verdade à luz do gabinete presidencial não é a mesma ao sol das filas onde se desesperam 13 milhões de desempregados.

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Nando Reis evoca o conservadorismo visual da discografia de Roberto Carlos na capa de álbum em tributo ao 'Re

À primeira vista, a capa do álbum que Nando Reis lança em 19 de abril, Não sou nenhum Roberto (mas às vezes chego perto), parece sem graça, até simplória. SQN. O charme reside justamente na simplicidade do close que expõe o cantor em foto de Jorge Bispo.

É que, com a capa do disco em que canta 12 músicas do repertório de Roberto Carlos, Nando Reis evoca o conservadorismo visual que pauta a discografia do Rei desde sempre, mas sobretudo a partir da década de 1980.

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A menina que cresceu sonhando com um lar sem goteiras e hoje 'transforma casas' de graça

fernanda santos 1 DEFENSORA DOS PROBRES

Fernanda ainda era criança quando olhava para o teto e pensava: "Sinto raiva da chuva".

Ela morava com os pais e os cinco irmãos em uma casa "bem pequena, de taipa e tijolos brancos" em Natal, no Rio Grande do Norte, onde tinham sala, cozinha, dois quartos e um banheiro nos fundos do quintal - com um monte de goteiras.

Quando chovia, uma caixa de fogão transformada em guarda-roupa, a cama e o chão sempre ficavam encharcados. O "reboco antigo", de barro, também infiltrava e o cheiro que ficava no ar - para "vergonha" da menina - foi chamado de ruim por um amigo da escola.

"O que eu pensava era que quando crescesse ia querer uma casa que não tivesse goteiras", diz. "Era com isso que eu sonhava."

Hoje técnica em controle ambiental, tecnóloga em construção de edifícios e prestes a se formar em Engenharia Civil, ela lembra da história para explicar por que, aos 21 anos, decidiu criar um projeto voluntário para reformar casas, sem cobrar nada.

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Adequação ao cargo é vital para presidente recuperar confiança

Mauro Paulino e Alessandro Janoni / FOLHA DE SP
 

A popularidade do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), segue o roteiro dos ocupantes do cargo ao fim dos simbólicos cem primeiros dias de mandato.

Desde a redemocratização, apenas Itamar Franco, em dezembro de 1992, após o impeachment de Fernando Collor, conseguiu superar a expectativa —muito baixa— que existia em relação ao seu governo.

Todos os outros (não há dado equivalente apenas para o segundo mandato de Lula) apresentam diferenças importantes entre a euforia pós-eleitoral e a avaliação positiva em pouco mais de três meses de gestão.

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Após 3 meses, Bolsonaro tem a pior avaliação entre presidentes de 1º mandato

Igor Gielow / folha de sp
SÃO PAULO

Envolto em contínua crise política e sem assistir a uma melhora na economia, Jair Bolsonaro (PSL) registra a pior avaliação após três meses de governo entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato desde a redemocratização de 1985.

Mas 59%, segundo o Datafolha, ainda acreditam que ele fará uma gestão ótima ou boa. O presidente completa cem dias de mandato na próxima quarta-feira (10).

Segundo o instituto, 30% dos brasileiros consideram o governo de Bolsonaro ruim ou péssimo, índice semelhante ao daqueles que consideram ótimo ou bom (32%) ou regular (33%). Não souberam opinar 4% dos entrevistados.

O instituto ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Antecessores de Bolsonaro nas mesmas condições tiveram melhor desempenho. Fernando Collor (então no PRN) era reprovado por 19% em 1990, enquanto Fernando Henrique Cardoso (PSDB) marcava 16% de índices ruim ou péssimo em 1995.

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Conservadores tentam capturar agenda da esquerda

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2019 | 05h00

 

O casebre de João Paulo Maia e Darlene Rosa é um dos primeiros a despontar na estrada de terra que se desenrola por 60 quilômetros do centro do município goiano de Cavalcante até o povoado quilombola de São Domingos. Cercados pelas paredes de tijolo de barro e sob o teto de zinco e palha, eles criam Tarles, de 8 anos; Rixon, de 6 anos; e Elismax, que chegou há seis meses. Na cozinha, separada do quarto por um lençol, o fogão trabalha quando há dinheiro para o gás. Um pequeno isopor ajuda a manter o que é possível comprar. Não costuma ser muito.

O almoço quase sempre é arroz, feijão e chuchu. Não há banheiro na casa. A energia elétrica ali ainda não chegou. Falta muito. Mas não sonhos. “É tanta coisa que a gente precisa”, diz João Paulo, que tenta fazer bicos em obras ou no roçado para encorpar a renda do casal, que vive dos R$ 212 que chegam do Bolsa Família. O avô, João Francisco Maia, de 74 anos, mora com a família. “Já tive vontade de sair daqui, mas pensei: é nossa terra natal, temos que gostar”.

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João Francisco Maia (à esq.) vive com o filho João Paulo (na janela), a nora Darlene Rosa e os netos em Cavalcante: família vive com R$ 212 por mês Foto: Dida Sampaio/Estadão

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