Bruno Pedrosa apoia programa de regularização fundiária para a Serra da Ibiapaba
Bruno Pedrosa apoia programa de regularização fundiária para a Serra da Ibiapaba / ALECE
O deputado Bruno Pedrosa (PT) destacou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta terça-feira (18/05), o início de um amplo programa de regularização fundiária na Serra da Ibiapaba. Segundo o parlamentar, mais de 500 mil hectares serão regularizados na região, beneficiando milhares de agricultores e agricultoras rurais.
Bruno Pedrosa afirmou que a iniciativa representa uma política de dignidade e de garantia do título da terra para famílias que trabalham há gerações em propriedades sem documentação oficial. “A regularização fundiária é uma garantia de segurança jurídica para milhares de cearenses e o reconhecimento do direito de quem trabalha e produz”, disse.
O parlamentar ressaltou que a medida deve fortalecer a produção agrícola da região, que classificou como celeiro agrícola do Ceará, além de ampliar o acesso dos produtores a crédito e financiamentos. “Serão, no total, mais de 17 mil propriedades que terão o seu georreferenciamento e a sua eventual regularização perante os cartórios, os órgãos de crédito e as instituições financeiras. Isso vai proporcionar cada vez mais o desenvolvimento do nosso Estado e da nossa Serra da Ibiapaba”, afirmou.
Bruno Pedrosa atribuiu a iniciativa à parceria entre o Governo do Ceará, o Governo Federal, o Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O deputado agradeceu ao governador Elmano de Freitas, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às equipes técnicas envolvidas no programa.
Em aparte, o deputado Missias Dias (PT) disse que o Ceará é pioneiro na regularização fundiária voltada aos pequenos produtores rurais e destacou que o Governo do Estado tem assumido inclusive os custos cartoriais do processo. “O Governo entende que é muito importante o título chegar a essas famílias, garantindo o direito à terra e à moradia”, afirmou.
Edição: Vandecy Dourado
Presidente Romeu Aldigueri pede análise de novo código de ética parlamentar e destaca modernização
Por Luciana Meneses / ALECE
- Foto: Júnior Pio
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), deputado Romeu Aldigueri (PSB), solicitou, durante a sessão plenária desta terça-feira (19/05) aos parlamentares da Casa que apreciem o projeto de resolução que institui o novo Código de Ética e Decoro Parlamentar da Alece, previsto na proposição de n° 5/26.
Conforme explicou o presidente, o projeto encontra-se em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Casa, devendo ser pautado em plenário até o final do mês. “Demos o prazo de 30 dias para que todos os deputados pudessem apreciá-lo e discuti-lo com suas assessorias jurídicas e políticas, bem como com suas bancadas, para que o mesmo seja pautado de maneira tranquila e transparente”, iniciou.
Romeu Aldigueri frisou ainda a necessidade de um novo Código de Ética, visto que o que está em vigor data de 2006, concebido em um contexto anterior à consolidação das redes sociais, à massificação dos meios eletrônicos de comunicação e à emergência de novas formas de atuação política e de relacionamento entre o Parlamento e a sociedade. “Segundo o Centro de Estudos e Atividades Estratégicas, Procuradoria e Diretoria-Geral, é o código de ética mais moderno das assembleias legislativas do País, tornando-se parâmetro para as demais”, declarou.
De acordo com o parlamentar, o novo código promove, em primeiro lugar, uma modernização conceitual e sistemática, explicitando os princípios éticos fundamentais e a finalidade das normas de decoro parlamentar, definindo objetivos claros voltados à defesa do Poder Legislativo, à observância dos princípios constitucionais da administração pública e à igualdade de tratamento entre parlamentares.
“O texto confere maior densidade teórica e segurança jurídica ao regime ético, em contraste com a redação anterior, que tratava de forma mais dispersa as regras de conduta e os deveres parlamentares fundamentais. Em segundo lugar, a proposta atualiza profundamente o elenco de deveres e infrações éticas, incorporando temas que não existiam ou não tinham densidade normativa em 2006”, salientou o deputado.
Sobre o uso das redes sociais, o novo texto disciplina, de forma detalhada, a conduta dos deputados e deputadas em redes sociais oficiais ou vinculadas ao exercício do mandato, veda a utilização de sistemas de inteligência artificial para produção de deepfakes, desinformação e manipulação artificial de engajamento e estabelece regras claras para o uso responsável de tecnologias digitais, inclusive exigindo transparência na identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial.
“Também tipifica como infração a violência política de gênero e a promoção de discursos de ódio ou discriminação, alinhando a atuação parlamentar a parâmetros atuais de proteção de Direitos Humanos e de combate a práticas discriminatórias”, ressaltou o presidente.
Romeu Aldigueri acrescentou ainda que o novo texto consolida de forma mais objetiva as hipóteses de quebra de decoro parlamentar, aproximando a disciplina interna do texto constitucional.
“O novo código prevê, de maneira expressa, a possibilidade de suspensão cautelar do mandato em casos de excepcional gravidade, com controle pelo Conselho de Ética e pelo Plenário, bem como disciplina a prescrição da pretensão punitiva por infrações ético-disciplinares”, exemplificou o deputado.
REPERCUSSÃO
Após a fala do presidente, parlamentares elogiaram a iniciativa e se manifestaram sobre o texto da proposta. Os deputados De Assis Diniz (PT), Lia Gomes (PSB), Queiroz Filho (PSDB) apoiaram a renovação do Código de Ética, observando alguns pontos que merecem maior apreciação.
Para o deputado Heitor Férrer (PSDB), o novo código seria mais uma prova da habilidade de liderança do presidente Romeu Aldigueri. “Adianto aqui que não fiquei alarmado, mesmo quando encontrei excessos no texto, pois, como o senhor bem disse, o processo está caminhando e todos poderemos fazer as devidas observações e, se for o caso, propor emendas. Que sejamos exemplo para as demais assembleias”, opinou.
Por sua vez, o deputado Renato Roseno (Psol) afirmou que todos os deputados tenham orgulho do Parlamento cearense e trabalhem para que a Alece seja exemplo para as demais casas legislativas. “Tem parlamentos em que é comum parlamentar sair preso por cometer um crime. Não queremos isso aqui. Na democracia, tudo é tolerável, menos a intolerância com a própria democracia. Não vale tudo na disputa”, avaliou.
Já a deputada Dra. Silvana (PL) afirmou que irá apresentar emendas ao projeto de resolução visando aperfeiçoar a proposta.
Edição: Lusiana Freire
Sociedade brasileira não pode ser condescendente com furto de energia
Por Editorial / O GLOBO
Emaranhado de fios denuncia ligações clandestinas em Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo
Por terem se tornado comuns na paisagem das cidades brasileiras, especialmente em áreas onde a polícia não entra, os furtos de energia, conhecidos popularmente como “gatos”, costumam ser tolerados. Não deveriam. Primeiro, por se tratar de crime, com pena prevista de um a oito anos de prisão. Segundo, porque assumem proporções gigantescas. Terceiro, porque impõem prejuízos não só às concessionárias, mas também aos consumidores, cuja conta de luz fica mais cara.
De acordo com a Associação das Distribuidoras de Energia, apenas em 2024 foram desviados mais de 22,5 bilhões de kWh, volume suficiente para abastecer por um mês toda a Região Sudeste, como mostrou reportagem do Jornal Nacional. O problema se mostra mais grave nos estados de Amazonas, Amapá, Rio de Janeiro, Rondônia, Pará e Pernambuco. As ligações irregulares não ocorrem apenas em favelas. Em Salvador, a polícia flagrou a prática ilegal numa fábrica de bebidas. Em Niterói, foram encontrados 17 “gatos” em quiosques à beira-mar, como informou a coluna de Ancelmo Gois.
Esse tipo de crime acarreta perdas significativas. No ano passado, os “gatos” causaram prejuízo de R$ 10 bilhões às concessionárias. É inevitável o reflexo para os consumidores que pagam seus boletos em dia. Estima-se que o impacto nas contas de luz seja de quase 3%. Os furtos também sobrecarregam o sistema, trazem riscos de incêndios e deterioram a qualidade do serviço. Em 2025, as ligações clandestinas provocaram 620 mil apagões, afetando cerca de 2,1 milhões de residências e pontos comerciais em todo o Brasil. Os recursos desviados poderiam ser investidos no próprio sistema, beneficiando a todos.
Não se pode dizer que os crimes não sejam combatidos, mas as ações têm se mostrado insuficientes. Em março, a Light identificou 4.139 “gatos” no estado do Rio, tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais como restaurantes ou mercados. Operações policiais levaram à prisão de 20 suspeitos em flagrante e ao registro de 38 ocorrências. A concessionária informou ter recuperado volume de energia suficiente para abastecer quase 30 mil residências durante um mês.
Embora não ocorram apenas em áreas conflagradas, é nesses locais que a polícia e as concessionárias encontram maiores dificuldades para combater o problema. Em geral, são regiões controladas por facções ou milícias, que impedem a entrada das operadoras para realizar reparos ou desligar eventuais “gatos”. O serviço ilegal é cobrado dos moradores por traficantes e milicianos.
Por causar danos ao sistema elétrico e prejuízos a empresas e consumidores, os “gatos” precisam ser combatidos de forma firme e permanente. É fundamental rechaçar a ideia equivocada de que essa prática criminosa é um problema menor. A sociedade não pode ser condescendente com o furto de energia. Crime é crime, e assim deve ser tratado.
Finanças dos Correios têm de ser investigadas
Por Editorial / O GLOBO
Com sucessivos prejuízos que somaram R$ 8,5 bilhões em 2025, os Correios dependiam de um empréstimo para fechar as contas. Mesmo com a garantia do Tesouro Nacional, a primeira tentativa de captação fracassou. Ante os riscos, os juros cobrados pelos bancos eram altos demais. Somente na segunda rodada, já em dezembro, foi fechado empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos. Agora, uma análise da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra indícios fortes de irregularidade. As suspeitas de avaliação incorreta da situação financeira da estatal e de sua capacidade de pagamento devem ser investigadas.
O empréstimo de dezembro foi destravado apenas depois de uma portaria permitir que técnicos do Ministério da Fazenda considerassem promessas previstas no plano de reequilíbrio financeiro da estatal. Não houve, segundo o TCU, exame robusto sobre a viabilidade. O procedimento normal seria ter dado ênfase à situação da empresa, com dados sobre solvência e fluxo de caixa. O lapso não parece ter sido casual. Qualquer análise minimamente aprofundada mostraria que o plano tem metas otimistas demais, que a sangria bilionária da estatal continuaria e que os riscos para o Tesouro ao bancar a operação seriam altos demais.
Por oposição ideológica à privatização, os Correios continuam em situação desesperadora, dependentes de dinheiro público. Não é a primeira nem a única vez em que o governo Luiz Inácio Lula da Silva é leniente e demasiado generoso com uma estatal em crise estrutural. Até setembro de 2025, o Tesouro transferiu R$ 20,8 bilhões às estatais, 14,2% a mais que em idêntico período de 2024. Tais transferências cresceram bem mais que a inflação. Nesse mesmo período, o governo recebeu em dividendos R$ 33 bilhões, 17,8% a menos. Não bastasse isso, os números deixam claro que Petrobras, Banco do Brasil e outras estatais que geram lucro não são capazes de financiar o socorro a empresas públicas cronicamente deficitárias.
A atual gestão dos Correios reconhece que 2026 será um novo ano de rombo bilionário de dois dígitos, com prejuízo estimado em R$ 10 bilhões. Isso exigirá novo empréstimo. Na visão edulcorada do governo, em 2027 a empresa entrará no azul. Só é difícil acreditar. Cortes na folha de pagamentos, melhorias operacionais, otimização logística e parcerias são medidas bem-vindas, mas terão impacto apenas marginal nas contas. A empresa continua refém de interferências políticas e obrigações legais que limitam a autonomia da gestão. Sem a concessão para a iniciativa privada e um modelo de negócios que gere caixa de forma sustentável, não haverá solução duradoura.
Repetidas falhas na execução orçamentária e financeira não são exclusivas dos Correios. Outra auditoria do TCU sobre 2025 divulgada na semana passada constatou que aportes do Tesouro superaram as necessidades de diversas estatais, como Infraero, Emgepron, Casa da Moeda e companhias do setor portuário. A consequência é sobra de caixa, com aplicações desvinculadas da execução imediata. Como alerta o TCU, os mecanismos de controle são falhos e não permitem fazer a distinção da origem e destino dos recursos. Tamanha falta de transparência é uma afronta ao contribuinte brasileiro, cujo dinheiro é desperdiçado.
A sede dos Correios em Brasília — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A cartilha surrada e a fatura da política eleitoreira
Zeina Latif / O GLOBO
O uso eleitoreiro da política econômica é tema antigo. E a prática parece perder eficácia para reeleger governantes. O economista William Nordhaus, em 1975, formulou o modelo dos ciclos políticos (“political business cycles”) com o argumento que governos tendem a estimular artificialmente a economia antes das eleições, ainda que ao custo de produzir, posteriormente, uma inflação mais alta, pois os eleitores premiam as condições econômicas favoráveis.
O descasamento temporal entre benefícios e custos cria incentivos para que governos utilizem o orçamento público como ferramenta eleitoral. Mesmo com cidadãos mais informados e preparados, ainda assim haveria incentivos para a manipulação eleitoral, segundo artigo de Kenneth Rogoff, de 1990. Em vez de avançar com medidas para promover ganhos de produtividade, governantes buscam medidas com impacto imediato sobre a renda, o emprego e o consumo, inflando gastos com efeito mais rápido.
Isso porque os eleitores não possuem informação perfeita sobre a competência do governo e, por isso, podem interpretar o bom desempenho da economia como sinal de uma administração eficiente, e não como um efeito transitório com custos sociais futuros após a eleição. O ciclo político no Brasil tem sido acentuado. Governos de diferentes orientações ideológicas recorreram a mecanismos semelhantes em períodos pré-eleitorais. Alguns governantes abusam mais do que os outros.
Dilma Rousseff foi a mais ousada na utilização da máquina estatal, tanto pela intensidade, como pelos vários canais utilizados. Houve aumento de despesas primárias, gastos fora do orçamento, desonerações tributárias, uso de bancos públicos, controle de preços de combustíveis e o estímulo ao endividamento de Estados e Municípios com aval do Tesouro. Não faltou criatividade para ganhar as eleições.
A experiência brasileira recente sugere que estratégias dessa natureza carregam elevado risco econômico, e político também. Mesmo com tantos excessos, a vitória de Dilma foi apertada em 2014. A diferença foi de apenas 3,28 pontos percentuais em relação ao oponente Aécio Neves (cerca de 3,4 milhões de votos), ante 12 pp na eleição de 2010, na disputa entre Dilma e José Serra.
Com Jair Bolsonaro, as principais medidas adotadas foram o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, com aumento de pessoas no programa, a redução da tributação sobre combustíveis e o crédito consignado do Auxílio Brasil. A fórmula não funcionou, ainda que o impacto da guerra da Ucrânia tenha se somado aos equívocos da política econômica.
O governo Lula repete a fórmula e vem intensificando políticas de estímulo de curto prazo, principalmente aquelas voltadas à contenção da inflação e à elevação do consumo. Com a guerra no Irã, o governo busca artifícios para conter a alta de combustíveis na bomba por meio de reduções de impostos e utilização de subvenções a produtores locais e importadores de combustíveis, enquanto a Petrobras mantém seus preços de derivados.
Do lado do consumo das famílias, citando as medidas recentes de maior destaque, há o Novo Desenrola para a renegociação de dívidas em atraso, com recursos que não transitam pelo orçamento federal e fogem do teto de gastos, e o fim da “taxa das blusinhas”. Os riscos da estratégia tendem a ser maiores do que no passado, mesmo que a alta da inflação seja contida.
Com a dívida pública elevada e crescente, e diante da baixa confiança dos agentes econômicos na gestão da política fiscal, a fatura da política eleitoreira tende a ser maior e, mais do que isso, tende a se materializar mais rapidamente.
A reação dos mercados é potencialmente mais forte, com um maior aumento das expectativas de inflação, da curva de juros e da volatilidade dos preços de ativos (dólar, bolsa). A ação do Banco Central fica prejudicada ao reduzir o espaço para corte dos juros. O eleitorado tende a responsabilizar o governo pela instabilidade econômica. E no atual contexto de elevado endividamento das famílias e de empresas, bem como de maiores níveis de inadimplência, os juros altos machucam a aprovação do governo e a competitividade de Lula.
Com a falta de confiança na responsabilidade fiscal do governo, os efeitos colaterais do oportunismo eleitoral estão aparecendo mais rapidamente.
Bom para todos, exceto o consumidor
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) suspendeu a homologação de um leilão realizado em março até que haja uma decisão judicial sobre seus resultados. Pode parecer algo trivial, mas se trata de uma disputa bilionária que envolve gigantes do setor elétrico, cujo desfecho pode gerar um impacto de R$ 800 bilhões nas contas de luz dos consumidores. Uma história que começa mal dificilmente termina bem, e esse é precisamente o caso do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em março.
A licitação tinha como objetivo contratar usinas para ficarem disponíveis para atender o País em momentos críticos, como picos de demanda ou falhas em outros empreendimentos. A participação cada vez maior de fontes renováveis no parque gerador, como solar e eólica, tem ampliado as dificuldades de operação do sistema. A depender do horário, pode haver falta ou excesso de energia em um mesmo dia, e ambas as situações podem causar apagões, o que justificou a decisão pela contratação de potência.
O problema começou antes mesmo da realização do leilão, quando o Ministério de Minas e Energia (MME) aumentou os preços-teto do leilão 72 horas após a aprovação do edital pela Aneel. A mudança repentina, por óbvio, despertou desconfiança, e o Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a fundamentação técnica que motivou a decisão, já que houve casos em que os preços simplesmente dobraram, como o de termoelétricas existentes e já amortizadas.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nem disfarçou e disse que a Petrobras não participaria da disputa caso os valores não tivessem sido reajustados. E em vez de colocar todas as usinas – novas e antigas, independentemente da fonte – para competir em igualdade de condições, o ministério optou por segmentar a disputa, o que reduziu a concorrência.
O resultado, como mostrou uma reportagem do Estadão, não poderia ser diferente: a disputa foi mínima, o deságio, pífio, e a quantidade de projetos contratados, excessiva. Até mesmo usinas a carvão venceram o certame.
Gigantes do setor elétrico – a Âmbar, dos irmãos Batista, a Eneva, do BTG, e a Petrobras – saíram muito satisfeitos. Quem não gostou foi a Casa dos Ventos, de Mário Araripe, que entrou na Justiça para reclamar do fato de o governo não ter permitido que as eólicas disputassem o certame associadas a baterias. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um inquérito administrativo para investigar o leilão, e parlamentares na Câmara próximos do empresário tentam anular a disputa por meio de decretos legislativos.
Manter o leilão sairá caro para o consumidor, mas anulá-lo, como quer a indústria, pode deixar o País vulnerável a blecautes no segundo semestre e ainda pode passar um sinal ruim para os investidores e ameaçar a segurança jurídica. Entidades e associações que representam consumidores defendem um meio-termo: a reavaliação dos resultados para retirar projetos inviáveis e que só existem no papel. O certo é que o consumidor não deveria, mais uma vez, pagar a conta da bagunça do setor elétrico, como tem feito há anos.

