Paraná Pesquisas indica empate técnico entre Lula e Bolsonaro
Último levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, a apenas um dia das eleições aponta empate técnico entre os candidatos ao Planalto com vantagem numérica do petista. Segundo o estudo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 47,1% das intenções de voto, contra 46,3% do presidente Jair Bolsonaro (PL).
No comparativo com as pesquisas do mesmo Instituto, o ex-presidente manteve um padrão de estabilidade em relação as medidas anteriores, enquanto Bolsonaro oscilou positivamente para além da margem de erro aproximando-se do petista. O estudo também apontou que 3,4% dos entrevistados indicaram votar em nenhum dos candidatos, em branco ou nulo, e aponta que ainda 3,2 dos eleitores ainda estão indecisos quanto ao voto de amanhã.

O Instituto entrevistou 2.400 eleitores pessoalmente entre os dias 26 e 28 de outubro. Com uma margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, o estudo tem um nível de confiança de 95%. O estudo está registrado sob o número BR09573/2020 junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A pesquisa teve um custo registrado de R$ 50.000,00 e foi contratada pelo próprio Instituto Paraná Pesquisas.
Neste sábado (29), ao longo do dia, ainda devem ser divulgadas mais cinco pesquisas de intenção de voto dos institutos Datafolha, Ipec, Atlas e Veritá.
Para o país de ontem
Na semana passada, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em um evento de campanha que, em caso de vitória, seu governo "não será um governo do PT". Dirigindo-se à presidente do partido, reiterou: "É importante, Gleisi [Hoffmann], você que é presidente, saiba: nós precisamos fazer um governo além do PT".
O candidato petista recordou que suas administrações contaram com muitos ministros que não eram da legenda, como Henrique Meirelles, chamado para o comando do Banco Central logo depois de ter sido eleito deputado federal pelo PSDB.
Ademais, Lula escolheu como seu vice, nesta eleição, um adversário histórico, o ex-tucano Geraldo Alckmin, um gesto evidente rumo à ampliação de alianças e horizontes programáticos.
Causa, pois, espanto e preocupação que o arremedo de programa econômico de última hora divulgado pela campanha, na quinta-feira (27), tenha horizontes estreitos.
Não se trata de dizer que o documento siga as diretrizes do velho PT, mas de observar antes de mais nada que o plano é ultrapassado e sugere que alguns fracassos desastrosos podem se repetir.
Uma dúzia de anos depois do fim do segundo governo Lula, o país e o mundo mudaram. Houve tempo suficiente para repensar políticas daninhas e para procurar alternativas mais racionais ou atualizadas de atingir alguns dos mesmos objetivos listados na "Carta para o Brasil de Amanhã".
É possível tratar de temas como modernização da economia, mesmo com incentivos estatais, por métodos novos. A carta, porém, limita-se a repetir motes do passado. Vários deles se tornaram políticas de Lula e de Dilma Rousseff.
Em resumo, trata-se de um programa baseado em vastos subsídios, recurso a estatais como instrumento de política econômica, reindustrialização calcada em substituição de importações e aumento desmedido ou incalculado de despesas ou de renúncia de receitas.
A exploração indevida de recursos do BNDES e da Petrobras redundaram em benefícios para grandes empresas e intervenções industriais ruinosas. A gastança sem limite foi um dos motivos da enorme crise que começou no final do primeiro governo Dilma.
Na carta há menção breve à reforma tributária e a nenhuma outra. Quanto a regras fiscais, há não mais que uma generalidade.
Fica a impressão —ou a esperança— de que o documento seja uma espécie de prêmio de consolação retórico para a ala esquerda envelhecida do partido. Ou de promessas desmedidas que possam servir nas horas finais de campanha.
Supostamente para o amanhã, o documento mostra falta de imaginação e saudosismo acrítico, em vez do diálogo prometido.
Nova carta de Lula é tentativa frustrada de preencher o 'cheque em branco'
Por Malu Gaspar / o globo
A "Carta do Amanhã" divulgada nesta quarta-feira pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva é resultado de uma constatação bastante pragmática: a de que, nesta disputa presidencial tão apertada, não convinha desafiar a percepção de um segmento do eleitorado que reclamava que Lula queria um cheque em branco para governar.
O documento é fruto da pressão de diversos setores que apoiam o PT, e que vem insistindo que Lula precisaria fazer gestos para o eleitor mais moderado que ainda tinha restrições a ele.
Dos interlocutores no mercado financeiro a marqueteiros consultados pelo partido, todos insistiam no ponto de que, nessa disputa apertada, o petista não poderia se dar ao luxo de ignorar um segmento do eleitorado que rejeita Bolsonaro, não quer votar pela reeleição do presidente da República, mas também não gosta de Lula por considerá-lo um radical.
Várias versões de documentos foram propostas nos últimos dias por esses setores a interlocutores do PT. O texto divulgado nesta tarde é resultado dessa pressão e procura detalhar um pouco mais alguns dos compromissos divulgados de forma genérica do programa já anunciado em agosto.
Estão ali a proposta de isenção de impostos para quem ganha até R$ 5 mil, ou a promessa de dar aumento real ao salário mínimo, repondo integralmente as perdas com a inflação.
Também constam da carta a proposta ambiental de Marina Silva, que declarou seu apoio a Lula ainda antes do primeiro turno, e os pontos apresentados por Simone Tebet, que se engajou na campanha depois, como a bolsa-estudante e a “igualdade salarial para homens e mulheres que exerçam a mesma função”.
O documento, porém, ainda não atende à principal demanda do setor que mais tem pressionado Lula por respostas: o mercado financeiro, que tem pedido sinalizações mais precisas sobre o que seria a política econômica no governo Lula.
Na carta, que tem 13 pontos para fazer referência ao número do PT, a questão econômica só aparece no final e em termos ainda genéricos.
Fala em "política fiscal responsável" e afirma que o país deve "seguir regras claras e realistas, com compromissos plurianuais, compatíveis com o enfrentamento da emergência social que vivemos e com a necessidade de reativar o investimento público e privado para arrancar o país da estagnação".
Promete ainda um um sistema tributário que não penalize "o investimento, a produção e a exportação industrial", nem "trabalhadores, consumidores e camadas de mais baixa renda". Não explica, porém, como seria esse novo sistema tributário.
E para quem presta atenção a detalhes, manda alguns sinais que preocupam quem teme um revival de algumas políticas lulistas, ao afirmar que os "bancos públicos, especialmente o BNDES, e empresas indutoras do crescimento e inovação tecnológica, como a Petrobras, terão papel fundamental neste novo ciclo."
Comparado às propostas que o PT recebeu nos últimos dias de aliados na Faria Lima, o trecho econômico da carta é menos do que um rascunho.
Ainda assim, o fato de o documento ter sido escrito e divulgado a esta altura representa uma admissão, por parte de Lula e de sua campanha, de que precisa fazer mais gestos em direção ao centro.
Foi essa mesma compreensão que levou Lula a reunir na segunda-feira (24), no palco do Teatro Tuca, na PUC de São Paulo, figuras como Henrique Meirelles, o economista Persio Arida e a ex-candidata à presidente do MDB, Simone Tebet, para dizer que, se eleito, não fará "um governo do PT", mas sim um governo para "além do PT".
Nesse ponto, talvez tenha feito mais por Lula a entrevista dada nesta quinta-feira ao jornal Valor Econômico pelo ex-presidente do Banco Central de Lula e ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
Na entrevista, Meirelles assumiu um discurso de ministro e apresentou sua "plataforma de governo", da qual faz parte uma reforma administrativa (inclusive defendendo a extinção de algumas estatais) e o estabelecimento de uma regra clara para o chamado "furo no teto de gastos", permitindo saber quanto o governo poderá gastar além do que arrecada.
“Houve pessoas, não necessariamente intermediários, com boas relações com o presidente, comigo, com o PT, que já me disseram: ‘fica preparado’”, disse. “Mas não é uma coisa direta”, disse ele ao repórter Alex Ribeiro, do Valor.
Embora nada esteja definido, e o próprio Meirelles tenha me dito nesta tarde que suas declarações não foram combinadas com Lula – "só falei o que penso"--, houve até uma leve alta na bolsa hoje. Tudo com base na leitura de que a presença de Meirelles e Persio Arida no entorno de Lula deve levá-lo a adotar uma linha mais amigável com as pautas liberais num futuro governo.
Para quem procura sinais, afinal, nada passa despercebido. Nem mesmo o fato de que, na segunda-feira, no Tuca, Meirelles e Persio Arruda estavam no palco. Já Aloizio Mercadante, ex-ministro desenvolvimentista de Dilma Rousseff que a Faria Lima abomina, estava sentado na plateia.
Paraná Pesquisas em SP: Bolsonaro tem 57,3% e Lula 42,7% dos votos válidos
Novo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta sexta-feira (28/10), aponta que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 57,3% dos válidos em São Paulo, contra 42,7% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em comparação com o levantamento anterior, os candidatos quase não oscilaram. Bolsonaro tinha 57,6% e Lula 42,4%.
Lula e Bolsonaro disputam o segundo turno no próximo domingo (30/10). Hoje acontece o último debate presidencial, na TV Globo, a partir das 21h30.
A pesquisa
O levantamento foi feito com 1.810 eleitores, entre os dias 23 e 27 de outubro. A margem de erro é de 2.4 pontos percentuais com nível de confiabilidade de 95%.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-07426/2022.
Datafolha: Lula tem 48% em Minas, e Bolsonaro, 43%
Carolina Linhares / folha de sp
Em Minas Gerais, estado que é considerado um espelho do resultado da eleição nacional, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marca 48% das intenções de votos totais ante 43% do presidente Jair Bolsonaro (PL). O total de indecisos é de 3%, e os brancos e nulos, 5%.
Considerando a margem de erro, há um empate técnico entre Lula e Bolsonaro.
A pesquisa Datafolha, contratada pela Folha e pela TV Globo, ouviu 1.009 pessoas no estado de Minas Gerais, de terça (25) a esta quinta. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número 04208/2022.
No cenário nacional, que tem margem de erro de 2 pontos percentuais, a pesquisa Datafolha mostra vantagem de Lula, que tem 49% dos votos totais, ante 44% de Bolsonaro, 5% de brancos e nulos e 2% de indecisos.
Em relação aos votos válidos, que desconsideram brancos e nulos, Lula marca 52%, e Bolsonaro, 48%.
Em Minas, no primeiro turno, Lula venceu Bolsonaro com praticamente o mesmo placar nacional —48,29% dos votos válidos, contra 43,60% do adversário. Nacionalmente, a contagem ficou em 48,43% para Lula contra 43,20% para Bolsonaro.
Em termos de rejeição, 50% indicam não votar de jeito nenhum em Bolsonaro, enquanto 45% rejeitam Lula.
Entre os eleitores de Minas Gerais, 40% consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom; 23% avaliam como regular; 36% opinam que é ruim ou péssimo; e 1% não sabe.
As duas campanhas cantam vitória no estado com base em suas medições internas. Bolsonaro conta com o apoio do governador Romeu Zema (Novo), que foi reeleito no primeiro turno, derrotando o candidato de Lula, Alexandre Kalil (PSD).
Zema tem aparecido na campanha de Bolsonaro e busca angariar prefeitos para apoiar o presidente, algo que é minimizado pelos petistas, que não veem uma virada no estado.
Minas Gerais, com o segundo maior colégio eleitoral do país, é uma prioridade para as campanhas de Lula e Bolsonaro. É um estado simbólico —desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram também em Minas.
Como mostrou a Folha, em um período de sete dias, o estado já recebeu ou receberá as visitas de Lula e Bolsonaro; dos dois candidatos a vice Geraldo Alckmin (PSB) e Braga Netto (PL); além de duas das principais apoiadoras dos postulantes ao Planalto neste segundo turno: Simone Tebet (MDB) e a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

