Lula diz que está 'estarrecido' com pesquisa que mostra que brasileiros apoiam sua prisão
Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo
02 Outubro 2017 | 20h57
RIO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira, 2, que ficou "estarrecido" com o resultado da pesquisa Datafolha, na qual 54% dos entrevistas afirmaram que apoiam a sua prisão. Em evento no Rio de Janeiro, ele também afirmou que a Política Federal e o Ministério Público mentem. "Todo dia eles me prendem, todo dia inventam um crime que não cometi", disse o petista.
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Lula fala sobre mentira num tom de especialista
Lula teve um novo encontro com o microfone nesta terça-feira. Discursou num ‘petromício’ defronte do prédio da Petrobras, no Rio de Janeiro. Autoproclamou-se novamente um neo-Tiradentes. Sobre o mártir autêntico, declarou: ''Eles mataram a carne, mas não conseguiram matar as ideias libertárias.'' Sobre si mesmo, afirmou: ''O Lula não é mais só o Lula. O Lula é uma ideia assumida por milhões de pessoas.''
Lula virou uma virtude com os glúteos na vitrine
Até agora, sem uma defesa técnica convincente, Lula vinha enfrentando seu calvário criminal acorrentado ao enredo-procissão. Nele, a divindade percorre sua via-crúcis, cabendo aos devotos gritar “amém” e denunciar os ímpios que tentam crucificar o político mais honesto que o espelho já conheceu. Mas a conversão do discípulo Antonio Palocci à Lava Jato fez de Lula uma espécie de virtude com os glúteos expostos na vitrine.
Dois passos e um longo caminho
O Estado de S.Paulo
02 Outubro 2017 | 05h00
Como é cada vez mais remota a possibilidade de o Congresso realizar uma verdadeira reforma política, é até possível entender como um avanço a aprovação pela Câmara da proposta que acaba com as coligações em eleições proporcionais a partir de 2020 e estabelece uma cláusula de desempenho para o acesso ao Fundo Partidário e ao horário eleitoral. De toda forma, impressiona a capacidade do Legislativo de retardar uma melhora efetiva do sistema político, pois, mesmo quando caminha em sentido correto, parece fazer de tudo para atrasar sua implantação, como no caso do fim das coligações, ou afrouxar seus bons efeitos, diminuindo a taxa mínima de desempenho dos partidos. Cabe agora ao Senado ser diligente, já que, para a cláusula de barreira valer nas eleições de 2018, os senadores precisam aprová-la, em dois turnos, até o dia 7 de outubro.
Metade dos brasileiros oscila entre um condenado e um defensor da ditadura
Quando olha para 2018, o eleitor brasileiro enxerga um enorme passado pela frente. Segundo o Datafolha, a preferência de metade do eleitorado (51%) oscila entre um condenado por corrupção e um defensor da ditadura militar. Lula, o sentenciado, lidera a sondagem com um percentual mínimo de 35%. Ele é seguido à distância por Jair Bolsonaro, o apologista da farda, que emerge da pesquisa com um piso de 16% das intenções de voto.
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