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Ministério Público do TCU pede suspensão de compra de lagostas e vinhos pelo Supremo

André Borges, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 17h48 
Atualizado 02 de maio de 2019 | 18h43

 

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) vai ter de explicar ao Tribunal de Contas da União (TCU) por que decidiu fazer uma licitação de R$ 1,3 milhão para comprar medalhões de lagosta e vinhos importados – e somente os premiados – para as refeições servidas pela Corte. A investigação se baseou em reportagem, publicada pelo Estado na última sexta-feira, dia 26 de abril. Ao transcrever a matéria, o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, afirmou que a notícia teve “forte e negativa repercussão popular”. Furtado também pediu a suspensão da licitação por meio de medida cautelar.

“E é de se reconhecer que essa repercussão não causa surpresa: os requintados itens que compõem as tais ‘refeições institucionais’, previstos no Pregão Eletrônico 27/2019, contrastam com a escassez e a simplicidade dos gêneros alimentícios acessíveis – ou nem isso – à grande parte da população brasileira que ainda sofre com a grave crise econômica que se abateu sobre o País há alguns anos”, declarou Furtado, em sua representação. 

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Governo prepara pacote com até 50 ações para incentivar recuperação da economia

BRASÍLIA - Depois de lançar uma medida provisória de combate àburocracia - a MP da Liberdade Econômica -, o governo prepara agora um novo pacote que deve conter até 50 ações para destravar o ambiente de negócios brasileiro e facilitar a retomada do crescimento. O receituário envolve desde decretos a projetos de lei que vão mexer em regulamentações de setores como o imobiliário e de crédito, passando por micro e pequenas empresas e produtores rurais. Nessa quarta-feira, Dia do Trabalho, o presidente Jair Bolsonaro exaltou medida que facilita abertura de empresas .

 

Entre as medidas em estudo, uma das mais avançadas é a criação da chamada hipoteca reversa. O sistema funcionaria como uma espécie de aluguel, em que o proprietário não precisa deixar de viver no imóvel.

 

Hoje, na hipoteca, o tomador do empréstimo recebe um valor em crédito e paga esse financiamento em parcelas mensais. Em caso de inadimplência, a casa ou apartamento oferecida como garantia pode ser tomada pelo credor. O modelo em estudo seria justamente o inverso. O proprietário poderá oferecer seu imóvel ao banco, que lhe pagará prestações mensais por um período definido. Após sua morte, a instituição financeira passa a ser dona do bem, podendo negociá-lo no mercado.

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Venezuelanos já consomem 10% do Bolsa Família em Boa Vista

Soldado brasileiro observa a fronteira com a Venezuela

O impacto da migração de venezuelanos para a capital de Roraima já pesa sobre os benefícios prestadios pelo programa Bolsa Família, oferecido pelo governo federal para pessoas que vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza.

Em Boa Vista, a prefeitura já contabiliza que uma a cada 10 famílias que recebem recursos do programa é formada por fugitivos da Venezuela.

— Hoje, 10% do Bolsa família aqui vai para os venezuelanos. Isso acontece porque eles recebem o CPF, toda a documentação brasileira e entram na fila do programa. Pelo perfil, não vê se são venezuelanos ou brasileiros, porque o que é considerado é a necessidade das pessoas. — disse à coluna a prefeita Teresa Surita (MDB).

O Bolsa Família é dado às famílias com renda mensal por pessoa de R$ 89; ou famílias com renda mensal individual de até R$ 178, desde que tenham filhos de até 17 anos. Os reflexos também são sentidos nas salas de aulas das escolas municipais. De cada 100 alunos do ensino fundamental da rede em Boa Vista, 11 são crianças venezuelanas.

POR BELA MEGALE

PRB usa verba do Legislativo para atividades do partido em São Paulo

Artur RodriguesDanilo Verpa / FOLHA DE SP
SÃO PAULO
Mariluce dá aulas de inglês, Marilda atua num projeto voltado às mulheres e Eduardo organiza cursos de política. Mario trabalha na máquina partidária e Cirlene, por sua vez, dá expediente um projeto social de evangelização. 
Eles são assessores do Legislativo federal, estadual ou municipal, lotados em gabinetes de membros do PRB (Partido Republicano Brasileiro). No entanto, dão expediente em outros lugares e usam o horário de trabalho para atuar em braços políticos e religiosos da sigla. 
Folha passou o último mês acompanhando a rotina da sede estadual e municipal do PRB, no Planalto Paulista, na zona sul de São Paulo. Nesse período, foram flagrados veículos oficiais e cerca de 20 servidores públicos no sobrado amplo na avenida Indianópolis.
A reportagem ligou para alguns dos gabinetes onde eles estão lotados e foi a outros; em nenhum dos casos encontrou os assessores citados. Além disso, chegou a ouvir de funcionários destes locais que servidores não trabalhavam ali. 
Os partidos deveriam se manter apenas com recursos de doações e do fundo partidário, verba geralmente usada para o pagamento de funcionários. Em 2019, o PRB receberá a nona maior cota do fundo, cerca de R$ 47 milhões, mais do que partidos como o DEM. 
Apesar disso, a sigla usa funcionários pagos com dinheiro público para fazer as vezes de professor, secretária, assessor de imprensa e até motorista. Essa mão de obra também é absorvida em​ entidades como a Fundação Republicana Brasileira, braço político e educacional do PRB.  

A assistente parlamentar Mariluce Siman, por exemplo, recebe R$ 5.800 para atuar no gabinete do deputado estadual Wellington Moura, parlamentar que hoje preside uma CPI para investigar universidades públicas. Ela trabalha, porém, como professora de inglês na FRB —as aulas acontecem às terças e quintas, em seis horários durante o dia, entre 8h45 e 20h15. 

A reportagem ligou para o gabinete de Moura na quarta-feira (24) procurando Mariluce, mas a atendente não sabia de quem se tratava. No dia seguinte, o repórter da Folha foi até o local e se apresentou.
Aparentando nervosismo, funcionárias disseram que ligariam para saber onde a servidora estava —ao fim,  disseram que Mariluce não voltaria mais, pois havia ido ao médico.  
Pouco mais de uma hora depois, em conversa curta por telefone celular, Mariluce disse que havia voltado à Assembleia. "Sou voluntária [dando aulas de inglês]. Não fico só aqui", disse. 
O responsável pela FRB em São Paulo é Eduardo Verrone, lotado no gabinete do deputado estadual Sebastião Santos (PRB). Verrone também viaja articulando cursos de política e é visto com frequência falando ao celular na frente do escritório político. 
Outro que costuma andar de um lado para o outro na garagem do partido é Mario Teixeira,  funcionário de Sebastião Santos. No partido ele é conhecido como articulador financeiro, mas, no gabinete, um funcionário afirmou que desconhecia tanto seu nome quanto o de Verrone. 

 

Assim como a Fundação Republicana, o PRB Mulher também se beneficia do trabalho de comissionados. Marilda Barbosa é contratada do vereador Souza Santos, de São Paulo, e atua neste órgão do partido. 

Por telefone, seu nome soou desconhecido à atendente do gabinete. Pessoalmente, uma outra funcionária disse ao repórter que ela não poderia ser encontrada no local, pois fazia trabalhos externos. 
No entanto, a própria Marilda disse à Folha por telefone que fazia trabalhos internos. Mudou a versão, ao ser confrontada, e afirmou: "Sei onde você está querendo chegar. Eu não sou funcionária fantasma". 
Até a coordenadora de comunicação do partido, Fábia Zuanetti, está lotada em um gabinete na Assembleia, o do deputado estadual Gilmaci Santos. Ela já atendeu a Folha, inclusive, em horário comercial sobre demandas relacionadas ao partido, mas afirma atuar fora do horário de trabalho e de maneira voluntária.
Parte da base de apoio do governo João Doria (PSDB) no estado e Bruno Covas (PSDB) no município, o PRB é dono de indicações políticas no Executivo.
O partido tem vários de seus principais nomes ligados à Universal, igreja onde a Folha também encontrou servidores legislativos atuando durante horário de expediente. Cirlene Rosa Conceição, por exemplo, atua na Unisocial, projeto social e evangelizador da igreja. Ela é lotada no gabinete do deputado federal Vinícius Carvalho, um pastor licenciado da entidade religiosa. 
Após confirmar que ela estava no Unisocial durante a tarde por dois dias na semana passada, a reportagem ligou para o telefone fixo do projeto no terceiro dia e falou com ela.
Ao ser questionada sobre o que fazia trabalhando ali em horário de expediente, Cirlene disse que precisava falar com seu superior. No escritório político do deputado Carvalho, em Osasco (Grande SP), ninguém a conhecia. 

OUTRO LADO

O PRB paulista nega que funcionários atuem no escritório na hora do expediente.
"Os funcionários públicos citados atuam nos gabinetes dos deputados ou no gabinete da liderança do PRB-SP na Assembleia Legislativa e foram contratados exclusivamente pelos parlamentares. Alguns deles prestam serviço para a Fundação Republicana Brasileira, como voluntários, e fora do horário de expediente", afirma o partido, em nota. 
Mariluce Siman afirmou dar expediente na Assembleia e diz que atua como professora voluntariamente. Questionada sobre a atuação em horário de expediente, pediu para a reportagem procurar o gabinete. 
O deputado Wellington Moura afirmou, em nota, que Mariluce cumpre sua carga horária. "Às terças e quintas-feiras, a funcionária participa de reuniões na sede do partido, com o escopo de aprimorar o desenvolvimento econômico e social dos municípios onde possuo base política. E nos intervalos intrajornada, a mesma aproveita para ministrar aulas voluntárias, sem qualquer remuneração, com a minha anuência."
O deputado estadual Sebastião Santos afirmou que tanto Eduardo Verrone quanto Mario Teixeira atuam em serviços externos representando seu gabinete. 
"Quanto a realização dos cursos que o senhor Eduardo Verrone vem ministrando neste curto período, como representante deste parlamentar, em diversas regiões do Estado de São Paulo, certamente só tem agregado a este gabinete, já que nos traz grande demanda, viabilizando a interação deste parlamentar com diversas entidades e com a população local", diz nota do deputado.
Sobre Teixeira, o deputado afirma que "muitas demandas de prefeitos e vereadores do interior são encaminhadas diretamente ao partido, sendo este o motivo pelo qual o mesmo frequenta o partido com assiduidade, nos trazendo toda a demanda lá existente". Teixeira ainda justificou não ter seu nome reconhecido no gabinete por ser conhecido como Zaqueu. 
Um terceiro funcionário, Anderson de Souza, também flagrado no escritório do PRB, atua entregando ofícios, mas que ele não fará mais parte da equipe. 
O deputado Gilmaci Santos afirmou estar ciente das atividades da assessora Fabia Zuanetti, mas diz que ela dá expediente na Assembleia e fora dela, além de buscar demandas no escritório do PRB. 
A assessoria do vereador Souza Santos afirmou que a funcionária que disse que Marilda não trabalhava era recém-contratada e que ela é conhecida pelo segundo nome —no Facebook, ela utiliza o nome Marilda, e não o segundo nome. "A funcionária em questão desempenha também função externa, visitando diversas bases espalhadas pela cidade e órgãos institucionais, não se limitando ao expediente prestado exclusivamente gabinete".
A Igreja Universal afirmou que o Unisocial conta com 3.599 voluntários. "Certamente, a Folha de S. Paulo sabe que no voluntariado não há controle de jornada, de presença e tampouco “expediente” prestado. Trata-se de uma atividade não remunerada, prestada por pessoa física a instituição sem fins lucrativos, que tem como objetivo a assistência solidária e humanitária ao próximo, no tempo livre disponível de cada voluntário. A igreja afirmou que seus projetos ajudam a auxiliar pessoas "invisíveis à sociedade". 

Bolsonaro orienta retirar manifestantes de prédio público sem ordem judicial

Reynaldo Turollo Jr./ folha de sp
invasão em predios publicos
BRASÍLIA

O governo Jair Bolsonaro (PSL), por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), orientou os órgãos federais a fazer reintegração de posse de imóveis públicos ocupados ou invadidos por manifestantessem acionar a Justiça.

Antes, os responsáveis pelos prédios pediam à AGU para ajuizar uma ação de reintegração de posse —o que, para o governo, causava demora e interrupção dos serviços nos órgãos ocupados. Agora, segundo a AGU, os gestores deverão chamar diretamente a Polícia Federal para, com o auxílio das polícias estaduais, retirar os manifestantes.

A nova norma tem como base um parecer da Consultoria-Geral da União (um setor dentro da AGU) que foi elaborado no final de 2017, no governo de Michel Temer (MDB), e desengavetado pelo ministro André Mendonça em fevereiro deste ano. A orientação foi elencada pela AGU como uma das principais ações da pasta no início deste governo.

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Conversa de botequim

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 03h00

 

O presidente Jair Bolsonaro insiste em discursar como se estivesse numa descontraída troca de comentários ligeiros, dando palpites de ocasião e falando de assuntos fora de seu conhecimento. De forma desastrada, já interferiu na Petrobrás e no Banco do Brasil (BB) e polemizou com técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas parece ter dificuldade para entender seu papel e suas limitações. Voltou a criticar os juros na terça-feira passada, num evento no Palácio do Planalto, um dia depois de ter pedido a redução da taxa ao presidente do BB, Rubem Novaes, numa cerimônia em Ribeirão Preto. No evento em Brasília, o comentário sobre o custo do dinheiro envolveu também o presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Dessa vez, o presidente Bolsonaro fez uma ressalva. Negou a intenção de interferir nos bancos e qualificou seus palpites como “sugestões”: como conselhos, cada um cumpre se quiser. Fez a ressalva, obviamente, depois da reação negativa no mercado de capitais e das críticas na imprensa, mas terá mesmo reconhecido seu limite?

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