SP é boa de se viver
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Um ranking internacional colocou São Paulo entre as melhores cidades do mundo para viver, trabalhar e visitar. Segundo o relatório World’s Best Cities, a capital paulista ocupa a 18.ª colocação num levantamento que considerou 400 cidades com população acima de 1 milhão de habitantes.
A maior metrópole do Brasil está à frente de Hong Kong (China), Istambul (Turquia), Oslo (Noruega), São Francisco (EUA) e Buenos Aires (Argentina). A outra brasileira mais bem colocada é o Rio de Janeiro, na 42.ª posição. No topo, figuram Londres (Inglaterra), Nova York (EUA) e Paris (França). Por isso, não é pouca coisa a conquista de São Paulo.
Para ficar entre as 20 melhores, a cidade teve de atender a uma série de critérios estabelecidos pela Resonance, uma consultoria especializada em pesquisas e informações para subsidiar empresas e governos. Entre eles estão conectividade aeroportuária, custo de vida, vida noturna, dinamismo do ecossistema de startups e engajamento digital dos moradores e visitantes. Foram ainda realizadas 21 mil entrevistas em 31 países.
As cidades foram classificadas com base em três pilares, nos quais São Paulo se saiu bem: habitabilidade, que inclui a qualidade do ar, a mobilidade, a saúde e o padrão de vida; atratividade, que considera a popularidade da metrópole nas redes sociais, a vida noturna e os seus museus; e prosperidade, que avalia o número de grandes empresas, a produção econômica, os negócios, a taxa de desemprego, entre outros indicadores.
O relatório World’s Best Cities é um entusiasta da capital paulista. Segundo o relatório, São Paulo vive um momento especial, com “novos restaurantes, lojas de luxo e um horizonte vibrante”. A publicação destaca a vida noturna da cidade, “considerada a melhor do mundo”, seus “corredores culturais” e sua cena gastronômica, que continua entre “as cinco melhores do mundo”.
O fato de São Paulo estar tão bem avaliada nesses quesitos não é novidade nenhuma para aqueles que aqui vivem. O trabalho, o empreendedorismo, a diversidade de seu povo, a educação e a cultura movem a metrópole desde há muito tempo. E essa é a sua marca, e tudo isso, mérito de sua gente.
Numa cidade que ainda carrega tanta desigualdade e sensação de violência, que espera pela democratização dos seus espaços de convívio social e que carece de uma rede de mobilidade ágil, eficiente, pontual e não poluente, ter tanta coisa reconhecida por organizações internacionais, por óbvio, importa muito.
Tantos elogios aumentam o orgulho dos paulistanos e os ajudam a manter a autoestima. Mas não só: mostram ao mundo o que São Paulo tem de bom, apesar de tantos percalços, estimulando assim a vinda de mais turistas, empresários e migrantes.
Essas boas notícias, decerto, não eximem as autoridades de suas responsabilidades pelos problemas persistentes, que os paulistanos também conhecem bem. Mas, como diz o relatório World’s Best Cities, São Paulo é, sim, boa para viver, trabalhar e visitar. E todo paulistano sabe que ela pode ser ainda melhor.
Prisão abre disputa por comunicação, legado de Bolsonaro e poder de influenciar 2026
Por Guilherme Caetano / O ESTADÃO DE SP
BRASÍLIA — A prisão definitiva de Jair Bolsonaro (PL) abriu uma nova frente de batalha pela comunicação na direita, a proteção do legado do ex-presidente e o poder de influenciar tomadas de decisão nas eleições de 2026.
Condenado por tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (SFT), Bolsonaro começou a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão na terça-feira, 25. Ele está numa cela especial na Superintendência Regional da Polícia Federal, com acesso restrito a visitas e mediante autorização.
Dentro do Partido Liberal e na própria família há diferentes visões sobre como impedir que a voz de Bolsonaro, com acesso restrito ao mundo externo, se enfraqueça e deixe de influenciar a disputa pelo Palácio do Planalto no ano que vem.
Numa reunião feita a portas fechadas e convocada às pressas na segunda-feira, 24, em razão da determinação de prisão preventiva que antecedeu a definitiva, o partido discutiu como manter alinhada a tropa de choque em defesa do líder maior da direita. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), primogênito do ex-presidente, foi ungido o porta-voz oficial do pai.
A decisão do PL de dar o posto de tamanha influência a Flávio contrasta com a avaliação que o irmão Eduardo (PL-SP), autoexilado nos Estados Unidos, faz do poder de todos os membros da família de representar a voz do ex-presidente.
“Enquanto durar a prisão do Bolsonaro, sempre vai haver essa confusão de quem fala por ele, quem fala, quem não fala. Tanto o Flávio como o Carlos, a Michelle, são próximos do meu pai e vão ter acesso a ele. Eu acho importante que sigam tendo essa proximidade pelo ponto de vista principalmente emocional”, declarou Eduardo em entrevista ao Estadão um dis depois.
O acesso a Bolsonaro é relevante na medida em que o próprio ex-presidente tem sido o avalista das chapas que devem concorrer ao Senado em 2026 — uma espécie de obsessão do bolsonarismo, uma vez que a Casa pode aprovar o impeachment de ministros do STF e dar o troco em Moraes.
Quando em prisão domiciliar, ele vinha articulando, com as lideranças que o visitavam, os pré-candidatos que vão concorrer no ano que vem: ele não abre mão de ter o filho Carlos em Santa Catarina e a esposa Michelle no Distrito Federal.
Na reunião a portas fechadas feita pelo PL na segunda-feira, dois momentos marcaram a disputa interna pela comunicação. Um deles recai sobre a campanha de filiação que a legenda vem colocando em prática, em inserções na TV, no rádio e na internet. Flávio se dirigiu à plateia e perguntou ao marqueteiro do PL, Duda Lima: “Por que o meu pai não está nas inserções?”.
Em outro momento da reunião da segunda-feria, Valdemar elogiou o trabalho que vem sendo feito pela secretária de comunicação, a publicitária Michelle Rodrigues — que comanda as redes sociais da sigla e aposta numa estratégia de santificar a imagem de Bolsonaro diante do desgate pela prisão — e pelos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Nikolas Ferreira (PL-MG).
A campanha de filiação criticada por Flávio vinha causando estresse na cúpula da legenda nos últimos dias. Isso porque ela é veiculada num dos momentos mais críticos do bolsonarismo, com a prisão de Bolsonaro.
A comunicadora bolsonarista Keila Prado, com 312 mil seguidores no Instagram, foi uma das que criticaram publicamente o timing da campanha. Num vídeo visto 157 mil vezes desde sábado, ela questiona o fato de o PL ter investido numa peça institucional em vez de reforçar a defesa do ex-presidente e reforçar a pauta da anistia dos presos do 8 de Janeiro.
“O marqueteiro do partido do Bolsonaro, em vez de usar o tempo que ele tem pra poder colocar na TV que o Bolsonaro tá sofrendo várias perseguições, sabe o que ele resolveu fazer? ‘Filie-se ao PL’. Tu tá da sacanagem? Vocês botaram a gente pra ir pra rua trezentas vezes pra lutar por essa p* da anistia, e agora vocês estão aí fazendo marketing com a desgraça do cara”, afirmou Keila.
Aliados de Duda rechaçam a promoção da imagem do PL em detrimento da de Bolsonaro. Afirmam que a campanha vinha sendo planejada havia quatro meses e começou dias atrás da prisão, em 20 de novembro, portanto não haveria como prever o episódio. Também argumentam que a campanha tem respaldo interno, uma vez que a inserção contou com a participação de Flávio, Michelle, Valdemar e Nikolas, por exemplo.
Um dirigente do PL afirma que a campanha, somada à preocupação dos apoiadores com a prisão de Bolsonaro, foi um sucesso histórico e alavancou as filiações ao partido. O partido diz ter recebido 200 mil pedidos de filiação em dez dias, mais de um quinto de todos os 904 mil filiados atualmente.
O advogado e ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, por sua vez, escreveu numa rede social que iria “acabar com a patifaria” e provar com dados que a campanha pilotada por Duda Lima não trouxe resultados.
O PL foi também alvo da militância nesta quinta-feira, 27, após anunciar que havia suspendido tanto as atividades partidárias quanto o salário de R$ 34 mil de Bolsonaro, presidente de honra da legenda. A medida, no entanto, foi tomada por obrigação legal, uma vez que a legislação determina a suspensão da filiação partidária a partir da perda dos direitos políticos de alguém.
Flávio saiu em defesa do partido, elogiou o PL como abrigo para a direita e explicou que a medida foi “obrigatória, e não por vontade do partido”. Michelle compartilhou a publicação, num ato de alinhamento no discurso — algo que havia sido tema da reunião da segunda-feira, quando ela chegou a criticar os correligionários que atacavam colegas nas redes sociais e a dizer que a “roupa sujada” deve ser lavada em casa.
Na entrevista que Eduardo deu ao Estadão, ele também divergiu da madrasta e disse que atritos públicos precisam ser respondidos publicamente, sob o risco de se criar uma direita “sem hierarquia, onde cada um trabalha pelo seu próprio projeto de poder”.
Obras do Campus Iracema da UFC são iniciadas no antigo Acquario Ceará
“Estamos iniciando a obra e já prospectando a do ICA (Instituto de Cultura e Arte) aqui próximo (no antigo Edifício São Pedro). Já vemos operários e máquinas rodando, em contagem regressiva”, pontuou o reitor. A estimativa é de que os trabalhos sejam concluídos em 720 dias, pouco menos de dois anos.
No Campus Iracema funcionará a sede do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), que está hoje na avenida da Abolição, no bairro Meireles, com os cursos de Oceanografia e Ciências Ambientais.
Além disso, o local abrigará o Centro Tecnológico de Ciências Naturais (CTCN), novo equipamento da UFC cujo objetivo será promover exibições permanentes e periódicas, virtuais e interativas, sobre os ecossistemas do Ceará, de acordo com a universidade.
As obras do novo campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), na Praia de Iracema, foram oficialmente iniciadas nesta sexta-feira (28), segundo anúncio do reitor da instituição, Custódio Almeida. A intervenção ocorre no esqueleto de onde seria o Acquario Cear“Estamos iniciando a obra e já prospectando a do ICA (Instituto de Cultura e Arte) aqui próximo (no antigo Edifício São Pedro). Já vemos operários e máquinas rodando, em contagem regressiva”, pontuou o reitor. A estimativa é de que os trabalhos sejam concluídos em 720 dias, pouco menos de dois anos.
No Campus Iracema funcionará a sede do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), que está hoje na avenida da Abolição, no bairro Meireles, com os cursos de Oceanografia e Ciências Ambientais.
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Além disso, o local abrigará o Centro Tecnológico de Ciências Naturais (CTCN), novo equipamento da UFC cujo objetivo será promover exibições permanentes e periódicas, virtuais e interativas, sobre os ecossistemas do Ceará, de acordo com a universidade.
O novo espaço de educação deve receber pelo menos dois novos cursos na instituição: as graduações em Meteorologia e Turismo Ecológico, como adiantou o reitor Custódio ao Diário do Nordeste em abril deste ano.
Novo campus
O terreno do antigo Acquario Ceará – cuja obra foi paralisada em 2017 – foi doado pelo Governo do Estado à UFC. A doação foi oficializada em julho deste ano. Antes disso, em abril, a ordem de serviço (OS) das obras já havia sido assinada.
A construção está orçada em quase R$ 114 milhões. A empresa vencedora da licitação teve 180 dias para elaborar o projeto executivo, e terá mais 720 para executar os serviços e entregar o equipamento. O prazo para o funcionamento iniciar, então, é o segundo semestre de 2027.
Ainda em abril, durante a assinatura da OS, o prefeito Evandro Leitão garantiu que haverá obras de urbanização, “garantindo dignidade aos moradores” do entorno, onde se localiza a comunidade do Poço da Draga.
Refit é alvo de megaoperação contra esquema de fraude fiscal suspeito de rombo de R$ 26 bilhões
Por Aline Ribeiro — São Paulo / O GLOBO
Uma megaoperação da Receita Federal com os Ministérios Públicos de cinco estados tenta desarticular, na manhã desta quinta-feira (27), um grande esquema envolvendo fraude em recolhimento de impostos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, além do Distrito Federal.
Ao todo, são 190 alvos com a expedição de 126 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas ligadas ao grupo Refit, dono da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, e dezenas de companhias do setor de combustíveis. Chefiado pelo empresário Ricardo Magro, o grupo é o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo e um dos maiores da União. Magro reside em Miami, mas familiares seus estão entre os alvos das ações, segundo fontes do Ministério Público paulista.
De acordo com MP de São Paulo, o "engenhoso" esquema de fraude fiscal estruturada causou prejuízos aos estados e à União estimados em mais de R$ 26 bilhões de débitos já inscritos em dívida ativa.
De acordo com as investigações, os alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, são suspeitos de integrarem organização criminosa e de praticarem diversos crimes contra a ordem econômica e tributária, lavagem de dinheiro, dentre outras infrações.
Foram bloqueados imediatamente R$ 10,2 bilhões contra todos os integrantes do grupo, incluindo imóveis e veículos, para a garantia do crédito tributário não pago. Em paralelo, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional adotou medidas na Justiça Federal para indisponibilizar R$ 1,2 bilhão da empresa.
Batizada de Poço de Lobato, a operação tem a participação de mais de 621 agentes públicos. A ação é encabeçada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP), formado pelo Ministério Público de São Paulo, Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, em atuação com a Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo e Policiais Civil e Militar.
Ainda de acordo com a Promotoria, diversas empresas ligadas ao grupo Refit atuam na tentativa de afastar a responsabilidade pelo recolhimento de ICMS devido ao Estado de São Paulo, mecanismo detectado pela Secretaria da Fazenda. O grupo ignorava as obrigações fiscais e criava novas estratégias e mecanismos de fraude fiscal para não recolher tributos e prejudicar a livre concorrência.
As ações criminosas ocorrem por meio da reincidência no descumprimento fiscal, da utilização de empresas com vínculos societários e operacionais e da simulação de operações interestaduais com combustíveis.
As investigações demonstram que as estratégias de ocultação e blindagem dos reais beneficiários das fraudes foram praticadas com o uso de uma rede de colaboradores. Por meiorde diversos expedientes fraudulentos, falsidades, camadas societárias e financeiras, eles garantem a gestão e a expansão do grupo empresarial sobre setores da cadeia de produção e distribuição de combustível.
Compras ilegais no exterior
Na prática, os criminosos utilizavam empresas, fundos de investimento e offshores para conseguir ocultar e blindar seus lucros. Segundo a Receita, as operações fraudulentas são administradas pelo próprio grupo, que controla empresas financeiras e utiliza estruturas internacionais para blindagem patrimonial.
As investigações apontam que as empresas atuavam como interpostas de pessoas físicas e jurídicas, adquirindo nafta, hidrocarbonetos e diesel, no exterior, com recursos oriundos distribuidoras vinculadas ao grupo. Entre 2020 e 2025, foram importados mais de R$ 32 bilhões em combustíveis. Além disso, a Receita identificou que uma grande operadora financeira atuava como sócia de outras instituições que também prestavam serviços ao grupo Refit, em movimentações que chegaram a R$ 72 bilhões em um ano.
Os recursos obtidos de forma ilegal eram investidos em outros negócios e ativos, assim como em compra de propriedades, para dar aparência de operações legais e dificultar o rastreamento. Até o momento, foram identificados 17 fundos ligados à Refit, cujos patrimônios chegam a R$ 8 bilhões, e que, na maioria das vezes, possuem apenas um cotista. Em outros casos, há participação de sócios estrangeiros, cujas empresas foram constituídas em Delaware, nos Estados Unidos, local que permite a criação de empresas do tipo LLC, que possuem garantia de anonimato e não estão sujeitas a tributação local.
Em nota, o governo de São Paulo afirma que "há um mês, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que impedia a cobrança do ICMS da Rodopetro nas operações para São Paulo. A suspensão restabeleceu a exigência de pagamento do imposto, anulando benefício que favoreceria a distribuidora. A decisão do STF atendeu a um pedido do Estado de São Paulo — reforçando a tese de que a liminar do TJ-RJ violava a autonomia tributária estadual e incentivava concorrência desleal".
A nota do governo de SP aponta ainda que Refit/Rodopetro também já foi, ateriormente em agosto, alvo da operação Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) com apoio da Receita Federal, que investiga fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e ligação com organizações criminosas no setor de combustíveis.
(Em atualização)
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PF faz operação contra rede clandestina de fabricação de canetas emagrecedoras
F DE UM CONTEÚDO / FOLHA DE SP
A Polícia Federal realiza nesta quinta-feira (27) uma operação contra uma rede clandestina de produção, fracionamento e comercialização de canetas emagrecedoras do princípio ativo do Mounjaro (Tirzepatida). O medicamento é utilizado para tratamento de diabetes e obesidade.
Estão sendo cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em clínicas, laboratórios, estabelecimentos comerciais e residências ligadas aos investigados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.
Segundo a PF, o grupo mantinha uma estrutura de fabricação dos medicamentos em condições fora dos padrões sanitários. Era realizado o envase, rotulagem e distribuição do produto de forma irregular.
A PF identificou que o grupo produzia as canetas em grande quantidade, como numa linha de fábrica —algo proibido para farmácias de manipulação, que só podem preparar medicamentos individualizados e em pequenas escalas, mediante prescrição.
A apuração também revelou a comercialização do material por meio de plataformas digitais, sem controles mínimos de qualidade, esterilidade ou rastreabilidade, elevando o risco sanitário ao consumidor.
O grupo também usava ações de marketing digital para levar o público a acreditar, de forma enganosa, que era permitido produzir tirzepatida de maneira contínua e rotineira, como se fosse um medicamento liberado para fabricação comum.
As ações desta quinta-feira têm como objetivo interromper a atividade ilegal, identificar os responsáveis pela produção e distribuição das canetas e apreender documentos, equipamentos e insumos que serão usados em análises laboratoriais e perícias técnicas.
A operação conta com o apoio da Anvisa (Agência Nacional de Vigiância Sanitária) e das Vigilâncias Sanitárias dos estados de São Paulo, Bahia e Pernambuco.[
Como age o Mounjaro e para que serve
O Mounjaro (tirzepatida), comercializado no Brasil pela farmacêutica Eli Lilly, é usado para o tratamento de sobrepeso com comorbidades ou obesidade, além de diabetes tipo 2.
É um fármaco que atua nos receptores GLP-1 (peptídeo 1 semelhante ao glucagon) e GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), hormônios intestinais que auxiliam no controle do metabolismo energético —especialmente na regulação da glicose e do apetite.
Hoje, há três medicações injetáveis aprovadas no Brasil: a liraglutida (uso diário), a semaglutida e a tirzepatida (ambas de uso semanal). Essas moléculas são comercializadas em diferentes dosagens, preços e marcas, como Saxenda, Olire, Wegovy, Ozempic e Mounjaro.
Chamados de canetas emagrecedoras, os medicamentos ganharam popularidade no Brasil desde o início das vendas do Ozempic, o primeiro deste segmento a ter liberação da Anvisa para distribuição no país, em janeiro de 2023.
Após 20 anos, consenso põe fim à disputa histórica sobre as barracas da Praia do Futuro
Um impasse judicial que atravessou duas décadas, marcado por embates, polêmicas e insegurança jurídica, está prestes a ter um desfecho definitivo. Esta Coluna apurou, com exclusividade, que chegou ao fim, nesta terça-feira (25), a disputa judicial iniciada em 2005 envolvendo as barracas da Praia do Futuro, em Fortaleza.
A solução vinha sendo negociada há anos e as partes chegaram a um acordo na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal (CCAF), órgão vinculado à Advocacia-Geral da União (AGU), com participação de todas as esferas envolvidas: União, Estado, Município, Ministério Público Federal e os empresários da região.
A redação final do documento e as assinaturas estão em curso, mas o consenso já é considerado fechado, conforme apurou esta coluna.
Fim do impasse, início da reurbanização
A disputa teve início em 2005, quando a Justiça Federal determinou a retirada de todas as barracas e estruturas fixas da faixa de areia da Praia do Futuro, por ocupação irregular de terreno da União. Desde então, o litígio travou investimentos, comprometeu a segurança jurídica dos empreendedores e manteve em suspenso qualquer plano de requalificação urbana do local.
Agora, com o acordo, a região será completamente reordenada. A Praia do Futuro passará por um amplo projeto de urbanização, nos moldes da nova Beira Mar, com previsão de concurso público para escolha da proposta urbanística.
O trecho da orla contemplado vai da Rua Ismael Pordeus até a altura do Caça e Pesca.
Padronização e modernização
No novo modelo pactuado, as barracas terão que se adequar a três padrões de tamanho definidos pelo Patrimônio da União: 500 m², 1.000 m² ou 1.500 m².
A proposta busca garantir equilíbrio entre uso comercial e preservação ambiental, além de permitir um ordenamento visual e funcional da orla.
A urbanização incluirá também a instalação de equipamentos públicos, policiamento fixo e melhorias na infraestrutura local, transformando o espaço em uma área plural, acessível e segura para moradores, turistas e trabalhadores.
Conquista negociada, desafio implantado
O acordo é considerado uma vitória da negociação institucional, num país marcado por judicializações infindáveis. Segundo o superintendente do Patrimônio da União no Ceará, Fábio Galvão, trata-se de uma “conquista histórica” que alia desenvolvimento urbano, segurança jurídica e respeito ao patrimônio público.
A execução do projeto, contudo, exigirá articulação política e trabalho técnico. O próximo passo será o lançamento do concurso de ideias pela Prefeitura de Fortaleza, que definirá o desenho do futuro da praia mais famosa da cidade.
A solução para um conflito de 20 anos também pode servir de referência para outros litígios no litoral brasileiro.
Regras urbanísticas para as barracas da Praia do Futuro
Novas diretrizes definidas no acordo
- Padronização das barracas em três tamanhos:
- 500 m²
- 1.000 m²
- 1.500 m² (tamanho máximo)
- Proibição de estruturas que ultrapassem a área delimitada pelo Patrimônio da União
- Readequação de áreas de parque aquático
- Áreas de atendimento sem mesas e cadeiras fixas
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Escrito porInácio Aguiari / DIARIONORDESTE


