POLICIA AMOTINADA - Cheiro de pólvora no ar
A Polícia Militar do Ceará voltou às ruas, mas deixou um cheiro de pólvora no ar. O motim expôs a cumplicidade do Planalto com a agitação nos quartéis. Isso pode servir de incentivo a novos levantes armados pelo país.
No sábado, o ministro Sergio Moro admitiu que a greve era proibida, mas afirmou que os policiais amotinados não eram criminosos. Isso equivale a dizer que nenhum brasileiro está autorizado a afrontar a Constituição, exceto aqueles que vestem farda da PM.
No domingo, o diretor da Força Nacional chamou os policiais que cruzaram os braços de “gigantes” e “corajosos”. “Só os fortes conseguem atingir seus objetivos”, elogiou o coronel Antônio Aginaldo de Oliveira. Ele é casado com a deputada bolsonarista Carla Zambelli, e Moro foi padrinho do enlace.
Não houve gigantismo nem coragem no motim da PM cearense. Os grevistas aterrorizaram a população desarmada, que permaneceu nove dias como refém. Em algumas cidades, policiais adotaram práticas do tráfico e saíram encapuzados para ordenar o fechamento do comércio.
O motim deixou um saldo de 241 mortos em nove dias. Um senador tentou avançar contra os grevistas e foi baleado no peito, mas Moro declarou que “prevaleceu o bom senso, sem radicalismos”.
No Congresso, circulam duas explicações para o corpo mole do Planalto. Jair Bolsonaro sabe que os líderes do movimento são seus eleitores, e preferiu compactuar com a desordem a perder votos. Ao mesmo tempo, o presidente farejou uma nova oportunidade para enfraquecer os governos estaduais.
A oposição acredita que o capitão também aproveitou o episódio para mostrar força. Depois de se cercar de generais, o presidente indicou que conta com o apoio de escalões inferiores da PM na hipótese de uma crise que ameace seu mandato.
O fato positivo do motim foi a articulação dos governadores de diferentes partidos para socorrer o petista Camilo Santana quando Bolsonaro ameaçou retirar as tropas federais. Sem isso, o Planalto poderia ter abandonado os cearenses à própria sorte.
PT aciona PGR contra Heleno por fala sobre ‘chantagem’ do Congresso

A bancada do PT na Câmara levou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação contra o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Augusto Heleno, para que ele perca seu cargo. O argumento é que Heleno teria cometido crime de responsabilidade.
A ação, assinada pelos 53 deputados, solicita que a PGR investigue Heleno e aplique sanções a ele devido às declarações que deu, afirmando que o governo não deve ceder “às chantagens” do Congresso.
Na ocasião, o ministro também orientou o presidente Jair Bolsonaro a “convocar o povo às ruas”. A fala de Heleno referente à pressão do Congresso para derrubar os vetos de Bolsonaro ao orçamento impositivo e controlar parte dos recursos de 2020 foram reveladas pelo O GLOBO.
O partido também diz que as “graves acusações do general foram o ponto de partida para a convocação de manifestações de grupos radicais dentro e fora das Forças Armadas para subverter a ordem constitucional, contando com o apoio do Presidente da República”.
Os deputados pedem esclarecimentos de Heleno sobre quem são os parlamentares, bancadas ou partidos que estariam agindo, segundo sua fala, para “extorquir” o poder executivo e suas autoridades. Afirmam ainda que um ministro de Estado deve “se abster de adotar posturas belicosas, agressivas e em franco desrespeito aos demais poderes e à ordem constitucional, pois vulnera a dignidade, a honra e a probidade (decoro) do cargo”.
'Não tem comida em casa': o drama das mães de crianças vítimas do zika na fila do INSS
Faz meses que o peso da pequena Brenda, de 1 ano e 5 meses, não passa dos 7,3 kg. Da última vez que levou a filha ao médico, no dia 12 de fevereiro, recebeu o alerta de que, se a menina não ganhasse peso até a próxima consulta, pode precisar de uma sonda gástrica.
"Não tem comida em casa, o que tinha já acabou", conta, emocionada, a mãe Jéssica Paula Lima, 26 anos.
Quando ela conversou por telefone com a repórter da BBC News Brasil estava na casa de outra mãe para almoçar com as crianças.
Já vai fazer um ano que Jéssica pediu pela primeira vez o Benefício de Prestação Continuada (BPC), para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, em uma agência do instituto Nacional do Seguro Social de Recife, em Pernambuco. Até hoje, não passou sequer pela perícia.
De acordo com o INSS, existem atualmente no país 420 mil pedidos de BPC como os de Jéssica, que aguardam mais de 45 dias para serem analisados. Os atrasos atingem justamente a parcela mais vulnerável da população, que em geral não tem outra alternativa de renda, nem condições de trabalhar.
No caso de Jéssica, como nos da grande maioria das mães de crianças com a síndrome congênita, conciliar outras atividades é impossível: os cuidados com as crianças, que têm pouca ou nenhuma autonomia para atividades cotidianas, exigem dedicação em tempo integral, na qual a mãe quase sempre é sobrecarregada.
373 mil eleitores da Capital têm título cancelado pela falta da biometria, alerta TRE-CE

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) informou, nesta terça-feira (3), que mais de 373 mil títulos de eleitores foram cancelados na Capital por falta de biometria. Mesmo a revisão biométrica tendo atingido 80% do eleitorado de Fortaleza, o número de biometrias faltantes ainda é preocupante para o órgão. Os que precisam regularizar a situação têm até o dia 6 de maio para buscar atendimento junto à Justiça Eleitoral.
O prazo final, de acordo com o TRE-CE, é referente ao fechamento do cadastro eleitoral para 2020. Até o momento, 86.531 eleitores procuraram atendimento e devem aguardar o processamento dos dados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto os dados não forem processados, as inscrições continuam canceladas.
Depois do dia 6 de maio, não será possível realizar nenhuma alteração até a reabertura do cadastro, que acontece após as eleições, em novembro.
O TRE-CE alerta ser imprescindível a procura do serviço o quanto antes, para evitar filas. Os eleitores que desejam realizar qualquer procedimento em seu título - como revisão de dados, transferência de domicílio e alistamento eleitoral - também têm até esta data para a realização, o que poderá concentrar grande número de público.
Procura
Até agora, a procura é em número pouco expressivo e as unidades estão atendendo menos da metade de sua capacidade. A coordenadora de atendimento ao eleitor, Lorena Belo, alerta: “veremos, mais uma vez, um grande número de eleitores buscando atendimento somente nas últimas semanas e se deparando com uma estrutura que não será, logicamente, suficiente para atender essa demanda tão concentrada."
Os votantes que tiveram seus títulos cancelados não poderão votar nas eleições deste ano. Além disso, podem ser impedidos de emitir passaporte, realizar matrícula em instituições de ensino público, receber e solicitar o Bolsa Família, realizar empréstimos em bancos oficiais e, no caso de servidores públicos, receber salário.
Veja onde buscar atendimento em Fortaeza
De segunda a sexta, das 8h às 17h, com atendimento por ordem de chegada:
- Central de Atendimento ao Eleitor na Praia de Iracema;
- Vapt Vupt de Messejana;
- Vapt Vupt do Antônio Bezerra;
- Parque das Crianças;
- CITS Bairro José Walter.
De segunda a sexta, das 8h às 17h (Por agendamento):
- UECE Itaperi;
- CCDH Conjunto Ceará (antigo CSU).
De segunda a sexta, os pontos de atendimento localizado em shoppings atenderão preferencialmente por agendamento, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 17h:
- Via Sul;
- Iguatemi;
- Parangaba;
- Benfica;
- North Shopping Fortaleza;
- North Shopping Jóquei;
- Riomar Fortaleza;
- Riomar Kennedy.
COM DIARIONORDESTE
Eduardo: ‘Roraima está se tornando um Estado da Venezuela’
Marcelo de Moraes / BR POLITICO DO ESTADO DE SP
Lula discursa como batedor de carteira da história... - JOSIAS DE SOUZA
Libertado da cadeia pelo Supremo Tribunal Federal, Lula tornou-se prisioneiro de uma fábula. Homenageado com o título de cidadão honorário de Paris, pronunciou na capital francesa não um discurso, mas um atentado à historiografia.
Condenado por corrupção, Lula apresentou-se como perseguido. Colecionador de ações penais, já amargou duas sentenças de segunda instância, uma delas confirmada no terceiro grau. Mas disse ter sido preso de forma ilegal.
A certa altura, Lula caprichou no cinismo. Levava a tiracolo Dilma Rousseff, que arruinou a economia do país e produziu um empregocídio. Ainda assim, sentiu-se à vontade para encenar o papel de porta-voz dos oprimidos.
"É meu dever falar aqui em nome dos que sofrem, em meu país, com o desemprego e a pobreza, com a revogação de direitos históricos dos trabalhadores e a destruição das bases de um projeto de desenvolvimento sustentável..."
Pai do mensalão e do petrolão, responsável pela conversão do PT em máquina coletora de propinas, Lula declarou:
"O que está ocorrendo no Brasil é o resultado de um processo de enfraquecimento do processo democrático, estimulado pela ganância de uns poucos..."
Lula reiterou o lero-lero segundo o qual Dilma sofreu um "golpe parlamentarl". Que foi seguido da "farsa judicial" que o levou à prisão. Coisa de Sergio Moro, "um juiz que é hoje ministro do presidente que ele ajudou a eleger com minha prisão."
Esqueceu que a gestão pedalante de Dilma foi condenada com os votos dos seus pseudoaliados, sob a supervisão de Ricardo Lewandowski, um magistrado companheiro do Supremo.
Desconsiderou que a sentença de Moro foi ratificada na segunda e na terceira instância. Lula ignorou, de resto, que o TRF-4 já pendurou no seu pescoço, na fase pós-Moro, uma nova sentença de segunda instância por corrupção.
Sobre a sucessão de 2018, Lula afirmou que Bolsonaro prevaleceu por ter sido "poupado pelas grandes redes de televisão de enfrentar, em debates, o companheiro [Fernando] Haddad."
Fora de órbita, acrescentou: "Essa mídia, portanto, é corresponsável pela ascensão de um presidente fascista ao governo do Brasil."
Ora, quem pariu Bolsonaro não foi a mídia. Deve-se a gravidez ao próprio Lula, que se autoconverteu em principal cabo eleitoral do capitão. O parto é obra do antipetismo, maior força política de 2018.
Quando Roberto Jefferson jogou o mensalão no ventilador, Lula ensinou à plateia que "o PT fez, do ponto de vista eleitoral, o que é feito no Brasil sistematicamente".
Ao notar que o melado escorria além do desejável, Lula fugiu da cena do crime, refugiando-se atrás da tese do "eu não sabia". E ficou por isso mesmo.
Sobreveio o petrolão, seguido da Lava Jato. Reduzido à condição de um ficha suja inelegível, Lula tem dificuldades de se libertar da própria fábula.
No momento, a divindade petista dedica-se à construção de uma nova carreira. Transformou-se num batedor de carteira da história.


