Moro rebate críticas de Gilmar Mendes e chama ministro de “comentarista político”
Sergio Moro rebateu as críticas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua atuação como chefe da pasta da Justiça em meio a pandemia do coronavírus.
Gilmar disse em entrevistas que o Ministerio da Justiça é um “ilustre ausente” na crise e que estamos “disputando uma Champions League e o sujeito (Moro) está com tema da terceira divisão”. Também afirmou que o ex-juiz deveria atuar na pacificação do conflito entre presidente Jair Bolsonaro e os governadores, mas destacou que “aqui o piloto fugiu”.
– Até entendo que há pessoas que não se preocupem com a soltura de criminosos, mas é trabalho do Ministério da Justiça e Segurança Pública cuidar da segurança das pessoas e evitar o aumento da violência e da criminalidade. Mas o cidadão não deve se preocupar, estamos trabalhando nessa questão e em várias outras ao mesmo tempo. Não pretendo, porém, atuar como comentarista político como outros se sentem, estranhamente, à vontade. – disse Moro ao ser procurado pela coluna para comentar as críticas. O GLOBO
Em pronunciamento, Bolsonaro defende cloroquina e retoma embate com governadores e prefeitos
Em pronunciamento em rede nacional nesta quarta-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro defendeu o uso da cloroquina em pacientes com o novo coronavírus e afirmou que sempre colocou a vida em primeiro lugar.
Bolsonaro disse que respeita a autonomia dos governadores, mas destacou que não foi consultado sobre medidas de isolamento social que fecharam comércios e restringiram a circulação das pessoas.
"Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas de isolamento são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O governo federal não foi consultado sobre sua amplitude", afirmou o presidente.
Este é o quinto discurso de Bolsonaro sobre a Covid-19, o quarto desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou a pandemia do novo coronavírus.
A declaração ocorre após tensões recentes, em especial entre Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que chegou a esvaziar as gavetas após o presidente ameaçar "usar sua caneta" contra "ministros estrelas".
Bolsonaro repetiu diversas vezes a aliados e em reuniões no Palácio do Planalto que poderia trocar o titular da Saúde no meio da pandemia, mas acabou não fazendo a mudança em um momento em que se viu isolado.
Pela primeira vez desde o início da pandemia, Bolsonaro se solidarizou com as famílias dos mortos pela doença.
Em discursos anteriores na TV, Bolsonaro criticou explicitamente governadores dos estados por adotarem medidas de isolamento social, e também a imprensa por criar, segundo ele, "pânico" na população.
Em uma das falas, chamou a doença de "gripezinha" e disse que seu "histórico de atleta" o impediria de ter complicações caso contraísse a doença.
Bolsonaro tem defendido o isolamento apenas parcial da população, dos grupos com maior risco de contaminação, de forma que parte dos trabalhadores possam sair.
Para especialistas e o próprio Ministério da Saúde, a estratégia é ineficaz.
Em pronunciamento em 24 de março, o presidente foi explícito na defesa do chamado isolamento vertical, restrito a idosos e pessoas com doenças preexistentes.
Já em outro, no dia 31, mudou o tom de seu discurso e pediu um pacto nacional para o enfrentamento à pandemia.
“Agradeço e reafirmo a importância da colaboração e a necessária união de todos num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos: Parlamento, Judiciário, governadores, prefeitos e sociedade”, declarou naquele discurso.
Bolsonaro disse no dia 31 que o país enfrenta um grande inimigo. "Estamos diante do maior desafio da nossa geração. Minha preocupação sempre foi salvar vidas."
O pronunciamento desta quarta-feira foi feito após Bolsonaro se reunir com presidentes de partidos do chamado centrão, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP).
Pereira acompanhou a gravação do pronunciamento desta noite e chegou a sugerir mudanças no texto lido por Bolsonaro.
No último fim de semana, como mostrou a Folha, os dirigentes do Congresso se recusaram a ter uma conversa com Bolsonaro, incomodados com a postura do presidente. Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, enviaram a Bolsonaro o recado de que a saída de Mandetta dificultaria o diálogo entre Executivo e Legislativo.
Mandetta rebate Doria, defende Bolsonaro e diz que ‘ninguém é dono da verdade’
André Borges e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA – Ao defender um “posicionamento técnico” sobre a adoção da cloroquina no combate ao novo coronavírus, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fez, nesta quarta-feira, 8, uma clara defesa política do governo Bolsonaro sobre o assunto. O ministro também rebateu o governador de São Paulo, João Doria, e disse que “não existe ninguém que é o dono da verdade”.
Mandetta não poupou críticas ao posicionamento de Doria, que defendeu o epidemiologista e coordenador do Centro de Contenção do vírus em São Paulo, David Uip, alvo de pressão do presidente Jair Bolsonaro para que revelasse se fez uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, da qual se curou.
“Não existe ninguém que é o dono da verdade. Não existe Estado que possa falar que é melhor que o outro. Hoje esse medicamento não tem paternidade. Não tem que politizar esse assunto”, disse Mandetta, referindo-se diretamente ao governo de São Paulo.
Como não fazia há muito tempo, Mandetta fez questão de citar o nome de Bolsonaro em sua defesa do governo. “Para todos aqueles com ânimos mais exaltados, aqui está tudo bem”, disse o ministro. “Essa estrada vai ter dias muito duros. Quem comanda esse time é o presidente Jair Messias Bolsonaro”, acrescentou, mencionando o nome completo do presidente da República.
Preso pelo medo do vírus, Lula se isola da verdade... - JOSIAS DE SOUZA
Solto depois que o Supremo revogou a regra que permitia o encarceramento de condenados em segunda instância, Lula vive uma inusitada prisão domiciliar. Ele havia se transformado numa espécie de turista internacional. Mas foi condenado à reclusão doméstica pelo medo do coronavírus. Além do distanciamento social, isolou-se da verdade.
A propósito da passagem do dia 7 de abril, Lula pendurou-se nas redes sociais para lembrar do momento em que foi preso pela Polícia Federal, há dois anos. Anotou: "Tomei a decisão de me entregar pra provar que o Moro e a força-tarefa da Lava Jato eram mentirosos. Provamos. E vamos provar muita coisa ainda."
Hoje é uma data simbólica. Há exatamente dois anos, mais ou menos nesse horário, eu estava me entregando na Polícia Federal em Curitiba. Tomei a decisão de me entregar pra provar que o Moro e a Força Tarefa da Lava Jato eram mentirosos. Provamos. E vamos provar muita coisa ainda.
Os fatos são outros. Lula entregou-se porque havia contra ele uma ordem de prisão. Se resistisse, seria recolhido à força. Não provou coisa nenhuma. A sentença do caso do tríplex, que o levou à cadeia, já não pertence aos "mentirosos" de Curitiba. Foi confirmada pelo TRF-4 e pelo STJ. Quer dizer: Lula é um corrupto de terceira instância.
Depois que o Supremo livrou da cadeia os larápios de segundo grau, o TRF-4, segunda instância da Lava Jato, grudou na biografia de Lula a condenação no caso do sítio de Atibaia. Ou seja: não fosse pela generosidade da Suprema Corte, o líder máximo do PT estaria no xilindró, não na cobertura de São Bernardo.
Ao eliminar os fatos da memória, Lula talvez obtenha alguma paz de espírito. Mas não consegue apagar o rastro pegajoso que deixou na história. Isolado da verdade, Lula apenas se autocondena ao encarceramento perpétuo dentro de uma farsa.
A 23 dias do fim do mês, Ceará alcança média de chuvas do primeiro trimestre da quadra chuvosa

Faltando 23 dias para o final dos três primeiros meses da quadra chuvosa (fevereiro, março e abril), o Ceará já acumulou o volume de precipitações considerado dentro da média para o período. Até esta terça-feira, 7, foram 508,5 milímetros (mm) registrados no Estado, conforme dados do Calendário de Chuvas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O volume alcançado desde o início do período de chuvas corresponde a 85% do esperado para toda a quadra chuvosa, que se estende até o mês de maio.
O dado é elevado, principalmente, pelas precipitações do mês de fevereiro, quando o volume de precipitações foi 62% maior do que a normal. Foram observados 192,2 mm ante aos 118,6 mm considerados dentro da média para o mês. Março registrou 276,8 mm, o que representa um desvio positivo de 36,1% em comparação à normal ( 203,4 mm).
Com 469,3 mm, fevereiro e março juntos receberam volume de chuvas 45,7% maior do que a média do bimestre, que é de 322 mm. Com isso, o observado na primeira metade da quadra foi o melhor valor observado nos últimos 34 anos. Nos primeiros sete dias, o mês de abril soma 19,4% do esperado para os 30 dias. Foram 36,5 mm até agora.
Os valores têm confirmado prognóstico da Funceme. A previsão para os primeiros três meses da quadra indicou 45% de probabilidade de chuvas acima da média, 35% de chances para a categoria em torno da normal e 20% para a categoria abaixo da normal. OPOVO
O mês em que o Brasil parou - O ESTADO DE SP
Acuados pela pandemia, milhões de consumidores se isolaram em casa, em março, e um recorde sinistro foi batido no comércio varejista. As vendas caíram 16,2%, no maior tombo registrado em um mês na série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2000. “Com as pessoas ficando mais em casa e muitas lojas físicas fechadas, cai automaticamente o consumo, principalmente de itens não essenciais, como veículos e materiais de construção, que apresentaram a maior retração em março”, comentou o economista da Serasa Luiz Rabi. O tamanho dos males causados à economia real pelo surto do novo coronavírus começa a ficar mais claro, agora, com esses e outros poucos números já divulgados. A maior parte da informação publicada nas últimas semanas mostrou principalmente os impactos nas bolsas de valores e nos mercados financeiros e de câmbio. No mundo das coisas tangíveis, de comer, beber e usar, as primeiras contagens mostram grandes danos.
Houve estragos em todos os grandes segmentos do comércio, mas foram menos extensos no varejo de bens essenciais. As vendas caíram 8,1% em supermercados, hipermercados e lojas de alimentos e bebidas. As de combustíveis e lubrificantes diminuíram 5,5%. Em contrapartida, as de veículos, motos e peças despencaram 23,1% e as de material de construção, 21,9%. O mês também foi muito ruim para móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática (-19,3%) e para tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-16,6%).
O governo demorou a reconhecer o novo coronavírus como grande risco para a saúde pública e para a economia. Mas houve medidas para prevenir uma quebradeira de empresas e para proteger o emprego. Empresas comprometeram-se a evitar demissões. Alguns cortes têm ocorrido. Faltam dados para estimar sua extensão, mas a piora das perspectivas já aparece no Indicador Antecedente de Emprego da Fundação Getúlio Vargas.
No mês passado esse índice baixou 9,2 pontos e chegou a 82,6, o menor nível desde junho de 2016, quando atingiu 82,2. Todos os seus componentes caíram e as maiores quedas ocorreram na avaliação da situação presente dos negócios e nas expectativas para os seis meses seguintes. No caso das médias móveis trimestrais houve um recuo de 22,4 pontos em relação ao dado de fevereiro, com interrupção de uma trajetória ascendente.
As condições de emprego já eram ruins no começo do ano, com desocupação de 12,3 milhões de pessoas, ou 11,6% da força da população ativa, no trimestre até fevereiro. Havia, no entanto, expectativa de melhora. Com a pandemia, as perspectivas mudaram e um desemprego maior é dado como certo, mesmo com medidas anticrise.
Nos próximos meses, segundo estimativas divulgadas nos últimos dias, a desocupação englobará um contingente adicional entre 2,5 milhões e 5 milhões de pessoas. Qualquer projeção é insegura, no entanto, porque as condições do mercado de trabalho vão depender da curva da epidemia e da duração de medidas como o isolamento social e as limitações ao funcionamento de empresas.
Se as autoridades continuarem seguindo as instruções da Organização Mundial da Saúde (OMS), as limitações à movimentação de pessoas serão relaxadas com muita cautela. Especialistas têm falado em restrições significativas até o fim de maio. Se houver pressa no relaxamento das normas, a atividade poderá intensificar-se mais cedo, mas por pouco tempo. Haverá o risco de uma explosão de casos graves e de mortes e de uma duração mais longa, afinal, dos efeitos da pandemia.
Por enquanto, são escassas até as informações sobre os danos econômicos de março. Mas os estragos têm sido certamente consideráveis. No fim da primeira quinzena, as vendas acumuladas no ano pelas montadoras de veículos eram 9% maiores que as de igual período de 2019. No fim de março o total acumulado era 8% menor que o de um ano antes. Não há, no entanto, saída rápida e fácil. Qualquer tentativa de reanimar a economia sacrificando vidas resultará em fracasso econômico, além de configurar, é claro, uma criminosa inconsequência.



