Cloroquina é incluída em novo protocolo de tratamento da Covid-19 em hospitais estaduais do Ceará
O uso da cloroquina ou hidroxicloroquina em pacientes internados nos hospitais estaduais do Ceará consta no novo protocolo de manejo clínico de pacientes com Covid-19, que foi publicado neste sábado (11), no site da Escola de Saúde Pública.
A medicação será associada a corticoide, antitrombótico e antibióticos, para evitar que os sintomas iniciais não evoluam para infecções mais graves em pacientes hospitalizados. Também será considerado o uso de medicamento antiviral para Influenza em casos suspeitos dessa condição.
"Esse protocolo é muito simples. Pode ser usado em qualquer município cearense. E nós vamos analisar em cima do nosso registro estadual de todas as unidades, como é que isso se comporta. A gente espera reduzir em até 20% a necessidade de UTI com a aplicação dessa estratificação precoce", pontuou o secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins, o Dr. Cabeto, durante coletiva de imprensa na última quarta-feira (8). DIARIONORDESTE
SC libera comércio de rua, mas amplia fechamento de escolas e shoppings
O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), anunciou neste sábado (11) a liberação do funcionamento do comércio de rua e de hotéis, com restrições, que estavam fechados para impedir a disseminação do novo coronavírus. Ao mesmo tempo, ampliou o prazo de fechamento de escolas e shoppings no estado.
“Estamos liberando o comércio de rua com regras e sob forte fiscalização”, disse o governador.
A rede de ensino no estado ficará fechada até 31 de maio, assim como academias, teatros, cinemas e eventos esportivos. Shoppings permanecem sem autorização para abrir até dia 30 de abril —o limite de decreto anterior terminava nessa segunda-feira (12).
O governo manteve o apelo para que as pessoas permaneçam em casa. Contudo, liberou comércio de rua proibindo aglomerações. Restaurantes podem abrir apenas para entrega de alimentos, não sendo permitido a permanência. Nos hotéis e pousadas, áreas comuns devem ficar fechadas. As regras detalhadas ainda serão divulgadas pelo governo catarinense.
“Todos nós temos a necessidade de convivermos de uma forma segura” disse Moisés.
Eleito com o apoio de Jair Bolsonaro, o governador de Santa Catarina foi alvo de crítica do presidente há uma semana.
"Esse Carlos Moisés, pelo amor de Deus! Mais um que se elegeu com meu nome", disse Bolsonaro, numa crítica a medidas de fechamento do comércio e de isolamento social.
O governador catarinense rebateu na ocasião dizendo que "não é hora de discurso político".
“Estamos falando da preservação de vidas. Estamos falando de retomada de atividades com critérios técnicos e colocando a vida em primeiro lugar, a exemplo do que fizemos ontem [quarta, 1°]", disse. "Liberamos com regras rígidas o segmento da construção civil. É isso que estamos fazendo." FOLHA DE SP
Por que países com mais testes por milhão de habitantes têm menos mortes por Covid-19
O novo coronavírus deixou o mundo de joelhos. O crescente número de casos confirmados, e sobretudo de mortes, forçou diversos países a adotarem medidas extremas de isolamento social. Essas medidas objetivam redução drástica de contatos sociais para diminuir a dispersão do vírus e “achatar a curva” epidêmica.
Há sinais de que a estratégia tenha tido algum sucesso no Brasil. Isso permitirá que o sistema de saúde se prepare para o alto número de pacientes que necessitarão de atendimento quando atingirmos o pico da curva epidêmica, previsto para as próximas semanas.
Depois de cerca de seis semanas de pandemia, com o vírus circulando em dezenas de países, já há dados que permitem medir a contribuição de medidas de controle da epidemia no Brasil. Usando informações do site Worldometer atualizados até o dia 4 de abril, fizemos uma simples comparação entre os números totais de casos e mortes e o número total de testes diagnósticos realizados por país.
O que os gráficos indicam são relações diretamente proporcionais. Ou seja, quanto mais testes realizados, maior o número de casos e mortes confirmados por Covid-19. Isso não é nenhuma surpresa, uma vez que só o teste diagnóstico permite a confirmação da infecção pelo novo coronavírus. O que os gráficos mostram é que os países que testam mais reportam mais (casos e mortes).
Porém, quando comparamos o número total de mortes por Covid-19 ao número de testes diagnósticos disponíveis para a população (uma medida mais precisa de intensidade de testagem), vimos um efeito oposto. Há, inclusive, uma tendência de relação inversamente proporcional. Ou seja, países com maior número de testes por milhão de habitantes tendem a ter um menor número de mortes por Covid-19.
A Islândia, por exemplo, realizou 69.276 testes por milhão de habitantes, reportando 1.417 casos confirmados de Covid-19 e apenas 4 mortes. Na Austrália, foram 11.203 testes por milhão de habitantes, reportando 5.550 casos e 30 mortes. O Chile realizou 2.543 testes por milhão de habitantes e reportou 4.161 casos e 27 mortes, número mais de quinze vezes menor do que no Brasil.
Entretanto, parece que intensidade de testagem tem um impacto adicional na redução do número de mortes causadas pelo novo coronavírus. É possível, inclusive, que possa ter também impacto na redução do número de casos, uma vez que permite a intensificação do isolamento de infectados, principalmente dos casos assintomáticos.
A maior disponibilidade de testes pode ser um indicador do nível de preparação de cada país para combater a epidemia. Países com sistemas de saúde mais bem preparados terão um menor número de mortes. Entretanto, testagem em massa parece ter impacto determinante no curso da epidemia, mesmo comparando-se regiões com estrutura de saúde parecidas.
Na Itália, duas regiões semelhantes, Lombardia e Veneto, adotaram abordagens diferentes para controle da disseminação comunitária da epidemia. Ambos exigiram distanciamento social, mas apenas Veneto realizou um rastreamento massivo de contatos e testes desde o início. Apesar de terem partido de pontos muito semelhantes, a Lombardia está agora tragicamente invadida pela doença, tendo até então relatado mais de 7.000 mortes, enquanto Veneto relatou algumas centenas de mortes.
Distribuir e realizar testes diagnósticos em massa com centralização dos resultados permitirá acompanhar melhor a evolução da epidemia, orientando de forma objetiva as tomadas de decisões para o combate o vírus.
A disponibilidade de testes diagnósticos por milhão de habitantes também parece ter um papel importante quando se comparam países com tempo similar de epidemia. A Coreia do Sul e os Estados Unidos tiveram seu primeiro caso diagnosticado no mesmo dia, mas a Coreia do Sul realizou rastreamento e testes em massa, enquanto que os Estados Unidos não. Até o dia 4 de abril, a Coreia do Sul reportou 177 mortes (3 mortes por milhão de habitantes), enquanto nos EUA o número de mortes já chega a 8.347 (25 mortes por milhão de habitantes).
Muitos outros fatores parecem determinar o impacto do vírus em diferentes países, como o tamanho real da população exposta, PIB per capita e hábitos culturais. Nossa análise aponta, no entanto, para testagem em massa como um fator importante para diminuição do número de mortes. Vale ressaltar que esse é um fator controlável, enquanto hábitos culturais, PIB e tamanho da população não são variáveis controláveis no curto prazo.
Até 4 de abril, o Brasil reportou 10.278 casos e 431 mortes por Covid-19, com apenas 258 testes diagnósticos realizados por milhão de habitantes. A previsão para as próximas semanas é de aumento expressivo do número de casos.
Por enquanto, estamos testando apenas casos mais graves. É necessário que se implemente com urgência medidas para testagem em massa, com sistema organizado e inteligente de análise dos dados, para preservarmos o maior número possível de vidas. Há precedentes de medidas conduzidas com sucesso em outros países, nos quais o Brasil poderia se espelhar. Chegou a hora de testar!
O medo da morte aproxima os polos - O ESTADO DE SP
11 de abril de 2020 | 14h50
Uma das características mais marcantes nos últimos anos, tanto nas democracias jovens como nas maduras, tem sido a crescente polarização política. A sensação é a de que o mundo se dividiu em polos extremos. Por um lado, esses extremos advogam a exclusão do seu oponente, mas, paradoxalmente, se autorreforçam como condição básica de sobrevivência mútua.
Especificamente no Brasil, uma nova polarização tomou conta do País durante as eleições de 2018. Um dos polos foi ocupado pelo petismo, ancorado na imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representando a política tradicional. No outro extremo, o bolsonarismo, que a partir do antipetismo ofertou uma plataforma anti-establishment.
Será que um choque exógeno de grande magnitude, como a covid-19, é capaz de alterar os termos da polarização política no Brasil, aproximando segmento expressivo de eleitores que outrora estavam em polos opostos? Uma resposta positiva a essa pergunta seria evidência de que a polarização é um fenômeno dinâmico e que seus eixos estruturadores mudaram com a pandemia.
Para investigar o fenômeno, realizamos, com o apoio do Estado, entre os dias 28 de março e 4 de abril, uma pesquisa de opinião. Os dados foram coletados aproximadamente cinco semanas após a confirmação do primeiro caso de covid-19 no Brasil. O questionário foi divulgado nas redes sociais, em especial pelo WhatsApp.
Participaram da pesquisa respondentes de todos os Estados, com maior concentração em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com as porcentagens de 44%, 7% e 6%, respectivamente. A amostra total foi de 7.848 respostas válidas, das quais 50,2% são do sexo feminino e 49,8%, do masculino. Perfil de renda: 11% até três salários mínimos; 14% até cinco salários mínimos; 22% entre três e cinco salários mínimos; 36% com renda superior a R$ 10 mil; e 12% preferiram não informar. Representação etária: 5% entre 18 e 24 anos; 16% entre 25-34 anos; 20% entre as faixas de 35-44 e 45-55 anos; 27% com idade entre 55 e 65 anos e; 10% acima de 65 anos.
Nosso primeiro passo analítico foi investigar o impacto político da pandemia, particularmente examinando como a preferência político-ideológica dos respondentes interfere na avaliação da atuação do presidente Jair Bolsonaro e dos governadores durante a pandemia. Como pode ser observado na Figura 1, enquanto a grande maioria dos respondentes que se autoidentificam como de esquerda, centro-esquerda e centro discorda da atuação de Bolsonaro, os respondentes de centro-direita e direita, supostamente o núcleo principal dos eleitores de Bolsonaro, racharam. Ou seja, uma parcela maior desses eleitores (56%) se manteve fiel ao presidente, mas uma parcela significativa (40%) discordou da sua atuação na pandemia e 5% ficou indiferente.
A divisão dos eleitores de Bolsonaro ficou ainda mais evidente na avaliação da atuação dos governadores, em que a maioria (60%) concordou com as ações dos governos estaduais, uma parcela menor discordou (35%) e 5% se mostrou indiferente.
É possível argumentar, portanto, que a forma como Bolsonaro (minimização da gravidade e dos riscos de contágio da doença e destaque dos impactos negativos que a política de isolamento potencialmente traz para a economia) e os governadores (priorização das políticas de isolamento social para diminuir o número e a velocidade de contágio) reagiram à pandemia reconfigurou a polarização política anterior ao proporcionar uma migração de parcela considerável dos eleitores do presidente para o polo oposto.
Governo vai investigar alta abusiva do preço do leite com pandemia

A Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) elegeu o setor de leite para as primeiras investigações sobre possível aumento abusivo de preços dos alimentos após o início das medidas de isolamento para enfrentar a pandemia do coronavírus.
O órgão, que é ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, negocia um convênio com a Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP, para ajudar a mapear a cadeia do produto e investigar aumentos.
A opção pelo leite foi baseada em denúncia de supermercados. Dados do Cepea (Centro de Pesquisa Econômica Aplicada), da Esalq, mostram que o aumento da procura elevou em 24,7% o preço médio pago ao produtor do leite longa vida em março.
Redes varejistas, porém, acusam fornecedores de promover aumentos de até 50% e de dificuldade na reposição de estoques após corrida dos consumidores a supermercados no início do isolamento.
O repasse às gôndolas, segundo o IBGE, ainda não foi tão elevado. Em março, o preço do leite longa vida no varejo subiu 1,75%. Ainda assim, foi uma das principais influências na alta da inflação dos alimentos no mês.
Levantamento da consultoria Nielsen aponta que o faturamento de supermercados com vendas de leite cresceu 71,6% na terceira semana de março, quando as restrições à circulação de pessoas começavam a ser adotadas no país.
O segmento tem enfrentado problemas diferentes no mundo. Grandes exportadores e mais dependentes das vendas de restaurantes e lanchonetes, os produtores de Estados Unidos e Canadá decidiram descartar parte da produção por falta de compradores.
“As dramáticas mudanças na demanda e os desafios relacionados a toda a cadeia de suprimentos resultaram na necessidade de descarte de leite cru, medida extremamente triste e difícil”, disse, em nota a Associação dos Processadores de Leite do Canadá.o em convênio com a Abras (Associação Brasileira dos Supermercados) para investigar práticas abusivas no setor de alimentos durante a pandemia.
Em caso de identificação de aumentos não justificados, a Senacon pode abrir processos administrativos com pena de multa de até R$ 9,9 milhões, dependendo do faturamento da empresa.
O segundo alvo, afirma Timm, deve ser o feijão, essencial na mesa do brasileiro e também um dos focos de denúncias. Segundo levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócio, o preço do produto no atacado subiu 71,1% em 30 dias.
Nas gôndolas, segundo o IBGE, o preço do feijão-fradinho subiu 6,52% em março. Já o mulatinho teve alta de 5,86%. O feijão-preto aumentou 1,24%, e o carioca ficou 1,29% mais barato.
Timm diz que as investigações da Senacon estão relacionadas às leis de defesa do consumidor. Também ligado ao Ministério da Justiça, o Cade (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) está apurando eventuais situações de abuso de poder econômico. Nesse caso, porém, as investigações são sigilosas.
A alta dos preços dos alimentos ocorre em um momento de perda de renda da população, diante do desemprego ou da falta de oportunidades para trabalhadores autônomos e informais.
Timm alega que a Senacon começou a atuar primeiro em itens de primeira necessidade na área de saúde, como máscaras e álcool em gel, e por isso só agora dará início a investigações sobre alimentos.
“A gente tem que usar uma lógica, que está na Constituição, de eficiência na administração pública”, diz. “Partimos do que é urgente: primeiro álcool em gel, depois alimentos.
A pandemia não espera sindicato - O ESTADO DE SP
Em razão da pandemia do novo coronavírus, foi decretado estado de calamidade pública em todo o território nacional. São tempos excepcionais, que pedem medidas emergenciais em várias áreas. Com urgência, é preciso, fortalecer o sistema de saúde, socorrer os mais vulneráveis e preservar, tanto quanto possível, empregos e empresas. No entanto, como se não bastassem os muitos desafios do cenário atual, há quem atue para dificultar ainda mais a reação à pandemia e a seus danos sociais e econômicos. Em ação impetrada pelo partido Rede Sustentabilidade, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski condicionou, por meio de medida liminar, a validade dos acordos individuais de redução de jornada de trabalho e de salário ou de suspensão temporária de contrato de trabalho, previstos na Medida Provisória (MP) 936/2020, ao aval dos sindicatos.
Por meio da MP 936/2020, o governo federal criou, no início do mês, o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que permite a celebração de acordos individuais de redução de jornada de trabalho e de salário ou de suspensão temporária do contrato de trabalho. É uma medida para facilitar a preservação dos empregos. Segundo o texto, esses acordos têm validade imediata, precisando apenas “ser comunicados pelos empregadores ao respectivo sindicato laboral”.
Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 6363, o partido Rede Sustentabilidade postulou, entre outros pontos, que essa parte da MP 926/2020 viola direitos sociais previstos na Carta Magna, devendo, portanto, ser declarada inconstitucional, “a fim de afastar o uso de acordo individual para dispor sobre as medidas de redução de salário e suspensão de contrato de trabalho”.
O ministro Ricardo Lewandowski concordou com a alegada inconstitucionalidade. “A assimetria do poder de barganha que caracteriza as negociações entre empregador e empregado permite antever que disposições legais ou contratuais que venham a reduzir o desejável equilíbrio entre as distintas partes da relação laboral, certamente, resultarão em ofensa ao princípio da dignidade da pessoa e ao postulado da valorização do trabalho humano (...). Por isso, a norma impugnada, tal como posta, a princípio, não pode subsistir”, lê-se na decisão.
Concedendo em parte o pedido do partido Rede Sustentabilidade, o ministro Lewandowski optou por fazer ajustes no texto da MP 936/2020, para “dar um mínimo de efetividade à comunicação a ser feita ao sindicato laboral na negociação. E a melhor forma de fazê-lo, a meu sentir, consiste em interpretar o texto da Medida Provisória, aqui contestada, no sentido de que os ‘acordos individuais’ somente se convalidarão, ou seja, apenas surtirão efeitos jurídicos plenos, após a manifestação dos sindicatos dos empregados”. Em caso de rejeição do acordo individual, caberá ao sindicato deflagrar a negociação coletiva.
Com a liminar do ministro Ricardo Lewandowski, deixa de haver a imediata aplicação dos acordos, como previsto na MP 926/2020. Cada acordo terá de esperar a manifestação do respectivo sindicato. Baseando-se no prazo previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para os acordos coletivos, a decisão fixou em oito dias o prazo para a manifestação sindical.
Além de retardar a produção dos efeitos dos acordos individuais, a decisão do ministro Ricardo Lewandowski gera insegurança jurídica. No dia em que a decisão foi proferida, mais de 7 mil acordos individuais para redução de jornada e salário ou suspensão de contrato já haviam sido registrados na plataforma Empregador Web, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Tal como previsto pela MP 926/2020, esses acordos já estavam valendo, mesmo sem a anuência dos sindicatos.
Sob o argumento de proteger direitos trabalhistas, a decisão do ministro Ricardo Lewandowski deixa trabalhadores à deriva, esperando que os sindicatos se manifestem. A pandemia do novo coronavírus não foi informada dessa nova condição e tampouco dos prazos da CLT.



