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Escolas, e agora? ISTOÉ

Na área da educação, o distanciamento social, mais que necessário para conter a disseminação do novo coronavírus, cobra um preço muito alto dos alunos, dos pais e dos responsáveis pelas instituições de ensino, sejam elas privadas ou públicas. Faça-se a ressalva, no entanto, que por mais complicada que a situação tenha ficado, ela é irrisória diante da prioridade de salvar vidas. Em São Paulo, por exemplo, o colégio Piaget é um entre as tantas escolas particulares que optaram pelo método de aulas online, na ausência das presenciais, com o conteúdo didático sendo repas-sado via tecnologia. No segundo dia de isolamento, os seus setecentos alunos foram direcionados para uma nova ferramenta: a vídeo-aula. E é assim, atrás da tela do computador, que os professores tentam a melhor forma de adaptação.

As aulas em vídeo conferência seguem com rígidos horários a serem cumpridos, exercícios que valem notas e verificação de comparecimento, ainda que à distância. Claro que o método não substitui o olho no olho, mas uma eventual ociosidade da filha de treze anos era o que mais preocupava a sua mãe, Juliana Riva. A garota chama-se Júlia, está no oitavo ano e teve de manter a mente atarefada. Ela acorda antes das sete horas da manhã, alimenta-se e já senta na frente do computador, onde permanece até o meio dia e meia. O período da tarde é preenchido pelas lições de casa. “Agora a família precisa estar mais presente. A aplicação dos filhos nas aulas online dependerá da estrutura familiar”, diz Juliana.

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Por que Bolsonaro não seguiu Orbán?

Na Hungria, Viktor Orbán ganhou poderes para governar por decreto, por tempo ilimitado. Até decisões de prefeitos agora passam pelo premiê.

filipino Rodrigo Duterte, que já se referiu à Constituição de seu país como “pedaço de papel higiênico”, recebeu autoridade para punir quem “espalhar informações falsas”.

Na Turquia de Recep Tayyip Erdogan, centenas de pessoas, incluindo médicos, já foram detidas por postar “provocações” sobre Covid-19. A Tailândia instituiu a censura à imprensa.

Como as democracias morrem? Talvez de coronavírus.

Mesmo regimes democráticos considerados fortes adotaram, nas últimas semanas, medidas de cerceamento de liberdades que antes seriam impensáveis.

O Parlamento britânico deu ao governo o direito de prender e isolar pessoas indefinidamente —dispositivo batizado de “Poderes de Henrique 8º”, em referência ao monarca Tudor que tutelava o legislativo.

Israel legalizou a vigilância online de todos os seus cidadãos pelo serviço de inteligência interna. E, em um domingo à noite, Binyamin Netanyahu anunciou o fechamento dos tribunais. Incrível coincidência: o premiê estava prestes a ir a julgamento por corrupção.

Há uma pergunta que não está sendo feita sobre o país de Jair Bolsonaro. Por que no Brasil —onde parte do governo é tão saudosista da ditadura, fala tanto em AI-5, em cabo e soldado fechando o STF, bomba atômica caindo no Congresso e em guerra à imprensa— nós ainda não vimos nenhum grande atentado à democracia desde o início da pandemia?

A resposta parece passar por três fatores complementares.

O primeiro, e talvez mais importante, é a fraqueza política de Bolsonaro. Um presidente que nem sequer tem capital para demitir um ministro, como na disputa desta semana com Luiz Henrique Mandetta, é algo inédito na nossa história (o mestre Elio Gaspari recentemente nos lembrou dos casos de Dilson Funaro, Golbery do Couto e Silva, e Sylvio Frota, todos indemissíveis que acabaram dispensados).

O poder de Bolsonaro sobre o Congresso de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre é quase nulo. STF parece disposto a conter disparates do presidente na pandemia, como mostrou a decisão garantindo a estados o direito de impor isolamento social.

Enquanto isso, a aprovação de Bolsonaro segue estacionada entre um quarto e um terço da população, e cresce a popularidade dos governadores e prefeitos.

O segundo fator tem a ver com a briga que o bolsonarismo decidiu comprar. De Orbán a Netanyahu, nenhum deles tentou convencer a população de que Covid-19 era um “resfriadinho” e de que o isolamento era antipatriótico.

O caminho foi o oposto: imediatamente dar razão aos cientistas, reconhecer a gravidade da ameaça e, então, usá-la para concentrar poder. O terraplanismo sanitário dominou a agenda de Bolsonaro.

Por último, há uma questão subjetiva: o temor da população diante da pandemia. Mundo afora, o medo generalizado tem sido um fator decisivo para impor medidas restritivas, boas e ruins.

O Brasil parece bem menos preocupado, se comparado a outros países —o contraste, por exemplo, com nossos vizinhos sul-americanos é enorme.

Segundo o Datafolha, 33% dos brasileiros querem a imediata reabertura do comércio. Na Colômbia, essa cifra é de 10%; no Chile e Argentina, 5% ou menos.

Esses três fatores formam um equilíbrio instável. Podem rapidamente mudar, sobretudo considerando que o Brasil vive o início da pandemia e da debacle econômica.

O aumento do poder do Estado é necessário para lutar contra o vírus. O enfraquecimento da democracia, no mundo e no Brasil, será uma opção política.

Roberto Simon

É diretor sênior de política do Council of the Americas e mestre em políticas públicas pela Universidade Harvard e em relações internacionais pela Unesp.

As opiniões expressas acima não refletem necessariamente a posição do Council of the Americas.FOLHA DE SP

'A reação já começou com a desobediência civil', diz Ignácio de Loyola Brandão, autor de distopia política

Paula Sperb / FOLHA DE SP
PORTO ALEGRE

De dentro do seu apartamento no bairro de Pinheiros, em São Paulo, o escritor Ignácio de Loyola Brandão, 83, escuta as panelas batendo pontualmente às 20h30 nos últimos dias. “Pego uma frigideira, pego o que for e vou bater”, contou à Folha, em entrevista por telefone.

Para Brandão, porém, os panelaços contra o presidente Jair Bolsonaro não são a única forma de protesto adequadas ao momento. “Parece que a reação já começou com a desobediência civil”, diz. Para ele, “governadores, prefeitos e o povo estão na contramão das ordens do presidente”.

Antes que Bolsonaro fosse eleito, Brandão escreveu uma distopia que mostra um Brasil governado por um presidente sem cérebro, assolado por epidemias onde caravanas passam transportando os mortos.

Na ficção, conselheiros do presidente elaboram campanhas com dizeres como “Não se entregue ao abismo, trabalhe” e “Para frente, Brasil. Siga”.

Romance mais recente do imortal da Academia Brasileira de Letras, “Desta Terra Nada Vai Sobrar a Não Ser o Vento que Sopra Sobre Ela” (Global, 2018), foi escrito nos quatro anos anteriores ao seu lançamento.

A obra mostra um Brasil sem os ministérios da Saúde e da Educação e completa a trilogia iniciada por “Zero” (1975), censurado pela ditadura militar, e “Não Verás País Nenhum” (1981), em que o aquecimento global já é uma realidade.

“Não sou adivinho, não sou nada. Mas sou um homem que faz literatura a partir da ideia de que não existe absurdo nesse mundo, tudo é literatura e tudo é possível”, disse.

O autor cumpre o isolamento domiciliar para evitar o contágio e a proliferação do novo coronavírus. “Tem gente que quer abrir comércio imediatamente. Eu não quero sair, não sou suicida. Somos governados pelo gabinete do ódio”, disse.

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Safra de sequeiro deste ano no Ceará deve ser a segunda melhor da década

MILHO NO CE

A previsão de que 2020 poderá ser um dos anos mais chuvosos da última década beneficia não somente a recarga dos açudes cearenses, mas também a colheita no campo. A equação de precipitações intensas e bem distribuídas, tanto territorialmente quanto em espaço de tempo, favorece a produção de grãos de sequeiro no Sertão. Conforme estimativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), a colheita deste ano deve atingir a marca de 840 mil toneladas de grãos.

O número é o segundo melhor da década e representa 50% a mais da safra de 2019, quando foram colhidas cerca de 560 mil toneladas. Em 2011, conforme a Ematerce, foram colhidos 1.300.865 toneladas. "Estamos animados com as boas chuvas e sem ataques significativos de pragas", destacou Itamar Lemos, diretor técnico da Ematerce. Ele detalha que a maior produção, ao fim da colheita, em maio, mês que se encerra a quadra chuvosa, tende a ser a de milho. "Esperamos colher cerca de 700 mil toneladas", acrescenta.

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China reclassifica cães como animais de estimação e sinaliza fim de consumo

Lívia Marra / FOLHA DE SP
CACHORRO NA CHINA

Em uma ação histórica, o governo chinês elaborou novas diretrizes para reclassificar cães como animais de estimação e sinalizou que eles não serão mais considerados animais para consumo.

A medida, como parte de uma resposta pós-pandemia de coronavírus, foi comemorada por entidades de defesa animal. “Esta proposta pode sinalizar um divisor de águas para a proteção dos animais na China”, disse Wendy Higgins, porta-voz da Humane Society International.

Ao informar sobre a mudança, o Ministério da Agricultura citou o progresso da civilização humana, a preocupação pública e o amor pela proteção dos animais. “Os cães foram ‘especializados’ para se tornarem animais de companhia, e internacionalmente não são considerados animais para consumo, e não serão regulamentados como animais para consumo na China”, disse a pasta, segundo Reuters.

O projeto foi aberto na última quarta (8) paraconsulta pública e listou 18 espécies tradicionais de animais para consumo, incluindo gado, porcos, aves e camelos. Também adicionou 13 espécies “especiais” que também estariam isentas de restrições ao comércio de animais selvagens, como  renas, faisões, avestruzes e raposas, de acordo com a agência de notícias. A população pode opinaraté 8 de maio. Depois, se aprovado, pode virar lei em todo o país.

A carne de cachorro é uma tradicional iguaria em diversas regiões da Ásia, embora grande parte da população não tenha esse hábito, que tem perdido força também entre os mais jovens.

Ainda assim, a Humane Society International estima que cerca de 10 milhões de cães ainda são mortos todos os anos na China para que sua carne seja consumida. A cidade de Yulin, na região de Guangxi, realiza anualmente um  festival com essa finalidade.

 

Cientistas suspeitam que o novo coronavírus tenha passado para seres humanos a partir de animais. Algumas das primeiras infecções foram descobertas em pessoas expostas a um mercado de animais silvestres na cidade de Wuhan.

Após a epidemia, autoridades chinesas proibiram a criação, o comércio e o consumo de animais selvagens. Recentemente, cidade de Shenzhen, no sul, foi a primeira a proibir o consumo de cães e gatos.

 

Brasileiro percorre 155 km em média para conseguir internação ou cirurgia

Júlia Barbon / FOLHA DE SP
RIO DE JANEIRO

Três vezes por semana, Ângela Maria Silva, 50, acorda às 4h30 para esperar a van do estado passar em frente à sua casa, às 6h. Então começa o trajeto de três horas e meia até a capital, incluindo as paradas para pegar mais dez pessoas no caminho.

​Ela mora em Epitaciolândia, cidade acriana de 18 mil habitantes na divisa com a Bolívia, e percorre os 230 km até Rio Branco para fazer o tratamento de hemodiálise, que lhe impõe essa rotina há seis meses e já lhe tirou o trabalho como cuidadora. Só volta para casa lá pelas 21h.

Ângela está entre os muitos brasileiros acostumados a encarar longas distâncias quando precisam de serviços de saúde públicos ou privados, concentrados em poucos centros urbanos. O IBGE mediu esses deslocamentos em 2018 e, diante da pandemia do coronavírus, decidiu antecipar a divulgação dos resultados.

A distância média percorrida em busca de atendimentos de alta complexidade no país é de 155 km, o equivalente a uma viagem entre São Paulo e Piracicaba. Isso inclui tratamentos especializados envolvendo internação, cirurgia, tomografia, entre outros, que é o caso dos pacientes graves de Covid-19.

Já para os serviços de baixa e média complexidade —como consultas, exames clínicos, pequenas cirurgias e outros que não incluam internação— o deslocamento médio é de 72 km, próximo ao que levaria o percurso entre São Paulo e Santos.

É importante ressaltar que essas distâncias são hipotéticas. É como se pegássemos uma régua e traçássemos no mapa do Brasil linhas retas entre as cidades onde as pessoas moram e as cidades onde elas buscam atendimento em saúde. Portanto, no mundo real, elas são ainda mais longas.

“Não é um fenômeno novo, mas agora essas informações são úteis porque podem ajudar a identificar municípios e áreas que, por estarem mais distantes, precisam de políticas públicas, como um transporte para algum centro ou um hospital de campanha”, diz o geógrafo Bruno Hidalgo, gerente de redes e fluxos no IBGE.

Também seria possível cruzar esses dados com números da saúde, como a quantidade de hospitais, leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e respiradores existentes, e identificar unidades que tendem a ficar mais sobrecarregadas, porque absorvem a demanda de outros cidades.

Manaus é um exemplo disso. É a única cidade com UTIs públicas no Amazonas, que já está à beira de um colapso. Com pouco mais de cem casos novos de Covid-19 a cada dia, o estado admitiu na última terça (7) ter 95% dos seus leitos de UTI e respiradores ocupados.

As pessoas percorrem 491 km até Manaus para atendimentos de alta complexidade e 418 km para baixa e média complexidade, as maiores médias entre as capitais brasileiras. O Norte em geral é a pior região, com 276 km e 136 km, respectivamente.

“O estado do Acre não oferece transplante há dois anos, sendo que os pacientes migram para o Rio Grande do Sul. Tem gente que espera em Porto Alegre há dois anos”, exemplifica Maria de Lourdes Alves, presidente da Fenapar (federação nacional de pacientes renais e transplantados).

Já no Sudeste e no Sul, a demanda se dilui entre cidades de menor porte no interior. A menor média de deslocamento para serviços de alta complexidade é a do Rio de Janeiro (67 km), onde locais como Campos de Goytacazes, Volta Redonda, Itaperuna e a mineira Muriaé também são atrativos.

São Paulo tem um grande polo que é Barretos, referência em tratamentos de câncer. A cidade recebe pacientes de 122 cidades de 8 estados diferentes, incluindo Rondônia, Pará e todo o Centro-Oeste. “Mas não é a regra existirem Barretos nos estados”, pondera Hidalgo.

O levantamento foi feito pelo IBGE em 5.503 dos 5.570 municípios do país, com questionários aplicados à prefeitura, ao correio e ao cartório desses locais —instituições que, segundo o geólogo, costumam conhecer bem as dinâmicas urbanas.

Não foram incluídas as cidades com mais de 300 mil habitantes ou que “apresentam alto nível de centralidade de gestão do território”, ou seja, que conseguem suprir os serviços da sua própria população. Isso significa que nenhuma capital integrou o levantamento.

O restante da pesquisa Regic (Regiões de Influência das Cidades), que deve ser divulgada em junho, analisa, por exemplo, até onde as pessoas vão para estudar, comprar roupas ou usar o aeroporto. Mas a publicação da parte da saúde foi adiantada para ajudar o Ministério da Saúde e a Fiocruz na elaboração de estratégias contra a Covid-19.

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