Busque abaixo o que você precisa!

28% dos brasileiros não fazem isolamento contra coronavírus, diz Datafolha

Fábio Zanini / FOLHA DE SP
 
PESSOAS NO PARQUE SP
SÃO PAULO

Perto de completar um mês, o isolamento social estabelecido como principal estratégia para o combate ao novo coronavírus em diversos estados não faz parte da rotina de uma parcela expressiva da população brasileira.

Não seguem total ou parcialmente a orientação de ficar em casa 28% das pessoas entrevistadas pelo Datafolha, segundo pesquisa realizada entre os dias 1 e 3 de abril. Foram consultados 1.511 brasileiros adultos em todas as regiões do país.

Desta vez, o levantamento foi feito por telefone, em razão da pandemia, ao contrário do procedimento rotineiro do instituto, que é de realizar entrevistas pessoalmente. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O resultado mostra que 24% dos entrevistados dizem que estão tomando cuidado em razão da pandemia, mas seguem saindo de casa para trabalhar ou realizar outras atividades.

Outros 4% dos pesquisados afirmam que não houve nenhuma mudança na rotina e que seguem vivendo como antes da crise.

Não é possível saber quantos desses trabalhadores desempenham atividades essenciais, em setores como alimentação, saúde e segurança, por exemplo, e por isso precisam sair para trabalhar.

Ignorar o isolamento sem necessidade contraria a orientação da maioria dos especialistas em infecções e as diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas é compatível com o que vem defendendo o presidente Jair Bolsonaro, para quem a quarentena deveria ficar restrita apenas a idosos e demais grupos vulneráveis, como doentes crônicos.

Infectologistas dizem que o isolamento total é fundamental, para não trazer o vírus para dentro de casa, por exemplo, onde poderia infectar os mais suscetíveis a terem complicações graves em seu estado de saúde.

Os demais 72% dos entrevistados afirmaram estar seguindo as orientações de ficar em casa, sendo que 54% disseram sair apenas quando é inevitável, para comprar comida, por exemplo. Outros 18% declararam estar totalmente isolados, sem sair de casa em nenhuma hipótese.

Leia mais...

Previdência limita os bons números das contas fiscais

O pagamento de quase R$ 100 bilhões em benefícios previdenciários e de mais de R$ 50 bilhões a título de pessoal e encargos sociais dominou as contas do Tesouro Nacional no primeiro bimestre, pesando 70% na despesa total de R$ 216 bilhões excluídos os juros. Houve, no período, um superávit primário de R$ 18,3 bilhões, com saldo positivo de R$ 51,9 bilhões do Tesouro e do Banco Central (BC) e déficit de R$ 33,7 bilhões da Previdência Social (Regime Geral da Previdência Social – RGPS).

Em 12 meses, até fevereiro, o desequilíbrio do RGPS somado ao da Previdência dos servidores civis e militares atingiu, apenas no governo central (ou seja, excluídos Estados e municípios), nada menos de R$ 323,6 bilhões ou 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a publicação Relatório do Tesouro Nacional.

Em razão da fraqueza do emprego formal, a arrecadação previdenciária do bimestre – de R$ 65,8 bilhões – foi inferior em 1,3%, em termos reais, à de igual período do ano passado. Queda mais acentuada foi verificada na chamada Previdência Urbana (-1,5%), indicando que a situação do emprego nas cidades pouco melhorou. Ao mesmo tempo, os benefícios previdenciários em geral cresceram 2,8% e os urbanos aumentaram 3,2% reais. Os dados mostram como são lentos os efeitos da reforma previdenciária aprovada em 2019.

A partir de março de 2020, começarão a ser percebidos os efeitos da epidemia do coronavírus. Aprovado o estado de calamidade pública, o governo foi dispensado de atingir a meta fiscal definida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) até o fim do período de calamidade. Mas isso, alertam os responsáveis pelo Tesouro, não afasta a necessidade de “evitar os erros cometidos em 2009”, quando o uso de políticas anticíclicas “foi ampliado no pós-crise e estas se tornaram políticas permanentes de concessão de subsídios e de maior intervenção do Estado na economia”. A expansão do gasto público federal terá de estar circunscrita aos programas de transferência de renda direcionados aos trabalhadores informais e de baixa renda.

No plano positivo, o pagamento dos benefícios será um elemento importante de preservação do consumo e, portanto, da atividade econômica. Lamentavelmente, há enorme limitação ao corte de outras despesas públicas, ao contrário do que ocorre no setor privado. O ESTADO DE SP

Ministério muda estratégia e propõe reduzir isolamento em estados e cidades com 50% da capacidade de saúde vaga

Ministério da Saúde propõe reduzir parcialmente o isolamento em cidades com metade dos leitos e estrutura de saúde vagos. A medida, de acordo com o boletim divulgado nesta segunda-feira (6), passaria a valer na segunda-feira (13).

A partir da próxima semana, portanto, cidades com mais de 50% da capacidade de atendimento médico disponível poderiam passar do Distanciamento Social Ampliado (DSA) para uma transição ao Distanciamento Social Seletivo. Veja a diferença entre os dois, de acordo com documento do ministério:

  • Distanciamento Social Ampliado (DSA): Estratégia que não tem limitações apenas para grupos específicos - todos os setores da sociedade devem permanecer em isolamento.
  • Distanciamento Social Seletivo (DSS): Apenas alguns grupos ficam isolados. Pessoas com menos de 60 anos e sem condições que elevam o risco de casos graves poderão circular livremente.

As cidades que não apresentarem mais de 50% dos leitos vagos, entre outros critérios médicos, deverão manter o Distanciamento Social Ampliado até a estabilização do sistema de saúde.

"Hoje publicamos informações sobre o Distanciamento Social Ampliado, Distanciamento Social Seletivo, e Bloqueio Total (lockdown). As medidas são temporárias, localizadas e o governo federal está fazendo de tudo para que elas sejam minimizadas ao máximo possível", disse nesta segunda-feira Wanderson Oliveira, secretário de vigilância em saúde do ministério, em entrevista a jornalistas.

Situação no Brasil

O último balanço dos casos de Covid-19 divulgados pelo Ministério da Saúde aponta:

  • 553 mortes
  • 12.056 casos confirmados
  • 4,6% é a taxa de letalidade

No domingo (5), havia 486 mortes e 11.130 casos confirmados. Em relação ao balanço anterior, foram acrescentadas 67 mortes e 926 casos confirmados.

Leia mais...

Os partidos e seus donos - O ESTADO DE SP

Não é figura de linguagem dizer que, no Brasil, os partidos políticos têm donos. É a mais estrita realidade, como comprovam os números relativos aos recursos destinados pelas legendas a seus dirigentes. Segundo noticiou o Estado, os partidos repassaram R$ 144 milhões a pessoas físicas em 2018, último ano com prestação de contas integralmente disponível. Desse total, R$ 12,4 milhões (9%) foram pagos aos responsáveis administrativos dos diretórios nacionais ou estaduais das siglas. Os partidos têm donos, que recebem vultosos dividendos.

O levantamento foi feito pelo Movimento Transparência Partidária (MTP), que, a partir dos dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cruzou as informações sobre a composição das direções partidárias e os pagamentos feitos pelas legendas a pessoas físicas.

Tal relação de propriedade, assegurando renda farta aos titulares das legendas, é especialmente escancarada em alguns partidos nanicos, com alto porcentual de recursos destinados a pessoas físicas. Por exemplo, o Partido da Mobilização Nacional (PMN) destinou 57% dos recursos a pessoas físicas. Por sua vez, o Partido Republicano Progressista (PRP), que, no final de 2018, foi incorporado ao Patriota, destinou, em seu último ano de funcionamento, 47% dos recursos a pessoas físicas. Não muito atrás ficou o Partido Humanista da Solidariedade (PHS), que em 2018 destinou 46% dos recursos a pessoas físicas. No ano passado, o PHS foi incorporado ao Podemos.

Segundo o levantamento do MTP, a pessoa física que mais recebeu recursos de uma agremiação política em 2018 foi Eduardo Machado, presidente do antigo PHS e hoje vice-presidente do Podemos. Em 2018, Eduardo Machado recebeu R$ 769.436 a título de “adiantamentos diversos”.

Entre as dez pessoas físicas que mais receberam recursos está também Luiz Claudio França, outro ex-dirigente do antigo PHS. Em 2018, ele recebeu R$ 355.516, sob as rubricas de “salário e ordenados”, “reembolsos com transporte e refeições” e “outras despesas com pessoal”. Os valores pagos a Eduardo Machado e a Luiz Claudio França representaram 97% do total pago pela antiga legenda a dirigentes em 2018.

Os dois dirigentes do antigo PHS asseguraram a inexistência de qualquer irregularidade na concentrada destinação dos recursos. “O presidente recebia o salário mais alto e o secretário-geral recebia 90% desta remuneração, além de eventuais reembolsos de despesas. Tudo declarado e oficial, sem qualquer ilegalidade”, disseram ao Estado, por meio de nota.

O problema é precisamente este. A lei avaliza um sistema completamente equivocado e disforme, destinando recursos públicos a entidades privadas, cujos donos usam os recursos como bem entendem, tal como indica o levantamento do MTP.

Os partidos são entes privados e não há motivo para que o Estado financie suas atividades e, menos ainda, seus dirigentes. O atual sistema assegura às legendas recursos públicos de dois fundos, alimentados com dinheiro do contribuinte. O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário) e o Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (Fundo Eleitoral) têm de ser extintos.

Fala-se que a “democracia tem um custo”. Sim, o Estado deve bancar o custo das eleições, por exemplo, os gastos relativos às urnas eletrônicas e à Justiça Eleitoral. Mas não é dever do poder público sustentar partido político, que, sendo entidade privada, deve buscar sua receita entre seus membros e apoiadores. A atividade partidária deve ser financiada pelo cidadão que, no livre exercício de seus direitos políticos, assim queira proceder.

Recursos públicos devem ser destinados às funções do Estado, e não ao bolso de dirigentes partidários. Além de respeitar a finalidade do dinheiro público, acabar com o custeio estatal das legendas é caminho de fortalecimento da democracia representativa. Sem recursos públicos, os partidos deixarão de ser feudos e poderão ser, de fato, entidades aptas a representar e a defender ideias e propostas políticas.

Coronavírus: menos de um quarto dos municípios brasileiros tem leitos de UTI que atendem pelo SUS

Cleide Carvalho e Suzana Correa / O GLOBO

 

SÃO PAULO.  Moradores de 2.608 municípios brasileiros terão de deixar o lugar onde moram se tiverem de ser internados para tratamento da Covid-19 na rede pública de saúde. Isso acontece porque apenas 53,1% dos 5.571 municípios brasileiros abrigam hospitais com leitos de internação pelo SUS — em geral, são cidades maiores, eleitas como regionais de saúde para atender a demanda de todos os pacientes do sistema público.

Rumo ao interior:Coronavírus já circula em 397 municípios além das capitais e regiões metropolitanas

Se sofrerem os sintomas mais graves da doença e precisarem ficar em Unidades de Terapia Intensiva, menos de um quarto dos municípios — 1.295, ou 23,2% do total — possuem leitos de UTI que atendem pelo SUS.

Os dados são do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que teme a superlotação dos hospitais das grandes cidades e a falta de leitos para moradores de municípios menores que venham a contrair o coronavírus e precisar de internação.

Bolsonaro:  Presidente estuda flexibilizar isolamento em cidades pequenas e médias com poucos casos

A jovem Rayssa Araújo, de 20 anos, que cursa Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, contraiu a Covid-19, mas teve a sorte de ter tido apenas sintomas leves e não precisar ser internada. Com a suspensão das aulas devido ao coronavírus, Rayssa viajou de Natal para a casa da família, no município de Luís Gomes, a 450 km da capital potiguar, onde chegou no último dia 20, uma sexta-feira. Seguiu a recomendação de isolamento dada a todos os viajantes e não saiu de casa.

Brasil:  Número de mortos no Brasil sobe para 432, e casos confirmados 10.278

Dois dias depois, passou a sentir cansaço, dor de cabeça e teve febre. Entrou em contato com o serviço de saúde do município, foi orientada a permanecer em casa e encaminhada para fazer o teste de coronavírus em Pau dos Ferros, a 50 km de distância, único hospital da região que tem leitos disponíveis para pacientes do SUS. No último domingo, já sem sintomas, Rayssa recebeu o resultado do exame, positivo para coronavírus.

Leia mais...

Plano de Ministério da Saúde prevê flexibilização de isolamento logo após a Páscoa

Protocolo O Ministério da Saúde planeja começar nesta semana a preparação para mudar a orientação do tipo de isolamento, saindo do atual para o chamado de restrito, cujo foco é mais direcionado a idosos e grupos de risco.

Rascunho A abertura deve ser por regiões, desde que respeitados critérios, como número suficiente de leitos de UTI, respiradores, máscaras, luvas, pessoal e testes rápidos em grande volume.

Incerto A nova orientação passaria a valer a partir da Páscoa, dia 13. Com a dificuldade com fornecedores e para importação de insumos, o ministério pode reavaliar a data.

O plano elaborado que deve ser colocado em prática, revelado pela Folha, prevê escolas fechadas até fim de abril, com possibilidade de prorrogação até o fim de maio.

A quarentena virou o principal motivo de embate entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

PAINEL / FOLHA DE SP

Compartilhar Conteúdo

444