Pesquisador aponta em gráfico sinais de que isolamento social ajudou a conter disseminação do coronavírus no Brasil
Por Laís Modelli, G1
Os efeitos do isolamento social na contenção do coronavírus podem ser visualizados em gráficos, segundo aponta um vídeo feito pelo engenheiro Maurício Feo, que faz doutorado em física de partículas em Genebra, na Suíça.
O engenheiro colocou em um gráfico os casos confirmados da Covid-19 entre os dias 25 de fevereiro e 29 de abril, fornecidos pelo Ministério da Saúde, e explica como a curva do crescimento da pandemia no Brasil tem desacelerado (veja detalhamento no vídeo acima).
“O Brasil não está mais seguindo uma curva exponencial perfeita”, afirma Feo no vídeo ao mostrar como a curva de novos casos confirmados começou a "achatar" em 23 de março.
O crescimento exponencial é aquele em que o valor inicial de um evento é multiplicado por um mesmo número a cada período de tempo. Ao longo do tempo, este crescimento alcança valores assustadores quando comparado com o valor que se tinha inicialmente.
O vídeo mostra que o crescimento da curva do coronavírus no Brasil mudou de comportamento em dois momentos, tomando inclinação menos acentuadas. “Embora os casos ainda venham crescendo, eles não estão mais seguindo uma trajetória exponencial como estavam antes”, comenta o pesquisador.
O enigma da covid-19: por que o vírus assola alguns lugares e poupa outros?
04 de maio de 2020 | 13h43
A covid-19 matou tantos no Irã, mais de 6 mil, que o país recorreu a enterros em massa, mas no vizinho Iraque há menos de 100 vítimas. A República Dominicana registra 7,6 mil casos de infecção, enquanto cruzando a fronteira os haitianos têm 85. Metrópoles como Nova York, Londres e Paris foram castigadas, enquanto Bangcoc, Nova Délhi e Lagos até agora se mantêm poupadas.
Por que o vírus devastou alguns lugares e deixou outros relativamente intocados? Eis uma questão que vem gerando inúmeras teorias e especulações, mas nenhuma resposta definitiva. Saber essa resposta pode ter implicações profundas na maneira como os países combatem o vírus, para determinar quem está sob risco e saber quando será seguro sair de casa.
Já existem centenas de estudos em andamento em todo o mundo, analisando como a demografia, as condições pré-existentes e a genética podem afetar a grande variação do impacto.
Médicos da Arábia Saudita estão estudando se as diferenças genéticas podem explicar os diferentes níveis de gravidade nos casos de infectados pelo novo coronavírus entre os sauditas, e cientistas do Brasil estão pesquisando a relação entre a genética e as complicações da covid-19. Equipes de vários países estão analisando se medicamentos comuns para hipertensão podem agravar o quadro da doença e se determinada vacina contra a tuberculose pode fazer o oposto.
Muitos países em desenvolvimento com climas quentes e populações jovens escaparam do pior, sugerindo que a temperatura e a demografia podem ser fatores determinantes. Mas, países tropicais que estão registrando ondas crescentes de epidemia, como Peru, Indonésia e Brasil, jogam água fria nessa ideia.
EUA registram 1.450 mortes por Covid-19 em 24 horas; total passa de 67 mil
As novas mortes por coronavírus nos Estados Unidos aumentaram em 1.450 nas últimas 24 horas, segundo um relatório da Universidade Johns Hopkins deste domingo, elevando o número total de óbitos para mais de 67.600.
A universidade de Baltimore registrou mais de 1,15 milhão de casos no país às 20h30 (horário local) deste domingo, 3, com 67.674 mortes. Os Estados Unidos têm, de longe, o maior número no mundo no contexto de pandemia global. VEJA
Com 500 mil casos em uma semana, infectados por Covid-19 no mundo ultrapassam 3,5 milhões
RIO — O número de casos confirmados da Covid-19 pelo mundo ultrapassou a marca de 3,5 milhões nesta segunda-feira, segundo o levantamento da Universidade Johns Hopkins. Ao todo, mais de 247 mil pessoas morreram após contraírem o novo coronavírus, cuja letalidade chega a ser 10 vezes maior do que a do H1N1, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A marca de 3,5 milhões de diagnósticos foi batida apenas uma semana após os casos chegarem a 3 milhões, no dia 27 de abril e 19 dias após baterem 2 milhões. O milionésimo infectado, por sua vez, foi registrado no dia 2 de abril, mais de três meses depois do registro dos primeiros casos, na cidade de Wuhan, na China, no último dia de 2019.
Na França:Sem documentos na Paris da quarentena, imigrantes brasileiros recebem ajuda de associação
Segundo a contagem mais recente do Ministério da Saúde, o Brasil ultrapassou no domingo a marca de 100 mil casos, chegando a 101.147 infecções confirmadas e 7.025 mortes. Com uma das curvas de crescimento mais acentuadas, o país é hoje a sétima nação com maior número de mortes pela doença. Segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, isto ocorre devido a políticas de saúde pública desencontradas, falta de testes para pacientes e baixo engajamento ao isolamento social.
Pouco menos de um terço dos infectados está nos Estados Unidos, epicentro global da doença: ao todo, são 1.158.341 casos e 67.686 óbitos. A maior parte dos casos se concentra no estado de Nova York, onde mais de 321 mil pessoas foram infectadas e 24,5 mil morreram. De acordo com a Johns Hopkins, ao menos, 7 milhões de testes foram feitos no país. Os recuperados são, oficialmente, pouco mais de 180 mil.
O segundo país com maior registro de casos é a Espanha (217.466), seguida da Itália (210.717) e do Reino Unido (187.842). As nações europeias também são as que têm maior número de óbitos, atrás apenas dos Estados Unidos: a Espanha tem 25.264; a Itália, 28.884; e os britânicos, 28.520. Tal como os EUA, o Brasil e boa parte do planeta, no entanto, estima-se que haja subnotificação dos casos e das mortes.
Com novos casos sob controle, diversos países europeus começaram o desconfinamento nesta segunda-feira, dando início à retomada lenta e gradual das atividades. Na Itália, as autoridades suavizaram o confinamento com a esperança de reativar uma devastada economia, enquanto na Espanha, os cidadãos começaram a voltar às ruas no sábado. O uso de máscaras onde não é possível respeitar o distanciamento social é obrigatório.
Entrevista: É ‘impensável’ restringir entrada de brasileiros, diz ministra da Saúde de Portugal
Na vizinha Portugal, o governo autorizou nesta segunda-feira a reabertura de pequenos estabelecimentos comerciais, salões de beleza e concessionárias de automóveis, mas o uso de máscaras nas ruas e nos transportes públicos também é obrigatório. Na Alemanha, a reabertura progressiva das escolas em algumas regiões também começou nesta segunda-feira. Já na França, o fim gradual da quarentena começará no dia 11.
As primeiras notificações da doença respiratória começaram a aparecer há pouco mais de quatros meses, na China. Com 83.912 diagnósticos da Covid-19 e 78.306 pessoas recuperadas, o gigante asiático deu início à retomada gradual de sua economia no início de abril e vem adotando medidas de contenção para evitar uma segunda onda de casos trazidos do exterior. O GLOBO
Década perdida: Pandemia fará Brasil ter pior desempenho em 120 anos, com ameaça ao futuro dos jovens
Rennan Setti, Cássia Almeida e Vitor da Costa* / O GLOBO
RIO - Décadas “perdidas” desperdiçam gerações, e os jovens brasileiros se veem espremidos entre a mais perdida delas e um futuro incógnito. É na década que termina este ano que o país estagnou e sofreu o maior recuo de renda de sua História. A retomada lenta após recessão profunda foi atropelada pela pandemia, selando um desastre econômico maior que o dos anos 1980 e que deixou um quarto dos jovens sem trabalho.
Pela frente, especialistas preveem uma recuperação incerta sob a sombra do coronavírus, desemprego e desigualdade mais elevados e freio à mobilidade social. Um coquetel desalentador para a juventude mais preparada que o país já teve, sobretudo a mais pobre, e que atravessará a crise no auge do seu potencial.
Desafio:‘A geração que está nascendo vai ter mais dificuldade’, diz especialista em mercado de trabalho
O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro na última década praticamente não cresceu. Deve fechar 2020 com taxa média de 0,1% a 0,3%, dependendo do buraco econômico com a Covid-19 este ano. Será o menor ritmo em 120 anos, segundo levantamento do pesquisador do Ibre/FGV Marcel Balassiano. Na década de 1990, a pior até agora, a expansão média fora de 1,6%. A renda per capita, que é o PIB dividido pela população, deve, na melhor das hipóteses, repetir o recuo anual médio de 0,6% dos anos 1980.
—É a mais perdida das décadas. Parte do desastre foi culpa nossa, outra, da pandemia. O Brasil ficará mais pobre depois de já ter empobrecido muito. Sairemos com mais cicatrizes que os países desenvolvidos — prevê Ricardo Denadai, economista-chefe da Ace Capital.
Militares dizem que Bolsonaro tentou usar prestígio das Forças Armadas
03 de maio de 2020 | 20h40
BRASÍLIA - Oficiais-generais influentes avaliaram que o presidente Jair Bolsonaro tentou, neste domingo, 3, fazer uso político do capital das Forças Armadas. Ao afirmar que a caserna estava com o governo, ele partiu para “pressões” e “ameaças dissuasórias” que provocaram novo incômodo no setor.
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Em conversas com o Estado, interlocutores do presidente deixaram claro que a Aeronáutica, o Exército e a Marinha estão “sempre” na defesa da independência dos poderes e da Constituição. “Ninguém apoia aventura nenhuma, pode desmontar essa tese. Estamos no século 21”, resumiu uma das fontes, que ainda destacou a "retórica explosiva" do presidente que permite interpretações.
Na declaração a apoiadores que provocou reações, Bolsonaro disse que “chegamos ao “limite”. Os militares ouvidos pelo jornal disseram que ele se expressa mal e acaba colocando em risco sua postura de defensor da Carta. A frase do presidente, reclamaram, voltou a colocá-los em uma “saia justa”. Eles reafirmaram que não vão se meter em questões políticas. “É uma declaração infeliz de quem não conhece as Forças Armadas”, reagiu de forma mais dura um deles. “O problema é que deixa ilações no ar. Afinal, não há caminho fora da Constituição.”
As novas investidas do presidente contra o Judiciário, o Congresso e a imprensa ocorreram, segundo essas fontes, um dia depois de um encontro dele com ministros e comandante militares. Nessa reunião ocorrida no Palácio da Alvorada, no sábado, 2, Bolsonaro e sua equipe discutiram a situação do País, a saída de Sérgio Moro da pasta de Justiça e Segurança Pública, as consequências de uma crise política arrastada nesta pandemia do novo coronavírus e a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para comandar a Polícia Federal.
A suposta interferência de Moraes num ato do Executivo foi criticada pelos participantes do encontro, que demonstraram preocupação com a influência desse posicionamento em instâncias inferiores do Judiciário para barrar indicações em outros órgãos federais e mesmo estaduais. Os ministros e comandantes militares teriam saído do encontro do Alvorada certos de uma “pacificação” por parte de Bolsonaro. Mas, na avaliação das fontes, ele voltou a ser “envenenado”, na manhã de domingo, por pessoas próximas e grupos de WhatsApp. Por tradição e hierarquia, os militares não devem fazer manifestações públicas sobre a fala do presidente.



