Cadê os médicos? ISTOÉ

Recém-formada em medicina pela Faculdade Oninter, no Paraguai, Patrícia Pereira Teixeira Lemos está angustiada. Depois de trabalhar dez anos como enfermeira e estudar seis anos no exterior, ela não tem previsão para validar seu diploma no Brasil. Apesar da urgência por um número maior de profissionais de saúde, o governo federal não realiza os exames para revalidar diplomas de médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior desde 2017. E não há perspectiva de curto prazo para resolver o problema.
Segundo entidades médicas, cerca de 15 mil profissionais já poderiam estar trabalhando na área, mas não conseguem fazer os exames do programa Revalida. Uma lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em 2019 exigia que as provas ocorressem duas vezes por ano, mas isso não foi seguido. Em nota, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), ligado ao Ministério da Educação e responsável pelo exame, informa que a prova do Revalida deve ocorrer ainda esse ano, mas não ainda não tem data definida.
“Estamos à deriva”
A instituição alega que os formandos brasileiros e estrangeiros têm uma opção: realizar os exames em universidades públicas. Segundo Patrícia, porém, os exames realizados pela USP, Unicamp e UFMT, por exemplo, são bem mais caros. “É mais uma opção, mas enquanto o governo cobra R$ 320 para a primeira fase do exame, as universidades cobram mais de R$ 2 mil”, afirma Patrícia. “Estamos à deriva”, diz Gustavo Francisco Pinto, formado em junho de 2019 pela Univale, da Bolívia. Outro problema é o longo prazo entre a prova e o início da atuação dos médicos. “O processo de revalidação dos diplomas pode levar entre 16 e 18 meses”, diz Gustavo.
A falta de profissionais da saúde credenciados é tão urgente que nove governadores do Nordeste já solicitaram ao governo autorização para que médicos, mesmo sem diplomas revalidados, possam trabalhar em seus estados. Em março, o Ministério da Saúde chegou a convocar médicos estrangeiros, entre eles cubanos, para retornarem ao programa Mais Médicos. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), já anunciou que vai convocar 86 médicos cubanos residentes no estado. Nesse momento, o combate ao coronavírus é mais importante do que a ideologia.
'Gostaria que todos voltassem a trabalhar, mas quem decide são os governadores', diz Bolsonaro
BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que gostaria que todos os brasileiros voltassem a trabalhar, mas que isso depende dos governadores e prefeitos. Bolsonaro também disse que "brevemente" país voltará à normalidade. Na quinta-feira, o ministro da Saúde, Nelson Teich, disse que a orientação da pasta continua sendo o distanciamento social e que não há uma intenção de flexibilizar as regras.
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A declaração de Bolsonaro foi feita à deputada Bia Kicis (PSL-DF), que visitou o Palácio do Alvorada com um grupo de agricultores. Ela pediu a Bolsonaro uma mensagem em referência ao Dia do Trabalho, comemorado nesta sexta:
— Eu gostaria que todos voltassem a trabalhar, mas quem decide isso não sou eu, são os governadores e prefeitos. O Brasil é um país maravilhoso. Eu tenho certeza, que (com) Deus acima de tudo, brevemente voltaremos na normalidade — respondeu Bolsonaro.
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Na quinta-feira, em entrevista coletiva, Teich disse estar preocupado com a polarização política em torno da adoção ou não de medidas de distanciamento social. A declaração foi feita após ser questionado se, diante do número de mortos pela doença estar perto de 6 mil, o ministério alteraria a orientação para o distanciamento social.
— O número de mortes adicional é muito triste. Mas não é porque eu tenho uma alteração nesse número de mortes. A política não é em função disso. Temos uma definição clara: o distanciamento permanece como orientação — afirmou o ministro.
'Há risco de ter um momento de convulsão social com ou sem quarentena', diz secretária de SP
01 de maio de 2020 | 05h00
Uma das cabeças à frente da secretaria de contingência criada para lidar com a pandemia do novo coronavírus no Estado de São Paulo, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen da Silva, diz que documentos coletados em mais de 40 países por consultorias contratadas pelo governo e que integram o grupo de gestão da crise apontam que a principal medida para enfrentar o problema é a liberação de recursos para proteger a população vulnerável. “A gente está correndo o risco de ter um momento de convulsão social com ou sem quarentena. Essa ajuda emergencial precisa chegar e tem que chegar agora”, alerta a secretária. Ela contou ao Estado detalhes de como foi desenhado e como vai ser operado o plano de flexibilização da quarenta, previsto para entrar em vigor partir de 11 de maio. A seguir, principais trechos da entrevista.
Em que pé está o plano de flexibilização da quarentena no Estado de São Paulo a partir do dia 11 de maio?
É importante destacar que São Paulo nunca parou. Temos cerca de 70% da atividade econômica funcionando. Nosso modelo de quarentena é parcial. Neste momento estamos finalizando a análise de vulnerabilidade por setor, com apoio da Fipe, economistas, consultorias. A partir do dia 10 de maio começaremos a ter um olhar mais regional e faseado das atividades que por ventura tenham sido interrompidas. Estamos olhando os setores mais impactados e vendo que tipo de protocolo precisa ser estabelecidos para a retomada gradual.
Haverá a volta à normalidade a partir do dia 11?
Não há volta da normalidade de um dia para o outro em nenhum lugar do mundo onde houve covid-19. O novo normal é aprendermos a lidar com a pandemia. A Coréia do Sul, por exemplo, apresentou um plano de retomada em dois anos. Estamos falando de horizontes que podemos ter a retomada de um município num momento e que poderá a vir a ser fechado de novo. O mais importante é como iremos conviver com essa pandemia no médio prazo.
Como está sendo desenhado esse modelo de monitoramento?
Criamos uma estrutura dinâmica de monitoramento e gestão da pandemia. Temos hoje um sistema vinculado à secretaria de Governo com todos os dados integrados, de saúde, economia e a parte social. A saúde e economia estão integradas para termos um núcleo único de dados, onde reunimos leitos por município, dados de testagem, casos suspeitos, confirmados e óbitos, isolamento. Isso numa granulidade muito grande e integrada numa plataforma que nos permite fazer uma gestão diária. São mais de cem dados por município
Como será a operação de soltar e puxar as rédeas na reabertura?
Vamos combinar os dados de uso da capacidade adequado, com a vulnerabilidade econômica do município, com a taxa de transmissão da doença, com a disponibilidade de testes e a taxa de imunização da população. Essa combinação dos critérios é determinada pela saúde. Com base nas modelagens, serão estabelecidos critérios para classificação dos municípios em quatro faixas; zona verde, laranja, amarela e vermelha. Os municípios serão monitorados diariamente. Se a cidade ficar um dia na categoria laranja é uma coisa. Se ficar uma semana, já é um problema. O importante é a curva de tendência. Os dados serão analisados diariamente e o comitê contingência se reúne toda semana para reavaliar os municípios. Tem casos que poderão ser reavaliados no dia. Uma cidade que pular verde para o vermelho, tem que ter uma ação emergencial.
Cariocas ignoram pedidos de isolamento e vão à praia no feriado
Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo
RIO - Apesar do aumento diário no número de casos confirmados e de mortes por causa do novo coronavírus, parte da população carioca decidiu ignorar as regras de isolamento nesta sexta-feira, feriado de 1º de maio.
A movimentação no calçadão junto às praias da zona oeste e sul do Rio foi intensa no final da manhã. E, na Barra da Tijuca e no Recreio, até mesmo famílias foram flagradas na areia da praia.
A movimentação mais intensa foi vista na praia do Pepê, na Barra da Tijuca. Famílias com crianças pequenas podiam ser vistas brincando próximas ao mar. Em trios, duplas ou mesmo sozinhas, algumas pessoas tomavam banho de sol ou aproveitavam para correr ou caminhar. Em menor número, o mesmo pôde ser visto na praia da Reserva, no Recreio.
Governador praticamente encerra debate sobre flexibilizar isolamento e não descarta 'lockdown'
Em duas postagens nas redes sociais na manhã desta sexta-feira (1°), o governador Camilo Santana (PT) praticamente encerrou qualquer discussão sobre flexibilização do decreto em vigor sobre o isolamento social no Ceará e disse mais: as regras podem ser mais duras. O lockdown é uma possibilidade real para Fortaleza.
Não há como negar a seríssima crise econômica gerada pelo coronavírus e pelas medidas de distanciamento social. É algo muito preocupante. Entretanto, flexibilizar regras neste momento, tendo em vista o caos desnudado pelos numeros de casos, mortes e leitos de UTI disponíveis poderia significar uma grande tragédia aos cearenses
Porém, há algo que precisa ser dito: embora o estado esteja atuando para elevar a capacidade de atendimento da rede de saúde pública e haja também um esforço neste sentido de prefeituras como a de Fortaleza, o poder público de forma geral atua muito pouco para fazer com que as pessoas respeitem as restrições de circulação.
Não faz nenhum sentido que estejamos em um esforço enorme com negócios fechados, empresas quebrando e gerando desemprego, enquanto acompanhamos, nos telejornais, ruas lotadas e muita gente agindo como se nada estivesse acontecendo.
Neste ponto, as agências bancárias, por exemplo, têm grande parcela de culpa por não traçarem nenhuma estratégia de distanciamento entre as pessoas que se aglomeram nas filas.
Mais do que nunca, a despeito de pressões que possam ocorrer, o poder público precisa tomar medidas rígidas para evitar que a tragédia seja ainda maior. INÁCIO AGUIAR / DN
Comércio propõe retorno gradual ao trabalho, mas se diz pessimista quanto à aceitação pelo Governo

O setor produtivo vem apresentando modelos e sugestões para a reabertura da economia desde o início da pandemia de Covid-19. E, na última terça-feira (29), foi a vez do comércio. Durante reunião do grupo de trabalho liderado pelo Governo do Estado para coordenar a retomada das atividades, a Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas (FCDL) elencou um pacote de sugestões para que lojas em todo o Ceará possam abrir. Apesar da apresentação, o presidente da Federação, Freitas Cordeiro, disse acreditar que o Governo não deverá acatar as sugestões e prorrogará o decreto de isolamento social que se encerraria no dia 5 de maio.
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O presidente da FCDL reforçou, contudo, que o pedido do comércio não é para aplicar uma reabertura sem o planejamento devido. O objetivo do protocolo de retomada entregue ao Estado é de apontar um caminho para que se possa articular a reabertura dos negócios cearenses. Cordeiro ainda afirmou esperar do Governo Estadual uma postura abrangente, considerando realidades distintas de cada município para se fazer a retomada de forma diferente em cada uma das cidades.



