O Supremo não é o foro do caso Master
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, defendeu-se perante o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da acusação de que teria contratado influencers para atacar o Banco Central (BC). O argumento colide com a investigação da Polícia Federal (PF), que encontrou mensagens no celular apreendido de Vorcaro nas quais ele mesmo orienta a campanha contra a autoridade monetária.
Mas antes o problema fosse o contraste entre a versão levada pelo banqueiro ao STF e os indícios reunidos pela PF contra ele. Para o País, muito mais grave do que as incongruências da defesa do sr. Vorcaro é a naturalização do foro em que ela foi apresentada.
É preciso tornar a dizer com todas as letras: o caso Master não é da competência do Supremo. Vorcaro não tem foro especial por prerrogativa de função. Tampouco o possuem os executivos do Master e do Banco de Brasília ora sob investigação por suspeita de fraudes bilionárias na compra de ativos de baixíssima qualidade do banco privado. O julgamento dos possíveis crimes cometidos nessas transações é de competência da primeira instância da Justiça Federal. Nada autoriza a permanência do caso na mais alta Corte do País.
Ainda assim, o caso foi parar no STF a partir da alegação de que Vorcaro teria negociado a compra de um imóvel, por meio da composição de um fundo, com o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), este, sim, detentor de foro especial. Ora, trata-se de uma transação comercial alheia às operações Master sob escrutínio e que nem sequer chegou a ser concretizada. Mesmo que tivesse sido, a jurisprudência do próprio STF admite o desmembramento do feito, preservando na Corte apenas o que diga respeito à autoridade com prerrogativa de foro. Dias Toffoli, contudo, reteve integralmente o caso em seu gabinete.
A decisão do ministro torna-se ainda mais inquietante quando combinada com a imposição de alto grau de sigilo sobre os atos de investigação. O sigilo, nesse contexto, não protege o inquérito nem o interesse público: protege pessoas. A ascensão vertiginosa do Master nos últimos anos caminhou lado a lado com a construção de uma ampla rede de relações entre Vorcaro e autoridades dos mais altos escalões dos Três Poderes. Diante disso, não se pode condenar quem enxergue na opção pelo foro no STF e pela opacidade imposta aos autos por Dias Toffoli uma operação de acobertamento – suspeita que, por si só, já corrói a confiança da sociedade na imparcialidade da Corte.
O incômodo se intensifica diante de fatos que, embora laterais, reforçam a imprescindibilidade do afastamento de Dias Toffoli da condução das investigações. Como veio a público, dois irmãos do ministro venderam participação milionária num resort no Paraná a um fundo ligado à Reag Investimentos, gestora investigada por abrigar redes financeiras associadas ao Master e, ademais, investigada no âmbito da Operação Carbono Oculto, que alcançou os tentáculos do PCC no sistema financeiro formal.
O ministro não tem parte nos negócios dos irmãos, mas é frequentador do tal resort. A tisnar a aura de imparcialidade de Dias Toffoli, ainda há o episódio de sua viagem, em jatinho particular, ao lado do advogado de um executivo do Master investigado pela PF, para assistir a um jogo de futebol no exterior. Não se trata, aqui, de imputar ilegalidades a ninguém, mas de reconhecer que o conjunto dos fatos impõe um dever de prudência incompatível com a permanência do ministro à frente desse caso.
O princípio do juiz natural não é um formalismo menor. É um pilar do Estado de Direito que visa a impedir que eventuais réus escolham seus juízes ou que a jurisdição seja moldada por conveniências de ocasião. A Constituição e as leis estabelecem, de forma inequívoca, que cidadãos sem prerrogativa de foro devem ser investigados e processados na instância ordinária, segundo critérios gerais e impessoais. As exceções admitidas pelo STF são restritas e condicionadas à indissociabilidade de fatos ligados a quem tem o foro especial – requisitos a que o Master, definitivamente, não atende.
O STF pode e deve corrigir o rumo. Persistir no erro será assumir, sem disfarces, que princípios constitucionais podem ser relativizados quando estão em jogo interesses muito poderosos.
Bye bye’, Maduro
Por Denis Lerrer Rosenfield / O ESTADÃO DE SP
Maduro, hoje recolhido a uma cela num presídio nova-iorquino – destino merecido – foi um cruel ditador, impiedoso em suas ações. Seus meios de governar, se é que se pode utilizar essa expressão, foram a violência generalizada por meio da repressão, da tortura, do estupro, do silenciamento de toda e qualquer crítica. Utilizou um sistema repressivo baseado nas Forças Armadas, na polícia e nas milícias bolivarianas, com o uso constante da intimidação e do assassinato. Nada o detinha em sua dominação despótica. Eis o resultado do tão alardeado “socialismo do século 21”, produtor de miséria, de desigualdade social extrema, reduzindo a sua população à maior pobreza, enquanto a nomenclatura “socialista”, “comunista” usufrui dos maiores privilégios. Que tal regime tenha sido e seja ainda para alguns, um farol da esquerda beira ao incompreensível.
Pretender mascarar essa realidade com discursos feitos sob medida para uma suposta “catástrofe humanitária”, no caso de um ataque americano, como o fez o presidente Lula, é nada mais do que falta de bom senso ou de senso pervertido. A “catástrofe humanitária” foi produzida pela ditadura de Chávez e de Maduro, pelos socialistas do século 21, com cerca de 8 milhões de refugiados obrigados a deixar o país, de uma população de 28 milhões, sob os olhares “desumanos” da esquerda que os apoiava e ainda os apoia sob a bandeira da luta contra o imperialismo. Onde estavam as palavras de “solidariedade”, tão em voga entre esses “humanistas”, quando se trata do terror islâmico e das posições da esquerda mundial? Humanismo capenga seria até um elogio!
O vocabulário esquerdista para caracterizar a ação americana não poderia ser mais inapropriado. Fala-se como se fosse algo evidente: invasão e guerra. Qual invasão? Onde estão as tropas em solo e os tanques? Tratou-se, isto sim, de uma operação especial de comando, com forte apoio aéreo e naval, conduzida com esmero, atingindo apenas alvos militares. Uma vez a operação concluída, os militares se retiraram do país, deixando os demais membros do governo por ora no poder. Não há, portanto, guerra, salvo se os americanos decidirem-se por ocupar o país, passando a dominá-lo diretamente, destituindo os atuais governantes. Neste caso, passariam para o combate frontal contra os que se recusarem à ocupação, quaisquer que sejam os seus inimigos: Forças Armadas, policiais, milícias bolivarianas, grupos guerrilheiros, narcotráfico e assim por diante.
Que Maduro e sua mulher tenham sido levados para fora do país só poderia ser motivo de festejo. O líder do inferno foi embora, porém não levou os seus assessores e parceiros junto. Deve-se, sim, lamentar, não o ataque americano, mas a sua incompletude. De nada adianta, salvo se o interesse for só petrolífero, deixar o regime chavista intacto, com a mera substituição de sua liderança, supostamente alinhada aos interesses de Trump. O regime criminoso, nestas circunstâncias, permaneceria o mesmo. Seria uma espécie de esquerdismo trumpista, algo verdadeiramente bizarro.
Se Trump continuar por essa via, estará perdendo uma grande oportunidade. De nada adianta os estrategistas americanos declararem que estão evitando, assim, um Iraque ou um Afeganistão, deixando a cúpula ditatorial no poder. As condições não são as mesmas, porque a Venezuela realizou sistematicamente eleições fraudadas, sendo a última escandalosamente fraudulenta, causando repúdio internacional, inclusive por parte de setores da esquerda. Diferentemente daqueles países, a Venezuela tem um presidente eleito, que não foi empossado, Edmundo González, que foi obrigado a fugir do país para não ser preso. Há uma líder oposicionista, com amplo apoio popular – ao contrário do declarado pelo presidente americano – e ganhadora do Nobel da Paz. Mulher corajosa, amargando a resistência e a clandestinidade. Eis uma oportunidade que não poderia ser perdida, capaz de assegurar o futuro da democracia e o enterro do “socialismo do século 21”. Basta a realização de eleições, que seriam certamente vencidas por ela, aí sim a legítima representante do povo.
Deveria causar espécie que essa alternativa não esteja sendo diretamente cogitada. Seria importante ressaltarmos aqui dois fatores, para além da cobiça por petróleo, que não é dos americanos, nem da ditadura chavista, “socialista”, mas dos venezuelanos.
O primeiro deles seria a inveja de Trump por ela ter sido ela agraciada com o Prêmio Nobel. Uma razão certamente menor, mas que infelizmente rege as pessoas em geral e o mundo político em particular. Aliás, ela, habilidosa, elogiou a Trump quando conquistou esse reconhecimento internacional. Não foi isso, porém, suficiente.
Haveria ainda um segundo fator, menos nobre, o de que Maria Corina é uma mulher, ousada, altiva, e que não se deixaria dominar, como o está aparentemente fazendo a dita presidente interina Delcy Rodríguez. Ela não se curvaria a ordens americanas, colocando-se, democraticamente, como legítima representante do povo venezuelano.
A normalização do improviso
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O Brasil encerrou mais um ano tendo naturalizado aquilo que deveria ser exceção: o improviso como método de governo. Decisões casuísticas, soluções provisórias eternizadas, flexibilizações recorrentes de regras fiscais, institucionais e administrativas passaram a ser justificadas por um estado de urgência permanente – muitas vezes produzido pelo próprio Palácio do Planalto. Sob o rótulo de “pragmatismo”, relativiza-se a previsibilidade; em nome da governabilidade, esgarçam-se compromissos. O resultado é um Estado que opera sem norte e uma democracia que se habitua perigosamente à instabilidade.
Esse quadro se agrava num contexto de desarranjo institucional já evidente. O equilíbrio entre os Poderes, pilar do regime democrático, vem sendo substituído por uma convivência disfuncional: um Executivo frágil e reativo, um Legislativo hipertrofiado e um Judiciário cada vez mais politizado. O Orçamento da União, capturado por interesses paroquiais no Congresso, perdeu sua função estratégica de planejamento para se tornar moeda de troca de curto prazo. Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao extrapolar suas atribuições, contribui para a confusão de papéis e para a erosão institucional.
Nada, porém, ocorre no vácuo. No centro desse processo está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este jornal tem insistido: trata-se de um mandato medíocre, conduzido por um Ministério fraco, sem coesão, sem densidade técnica e sem capacidade de formular políticas públicas estruturantes. A ausência de um projeto claro de país – que vá além da repetição de políticas conhecidas e do cálculo eleitoral permanente – faz do governo agente do desequilíbrio institucional, quando deveria ser seu principal fator de correção.
Lula, historicamente visto como um hábil articulador político, caminha para o fim do mandato se limitando à administração improvisada de crises e à acomodação oportunista de pressões. Governa-se por exceções sucessivas: contorna-se a regra fiscal, relativizam-se limites administrativos, tolera-se a deformação do Orçamento e aceita-se a judicialização excessiva como atalho político. A exceção vira método e a regra, obstáculo. Em vez de liderar a recomposição institucional, o Planalto adapta-se ao desarranjo e, ao fazê-lo, acaba por legitimá-lo. Não à toa, transformou o STF no seu braço político para enfrentar o Congresso.
A retórica presidencial insiste em apresentar flexibilidade como virtude e improviso como sensibilidade social. Esse improviso se manifesta de forma concreta: na alteração sucessiva de metas fiscais antes mesmo de sua tentativa de cumprimento; no uso recorrente de créditos extraordinários para financiar despesas previsíveis; na multiplicação de exceções no novo arcabouço fiscal; no relançamento de políticas antigas (como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o PAC) sem redesenho estrutural; e na judicialização frequente de impasses políticos como atalho à negociação institucional.
Mas o custo dessa escolha é alto. Esse ambiente que conjuga o “mais do mesmo” com a aposta na sorte produz uma malaise perceptível na sociedade. Não se trata apenas de indicadores econômicos ou de frustrações pontuais, mas da sensação difusa de um país sem direção, governado no curto prazo e refém de disputas entre Poderes que operam sem limites claros, nem administrativos nem éticos. O resultado é o futuro sempre adiado em nome de urgências fabricadas.
É legítimo perguntar se é possível iniciar um novo ano prometendo estabilidade enquanto se governa pela exceção. A resposta é evidente. Sem previsibilidade institucional, não há planejamento econômico, tampouco sem responsabilidade fiscal e eficiência administrativa há confiança política; e sem respeito aos limites entre os Poderes, não há democracia saudável. A normalização do improviso cobra um preço elevado do Estado e da sociedade.
Para romper esse ciclo, o Brasil precisará mais do que slogans e gestos simbólicos. Exige-se liderança capaz de formular um projeto claro de país, restaurar o equilíbrio institucional e substituir o improviso por políticas consistentes. Até aqui, o governo lulopetista não demonstrou disposição nem capacidade para essa tarefa. Persistir nesse caminho é condenar o País a mais um ano de incerteza e estagnação. Com a eleição batendo à porta, custa acreditar que essa lógica será revertida.
Transporte público requer planejamento e ação integrados
Por Editorial / O GLOBO
Está prevista para este trimestre a conclusão de um estudo iniciado em 2024 sobre a situação do transporte público em 21 capitais e regiões metropolitanas. Realizado pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades, o levantamento já identificou 187 projetos locais para atender à demanda até 2054. O objetivo é estimar investimentos, examinar boas práticas internacionais e propor modelos de governança e mecanismos de financiamento. Num país carente de planejamento de longo prazo, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana é uma notícia alvissareira.
Cansados com superlotação, atrasos e desconforto em ônibus, trens e metrôs, os brasileiros têm abandonado o transporte público. Em 2017, os deslocamentos diários em ônibus representavam 45% do total. Em 2024, não chegaram a 31%, segundo a Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana. No mesmo período, o uso de carro próprio, moto e transporte por aplicativo deu um salto. Só que não há espaço nas ruas para tantos veículos transitarem.
Por isso os engarrafamentos crescem. Em dez capitais, os brasileiros gastam quase duas horas por dia (116,5 minutos) se deslocando, revela pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos. É muito tempo perdido, tornando a economia brasileira mais improdutiva. Para mudar a situação, é preciso incentivar o transporte público e garantir que ele reduza o tempo de deslocamento. São essenciais investimentos em corredores de ônibus, BRTs, VLTs, trens e metrôs.
O estudo do governo estima que, para implantar os 187 projetos nas 21 capitais e regiões metropolitanas, serão necessários R$ 434 bilhões. Contando com a receita das passagens, já será difícil encontrar recursos. Sem ela, qualquer melhoria se torna impossível. Esse é um setor já com subsídios altíssimos. Não há dinheiro sobrando no Tesouro para aumentá-los ainda mais.
Na atração de investimentos privados, governadores e prefeitos precisam criar uma governança que privilegie a racionalidade. Quando ônibus estaduais disputam usuários com os municipais, quando linhas de BRT da Prefeitura canibalizam linhas de metrô do estado, não há como ganhar eficiência. Estados, capitais e regiões metropolitanas devem ter uma gestão integrada do ponto de vista institucional, financeiro e técnico. Há bons exemplos a seguir. Em Pernambuco, as prefeituras de Recife e Olinda e o governo estadual criaram um consórcio público. Em Goiás, a capital, municípios da Região Metropolitana e o estado formaram uma câmara deliberativa. No Espírito Santo, as cidades delegaram ao governo estadual a gestão do sistema de transporte.
É uma lástima que, movido tão somente pela visão eleitoreira, o mesmo governo responsável pelo estudo sobre mobilidade ameace adotar a tarifa zero no país todo, política que condenará os brasileiros a décadas de serviços medíocres de transporte público. Não faz sentido autoridades federais se meterem a legislar sobre tarifas de transporte, atribuição dos governos locais. Seu dever é fornecer subsídios técnicos para as melhores escolhas. É o que se espera do estudo previsto para breve.
Governo impotente contra garimpo e facções
A atividade de garimpo, por si só, já impacta a segurança, a subsistência e a saúde de povos indígenas. Quando o crime organizado é adicionado à equação, cai-se numa espiral funesta de violência.
Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a gestão petista enfrenta dificuldades em conter a mineração nesses territórios, tendo sido até instada pelo Supremo Tribunal Federal, em novembro de 2023, a apresentar um plano de desintrusão (expulsão de não indígenas).
A história agora se repete na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, que teve uma das maiores taxas de invasão por garimpeiros em 2023, conforme mostrou uma série de reportagens da Folha. Não à toa, a área constava do plano de desintrusão apresentado pelo governo em janeiro de 2024, atendendo à ordem do STF.
Na atual situação, o controle da mineração pela facção Comando Vermelho agrava o problema.
Em dezembro, a Justiça Federal determinou prazo de 45 dias para a entrega de um plano de expulsão dos invasores. Segundo a decisão, o governo não deu prioridade à crise e houve "omissão grave" em relação ao avanço da organização criminosa.
Documento da Funai de outubro relata ameaças a lideranças indígenas, uso de estradas que levam à aldeia dos nambikwaras e cooptação de indígenas para ocultar equipamentos. Cita, ainda, que os grupos atuam como milícias e usam armamento pesado restrito, como fuzis.
A violência aumenta com disputas entre integrantes da facção e guardas montadas por garimpeiros. Segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foram registrados 46 homicídios na Terra Sararé entre 2022 e 2024.
Facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital há anos vêm diversificando seus negócios ilícitos para além do tráfico de drogas, com atuação nos setores de combustíveis, extração de madeira e ouro.
O fenômeno é conhecido e exige integração entre governos e forças de segurança, inclusive com rastreamento de operações financeiras, para ser contido.
O Ministério dos Povos Indígenas alega que operação recente liderada pelo Ibama na Terra Sararé resultou na destruição ou apreensão de 650 acampamentos, 170 escavadeiras, 500 motores e 90 mil litros de combustível.
Trata-se, porém, de mais uma medida pontual, enquanto o garimpo precisa ser combatido com atuação contínua de longo prazo, que fortaleça a fiscalização e aumente a presença do Estado, com infraestrutura, inteligência investigativa e segurança.
Trump e o Cartel de los Soles
Depois do sequestro de Maduro, o governo americano reescreveu a acusação, definindo o cartel como um grupo corrupto e clientelista do chavismo. Apesar disso, o secretário de Estado Marco Rubio voltou a repisar a acusação no último dia 4. Trapalhadas desse tipo dificilmente alterarão o julgamento de Maduro nos Estados Unidos. Ele será condenado, ponto.
Tigre de papel
O comportamento dos hierarcas da ditadura venezuelana depois do sequestro de Nicolás Maduro mostrou que o chavismo era um tigre de papel. Numa linguagem mais clara, um tigre atrás de boquinhas. O lado americano da intervenção na Venezuela embute um sinal para as burocracias civis e militares latino-americanas.
Turma do Master subiu o tom
Desde o século passado, quando a autoridade monetária liquidava um banco, seus proprietários batalhavam dentro das quatro linhas da legislação. Daniel Vorcaro e a turma do Master mudaram o patamar do litígio. Na tentativa de anular a legítima intervenção do Banco Central, fulanizaram a questão, puseram um ministro do Supremo no mesmo jatinho do advogado do Master, obtiveram a blindagem das investigações e trouxeram o Tribunal de Contas para o debate. O TCU tem tanto a ver com a liquidação do Master quanto a escola de samba da Mangueira. Até aí, pode-se dizer que foi uma estratégia agressiva, mas era o jogo jogado.
A barreira da legalidade foi rompida quando se viu que 46 perfis de redes sociais fizeram um bombardeio digital com ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso Master. Segundo a Febraban, no dia 27 de dezembro o bombardeio incluiu 4.560 posts contra o Banco Central, seus diretores e investigadores do caso. Esse tipo de conduta é crime, e a defesa de Vorcaro custou cerca de R$ 2 milhões e mudou o patamar do litígio.
O TCU sabe onde se mete
O presidente do Tribunal de Contas da União quer meter a instituição na omelete do banco Master. Em 2017, o TCU meteu-se nas investigações de irregularidades praticadas na Petrobras e bloqueou os bens de seis membros do Conselho de Administração da empresa.
Tudo bem. Numa extensa decisão do relator Vital do Rêgo, listou suas vítimas. Antonio Palocci era ministro do Planejamento, Dilma Rousseff era chefe da Casa Civil, dois outros eram empresários e assim estavam qualificados. A quinta vítima chamava-se Gleuber Vieira. Foi mencionado três vezes, sem que fosse revelada sua profissão. Geólogo? Fonoaudiólogo? Vidente? Gleuber Vieira (1933-2025) era general de quatro estrelas, havia sido comandante do Exército de 1999 a 2003, com 50 anos de serviço, sem nódoa. O TCU sabe com quem se mete. O bloqueio dos bens dos conselheiros acabou suspenso.
Burro é o Planalto
Lula criou o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente e aproveitou a oportunidade para reclamar da espera a que foi submetido em 2024 quando sofreu uma queda e teve de aguardar três horas por um avião. O doutor trocou as bolas. Em outubro de 2024 ele levou um tombo no banheiro do Alvorada, foi atendido na unidade de Brasília do Sírio-Libanês e voltou para o palácio. A falta de avião só aconteceu dois meses depois, quando Lula deixou de fazer um exame, teve fortes dores de cabeça e foi necessária a sua transferência para São Paulo.
Esse episódio nada teve a ver com inteligência ou burrice médica. O avião da Presidência demorou três horas porque Lula é chefe de um governo e ocupante de um palácio onde trabalhavam cerca de 3.500 servidores, sem que existisse um protocolo para a hipótese de o presidente vir a precisar de atendimento médico de emergência e de transferência para São Paulo. A criação de um Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente não resolve o problema. A falta de inteligência não foi médica, foi logística, no seu quadrado.
O sono de Bolsonaro
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que não tem condições técnicas para reduzir o barulho do equipamento de ar refrigerado que, segundo Bolsonaro, o impede de dormir. Mesmo admitindo-se que a situação nada tem a ver com uma premeditação, deve-se lembrar que a supressão do sono era o método da Stasi, o serviço de segurança da Alemanha comunista para quebrar a vontade dos presos. Sistemas de refrigeração barulhentos são coisa comum. A questão pode ser transferida para médicos especializados em controle do sono de pacientes. Se Bolsonaro passar pelo exame, o Supremo fica diante de outra questão.
Veto de Lula deve cair
Pelo andar da carruagem, o Congresso derrubará o veto de Lula ao projeto de redução das penas de 179 pessoas que estão presas pelas badernas e pela trama golpista de 2022/2023.
Trump na Groenlândia
A ideia trumpista de uma intervenção militar na Groenlândia está fadada ao fracasso, porque seria a desmoralização da aliança militar da Otan e da consequente porteira livre para a Rússia. Já o capilé de 100 mil dólares para cada habitante do pedaço apoiar a anexação do território será outra conversa. Com um cheque desse tamanho, a população de vários países preferiria ser anexada aos Estados Unidos.
O poder de Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, prevaleceu sobre os argumentos do ministro Fernando Haddad e emplacou Otto Lobo na presidência da Comissão de Valores Mobiliários. Nogueira tem um pé no caso do banco Master e há ainda pegadas de petistas nas trilhas de Daniel Vorcaro.
Centrais reclamam
Cinco centrais sindicais protestaram contra a sanção, por Lula, da lei que proíbe descontos automáticos nos benefícios administrados pelo INSS. Desde quando se percebeu que havia quadrilhas roubando o dinheiro dos aposentados, nenhuma dessas centrais reclamou. Assim como não reclamam dos sindicatos a elas filiados que cobram a Contribuição Sindical e não prestam serviço algum às vítimas.


