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Pfizer pede à Anvisa registro definitivo de vacina contra Covid-19

BRASÍLIA—  A Pfizer enviou, neste sábado, à  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pedido de registro definitivo de sua vacina no Brasil.  Caso a agência dê o aval à farmacêutica, o imunizante poderá ser distribuído amplamente e comercializado no país.

O  prazo estimado pela Anvisa para análise do processo de registro é de 60 dias. Atualmente, a Pfizer é um dos quatro laboratórios que desenvolvem estudos de fase 3 no Brasil.

"O registro é a avaliação completa com dados mais robustos dos estudos de qualidade, eficácia e segurança, bem como do plano de mitigação dos riscos e da adoção das medidas de monitoramento", explicou a Anvisa em nota.

Além da Pfizer, na semana passada, a Fiocruz já solicitou o registro definitivo da vacina de Oxford no país. Os dados estão sendo analisados pela agência desde então.

"A Anvisa não impõe barreiras ou dificuldades para o pedido de registro de vacinas. Estabelece regras a serem cumpridas, afim de garantir que as vacinas sejam seguras e adequadas para imunizar e não causar dano à população brasileira. Os servidores da Agência estão dedicados à análise desses processos", aifrmou a agência em comunicado. O GLOBO

 

Nova corrida - Mutações do vírus tornam crucial que países busquem maior variedade de vacinas

A segunda e pavorosa onda de Covid-19 a assolar Manaus derruba a tese da imunidade coletiva, mal denominada “de rebanho”, a que muitos se agarraram. Comprova, ainda, o poder da seleção natural darwiniana negada por criacionistas, muito encontradiços entre os que menosprezam a pandemia.

Estimava-se que três quartos da população manauara tivessem contraído o coronavírus Sars-CoV-2 na primeira investida. Como o atual repique veio mais forte e mortal, a ponto de bater recordes mundiais de taxa de infecção, multiplicam-se as hipóteses para explicá-lo —e nenhuma delas parece auspiciosa.

Uma: a estimativa sobre moradores imunizados pelo contágio estaria superestimada. Outra: ela seria correta, mas a imunidade conferida teria decaído com o tempo. Outra ainda: as defesas dos infectados não seriam capazes de protegê-los contra as mutações P.1 na capital amazonense, dando espaço para uma vaga de reinfecções.

Preocupa mais a última possibilidade, porque sugere que a própria imunidade alcançada estaria exercendo a pressão seletiva em favor de mutações que permitam ao Sars-CoV-2 evadir-se de anticorpos. Charles Darwin explica.

Má notícia para a esperança depositada nas vacinas disponíveis, que de resto já tiveram constatada diminuição de eficácia contra variantes surgidas no Reino Unido e na África do Sul.

A Coronavac (Sinovac/Butantan) pode apresentar ligeira vantagem, sendo composta por coronavírus inativados. Outros pedaços do patógeno, neste caso, ajudariam a desencadear a reação imune.

Já as que usam tecnologia de mRNA (Pfizer/BioNTech e Moderna) podem ser modificadas em pouco tempo, talvez seis semanas, para agir contra as novas variantes. Contudo, são mais dispendiosas e exigem logística complexa.

Torna-se vantajoso para todo país, portanto, ter acesso a vários tipos de vacina e, assim, obter maior flexibilidade epidemiológica. O Brasil, por imprevidência do governo Jair Bolsonaro, só conta até março com dois produtos e 46 milhões de doses, bastantes para imunizar meros 11% da população.

Nesse cenário, são compreensíveis —e até bem-vindas— as pressões políticas para apressar a aprovação de imunizantes, desde que, claro, não se sobreponham aos critérios de segurança e eficácia.

Algumas conclusões se impõem nessa corrida das vacinas contra os mutantes e contra a escassez.

Nenhum país estará inteiramente seguro acumulando imunizantes, porque podem surgir alhures variedades que os tornem obsoletos; vacinar rapidamente é importante para diminuir oportunidades de o vírus sofrer mutações.

Por fim, na incerteza quantitativa e qualitativa sobre vacinas, máscaras, higiene e distanciamento social permanecem armas indispensáveis contra a pandemia renitente.

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STF não deve devolver direito político a Lula mesmo que Moro seja considerado parcial no caso do tríplex

O STF (Supremo Tribunal Federal) não deve devolver a Lula o direito político de disputar as eleições. Mesmo que Sergio Moro seja considerado parcial no julgamento do ex-presidente no caso do tríplex do Guarujá, neste semestre, o petista deve seguir inelegível depois de eventual veredicto contra o ex-juiz.

PEDRA 

O problema é que Lula tem outra condenação, por obras no sítio de Atibaia. Ainda que a defesa do ex-presidente insista que Moro atuou também nesse processo, os ministros da 2ª Turma do STF devem analisar somente o caso do tríplex.

PEDRA 2 

Assim, a condenação de Lula no processo de Atibaia persistirá. E o ex-presidente permanecerá inelegível pelo menos até eventual julgamento de imparcialidade do ex-juiz também neste caso —que não tem data certa para ocorrer.

MESMA COISA 

Juristas e advogados que acompanham o caso do ex-presidente insistem que todos os processos dele em que Moro atuou devem ser tratados da mesma forma.

FRUTA PODRE 

“Parcialidade é uma condição personalíssima. Uma vez admitida para um caso, passa a contaminar todos os demais. A consequência, pois, é a anulação de todos os processos conduzidos pelo Moro que envolvem o ex-presidente Lula”, diz o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas.​

VEJA TODOS OS TEMAS ABORDADOS PELA COLUNA NA EDIÇÃO IMPRESSA DESTE SÁBADO (6)

  1. STF não deve devolver direito político a Lula mesmo que Moro seja considerado parcial no caso do tríplex

  2. Ancine define lista tríplice para vaga de diretor substituto e envia nomes a Bolsonaro

  3. DEM não deve pedir mandato de Maia caso ele deixe o partido

  4. Vereador propõe frente parlamentar para acompanhar vacinação em São Paulo

  5. Fechado desde fevereiro de 2020, antigo Cinearte reabre com novo nome e administração

  6. Aisha Mbikila e Didi Effe serão os mestres de cerimônia do Music Video Festival deste ano

  7. Ex-funcionários da Cinemateca relembram incêndio há cinco anos na instituição e cobram agilidade do governo federal

  8. Chay Suede posta foto com a filha, e Viola Davis publica retrato (FOLHA DE SP)

‘Lula me pediu para colocar o bloco na rua’, afirma Haddad

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2021 | 20h04

O ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que recebeu orientação de Luiz Inácio Lula da Silva a “rodar o País” e se apresentar como potencial candidato do PT à Presidência em 2022, caso ex-presidente não restitua seus direitos políticos. 

“Ele (Lula) me chamou para uma conversa no último sábado e disse que não temos mais tempo para esperar”, disse Haddad em entrevista ao site Brasil 247 na noite desta quinta-feira, 4. “Ele me pediu para colocar o bloco na rua e eu aceitei.” 

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Lula está inelegível pela Lei da Ficha Limpa por causa de duas condenações penais, nos casos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, ambos em São Paulo. A defesa do petista, porém, aguarda o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), que vai decidir se o ex-juiz Sérgio Moro agiu com parcialidade nos casos – o que, em tese, pode levar à anulação das condenações e restabelecimento dos direitos políticos do ex-presidente. 

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O impeachment, o ‘efeito Dilma’ e o ‘efeito Getúlio’

João Gabriel de Lima, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2021 | 03h00

Ainda existe clima para o impeachment de Jair Bolsonaro? Em que condições um presidente se torna vulnerável a um processo de impeachment no Brasil?

Para responder a essas perguntas é necessário examinar duas linhas mestras da história política brasileira.

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A primeira é o presidencialismo de coalizão. Tal sistema não é invenção dos constituintes de 1988. A partilha de poder entre Executivos e Legislativos faz parte da cultura democrática brasileira desde o fim da ditadura de Getúlio Vargas. Presidentes que não sabem ou não querem lidar com o fato perdem poder e são engolidos pelo Congresso.

A segunda é que, apesar do DNA presidencialista, o Brasil tem um forte gene parlamentarista. A lei do impeachment é expressão disso. Ela foi aprovada em 1950 por um Congresso que tentou efetivamente implantar o parlamentarismo no Brasil. Não conseguiu, mas criou um mecanismo para manter os presidentes sob controle.

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto; presidente se aliou ao Centrão Foto: Gabriela Biló/Estadão

Os dois fatos embasam a dissertação de mestrado do jornalista João Villaverde, personagem do minipodcast da semana. Ele dissecou os três processos de impeachment envolvendo presidentes brasileiros: Getúlio Vargas em 1954, Fernando Collor em 1992 e Dilma Rousseff entre 2015 e 2016. O estudo lança um olhar analítico sobre um tema que costuma ser encarado de forma passional e traz lições do passado que são essenciais para entender o presente. 

Villaverde examina as cinco condições que, segundo a literatura internacional, impulsionam o impedimento de um presidente: desequilíbrio institucional, provas constitucionais e legais, ausência de maioria parlamentar, baixa popularidade e fatores externos, como crise econômica. Todas as condições se aplicam aos casos de Getúlio, Collor e Dilma. Quatro estariam presentes no caso de Bolsonaro. A exceção é o índice de popularidade, até agora bem superior aos de Collor e Dilma nos momentos em que perderam o cargo.

Bolsonaro, no entanto, se beneficia de um “efeito Dilma”. O impeachment da presidente foi um processo traumático. Ao contrário de Collor, Dilma tinha um partido forte, enraizado na sociedade civil, o que gerou uma mobilização capaz de dividir o País. Depois dela, é inevitável que a classe política pense duas vezes antes de iniciar um processo tão desgastante.

Há outro fator decisivo, calcado nas lições da história. Os afastamentos de Collor e Dilma se consumaram, mas Getúlio sobreviveu. A hipótese de Villaverde é que o fator tempo foi decisivo. O processo de impeachment contra Getúlio foi no fim de seu mandato, próximo à eleição seguinte.

Nos casos de Collor e Dilma ainda havia muito tempo para formar um novo governo. 

O esforço que Bolsonaro fez para controlar a presidência da Câmara – incluindo o “incentivo” de R$ 3 bilhões para arrebanhar o voto de alguns parlamentares, como revelou o Estadão em furo de reportagem – foi, precisamente, para ganhar tempo. Seria ingenuidade acreditar na fidelidade de Arthur Lira e sua trupe caso a popularidade de Bolsonaro derreta e as ruas se encham. Se a lua de mel entre o governo e o Centrão durar até o segundo semestre de 2021, no entanto, o País já estará próximo de uma nova eleição, e a classe política pesará isso. 

Villaverde avalia que a eleição de Arthur Lira diminuiu a possibilidade de impeachment de Bolsonaro, ao menos no curto prazo. Trauma e tempo: o “efeito Dilma” e o “efeito Getúlio” protegem – por enquanto – o presidente brasileiro.

A evolução da demanda de bens industriais

O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2021 | 03h00

Como a produção industrial, o consumo aparente de bens industriais vem crescendo há oito meses. É um sinal de firme e contínua recuperação da atividade industrial. Mas o gráfico da evolução desde o início da pandemia de cada um desses indicadores no resultado acumulado de 12 meses mostra algumas discrepâncias. Há diferença conceitual entre um indicador e outro: o cálculo do consumo aparente exclui da produção de toda a indústria os bens destinados ao mercado externo, mas acrescenta os produtos industrializados que o País importa. Daí o desempenho desigual entre eles.

Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais aumentou 3,6% em dezembro, na comparação com novembro. Com isso, o quarto trimestre de 2020 acumulou alta de 9,4% em relação ao terceiro. Em relação a dezembro de 2019, a alta foi bem mais expressiva, de 20,1%.

Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, de sua parte, também cresceu pelo oitavo mês consecutivo e teve, em dezembro, alta de 0,9% sobre novembro. Também a produção registrou alta expressiva na comparação com igual mês de 2019, com aumento de 8,2%.

 

No resultado acumulado de 12 meses, porém, o desempenho mostra algumas diferenças entre consumo aparente e produção industrial. De meados do segundo semestre de 2019 até o fim do primeiro semestre de 2020, o consumo aparente vinha apresentando resultados melhores do que a produção. Ou subia mais ou caía menos.

Essa tendência mudou em junho do ano passado. O consumo passou a cair mais do que a produção. Assim, no acumulado de todo o ano de 2020, o consumo aparente medido pelo Ipea teve queda de 5,2%; a redução da produção foi menor, de 4,5%, segundo o IBGE.

A diferença teria sido mais ampla se o resultado do consumo aparente de bens industriais em dezembro não tivesse incorporado, por razões contábeis, importações de plataformas de petróleo no total de US$ 4,8 bilhões. Com isso a demanda de bens de capital no mês foi 99,2% maior do que a de novembro.

Resultado muito positivo foi a evolução da demanda acumulada em 12 meses de seis segmentos da indústria, entre os quais outros equipamentos de transporte (13,9%), farmoquímicos (4,2%) e produtos de metais (1%).

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