Previsão de El Niño intenso exige planos de contenção
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa, na sigla em inglês) emitiu, neste mês, um alerta para a formação de um El Niño intenso em 2026. Segundo a agência do governo dos EUA, a probabilidade de que o fenômeno surja entre maio e julho é de 82%, e a de que persista entre dezembro e fevereiro de 2027, de 96%.
Há, ainda, 67% de risco de que ele seja forte ou muito forte. Aliando os dados ao aquecimento global induzido por emissões de carbono, cientistas projetam que este ano poderá superar 2024 como o mais quente já registrado desde meados do século 19.
Governos em todo o mundo precisam, portanto, colocar em prática planos de prevenção e de contenção em infraestrutura, urbanismo, defesa civil e saúde —e o Brasil, em particular, enfrenta dificuldades nessa seara.
El Niño e La Niña são fenômenos climáticos naturais que ocorrem na região equatorial do Pacífico e alteram, em escala global, a circulação dos ventos e das chuvas. Ambos ocorrem a cada dois a sete anos. No primeiro, a superfície da água fica mais quente que o normal por um período de 9 a 12 meses; no segundo, fica mais fria por um a três anos.
O último El Niño se formou em 2023 e durou até junho de 2024. No Brasil, ele causa seca ou redução de chuvas no Norte e no Nordeste e condições meteorológicas opostas no Sul e Sudeste.
Entre 2023 e 2024, o fenômeno, mesmo não tão intenso, produziu estragos aqui. A estiagem fez com que parte dos rios da bacia amazônica caísse aos níveis mais baixos em 120 anos; matas mais inflamáveis arderam em incêndios no pantanal; chuvas intensas causaram a tragédia no Rio Grande do Sul que matou 185 pessoas e desalojou cerca de 500 mil.
Altas temperaturas e elevados índices pluviométricos são propícios ao mosquito Aedes aegypti. Em julho de 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta de que casos de dengue poderiam atingir números recordes devido ao fenômeno El Niño.
Mas o poder público não se preparou. Resultado: em 2024, 6.321 pessoas morreram por dengue no país, segundo o Ministério da Saúde, mais do que a soma dos oito anos anteriores (4.992).
Após a projeção da Noaa, o governo de Santa Catarina decretou alerta climático por no mínimo 180 dias para agilizar a contratação de serviços, obras emergenciais e compra de insumos destinados à ajuda humanitária.
As esferas federal, estadual e municipal têm o dever de se preparar já para os efeitos do El Niño. A experiência mostra que a inação pode ser letal.
Partidos legislam em causa própria na Câmara
De forma sorrateira, a Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (19), um projeto de lei que debilita os já frágeis mecanismos de fiscalização na seara eleitoral e, como se fosse pouco, oferece aos partidos um prêmio que só interessa a eles próprios: a impunidade pelo descumprimento da lei.
A votação desse arremedo de minirreforma eleitoral pouco se distinguiu de uma farsa. Com uma manobra da qual participaram PT, União Brasil, PSD, PP, PC do B, PV e PSB, o tema entrou na pauta de surpresa, de modo a diminuir a chance de haver discussão democrática sobre as regras que estavam sendo propostas.
Para garantir a falta de debate, a sessão ocorreu de forma híbrida, com participação remota de diversos parlamentares e baixa presença em plenário, a tal ponto que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nem sequer ocupou a mesa.
Os deputados decerto sabiam muito bem o que estavam aprontando, pois aprovaram o projeto em votação simbólica, sem necessidade de registro nominal. Ou seja, querem todos os benefícios contidos na nova lei, mas não têm a decência de assumi-lo.
A proposta, que ainda precisará passar pelo Senado, contém um absurdo atrás do outro —a começar pela desenvoltura com que se legisla em causa própria.
O texto estabelece, por exemplo, que uma agremiação resultante da fusão de outras duas ficará isenta das sanções de suspensão ou bloqueio de repasses do fundo partidário previstas contra as antigas siglas. A novidade pode vir a calhar para o Podemos, legenda do relator, o deputado paulista Rodrigo Gambale.
Além disso, o projeto fixa um limite para multas devidas pelos partidos em caso de desaprovação de contas. Hoje, a sigla deve devolver a quantia irregular e pagar, a título punitivo, 20% do valor. Na nova lei, há um teto de R$ 30 mil. Vale dizer, irregularidades acima de R$ 150 mil não merecerão sanções adicionais.
E isso não é tudo, pois os deputados são pródigos quando se trata de restringir o impacto das punições pecuniárias. A vingar a proposta, dívidas das siglas poderão ser renegociadas por até 15 anos e, sob nenhuma hipótese, as legendas se verão impedidas de receber recursos do fundo partidário no semestre eleitoral.
Dado que o dinheiro das agremiações não sai do bolso dos deputados, eles também julgaram conveniente criar um dispositivo para autorizar o pagamento de dirigentes partidários sem necessidade de que seja provado o efetivo desempenho das tarefas.
O pior de tudo é que a proposta representa apenas mais uma no histórico de anistias que os congressistas oferecem às próprias irregularidades. Trata-se de desrespeito reiterado ao contribuinte, pois é dos impostos que sai o dinheiro no qual deputados e senadores se besuntam sem nenhum pingo de responsabilidade.
O Senado, que ainda analisará o projeto, poderá mostrar que não concorda com esse escárnio.
A dependência russa da China
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O presidente da China, Xi Jinping, recebeu, num curto intervalo de tempo, o presidente americano, Donald Trump, e o russo, Vladimir Putin. Os EUA são o principal rival estratégico de Pequim; a Rússia, o seu parceiro mais importante. Mas essas diferenças foram diluídas no simbolismo chinês: Trump e Putin passaram pela mesma capital, sob o mesmo ritual diplomático – coreografia feita para provar que a China tornou-se o eixo incontornável de disputas globais: Ucrânia, Irã, Taiwan, energia, sanções, cadeias produtivas e comércio.
Putin desembarcou com mais demandas que ofertas. A dependência russa não começou com a guerra da Ucrânia, mas foi acelerada por ela. Anos de sanções, desgaste militar e inflação transformaram a China em uma linha vital para Moscou. Petróleo, tecnologia de uso dual, liquidez financeira e cobertura diplomática passaram a fluir por canais chineses.
Essa hierarquia é simbolizada pelo gasoduto que vai ligar a Sibéria à China, tratado pelo Kremlin como projeto estratégico para redirecionar exportações perdidas na Europa. Pequim negocia sem urgência. Quer preços baixos e compromissos flexíveis que lhe permitam seguir diversificando fornecedores. Moscou negocia sob necessidade; a China, sob cálculo. A Rússia continua militarmente perigosa e capaz de desestabilizar a Europa. Mas sua margem de manobra encolheu.
Uma Rússia enfraquecida demais deixaria de cumprir funções importantes para a China. Moscou fornece energia e ajuda a corroer as bases da ordem liberal. Pequim sustenta essa parceria sem assumir integralmente seus custos. Fala em “paz” enquanto municia o esforço militar russo. Mantém retórica de neutralidade enquanto estreita laços com o Kremlin.
A guerra no Golfo tornou essa relação mais relevante. A crise no Estreito de Ormuz expôs a vulnerabilidade marítima chinesa. A energia russa ganhou valor adicional. Isso requalificou a assimetria. Pequim precisa de fornecedores; Moscou, de comprador.
Xi e Putin descrevem esse alinhamento como embrião de uma “ordem multipolar” mais “justa” e “democrática”. A retórica sugere equilíbrio entre soberanias. A prática aponta noutra direção. Ucrânia e Taiwan ocupam lugar central porque expõem uma visão comum: grandes potências devem recuperar capacidade de coerção para delimitar zonas de influência. Países menores passam a depender menos de regras universais e mais da condescendência dos vizinhos fortes.
O eixo revisionista sino-russo, contudo, é menos coeso do que sua retórica sugere. Moscou teme converter-se em fornecedora subordinada de commodities; Pequim evita dependências e administra a parceria em termos cada vez mais chineses. Xi e Putin continuam falando em amizade “sem limites”. Ainda assim, ela se parece cada vez mais com a amizade entre um vassalo e um suserano.
Na teoria, ambos pregam a “multipolaridade”. Na prática, o arranjo que desenham se parece mais com a partilha de esferas de influência que a lógica pós-guerra fria ensaiou conter: não uma pluralidade de soberanias equilibradas, mas um condomínio de grandes potências com prerrogativas especiais sobre suas vizinhanças – a começar pelas da China sobre a Rússia.
Punir o mensageiro não basta
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
É absolutamente legítima a operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o perito criminal João Cláudio Nabas, suspeito de vazar a informação sobre o contrato de quase R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Violação de sigilo funcional é crime previsto no art. 325 do Código Penal e, portanto, agentes públicos com acesso a informações sensíveis devem responder pelo eventual manejo indevido desses dados.
Dito isso, o suposto crime de que o sr. Nabas é suspeito não apaga a materialidade do conteúdo vazado. Ainda que o perito venha a ser processado e condenado, seguirão de pé as informações que realmente importam para o País, quais sejam, a de que o encalacrado banqueiro Daniel Vorcaro tinha relações próximas, compradas a peso de ouro, com Alexandre de Moraes, contexto que exige uma explicação convincente desse ministro do STF.
A nota divulgada pelo gabinete do ministro, em março, limitou-se a negar contato entre Moraes e Vorcaro num dado momento. Entretanto, as mensagens apreendidas pela PF, como revelado pela imprensa, apontam em direção diametralmente oposta. Já os argumentos apresentados pelo escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados para justificar o multimilionário contrato firmado com o Banco Master, de tão indigentes, soaram como uma ofensa à inteligência alheia que só aumentou as suspeitas sobre sua real natureza, ao invés de dissipá-las.
O Estadão, recorde-se, ouviu advogados de reconhecida reputação no mercado e demonstrou que os valores atribuídos aos serviços supostamente prestados pela sra. Viviane de Moraes destoam do parâmetro usual da advocacia empresarial brasileira, mesmo em seu mais alto nível. Honorários daquela monta costumam estar associados a litígios bilionários ou operações de extrema complexidade, envolvendo grandes equipes e múltiplas bancas especializadas. Não parecia – e segue não parecendo – ser o caso do trabalho desempenhado pela mulher de Moraes para o Banco Master, o que autoriza a suspeita de que o contrato, na verdade, tenha sido o meio encontrado por Vorcaro para comprar o acesso ao ministro, sabe-se lá para quê.
Fosse nossa república um tanto mais avançada, relações financeiras dessa magnitude envolvendo familiares de um ministro do STF e um notório escroque sob intensa vigilância regulatória e policial despertariam a imediata mobilização da Procuradoria-Geral da República (PGR). O que se vê, porém, é que a reação predominante do sr. Paulo Gonet e de setores da PF tem sido o silêncio obsequioso diante de autoridades denunciadas e a sanha punitiva contra servidores que, do jeito certo ou errado, as denunciaram.
O caso de João Nabas não é o primeiro. Um ex-assessor de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, também sentiu o peso do aparato persecutório do Estado depois de denunciar supostas irregularidades na produção de relatórios utilizados nos intermináveis e opacos inquéritos conduzidos por Moraes no STF. Servidores da Receita Federal que acessaram dados ligados à família do ministro e de alguns colegas dele na Corte também foram acordados pela polícia à porta. O recado a todos os servidores não poderia ser mais claro: não ousem chegar perto de autoridades que julgam estar ao abrigo do devido escrutínio público.
Para evitar esse tipo de coação, mesmo velada, existe o Ministério Público. A PGR, porém, continua fingindo que não há o que investigar no envolvimento de ministros do STF com o caso Master. Mas não custa lembrar: a missão institucional do sr. Gonet não é assegurar a tranquilidade de seus confrades nas altas rodas de Brasília. Seu dever como defensor da sociedade e da ordem jurídica é investigar fatos potencialmente criminosos, sobretudo quando envolvem autoridades investidas de enorme poder.
A investigação sobre o eventual vazamento praticado por João Nabas deve seguir seu curso regular, com respeito ao devido processo legal. Mas o País não pode aceitar que a punição do mensageiro impeça a apuração da mensagem. As relações entre Moraes, sua família e Vorcaro continuam muito mal explicadas.
Abuso de poder econômico é legalizado
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que libera doações do Poder Executivo durante a campanha eleitoral foi uma das mais graves afrontas do Congresso à lei eleitoral e aos princípios republicanos da impessoalidade e do bom uso do dinheiro dos contribuintes. Deputados e senadores arrombaram os cofres públicos para uso descarado da máquina pública como instrumento de compra de votos. Legalizaram, na prática, o abuso de poder econômico.
Ao permitir que, por meio de emendas ao Orçamento, prefeitos, governadores e o próprio presidente se beneficiem eleitoralmente da distribuição de cestas básicas, ambulâncias, dinheiro e outras benesses durante a campanha, o Congresso tratou os eleitores como reles peões a serviço de seus desígnios de poder, não como cidadãos plenos de direitos.
Em português cristalino, o Tribunal Superior Eleitoral define em seu glossário que o abuso de poder econômico ocorre quando há “utilização excessiva de recursos materiais ou humanos que representem valor econômico para beneficiar candidatos, partidos ou coligações, comprometendo a normalidade e a legitimidade das eleições”. Foi exatamente a prática desse ilícito eleitoral que o Congresso decidiu liberar. É um ultraje.
A Lei Eleitoral proíbe o abuso de poder econômico por uma razão elementar: impedir que governantes transformem o Orçamento que eles mesmos executam em caixa de campanha. A rigor, trata-se do princípio da paridade de armas, viga mestra de qualquer democracia representativa decente. Um mandatário não pode concorrer à reeleição em condições mais vantajosas do que as de seus adversários, que não detêm controle sobre a máquina pública. Sem esse dique civilizatório, a campanha eleitoral deixa de ser uma disputa entre projetos políticos divergentes para se tornar uma demonstração de força patrocinada pelos contribuintes.
O mais escandaloso é que o despropósito da decisão do Congresso guarda estreita relação com a dissimulação do Palácio do Planalto. Lula vetou o dispositivo em termos absolutamente corretos: a permissão das doações durante a campanha é incompatível com a legislação eleitoral, viola a Constituição e contraria o melhor interesse público. Mas o suposto republicanismo do presidente não resiste ao fato de que Lula liberou a base governista para derrubar seu próprio veto. Compreende-se: ele mesmo em campanha pela reeleição, o petista é beneficiário direto dessa sem-vergonhice.
Em nota técnica, as consultorias legislativas da Câmara e do Senado advertiram, em defesa da manutenção do veto presidencial, que o espírito da lei sempre foi impedir o uso da máquina pública em favor de candidaturas e preservar a igualdade entre os candidatos, estejam ou não no exercício do mandato. O alerta foi olimpicamente ignorado pelos parlamentares, decerto como aceno aos milhares de prefeitos que estiveram em Brasília esses dias para a Marcha dos Prefeitos.
Sem o menor constrangimento, o Congresso decidiu acabar com a fronteira entre o exercício de mandato eletivo e o vale-tudo eleitoral, o que é revelador do absoluto descompromisso dos parlamentares com padrões mínimos de decência republicana. Ficou claro que, entre a manutenção de seus nacos de poder – e, a reboque, de todas as eventuais vantagens pecuniárias que isso representa – e o respeito à lei e à moralidade pública, a maioria dos parlamentares fez sua opção.
É difícil imaginar um ato mais destrutivo para a democracia representativa do que permitir aos governantes ampliar sua vantagem eleitoral, que já é enorme pelo simples fato de estarem no poder, mediante a apropriação da máquina pública como instrumento de campanha. Num país marcado historicamente pelo patrimonialismo, pelo clientelismo e pela confusão entre interesse público e negócios privados, a decisão do Congresso é um tremendo retrocesso.
O Brasil levou décadas para construir mecanismos mínimos de controle sobre o uso do aparato estatal em campanhas eleitorais. Agora, em nome de conveniências políticas de ocasião, em particular as dificuldades de alguns incumbentes implicados no caso Master, todo esse esforço foi jogado na lata do lixo.
MPCE reúne membros do STJ e ministro da Justiça em Seminário de combate ao crime
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) promove, no próximo dia 29 de maio, quinta-feira, o Seminário Nacional 'Criminalidade Organizada e Sistema de Justiça'. O evento terá palestra de dois ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entre eles, o cearense Teodoro Silva Santos, e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
O Seminário vai acontecer no auditório da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), das 8h30 às 12h, e se propõe a debater as respostas institucionais do Estado Brasileiro ao crime organizado.
Especialistas reunidos
O ministro Teodoro Silva Santos, é um dos palestrantes. Especialista em Direito Penal e Segurança Pública, o magistrado tem trajetória consolidada no sistema de Justiça Criminal. Ele defende uma reforma nas polícias brasileiras e mecanismos permanentes de financiamentos da Segurança Pública.
Natural de Juazeiro do Norte, Teodoro já foi delegado de polícia, membro do Ministério Público do Ceará e desembargador do Tribunal de Justiça do Estado (TJCE).
Outras autoridades como Carlos Brandão Pires, também membro do STJ, e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, vão palestrar no evento organizado pelo Ministério Público do Estado.
O Seminário será conduzido pelo procurador-geral de Justiça do Estado, Herbet Gonçalves.
Palestrantes do evento
- Teodoro Silva Santos — Ministro do STJ
- Carlos Pires Brandão — Ministro do STJ
- Wellington Lima e Silva — Ministro da Justiça
- Juliana Mamede — Professora de Direito/Unifor
- Pierpaolo Bottini — Professor de Direito Penal/USP
- Oscar Stefano Fioravanti — Coordenador do Gaeco/MPCE
- André Clark — Coordenador do Caocrim/MPCE

