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A ferocidade primitiva de Trump expõe vulnerabilidades brasileiras

Por William Waack / O ESTADÃO DE SP

 

 

Donald Trump ouviu as preces, vindas também do Brasil, e está empenhado em destruir a pax americana (“pax” nesse contexto significa “ordem”). Azar nosso, pois ironicamente o mundo que está indo embora servia melhor a uma potência média e vulnerável como o Brasil se comparado à situação que está se desenhando rapidamente.

 

O problema que se apresenta já não é mais manter a necessária equidistância entre China e Estados Unidos, sendo bastante conhecida nossa dependência de mercados na Ásia e de insumos vindos de países ocidentais. Uma das lições centrais deixadas por Trump no tratamento da questão da Ucrânia é a de que ele considera que as potências “menores” não têm opções – só as que ele determina.

 

Assim é a ordem dos “fortões” e a implícita divisão tripartite do planeta, com seus ecos distantes de Yalta. Não está muito claro ainda o que Trump designou para “seu” pedaço do bolo, que parece ser o hemisfério das Américas (a Europa e Eurasia é problema de Putin e a Ásia de Xi Jinping). Mas está claro que não há “caminhos próprios” para os menores. Não importa quais sejam.

 

Isso pode parecer primitivo ao extremo, mas Trump é primitivo ao extremo -- o que inclui sua falta de compreensão para o fato de que super potências são fortonas pois presidem um sistema de alianças, com um mínimo de reciprocidade em várias instâncias e o reconhecimento de algum grau de inter dependência. É bastante provável que “America First” acabe pagando um preço altíssimo por conta de tamanha ignorância, mas isto está um pouco adiante ainda.

 

Por motivos comerciais e ideológicos, o Brasil aumentou como alvo aos olhos de Washington. E se uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China eventualmente abre oportunidade de curto prazo para exportações do agro brasileiro, a evolução da situação geopolítica, tal como a verificamos agora, tende a fechar oportunidades para o Brasil.

Esse resultado não se deve apenas a Trump. Está associado em larga medida ao fato de que, em termos de política externa, nos últimos anos a vida foi nos levando. Sem que o País tivesse desenvolvido qualquer coisa remotamente parecida a uma “estratégia”, ou sequer um debate abrangente sobre o que o País quer ser e qual seu lugar no mundo. Durante décadas fizemos a opção preferencial de olhar para nosso umbigo.

 

O que Trump está expondo brutalmente é o fato de que somos altamente vulneráveis ao que outros pretendem decidir sobre nossos destinos. E é limitada nossa capacidade de reação ao que possamos considerar inaceitável ou indigno. Ou contrário aos nossos interesses. Quais, mesmo?

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Opinião por William Waack

Jornalista e apresentador do programa WW, da CNN

Imposto de Renda 2025: Quando começa a declaração? Como se preparar? Qual é o prazo?

Cristiane GercinaLuciana Lazarini / FOLHA DE SP

 

O prazo para entregar a declaração do IR (Imposto de Renda) 2025 deve começar ainda na primeira quinzena de março, provavelmente a partir do dia 17 de março. A Receita Federal não divulgou a data exata, mas, desde 2023, o prazo vai de 15 de março a 31 de maio.

Neste ano, o dia 15 de março cai em um sábado, por isso, a entrega deve ter início na segunda-feira (17). Quem é obrigado a declarar e não entrega no prazo paga multa mínima de R$ 165,74.

A instrução normativa que define todos os detalhes da temporada do Imposto de Renda ainda não foi divulgada pela Receita. Como o governo ampliou a faixa de isenção, o valor de rendimentos tributáveis que obriga o contribuinte a prestar contas deverá mudar com relação ao limite que valeu na última declaração.

Segundo o diretor-executivo da Confirp, Richard Domingos, neste ano deve estar obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 33.704 em 2024. Na última declaração, esse limite foi de R$ 30.639,90. São exemplos de rendimentos tributáveis valores de salários, aluguéis recebidos, aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

 

Quem entrega a declaração no começo do prazo e sem erros tem mais chances de receber nos primeiros lotes de restituição.

Os contribuintes já podem começar a se preparar para a declaração. O IR é declarado no ano seguinte ao recebimento dos valores. Empresas e órgãos públicos tinham até a última sexta-feira (28) para entregar o informe de rendimentos para a declaração do IR 2025 de seus funcionários e colaboradores.

O documento é utilizado como base para que os trabalhadores possam declarar seus rendimentos à Receita Federal. O empregador que não disponibilizou pode ser multado em R$ 41,43 por informe.

O documento deve conter todas as informações referentes aos pagamentos feitos no ano de 2024, como: salário, 13º, férias, prêmios, PLR (Participação nos Lucros e Resultados), descontos de plano de saúde e outros. Também deve conter o nome e o CNPJ da fonte pagadora.

Outras fontes, como bancos e corretoras de valores, também devem fornecer o documento referente aos rendimentos de aplicações financeiras dos seus clientes.

Caso o empregador não tenha fornecido o informe, o profissional deve fazer a solicitação ao setor de recursos humanos. Se, mesmo assim, o envio não ocorrer, é possível fazer uma denúncia na Ouvidoria da Receita Federal, pelo site https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/canais_atendimento/ouvidoria.

Tire suas dúvidas sobre o Imposto de Renda 2025

  • Quem precisa declarar o Imposto de Renda 2025?

  • Tabela do imposto de renda

  • Que documentos preciso separar para declarar o IR?

  • Qual é o valor das deduções do IR?

  • Como declarar o IR?

  • Quando a restituição do Imposto de Renda é paga?

QUEM PRECISA DECLARAR O IMPOSTO DE RENDA 2025?

A Receita Federal ainda não divulgou todas as regras para a declaração do Imposto de Renda 2025, assim, algumas alterações em relação ao total utilizado como rendimento tributável em 2024 devem ser feitas.

Na última declaração do IR, estava obrigado a declarar quem:

  • Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 30.639,90 no ano anterior, incluindo salários, aposentadorias, aluguéis e prestação de serviços como autônomo. Como o governo ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda no ano passado, esse valor deve mudar. Esse valor deve subir para R$ 33.704 no ano anterior
  • Aqueles que receberam rendimentos isentos, como FGTS, indenização trabalhista e pensão alimentícia, superiores a R$ 200 mil
  • Contribuintes que obtiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos sujeitos à incidência do IR
  • Quem teve receita bruta de atividade rural superior a R$ 153.199,50 ou deseja compensar prejuízos de anos anteriores na atividade rural
  • Proprietários de bens cujo valor total ultrapassava R$ 800 mil
  • Investidores que realizaram operações em Bolsas de valores, mercadorias, futuros e similares acima de R$ 40 mil ou que apuraram ganhos líquidos sujeitos ao imposto
  • Pessoas que se tornaram residentes no Brasil e permaneceram nessa condição até 31 de dezembro
  • Aqueles que venderam imóveis residenciais e optaram pela isenção do imposto sobre o ganho de capital, desde que o valor da venda tenha sido aplicado na compra de outro imóvel dentro de 180 dias
  • TABELA DO IMPOSTO DE RENDA

    A tabela mensal ou anual de desconto do Imposto de Renda é uma orientação para que os contribuintes saibam a partir de que valor há obrigatoriedade de fazer o recolhimento do tributo e quem está isento do IR.

    TABELA MENSAL DO IR A PARTIR DE FEVEREIRO DE 2024

    Base de cálculo (R$)Alíquota (%)Parcela a deduzir do IR (R$)
    Até 2.259,20 0 0
    De 2.259,21 até 2.826,65 7,5 169,44
    De 2.826,66 até 3.751,05 15 381,44
    De 3.751,06 até 4.664,68 22,5 662,77
    Acima de 4.664,68 27,5 896,00

    TABELA ANUAL DE INCIDÊNCIA DO IR EM 2024

    Base de cálculoAlíquotaDedução
    Até R$ 26.963,20 - -
    De R$ 26.963,21 até R$ 33.919,80 7,5% R$ 2.022,24
    De R$ 33.919,81 até R$ 45.012,60 15,0% R$ 4.566,23
    De R$ 45.012,61 até R$ 55.976,16 22,5% R$ 7.942,17
    Acima de R$ 55.976,16 27,5% R$ 10.740,98

    QUE DOCUMENTOS PRECISO SEPARAR PARA DECLARAR O IR?

    Dentre os principais documentos estão recibos e notas de despesas médicas e de educação, comprovantes de compra e venda de veículos ou imóveis no ano passado, informe de rendimentos da empresa onde trabalha ou para a qual prestou serviço em 2024 e extratos bancários. Também é necessário:

    • Dados pessoais (CPF, endereço atualizado, título de eleitor, dados da conta bancária para débito ou crédito da restituição)
    • Pagamentos feitos a advogados, engenheiros, corretagem em aluguéis, compra e venda de imóveis

    • Doações e serviços de crédito

    • Despesas médicas e odontológicas

    • Despesas com empregados domésticos

    Leia mais

    • Veja quais são os gastos que dão dedução no Imposto de Renda 2025

    • Empresas devem entregar informe de rendimentos do Imposto de Renda 2025 até sexta-feira (28)

    • Receita abre consulta a lote residual do Imposto de Renda nesta sexta (21)

    QUAL É O VALOR DAS DEDUÇÕES DO IR?

    As despesas dedutíveis são gastos do contribuinte que reduzem o imposto devido pelo contribuinte.

    Na última declaração, os valores foram os seguintes:

    • Dedução por dependente: R$ 2.275,08 (valor mensal de R$ 189,59)
    • Limite anual de despesa por com educação: R$ 3.561,50
    • Limite anual do desconto simplificado (desconto-padrão): R$ 16.754,34
    • Para despesas de saúde devidamente comprovadas não há limite de valores
    • Cota extra de isenção para aposentados e pensionistas a partir de 65 anos: R$ 24.751,74 no ano (R$ 22.847,76 mais R$ 1.903,98 relativos ao 13º salário)

    COMO DECLARAR O IR?

    A declaração do IR poderá ser feita de três formas: ao baixar o programa gerador do imposto no computador, pelo aplicativo para celular ou tablet Meu Imposto de Renda, ou online, pelo eCAC, que é o centro de atendimento virtual da Receita.

    É preciso ter senha do portal Gov.br com certificação ouro ou prata para a declaração pré-preenchida.

QUANDO A RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA É PAGA?

restituição deve ser paga em cinco lotes, sendo que o primeiro está previsto para o final de maio, no último dia do prazo para entrega da declaração. A Receita ainda não divulgou, porém, as datas exatas de pagamento. Há uma lista de prioridades para o pagamento, que segue esta ordem:

  • Idoso com 80 anos ou mais
  • Idoso com 60 anos ou mais, e pessoa com deficiência e com doença grave
  • Contribuintes cuja maior fonte de renda é o magistério
  • Contribuintes que moram no Rio Grande do Sul
  • Contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram por receber a restituição por Pix
  • Demais contribuintes

O pagamento dos lotes vai até setembro. Quem cai na malha fina e entrega declaração retificadora volta para o fim da fila. Os contribuintes que recebem a partir do segundo lote têm direito à correção da restituição pela Selic, taxa básica de juros da economia.

Governo calcula perda de quase R$ 1,3 tri com renegociação de dívida dos estados

Idiana Tomazelli / FOLHA DE SP

 

 

A União pode abrir mão de quase R$ 1,3 trilhão de receitas financeiras até 2048 com a renegociação da dívida dos estados, aprovada por meio do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados).

Esse é o impacto potencial do texto sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo cálculos do próprio Tesouro Nacional obtidos pela Folha por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).

Até então, o órgão só havia divulgado dados referentes aos primeiros cinco anos de vigência do novo programa, sem dar publicidade ao impacto integral, incluindo os períodos seguintes.

Além disso, o cálculo foi feito só depois da aprovação do projeto pelo Congresso Nacional, eliminando a possibilidade de os números servirem de alerta aos parlamentares sobre o risco para as contas do país.

 

Embora os valores retratem a hipótese de adesão de todos os estados, quatro deles respondem, sozinhos, por 90% da dívida com a União: São PauloMinas GeraisRio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Na prática, significa que seu ingresso já será suficiente para materializar a maior parte das perdas estimadas pelos técnicos.

Para chegar aos números, o Tesouro Nacional simulou as prestações devidas pelos estados sob as regras atuais e em dois cenários do Propag. Em um deles, as perdas anuais começam em R$ 30 bilhões e alcançam R$ 82,6 bilhões —seria como abrir mão de 18% a 50% do orçamento do Bolsa Família por ano.

Desde 18 de fevereiro, a reportagem tentou obter esclarecimentos adicionais sobre as projeções, mas o órgão não respondeu.

A perda de receitas financeiras não afeta o limite de despesas do arcabouço fiscal, nem o cumprimento das metas de resultado primário, mas pode impulsionar a dívida pública do país.

Hoje, a União usa esses recursos para honrar seus próprios compromissos. Deixar de recebê-los amplia a necessidade do governo federal obter financiamento do mercado financeiro para rolar sua dívida e quitar obrigações.

Do lado dos estados, a redução do endividamento pode abrir espaço para ampliar gastos. A combinação desses resultados tende a agravar a percepção de risco fiscal, afetando câmbio, juros e, consequentemente, o custo da dívida pública.

O Propag prevê duas mudanças significativas nos encargos da dívida dos estados com a União. A primeira delas é a possibilidade de reduzir os juros reais de 4% para 0% ao ano, mediante entrega de ativos ou compromisso com investimentos em áreas específicas.

A segunda é a simplificação do coeficiente de atualização monetária da dívida, que hoje segue uma fórmula complexa e resulta em uma correção ao redor de 6,5% ao ano, acima da inflação. O texto substitui essa variável pelo IPCA, que deve ficar em 5,65% em 2025, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.

O impacto de quase R$ 1,3 trilhão nas receitas financeiras da União até 2048 considera o cenário em que todos os estados façam adesão ao Propag na modalidade com juro real zero. Essa seria a opção mais vantajosa para os entes regionais.

Em outro cenário, com menos exigências e cobrança de juro real de 2% ao ano, a adesão de todos os estados implicaria uma renúncia de quase R$ 794 bilhões em receitas financeiras até 2047, segundo os dados do Tesouro Nacional.

Em ambos os casos, a União passa a ter um ganho de receitas no fim da década de 2040, quando os estados pagarão parcelas maiores que as atuais devido ao alongamento da dívida. Ainda assim, isso é insuficiente para compensar as perdas acumuladas nas mais de duas décadas que precedem essa etapa.

Para obter o benefício máximo (juro zero), os estados precisam abater 20% do saldo devedor mediante entrega de ativos, ou destinar parte do alívio a investimentos em educação, infraestrutura de saneamento, habitação, adaptação às mudanças climáticas, transportes ou segurança pública. É possível também optar por uma combinação intermediária das duas contrapartidas.

Quando fez a divulgação dos impactos do programa no período de cinco anos, o Tesouro incluiu na conta o ganho que teria com a apropriação dos ativos (como ações de empresas estatais ou imóveis), um valor equivalente a R$ 162,5 bilhões. Essa cifra é maior do que a perda de receitas verificada em cinco anos (R$ 157 bilhões). O Tesouro usou esse dado para apontar um suposto lucro com o Propag.

Mas os dados obtidos pela Folha mostram que o ganho é muito menor do que o impacto total da renegociação. Além disso, os cálculos desconsideram o fato de que esses ativos nem sempre representam dinheiro imediato, e a venda pode ocorrer por um preço distinto.

Alguns estados, por sua vez, veem obstáculos à adesão com juro zero, uma vez que a entrega de ativos depende do sinal verde da União. Mas técnicos experientes em contas públicas avaliam que o texto é abrangente e permite enquadrar gastos já realizados pelos estados nos investimentos previstos na lei. Em outras palavras, eles teriam brecha para aderir à modalidade mais vantajosa sem assumir novas obrigações.

A economista Selene Nunes, que atuou na elaboração da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e é especialista em finanças públicas, critica o fato de o Tesouro Nacional não ter divulgado o impacto integral do Propag, sobretudo durante a tramitação do projeto no Congresso.

"Eu acho importante mostrar para os parlamentares, para que eles tenham consciência do que isso representa para o país. Isso certamente impacta o mercado", diz.

Para ela, a ausência de avaliação de impacto durante a tramitação de um projeto é negativa para o cumprimento das regras fiscais. "O Brasil foi precursor de um modelo que combina regras com transparência. Se você solapa a transparência, você impede que os agentes políticos atuem no sentido de cumprir as regras, porque o impacto fica escondido."

A economista afirma que as conversas sobre a dívida dos estados partiram do pleito inicial de revisão do coeficiente de atualização monetária, considerado muito duro pelos estados. "A questão foi escalando no Congresso Nacional. Em alguns casos, a dificuldade [de pagamento] realmente é grande, mas eles alegam que o que está sendo feito por eles ainda é insuficiente. Fica muito complicado. Não dá para tratar todos com equidade e a conta é da União."

Ela ressalta que as projeções mais recentes do próprio Tesouro, que apontam dívida bruta acima de 80% do PIB (Produto Interno Bruto), não incluem os efeitos do Propag. "O que vai acontecer? Você sinaliza para o mercado que vai ter um aumento de dívida ao longo do tempo, e [não há] nenhuma iniciativa do governo para reduzir gasto."

PRAZO PARA ADESÃO AO PROPAG ACABA EM DEZEMBRO

O Propag tem como objetivo renegociar as dívidas dos estados e do Distrito Federal com a União. O texto foi sancionado por Lula em janeiro.

O prazo para aderir ao programa termina em dezembro de 2025.

Na sanção do projeto, Lula manteve um dispositivo que permite federalizar estatais para abater parte do saldo devedor.

Esse é um dos pilares da proposta patrocinada pelo ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que defende a federalização de estatais de Minas Gerais.

Petrobras afunda na Bolsa e perde R$ 24,5 bi em dia de caos após balanço

Por Beatriz Rocha / O ESTADÃO DE SP

 

 

As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) tiveram um dia difícil na B3 e lideraram as perdas do Ibovespa nesta quinta-feira (27). Enquanto os papéis ordinários (PETR3) fecharam em queda de 5,56% a R$ 39,24, os preferenciais (PETR4) encerraram em baixa de 3,53% a R$ 36,61.

 

Com o desempenho negativo, a empresa perdeu R$ 24,48 bilhões em valor de mercado, um número próximo ao valor da Porto Seguro (PSSA3), avaliada em R$ 24,6 bilhões. No fechamento do mercado, a petroleira estava cotada a R$ 491,4 bilhões, inferior aos R$ 515,9 bilhões do dia anterior, de acordo com dados de Einar Rivero, CEO e sócio-fundador da Elos Ayta Consultoria.

A forte reação das ações da Petrobras ocorreu após a petroleira liberar seu balanço do quarto trimestre de 2024 na noite de quarta-feira (26). A empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 17 bilhões, revertendo o lucro de R$ 31 bilhões registrado no mesmo período de 2023.

 

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De acordo com a estatal, o resultado da Petrobras no 4º tri foi impactado pela desvalorização cambial e maiores provisões nas despesas operacionais. Desconsiderando os eventos exclusivos, a empresa teria registrado lucro de R$ 17,7 bilhões.

Para João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, de maneira geral, o desempenho da companhia no quarto trimestre de 2024 ficou abaixo das expectativas, o que acende um sinal de alerta, especialmente em relação ao desempenho operacional e aos investimentos da Petrobras.

O analista, no entanto, afirma ser necessário esperar pelos próximos balanços antes de realizar conclusões definitivas. “Apesar dos desafios, mantemos uma perspectiva positiva em relação à Petrobras e aguardamos os resultados do primeiro trimestre de 2025, que devem nos fornecer uma visão mais clara sobre a normalização das operações da companhia”, afirma.

O balanço do 4t24 em detalhes

Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a capacidade de geração de caixa da companhia, ficou em R$ 40,96 bilhões no quarto trimestre de 2024, queda de 38,7% na base anual e recuo de 35,7% em relação ao terceiro trimestre de 2024.

receita de vendas no período, R$ 121,26 bilhões, caiu 9,7%, frente ao quarto trimestre de 2023 (R$ 134,25 bilhões), e 6,4% em relação ao terceiro trimestre do ano (R$ 129,58 bilhões).

Já o fluxo de caixa livre da companhia no quarto trimestre atingiu R$ 21,7 bilhões, 45,5% menor do que há um ano e 42,9% abaixo do trimestre imediatamente anterior.

fluxo de caixa operacional, por sua vez, atingiu R$ 47,66 bilhões no período, sendo 17,3% menor do que o reportado no mesmo intervalo de 2023 e 24% inferior ao do terceiro trimestre de 2024. A Petrobras informou, ainda, que o preço médio do barril do petróleo do tipo Brent nos últimos três meses de 2024 ficou em US$ 74,69, queda de 11,1% na comparação com o mesmo período de 2023 e de 6,8% com relação ao registrado nos três meses anteriores.

Preocupação com o capex e dividendos

Um fator que gerou grande preocupação foi o capex (despesas de capital), que atingiu US$ 5,7 bilhões no último trimestre de 2024, totalizando investimentos de US$ 16,6 bilhões no ano passado. Como resultado, a empresa anunciou dividendos de US$ 1,6 bilhão (rendimento de 1,8%), abaixo da estimativa da Ágora Investimentos e do Bradesco BII de US$ 2,5 bilhões.

“Altos níveis de capex (investimentos) na Petrobras sempre trazem preocupações. O mercado ficará de olho nos níveis de capex nos próximos trimestres, que devem cair, de acordo com a administração. O resultado não muda nossa recomendação de compra, mas cria um ponto de atenção”, destacam os analistas Vicente Falanga, do BBI, e Ricardo França, da Ágora.

De acordo com a Empiricus, a gestão da Petrobras justificou que o aumento do capex ocorreu por conta de antecipações de investimentos que deveriam ser feitos em 2025 e que, portanto, não deveriam afetar a perspectiva de geração de caixa futura da companhia. “Ainda assim, esse é um tema que volta a preocupar os investidores e que será acompanhado de perto pelo mercado nos próximos resultados”, destaca a corretora, que mantém recomendação neutra para os papéis.

O que fazer com as ações agora?

A XP tem recomendação de compra para a Petrobras com preço-alvo de R$ 46,00 para o fim de 2025. O Itaú BBA também mantém a mesma indicação, mas com um preço-alvo um pouco mais baixo, de R$ 49. Outro banco otimista com o papel é o BTG Pactual, que enxerga que “momentos de pânico” costumam gerar boas oportunidades de compra para os papéis da petroleira.

 

“Nos últimos anos, episódios de pânico excessivo em torno de trocas de CEOpolíticas de preços de combustíveis e riscos de fusões e aquisições frequentemente criaram oportunidades atraentes para comprar a ação”, afirmam os analistas Luiz Carvalho, Pedro Soares e Henrique Pérez em relatório.

Quem está receosa, no entanto, é a Genial Investimentos. Os analistas da casa contam que o fato de a empresa ter colocado o pé no acelerador dos investimentos pode causar uma redução nos dividendos. Assim, eles preferem não correr o risco da tese. A corretora tem recomendação de “manter” para a Petrobras, equivalente à neutra, com preço-alvo de R$ 48,00.

 

PETROBRAS

Estadão Analisa com Carlos Andreazza: “Lula e o tripé da rejeição”

Por Redação / O ESTADÃO DE SP

 

 

No “Estadão Analisa” desta sexta-feira, 28, Carlos Andreazza fala sobre Lula e o ‘tripé da rejeição’ do presidente. Erros na economia, apatia política e desconexão com a vida real do brasileiro são os fatores que consolidaram o pior momento do petista em seus três mandatos.

 

A popularidade do governo Lula derrete em todo o País e a reprovação da gestão petista já passa de 60% em pelo menos seis Estados, de acordo com pesquisa Quaest divulgada esta semana. E, por mais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus asseclas tentem apontar culpados ou eventos isolados, fato é que o chefe do Executivo estabeleceu um “tripé de rejeição”, ao longo dos últimos dois anos, até amargar esse resultado.

 

Os três fatores que empurram o governo ladeira abaixo são apontados por integrantes da própria base aliada a Lula: erros na economia, apatia política e desconexão com a vida real do brasileiro.

 

Os termos compilam uma série de decisões e declarações de Lula que tiveram impacto negativo evidenciado pelas pesquisas.

 

Sobre o programa

Acompanhe Estadão Analisa com o colunista Carlos Andreazza, de segunda a sexta-feira às 7h, com uma curadoria dos temas mais relevantes do noticiário.

Impopularidade como a de Lula e inflação andam juntas e, quando disparam, ninguém segura

Por Eliane Cantanhêde / O GLOBO

 

 

Impopularidade de presidentes é como inflação: ambas começam por motivos objetivos, concretos, passam a sofrer efeito psicológico, se retroalimentar e fugir do controle. O presidente Lula enfrenta impopularidade e inflação em alta mesmo tempo, até porque as duas têm tudo a ver e, juntas, foram decisivas, por exemplo, para Donald Trump e Javier Milei derrotarem os candidatos à reeleição nos Estados Unidos e na Argentina.

 

E não estavam sozinhas, pois foram e são embaladas pela crise e o descrédito do sistema político e das instituições mundo afora e foram e são massificadas pela orquestração da oposição na internet, que se transformou no grande fator político, capaz de embolar o jogo e confundir líderes e opinião pública.

 

A pesquisa Quaest desta semana é devastadora para Lula, reprovado por mais de 60% em São Paulo, Minas e Rio, os maiores eleitorados do País, e em queda acentuada em Pernambuco, seu estado natal, onde é campeão de votos faça chuva ou faça sol, e na Bahia, governada pelo PT há duas décadas. Aliás, por Rui Costa, chefe da Casa Civil, e Jaques Wagner, líder do governo no Senado. Lula venceu em 2022 por uma margem apertada de votos. E sem o Nordeste?

 

Lula 3 concilia um líder cansado e desatualizado, falta de estratégia, rumo e marca, base parlamentar frágil e oposição feroz e ativa nas redes sociais, sem perspectiva de melhora. Lula, seu governo, o Congresso e a oposição não vão mudar – nem com a “reforma ministerial”, que está virando dança de cadeiras do PT, nem com a eventual, ou previsível, prisão de Jair Bolsonaro.

 

Lula teve o grande momento na vitória, na posse colorida, no enfrentamento ao 8/1 e o belo slogan “o Brasil voltou”, mas foram todos simbólicos, animadores de torcida. O problema começou junto com a rotina, decisões, ações, sinalizações, quando foi ficando claro algo um tanto constrangedor: Lula não tinha assimilado as mudanças do Brasil e do mundo, nem na política, nem na economia, nem na comunicação. Estava no passado.

 

Teria sido fácil brilhar na comparação com Bolsonaro em política externa, saúde, educação, cultura, ambiente... mas alguém é capaz de lembrar de algum golaço em alguma delas? O que todos lembramos é de Lula estendendo tapete vermelho para Maduro, a dengue disparando, as interferências na Petrobras, a insistência na exploração de petróleo na Margem Equatorial no ano da COP-30 no Brasil.

 

Se algo andou bem foi na economia no primeiro ano, com surpresas positivas no PIB, emprego, inflação, mas, assim como São Sidônio Palmeira, também Dom Fernando Haddad não faz milagre e vem dando sinais de cansaço e isolamento ao ser atacado pelo PT, confrontado pela Casa Civil e desautorizado publicamente por Lula. Nem se sabe qual é, afinal, a política econômica do governo.

 

Sobre Janja, não se fala, mas não custa lembrar que Lula reclamou pelas redes sociais de uma coluna minha publicada neste espaço, em setembro de 2021, que me parece bem atual. Título: “Golpe de Mestre”. Um golpe de mestre que Lula não soube dar.

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Opinião por Eliane Cantanhêde

Comentarista da Rádio Eldorado, Rádio Jornal (PE) e da GloboNews

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