Mais uma alta de imposto corrói a credibilidade de Lula
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) só toma medidas para conter o rombo das contas públicas sob pressão das circunstâncias. Quando o faz, recorre a remendos que não miram as causas do desequilíbrio orçamentário. Nos piores momentos, improvisos evidentes comprometem a credibilidade da política econômica. Foi o que ocorreu na quinta-feira (22).
Havia algo de correto a ser anunciado, embora por razões nem tão edificantes —um congelamento preventivo de R$ 31,3 bilhões em desembolsos para compensar previsões pouco realistas do Orçamento deste ano e viabilizar o cumprimento das metas já frouxas de controle do déficit.
Ocorre que a economia anunciada era insuficiente diante do descalabro financeiro federal, e o governo decidiu completá-la com mais uma elevação de impostos, desta vez do IOF, em busca de R$ 20,5 bilhões neste ano e R$ 40,1 bilhões em 2026.
Que a administração petista tenha sido obrigada a um recuo parcial em poucas horas é mostra de um incrível alheamento ante as consequências de suas ações.
Majoraram-se as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras —um tributo de natureza regulatória, não arrecadatória, que por isso pode ser gerido por decreto— para novas concessões de crédito e remessas de recursos para o exterior. Foram também tributados novos aportes acima de R$ 50 mil mensais em planos de previdência (VGBL).
Quanto à cobrança sobre saídas de dinheiro do país, a proposta era aumentar o IOF para 3,5% nas principais modalidades: recursos para investimentos (antes taxados em 1,1%), cartões de crédito e débito (já onerados em 3,38%) e até sobre aplicações de fundos antes isentos.
Não parece ter havido entendimento prévio com o Banco Central, a despeito do óbvio impacto sobre as políticas cambial e monetária. A medida foi considerada, inevitavelmente, como um passo na direção de controle dos fluxos de capitais e provocou imediata reação no mercado.
É bem-vindo que o governo tenha desistido da cobrança sobre remessas de fundos e voltado à alíquota original nos fluxos direcionados para investimentos.
No entanto o dano foi feito ao dar-se a impressão de que houve uma tentativa de restringir a saída de recursos, mesmo que o ministro Fernando Haddad e seus subordinados tenham declarado que não era esse o objetivo. Os movimentos imediatos na taxa de câmbio e nos juros futuros demonstraram o erro crasso.
Também é péssimo o aumento do IOF —um tributo que o país se comprometera a reduzir para se adequar a normas da OCDE— sobre operações de crédito para empresas. Foge ao bom senso mais do que dobrar o custo tributário do financiamento para empresas, já pressionadas pelos juros de 14,75% ao ano.
E isso tudo para manter, quando muito até o início do próximo governo, uma política insustentável de expansão de gastos.

A comédia dos quatro erros
Demétrio Magnoli
Sociólogo, autor de “Uma Gota de Sangue: História do Pensamento Racial”. É doutor em geografia humana pela USP / FOLHA DE SP
O célebre jantar com Xi Jinping continua a assombrar Janja da Silva. As críticas, concentradas na primeira-dama, evidenciam duas inclinações paralelas do debate público brasileiro: a opção preferencial pela fofoca, especialmente quando o alvo é uma mulher, e o impulso deferencial de proteção do chefe de Estado, que seria vítima impotente de travessuras de seus familiares. No percurso, passa-se ao largo da política –e, no caso, da política de Estado.
De fato, a comédia chinesa abrange quatro erros. Janja cometeu o menor deles.
A palavra de Lula precisa ser levada a sério, para o bem ou o mal. Segundo o presidente, foi ele, não sua esposa, que infiltrou o TikTok à mesa de refeições. Erro número um: o Brasil, nação soberana, tem os meios para regular as redes sociais e, portanto, deve abster-se de reclamar ações de outros países. Xi Jinping presenteou Lula com essa aula gratuita de relações internacionais.
Na versão de Lula, Janja teria seguido o rumo que ele indicou, descrevendo os pecados do TikTok. Erro número dois: o presidente fala pelo Brasil, pois dispõe de mandato popular, mas a primeira-dama não exerce representação. "Não há protocolo que me faça calar", exclamou ela, acendendo a tocha de um curioso feminismo amparado em atributos do marido. Nesse passo, revelou a ignorância típica dos ativistas: o "protocolo", aqui, não é uma norma burocrática anacrônica, mas a fronteira que assinala a distinção entre o público (a soberania popular) e o privado (o laço de casamento).
Lula cometeu o terceiro erro, ao escandalizar-se com o vazamento dos diálogos. Na sua invectiva contra um sujeito oculto (Rui Costa?), o presidente definiu o evento como um "jantar privado". Na verdade, era um jantar de Estado –ou seja, um ato diplomático oficial. O normal, em países democráticos, é dar publicidade às conversas travadas em encontros dessa natureza, com exceção de temas de segurança nacional.
O erro mais grave foi obra de Lula. Segundo o presidente, Xi Jinping aceitou sua solicitação de enviar ao Brasil um "especialista" na regulação das redes sociais. A ditadura chinesa cerca as redes com a "Grande Muralha Digital". Seu alvo principal não são crimes de pedofilia ou pornografia, mas a palavra política dissonante. É como se Lula convidasse um especialista de Trump para contribuir com nossa política imigratória. Numa tentativa heroica de consertar o erro capital, o chanceler Mauro Vieira emprega o recurso extremo de desmentir o presidente, jurando que "não há nenhum programa de visita de especialista chinês".
A comédia dos quatro erros não nasceu de um céu azul. Nos mandatos anteriores de Lula, o PT clamava pelo "controle social da mídia" —isto é, por algum tipo de censura da imprensa profissional. Hoje, só militantes febris ainda cultivam a antiga obsessão: o foco de quem manda voltou-se para as redes sociais. Sob o álibi da necessária regulação das redes, o governo sonha criminalizar a "desinformação" e o "discurso de ódio", abstrações sujeitas à interpretação da autoridade estatal.
Diante de Xi Jinping, Janja teria afirmado que o algoritmo do TikTok favorece a direita. Crime digital? Não: trata-se da busca pelo "algoritmo certo", capaz de favorecer a esquerda. Da Grécia clássica para cá, aprendemos que toda comédia contém uma tragédia.
Não haverá dinheiro que baste para universidades públicas
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) empregaram um tom catastrofista ao divulgarem nota sobre medidas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a contenção de gastos em universidades federais.
O que motivou o documento foi um decreto de 30 de abril, válido para toda a administração, que limitou a liberação de recursos para custeio e investimento nas universidades em 61% do autorizado no Orçamento até novembro. Nesta quinta (22), o governo foi além e promoveu um congelamento preventivo de R$ 31,3 bilhões nos ministérios.
Para as entidades ligadas à academia, a restrição "inviabiliza o funcionamento básico dessas instituições". O Brasil, diz o texto, "desmonta suas universidades".
Esse tipo de discurso se repete há décadas no setor, ao longo de governos de variadas inclinações ideológicas —nem mesmo poupando a administração petista, adepta incondicional da expansão do ensino superior público. Repetem-se notícias de que os estabelecimentos têm dificuldades com pagamentos comezinhos de água e luz, enquanto docentes e servidores entram em greves.
As 69 universidades federais de fato são exemplos de distorções e vícios da gestão pública. Nessa condição, mostram-se capazes de custar muito —em torno de R$ 70 bilhões no Orçamento deste ano—e, ao mesmo tempo, sofrer com falta de recursos.
Tome-se o caso da maior delas, a UFRJ. A instituição sediada no Rio de Janeiro conta com quase R$ 4 bilhões orçados neste ano, mas 84,5% do montante (R$ 3,37 bilhões) é destinado ao pagamento de pessoal ativo e inativo.
Como professores e até funcionários administrativos dispõem de estabilidade no emprego, privilégio do funcionalismo que tem alcance descabido no país, tal despesa é quase irredutível.
Em toda a administração federal, desembolsos obrigatórios com salários e aposentadorias se expandem sob pressões sociais e sindicais. O espaço para ajustes cada vez mais se limita ao custeio e aos investimentos. Calcula-se que, nessa toada, a máquina federal entrará em colapso já no início do próximo governo.
Além de rejeitarem políticas mais flexíveis de contratações, as universidades públicas tampouco mostram alguma disposição para rediscutir seu financiamento —aqui praticamente todo a cargo do Estado.
A gratuidade ofertada mesmo a alunos de famílias dos estratos mais ricos, além de agravar a vexatória desigualdade social brasileira, priva as instituições de recursos que poderiam ser geridos com maior flexibilidade.
Trata-se de um modelo custoso, iníquo e de baixo incentivo à eficiência, defendido à base de discurso ideológico e prática corporativista. Deveria ser revisto por iniciativa da própria comunidade acadêmica, em vez de passar por ajustes forçados em mais uma crise fiscal da qual se aproxima o Estado brasileiro.
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Por que é normal procrastinar; a ciência explica
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
Todo mundo procrastina em algum momento de suas vidas. Seja para pagar uma conta, marcar uma consulta médica, concluir um projeto escolar ou cumprir um prazo de trabalho, às vezes é mais fácil adiar tarefas importantes que não gostamos totalmente e preferimos realizar em outro momento.
Se para algumas pessoas o ato de procrastinar acontece de vez em quando, para outras é algo corriqueiro. Uma em cada cinco pessoas se enquadra na categoria de procrastinadores crônicos, apontam estudos recentes. Pesquisas sugerem que 75% dos estudantes universitários são procrastinadores habituais, levando a problemas como estresse, ansiedade e problemas de sono.
Para alguns especialistas no assunto, a procrastinação resulta de uma luta entre o sistema límbico de uma pessoa e o córtex pré-frontal do cérebro. O sistema alímbico é a parte mais antiga do cérebro e é "automática". Ela busca por prazer, e isso inclui evitar situações que tragam angústia. Já o córtex pré-frontal é uma parte mais nova do cérebro que ajuda no planejamento, tomada de decisões e objetivos de longo prazo.
Um estudo de pesquisadores do Instituto do Cérebro de Paris publicado em setembro de 2022 encontrou evidências de que as pessoas que costumam procrastinar têm uma amígdala maior – a parte do cérebro responsável pelas emoções, principalmente as negativas. Os autores também descobriram que os procrastinadores têm uma conexão menos funcional com o córtex cingulado anterior dorsal – uma parte do cérebro que assimila informações e está implicada na tomada de decisões. Eles também desenvolveram um algoritmo para prever a tendência de uma pessoa procrastinar ou não.
A procrastinação também pode ser favorecida por outros problemas que a pessoa pode estar enfrentando, como ansiedade e depressão. "No caso de transtornos de ansiedade, uma pessoa pode ficar paralisada com muita atividade na amígdala – medo, desespero, perfeccionismo ou 'paralisia por análise'. Com a depressão, o processamento de informações pode se tornar muito lento quando os pacientes se sentem desamparados ou indecisos", disse Alex Wills, psiquiatra e autor americano, ao portal Medical News Today.
Tratar a ansiedade ou a depressão pode ajudar a reduzir os quadros de procrastinação, afirmam especialistas.
Cerca de 20% da população sodre de procrastinação crônica. — Foto: Freepik.com
Sérgio Aguiar destaca Dia do Lojista e crescimento do potencial de consumo no Ceará
Por Narla Lopes / ALECE
Deputado Sérgio Aguiar (PSB) - Foto: Junior Pio
O deputado Sérgio Aguiar (PSB) destacou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) nesta quinta-feira (22/05), o Dia Estadual do Lojista, comemorado anualmente no dia 23 de maio. A data foi instituída por meio da Lei n.º 17.548, de sua autoria.
“Quero me dirigir a todos aqueles que integram essa importante categoria, sejam os empresários vinculados ao Sindilojas [Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza], os comerciários, que são a força motriz do comércio varejista do nosso Estado. Lojistas que atuam no Centro da cidade, em centros comerciais, em shoppings, todos com a capacidade empreendedora de transformar seus negócios em importantes segmentos para a economia, o sustento pessoal e a vida das famílias brasileiras”, afirmou o parlamentar.
O deputado também destacou matéria veiculada na imprensa sobre o crescimento do potencial de consumo das cidades cearenses. “É onde moramos, consumimos, utilizamos os serviços de saúde e educação e integramos o sistema de segurança pública. O Ceará, com quase nove milhões de habitantes, vive efetivamente nas cidades”, ressaltou.
Segundo Sérgio Aguiar, 34 cidades do Estado possuem potencial de consumo acima de R$ 1 bilhão. “É importante lembrar que o Ceará tem 184 municípios, dos quais 150 ainda são considerados de médio e pequeno porte. Mesmo assim, o número de cidades com potencial bilionário aumentou de 30, em 2024, para 34, em 2025”, frisou. Brejo Santo, Acaraú, Beberibe e Trairi passaram a integrar esse grupo neste ano.
O parlamentar acrescentou que Fortaleza lidera o ranking estadual, com R$ 96,27 bilhões em potencial de consumo, seguida por Caucaia (R$ 10,4 bilhões), Juazeiro do Norte (R$ 7,8 bilhões), Maracanaú (R$ 6,4 bilhões) e Sobral (R$ 5,9 bilhões). “Esses cinco municípios se destacam, com Fortaleza se aproximando da marca de R$ 100 bilhões em consumo”, apontou.
Entre os principais itens de gasto estão habitação (R$ 47 bilhões), alimentação no domicílio (R$ 25 bilhões), veículo próprio (R$ 22 bilhões) e alimentação fora do domicílio (R$ 11 bilhões). A participação do Ceará no potencial de consumo do Brasil também cresceu: passou de 2,74%, em 2024, para 2,96%, em 2025.
O avanço no consumo, segundo ele, está relacionado à redução do desemprego e à estabilidade da renda, o que aumenta a segurança da população para consumir e assumir compromissos a longo prazo, mesmo diante de uma taxa básica de juros elevada. “Estamos falando de um cenário em que o Brasil tem juros superiores a 14%, o que normalmente inibiria o consumo das famílias. Mas o que se vê é um movimento contrário”, observou.
Sérgio Aguiar também comentou o impacto positivo do turismo no Estado, impulsionado pela desvalorização do real. “Há pouco tempo, o turismo não era visto como um grande negócio no Ceará. Mas, nas últimas duas décadas, ultrapassou a faixa de dois dígitos no PIB estadual, impulsionado tanto por turistas estrangeiros quanto por brasileiros que deixaram de viajar ao exterior”, ressaltou.
O parlamentar destacou ainda que sua cidade natal, Camocim, ocupa a 30ª posição entre os municípios com maior potencial de consumo, com R$ 1,2 bilhão. “Isso mostra que, embora a pesca ainda seja a principal atividade econômica do Litoral Norte, o comércio, os serviços e o turismo têm ganhado protagonismo no desenvolvimento regional”, afirmou.
Sérgio Aguiar informou ainda ter participado, em Goiânia, de uma reunião da diretoria da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), ocasião em que recebeu a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, honraria máxima concedida pela Assembleia Legislativa de Goiás.
Edição: Lusiana Freire
Governo precisa de Alcolumbre ao seu lado
Por Merval Pereira / o globo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, conseguiu aprovar em dois dias o projeto de lei que muda as regras ambientais, parado há 20 anos no Senado. O grande poder que ele está manifestando vem do poder de o Senado criar problemas para o governo. É o lugar onde a centro-direita tem mais controle – e a tendência é que tenha mais ainda depois de 2026.
O governo fica então tentando agradar o presidente para equilibrar a força que o centrão tem na Câmara. É uma tentativa do governo de fazer com que Alcolumbre fique do seu lado e do STF, pois é ali onde se pode fazer o impeachment de ministros.
Tudo isso somado dá a Alcolumbre o poder muito grande para fazer política e nomear pessoas. Vamos ver até onde isso vai e como ele se comporta neste jogo, porque quanto mais poder você ganha, mais fica inebriado e é fácil perder a mão.
Alcolumbre é muito intenso, explosivo e isso pode fazer com que perca o controle de seu próprio poder. Mas é uma tentativa de Lula de ter o Senado a seu lado, porque não tem muito apoio na Câmara.
Hugo Motta e Davi Alcolumbre no Planalto — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

