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Discurso de Dilma pós-decisão de Cunha é desastrado e falta com a verdade

A presidente Dilma Rousseff fez um discurso há pouco sobre a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que anunciou que vai acolher a denúncia que pode resultar no seu impeachment. É evidente que, para não variar, Dilma cometeu um erro — mais um. Além de faltar com a verdade de forma escandalosa. E, convenham, há momentos em que só a verdade pega bem. Dilma fez uma menção à mudança da meta fiscal aprovada pelo Congresso e, em seguida, partiu pra cima de Cunha. Mais atacou o outro do que tratou dos motivos que estão na raiz da denúncia. E, nesse caso, não contou novidade nenhuma.

Mas comecemos pela inverdade grotesca. Como todo mundo sabe, Cunha deixou claro que esperava contar com os três votos do PT no Conselho de Ética, o que impediria de a denúncia contra ele avançar.

O Planalto participou da negociação para obter esses votos até a tarde desta quarta. Então, não é verdade que esse é um governo que não aceitaria “barganha”. Jaques Wagner tentou. Ricardo Berzoini tentou. Lula tentou. Mas o PT decidiu pagar pra ver. Deputados da sigla e Rui Falcão fizeram pressão para que os três petistas do conselho votassem contra Cunha, posição que acabou prevalecendo. Assim, é claro que o partido resolveu cuidar do seu interesse e mandou Dilma plantar batatas.

Agora vamos à fala da governanta, que teve o propósito de se apresentar como vítima de Cunha. Com uma sutileza que não pedia grandes voos interpretativos, disse a mandatária que as acusações contra ela são “improcedentes” e “inconsistentes”. E aí foi desfilando tudo o que nunca fez, deixando claro que se referia, por contraste, à biografia de Cunha.

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O PT tenta salvar a pele

Primeiro foi Delcídio Amaral. Ontem foi a vez de Cunha. Senadores e parcela dos deputados estão irados com o presidente da sigla, Rui Falcão. O comando petista está de olho na sobrevivência. O Planalto quer a governabilidade. A esquerda petista quer voltar a ter poder. Seus dirigentes estão na ofensiva, atribuem a crise interna à maioria (CNB). E sustentam que o PT e o governo Dilma precisam separar o joio do trigo.

Valter Pomar

“Não é de esquerda a tese segundo a qual, enquanto não restaurar-se a moralidade, locupletar-se é permitido”

Valter Pomar

Ex-integrante da Executiva Nacional do PT

O que é bom para os americanos...

Apesar de contar com uma certa maioria no papel, o governo Dilma enfrenta enormes resistências no Congresso. Tem aprovado a duras penas projetos relevantes. E, na reta final do ano, corre contra o tempo para garantir o funcionamento de sua gestão. Por isso, Dilma disse frase surpreendente, ontem, na reunião com líderes. “A gente está igual aos EUA, o Congresso americano parou o país”, afirmou Dilma. Ela fez referência à maioria do Partido Republicano contra o democrata Barack Obama. Os analistas dizem que o atual Congresso americano foi o que menos legislou na História. Por lá, governar com minoria não é um drama. Foi o que ocorreu nos mandatos de Ronald Reagan e Bill Clinton.

Cargas ao mar

A manifestação de Rui Falcão, presidente do PT, deixou Eduardo Cunha, presidente da Câmara, apreensivo. Ele contava com o PT para sobreviver. Aos seus aliados, comentou que não tem dúvidas que Falcão estava a serviço do Planalto.

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COLUNA DO VIANA

 

 Deputados efetivos voltam e caem Santana e Nizo Costa

Isso mesmo. Ainda no meio da semana passada, a deputada Laís Nunes (PROS), que há seis meses se encontrava de licença maternidade, retornou a Assembleia e obviamente, retomou as suas atividades legislativas. O suplente que ocupou a suga durante o período foi o médico e ex-prefeito de Juazeiro do Norte, Manoel Santana (PT), que já viajou ao Cariri para voltar a clinicar e fazer política. A outra novidade acontecerá a partir desta terça-feira, primeiro de dezembro de 2015, com a volta do deputado Tomaz Holanda (PPS), que passou os últimos quatro meses tratando de consolidar seu nome como um dos prováveis futuros candidatos à Prefeitura de Quixeramobim. Integrante da coligação PPS/PTN/PSDC, o suplente Nizo Costa (PSDC), ocupou muito bem os quatro meses que ficou no Legislativo. Foi muito presente às Comissões Técnicas, viajou ao interior discutindo a questão do Transporte Alternativo e foi a vários órgãos do Governo Estadual reivindicar benefícios para os municípios de sua região, o centro-sul do Estado. Nizo foi o primeiro filho de Cariús a assumir vaga na Assembleia. Mas, a partir de amanhã, com o retorno das sessões plenárias, o deputado Tomaz Holanda (foto, ao lado deste jornalista), retomará seu trabalho “na Casa do Povo”. Em contato com nossa coluna aqui no O Estado, o deputado Tomaz Holanda revelou que fará ainda esta semana, pronunciamento a respeito da situação que testemunhou em vários municípios, com o crescente problema da falta de água. “Também iremos discorrer sobre o momento político”, enfatizou.

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Bumlai se cala na CPI, mas sua trajetória começa a gritar

A Receita Federal abriu um procedimento para investigar a suspeita de que três dos quatro filhos do empresário somam R$ 166 milhões de patrimônio a descoberto.

José Carlos Bumlai está indignado. Durante um longo tempo foi visto como o amigão do peito de Lula. Havia até uma aviso na portaria do Palácio do Planalto que lhe franqueava a entrada quando lhe desse na telha. Com foto e tudo. O homem nunca se preocupou em negar a fama de amigo do Babalorixá. Agora, passou a ser um peso.

Bumlai deixou a cadeia para comparecer à CPI do BNDES, que emprestou mais de meio bilhão de reais às suas empresas — tudo de acordo com a lei, diz o banco. Não quis responder a nenhuma pergunta e se limitou a protestar: “Meu nome é José Carlos Bumlai, não é ‘Amigo do Lula’”. Ele nunca se ocupou de fazer essa correção antes. Ao contrário, na condição de amigão do peito, esteve presente a alguns dos mais nebulosos casos da República, alguns deles investigados na Lava-Jato.

Não respondeu a nenhuma pergunta, mas reivindicou o berço do herói: “As pessoas vão ter oportunidade de ver que não são verdade [as acusações]. Eu tenho princípios, eu tenho normas, jamais me deixei levar por amizade de A, B ou C. A minha vida foi construída pelo trabalho, com muito suor, morando em porões. Trabalhando, construindo parte desse Brasil que ninguém aqui sabe”.

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Virada de ano sem perspectiva

Dezembro começa com o governo quase paralisado, sem dinheiro para gastar e com perspectiva de um novo ano muito ruim, com mais contração econômica, inflação acima do limite de tolerância e juros parecidos com os de 2015. Mais R$ 11,51 bilhões de verbas federais para despesas foram congelados ontem por decreto presidencial. Foi uma tentativa de evitar uma violação da Lei de Responsabilidade Fiscal, enquanto se espera a aprovação, pelo Congresso, da nova meta proposta para 2015, um déficit primário – sem contar os juros – de até R$ 119,9 bilhões. Na melhor hipótese, a meta será autorizada ainda hoje. Neste caso, o sufoco neste mês será um pouco menor, mas sem esperança de recuperação, a curto prazo, das esburacadas contas públicas. Qualquer melhora duradoura das condições econômicas dependerá do conserto dessas contas.

O desastre das finanças oficiais continuou em outubro, segundo os números divulgados pelo Banco Central (BC). O conjunto do setor público, formado pelos três níveis de governo e por uma parte das estatais, teve um déficit primário de R$ 11,53 bilhões no mês passado, de R$ 19,95 bilhões no ano e de R$ 40,93 bilhões em 12 meses.

O pior desempenho tem sido o do governo central – Tesouro, BC e Previdência –, com déficit primário de R$ 12,32 bilhões no mês, R$ 34,04 bilhões em 2015 e R$ 39,94 bilhões em 12 meses. Somando-se as despesas com juros, chega-se ao resultado nominal, o mais importante para avaliar a posição do setor público.

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2015, o ano que não terminou

O ano de 2015 vai demorar a acabar. Já estamos no último mês do ano e as questões políticas seguem a pleno vapor, como o noticiário diário não nos deixa esquecer. Na economia, as contas fiscais não estão fechadas, nem a recessão acabou. E a toada deste ano deve seguir adiante no começo do próximo. A esperança de recuperação, em todos os sentidos, fica para o futuro menos próximo.

O núcleo do problema continua sendo a simultânea fragilidade fiscal e política. É raro encontrar uma situação fiscal tão dependente do Legislativo e um Congresso tão fragmentado para legislar a respeito. A dificuldade política de aprovar o ajuste fiscal paralisa a economia. Sem saber como será “resolvido” o ajuste de quase 3,5% do produto interno bruto (PIB) – sem contar o ajuste previdenciário – será difícil destravar o investimento, que vem caindo há nove trimestres. Ninguém sabe quais projetos privados serão viáveis depois dos ajustes públicos. Os consumidores também se retraem com essa incerteza. A economia não consegue recuperar-se. É nesse impasse político/fiscal/econômico que se passam dias, semanas e meses. E a partir de janeiro serão anos.

O ano fiscal de 2015 certamente ainda não terminou. Enquanto escrevo este artigo, a nova meta fiscal de 2015 ainda não foi aprovada. Ainda vale a meta irreal de superávit de mais de 1% do PIB, quando a realidade aponta para um déficit da mesma magnitude. A saída é cortar todo o permitido por lei ainda este ano, congelando mais de R$ 10 bilhões, como anunciado recentemente. Isso não será suficiente para atingir a meta antiga, mas demonstra boas intenções em relação ao Tribunal de Contas da União (TCU). O ideal seria conseguir aprovar a nova meta de 2015 este mês, para pelo menos o ano fiscal terminar este ano.

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