Escolha ser grato. Isso fará você mais feliz
Arthur C. Brooks - The New York Times
05 Dezembro 2015 | 06h 00
É relativamente fácil ser grato pelas coisas mais importantes e óbvias da vida. Mas, pessoas realmente felizes encontram formas de agradecer por coisas pequenas e insignificantes

'Faça da gratidão uma rotina, independentemente de como você se sente, e não apenas no fim do ano, mas durante o ano todo'
Vinte e quatro anos atrás neste mês, minha mulher e eu nos casamos em Barcelona, na Espanha. Duas semanas após nosso casamento, cheio de idealismo internacional, eu tive a brilhante ideia de compartilhar um pouco da cultura norte-americana com meus sogros espanhóis e decidi fazer um jantar de Ação de Graças.
Foi mais fácil falar do que fazer. Perus não são uma ave comum em Barcelona. O açougue local teve de pedir a ave de uma fazenda especial na França e ela chegou apenas parcialmente depenada. Nosso minúsculo forno era muito pequeno para o peru. Ninguém havia ouvido falar em Cranberries.
No que diz respeito ao jantar, minha nova família tinha muitas perguntas. Algumas eram de natureza prática como "o que este animal come para estar tão cheio de pão?". Mas outras eram filosóficas: "você deve celebrar este feriado mesmo se não se sentir grato?"
Eu tropecei na última questão. Naquela época, eu acreditava que uma pessoa deveria sentir-se grata para agradecer. Fazer outra coisa parecia de alguma forma desonesto ou falso, um tipo de insinceridade burguesa e melosa que deveria ser rejeitada. É melhor ser emocionalmente autêntico, certo? Errado.
Construir o melhor da vida não exige fidelidade a sentimentos em nome da autenticidade, mas sim rebelar-se contra impulsos negativos e agir da forma correta mesmo quando não dá vontade. Em poucas palavras, agir com gratidão pode realmente fazer de você uma pessoa grata.
Para muitas pessoas, a gratidão é difícil, porque a vida é difícil. Além da privação e da depressão, há muitas circunstâncias normais nas quais a gratidão não vem facilmente. Esta afirmação vai extrair um riso desconfiado de leitores para quem jantares de Ação de Graças são geralmente arruinados por um tio bêbado que sempre precisa compartilhar suas opiniões políticas. Obrigado por nada.
Além dessas circunstâncias extremas, algumas pessoas são simplesmente mais gratas do que outras. Um artigo de 2014 publicado na revista Social Congnitive and Affective Neuroscience identificou uma variação do gene (CD38) associado à gratidão. Algumas pessoas simplesmente herdaram uma tendência genética para a experiência de gratidão, ou, nas palavras dos pesquisadores, "satisfação global com relacionamentos, capacidade de resposta e emoções positivas (particularmente, amor)".
É isso, aquelas pessoas extremamente positivas que você conhece e que parecem ser gratas o tempo todo podem ser simplesmente mutantes.
Mas nós somos mais do que escravos de nossos sentimentos, circunstâncias e genes. Evidências sugerem que podemos escolher ativamente praticar a gratidão e que, ao fazermos isso, aumentar nossa felicidade.
Moro é tão confiável quanto Lula, Serra
O que têm em comum o juiz Sergio Moro, o ex-presidente Lula, o senador José Serra e o governador Geraldo Alckmin? Os quatro têm a mesma confiança da população, de acordo com pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira (4/12). Em uma escala de 0 a 10, eles ganharam a nota 4,7. O levantamento foi feito entre os dias 25 e 26 de novembro e entrevistou 3.541 pessoas em 185 municípios brasileiros. Nenhuma das personalidades que figuraram no levantamento teve média superior a 6. O mais bem avaliado foi o ministro aposentado Joaquim Barbosa, que deixou o Supremo Tribunal Federal em 2014, com nota 5,9. Ele é seguido por Marina Silva (5,3) e por Aécio Neves (5).
Depoimento de Pessoa deixa claro que é uma sorte Dilma poder ser impichada apenas por crimes fiscais
Publiquei há pouco um post sobe a absurda entrevista de Edinho Silva, ministro da Comunicação Social, e afirmei ser um acinte que seja ele um dos homens fortes de Dilma e ministro da Comunicação Social. Pois é… Nesta sexta, veio a público o conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da Constran e da UTC. Está tudo lá — inclusive por que Edinho está sendo investigado e não poderia ser ministro.
Pessoa contou que, além da conta corrente mantida para abastecer o partido com o dinheiro da corrupção — e quem cuidava dessa área era João Vaccari Neto —, o partido queria um extra de R$ 10 milhões. Quem cuidou do assunto? Edinho. Foram três reuniões. Numa delas, o agora ministro lembrou a Pessoa: “O senhor tem obras no governo e na Petrobras, então o senhor tem que contribuir. O senhor quer continuar tendo?”.
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Pessoa diz que nem entendeu como ameaça, ora vejam… Ela só compreendeu que, na vigência do segundo mandato de Dilma, a sem-vergonhice continuaria. Combinou R$ 10 milhões, que seriam doados por dentro, com registro. Repassou R$ 7,5 milhões e foi preso antes de pagar o resto.
Pessoa contou mais. O pagamento foi acertado num restaurante árabe da rua Haddock Lobo, em São Paulo. Quem pegou o cheque foi Manoel de Araújo Sobrinho, que era, pasmem!, gerente macrorregional da Região Sudoeste da Presidência da República, cargo da Secretaria de Relações Institucionais”.
É a hora da sociedade civil
O Estado Democrático de Direito está gravemente ferido. É necessário reconstruir a democracia, da qual um dos alicerces consiste na confiança da população nos agentes políticos que elege. Hoje, justificadamente, essa confiança inexiste no Brasil.
A democracia destaca-se por viver e conviver com as divergências, a serem superadas pelo diálogo e pela persuasão para a formação de uma maioria parlamentar legítima, respeitada pelas minorias. Todavia o confronto de ideias e de perspectivas, próprio da democracia, desapareceu do cenário político, substituído por entendimentos promovidos graças a arranjos financeiros com dinheiro público subtraído de empresas como Petrobrás, Sete Brasil, BR Distribuidora, Angra 3, Belo Monte.
Não se fez política, nem se praticou a democracia. Apenas se transitou num bazar de venda de apoios por dinheiro vivo ou graças à ocupação de cargos na administração, colocando apaniguados em postos estratégicos para obtenção de vantagens ou para demonstração de prestígio. Instalou-se a desabusada prática de exercer o poder para institucionalizar a ação corrosiva da corrupção como normalidade. A democracia foi corroída por dentro ao se obter uma maioria marrom, enlameada pela compra de consciências e do convencimento.
O poder econômico privado aliou-se a administradores públicos venais, abocanhando serviços superfaturados cujos frutos reverteram em parte para deputados e senadores, bem como para seus partidos, visando a assegurar ao Executivo uma maioria comprada. Os partidos da base governista fizeram caixa para enfrentar, com muitos recursos, as futuras eleições.
Contabilidade do Planalto indica margem de 50 votos para barrar o impeachment
Ontem, sexta-feira, foi feita uma contagem conservadora entre a presidente Dilma Rousseff e ministros petistas. Hoje, o governo escaparia do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, mas por uma margem considerada pequena. Apesar dos números apresentados por líderes de partidos aliados, que aponta uma margem de mais de 80 votos acima do mínimo necessário, o Palácio do Planalto só contabiliza de forma segura 50 votos acima dos 171 deputados para barrar o impedimento de Dilma.
A estratégia é chegar a uma margem segura. Por isso, vai ser intensificada a relação com a base aliada. Como o Blog revelou, o Planalto já iniciou uma negociação com o líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), para entregar a Secretaria de Aviação Civil à bancada e, com isso, conseguir ampliar o apoio de deputados peemedebistas. O ministro Eliseu Padilha já comunicou sua decisão de deixar o governo. Gerson Camarotti / Portal g1
Quase tudo em ruínas
Agora que tudo está em ruínas, exceto algumas instituições que resistem, não me preocupo em parecer pessimista. Quando anexei às listas das crises o grave momento ambiental, algumas pessoas ironizaram: el Niño? Naquele momento falava apenas da seca, da tensão hídrica, das queimadas e enchentes. Depois disso veio o desastre de Mariana, revelando o descaso do governo e das empresas que, não se contentando em levar a montanha, transformam o Doce num rio de lama.
No fim de semana compreendi ainda outra dimensão da crise. O Brasil, segundo especialistas, vive uma situação única no mundo: três epidemias produzidas pelo Aedes Aegypti (dengue, chikungunya e o zika vírus). O zika está sendo apontado como o responsável pelo crescimento dos casos de microcefalia. Sabe-se relativamente pouco sobre ele. E é preciso aprender com urgência. O dr. Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, considera a situação tão complexa como nos primeiros momentos da epidemia de aids.
Agora que está tudo em ruínas, restam os passos das instituições que funcionam, o prende aqui, prende lá, delata ou não delata, atmosfera de cena final, polícia nos calcanhares. Lembra-me a triste cena final do filme Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wajda. A Polônia trocava um invasor, os nazistas, por outro, os comunistas: momento singular. No entanto, há algo de uma tristeza universal na Polonaise desafinada e no passeio do jovem casal por uma cripta semidestruída pelos bombardeios.
Aqui, a cena não é de filme de guerra, ocupação militar, mas de um thriller policial em que a quadrilha descoberta vai sendo presa progressivamente. Enquanto isso, não há governo para responder ao desemprego, empobrecimento, epidemias, mar de lama e ao sofrimento cotidiano dos brasileiros.

