Rouba, mas esquece! *José Nêumanne
Ingênuo é quem pensar que a Operação Lava Jato já revelou tudo quanto havia (e há) de podre na política nacional e que nada o surpreenderá mais. O que aconteceu na semana passada mostra que a caixinha de Pandora ainda pode revelar coisas que antigamente se chamavam do arco da velha. Por exemplo: a confirmação pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS) do conteúdo da delação premiada de Alexandrino Alencar, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, dando conta de que a empreiteira comprou o tempo do horário eleitoral de cinco partidecos, entre os quais o dito-cujo.
Por um fio - *Fernão Lara Mesquita
A era das manifestações sem povo e contra o povo vai chegando melancolicamente ao fim. Só em Brasília, onde o “marajalato” ameaçado de desmame não tem contra quem impor-se à força, foram dispensadas as barricadas que, no resto do País, ilustraram com perfeição a nossa “luta de classes” pré-Queda do Muro: “contribuídos” x contribuintes, aposentados integrais x aposentados pela metade, barrantes x barrados, “sindicalistas” x trabalhadores. Foi uma desolação a tal “greve geral”. O dinheiro do imposto sindical ainda compra sindicalistas, mas, definitivamente, não compra mais a massa dos compulsoriamente “sindicalizados”.
O poder da mentira - O ESTADO DE SP
Não há nada mais demagógico, populista e antidemocrático do que a palavra de ordem “nenhum direito a menos” levantada em defesa de interesses corporativos no momento em que o País enfrenta o enorme desafio de promover reformas que possibilitem a retomada do crescimento econômico. É mentiroso e hipócrita, ou profundamente ignorante, quem apregoa “nenhum direito a menos” ao mesmo tempo que suprime o direito dos cidadãos de ir e vir livremente, em manifestações como a frustrada greve geral da sexta-feira passada, em que uma bem planejada e executada ação violenta promoveu, logo nas primeiras horas, a interdição de vias públicas vitais para o escoamento do trânsito, por meio de barricadas formadas com a queima de pneus e toda sorte de objetos. E que dizer da costumeira depredação de bens públicos e privados por baderneiros que, no mínimo, são tolerados pelos organizadores dessas manifestações? É esse o exemplo que pretendem dar ao País os fariseus das causas “populares”?
Com Lava Jato a pino, Brasília repete os erros
Michel Temer decidiu colocar ordem no bazar. Começou a punir os deputados que venderam a honra ao governo e não entregaram a mercadoria. Para reduzir as traições na votação da reforma da Previdência, o presidente demite apadrinhados dos deputados que traíram o Planalto na reforma trabalhista. Um dos primeiros demitidos se chama Marcelo Xavier de Castro. Foi indicado pelo deputado Deley, do PTB do Rio. Era diretor de Finanças e Administração da INB, Indústrias Nucleares do Brasil S.A.. O que leva um deputado a se apossar da diretoria financeira de um nicho estatal? Emílio Odebrecht, em sua delação, explicou: eles não estão atrás de cargos, mas de orçamentos gordos.
Há no país 211 mil sub-Dirceus, presos provisórios esquecidos em calabouços
Sergio Moro costuma dizer que as críticas às prisões preventivas da Lava Jato revelam a existência no Brasil de uma “sociedade de castas”, marcada pela ausência de “igualdade republicana”. Ao colocar José Dirceu em Liberdade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal potencializou a avaliação do juiz da Lava Jato. Destrancou-se a cela sob o argumento de a prisão de Dirceu representa um constrangimento ilegal. Alegou-se que, embora condenado um par de vezes por Moro, as sentenças contra o marquês do PT ainda não foram confirmadas por um tribunal de segunda instância. Por esses critérios, o Judiciário precisa libertar outros 221 mil brasileiros. São sub-Dirceus, presos provisórios que, segundo o Conselho Nacional de Justiça, mofam na cadeia à espera de julgamento.
Palocci inclui informações sobre esquema no Carf, investigado pela Zelotes, em cardápio de delação
O grande encontro Antonio Palocci está disposto a colocar na mesa de negociações de sua delação uma cartada valiosa: informações que ajudariam a desvendar irregularidades investigadas pela Operação Zelotes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf. A iniciativa pode levar a um cruzamento de informações que ampliaria muito o poder de fogo da Lava Jato. A Zelotes apura esquema de sonegação que envolvia grandes empresas, bancos inclusive, e membros do órgão ligado à Fazenda.


