SEMANA EM REVISTA - JOMAR CAMPOS
RECUPERAR O TEMPO PERDIDO
+++ O senador Tasso Jereissati, um dos mais felizes com o desfecho da eleição para presidente do Senado, afirma ser hora de se recuperar o tempo perdido na Câmara Alta. Ou seja, depois das agitações do pleito, é preciso reiniciar a luta por uma pauta realmente construtiva pela qual o país tanto cobra e necessita. “Ainda permanecemos patinando sobre problemas herdados causa da irresponsabilidade fiscal praticada por governos populistas e demagógicos, apoiados por um sistema jurídico cujas únicas prioridades estavam na conquista de vantagens pessoais via corrupção”.
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CORROENDO SALÁRIOS
+++ Em mais um pronunciamento em que se desfaz em críticas aos governantes no poder, o deputado Heitor Férrer (PSB) volta suas baterias contra a política econômica praticada pelo governo da união, principalmente nas últimas duas décadas. Para Heitor, não existe hipocrisia maior, na verdade, desonestidade, do que uma empresa estatal ficar controlando propositadamente os níveis de inflação, com o objetivo de corroer os salários dos mais pobres. “Em 2017, por exemplo – diz ele – enquanto a inflação foi de apenas 2,5% a CAGECE deu aumento de 17%.
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MENOS PRIVILÉGIOS
+++ Na sessão de 5ª-feira, da Assembléia Legislativa, o “enfant terrible” André Fernandes (PSL) ao pronunciar diatribes contra a classe dos parlamentares estaduais do Ceará, andou se perdendo ao falar em aposentadorias ilícitas. Por coincidência, o ministro da Economia Paulo Guedes, em entrevista, fez grave advertência: a partir de agora todo político terá que se aposentar sem nenhum privilégio, igual a qualquer outro brasileiro. “Se a população tivesse conhecimento de que são os mais pobres que financiam aposentadorias milionárias a revolta seria grande”.
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Proposta ‘anticrime’ de Moro despista sobre foco principal - VEJA
Talvez você tenha ficado intrigado, assim como boa parte dos professores de Processo Penal, quando ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) apresentou o "pacote anticrime" sem exposição de motivos, pelo menos na fase atual em que sequer foi encaminhado formalmente ao Congresso Nacional. Sem justificativa, torna-se difícil a compreensão democrática do que pretende o governo — ou justamente resida aí a tática de despiste. Normalmente, quando não se está em Estado de exceção, as normas demandam uma justificativa democrática das razões suficientes às medidas a se adotar.
Desdobrar a legítima defesa praticamente autorizando o abatimento antecipado, nos moldes do “assassinato seletivo” (targeted killing), significa matar quem gera risco potencial (real e/ou imaginado) a depender dos critérios e da probabilidade de o evento futuro ocorrer. Então, antecipando o futuro, age-se antes de os fatos ocorrerem.
100 toneladas de peixes são encontrados mortos no Açude Castanhão, em Jaguaribara

Cerca de 100 toneladas de peixes tilápia foram encontrados mortos na manhã deste sábado (9) no Açude Castanhão, em Jaguaribara. Desde a última quinta-feira (7), os peixes são vistos no local.
Segundo a prefeitura, foi perdida toda a produção de tilápia dos piscicultores das regiões do Curupati, Jaburu e proximidades do escritório do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), causando prejuízo aos produtores.
As causas das mortes estão sendo apuradas, mas a principal suspeita é de que elas tenham sido causadas pela diminuição do oxigênio da água do açude, que atualmente acumula menos de 4% de sua capacidade.
Durante todo o sábado, usando tratores e caçambas, funcionários da prefeitura trabalharam na retirada dos peixes da água para evitar a contaminação.
Em nota, a prefeitura informou que através das das Secretarias de Aquicultura e Pesca e Infraestrutura dará todo o suporte necessário aos psicultores da região. DIARIONORDESTE
PSL torna o ‘novo’ de Bolsonaro coisa bem velha.
Dizia-se que o noticiário político deveria sair na seção de polícia. Mas no caso do PSL, partido de Jair Bolsonaro, o caderno de economia talvez se revele uma opção mais adequada. A sigla parece atuar como uma legenda de negócios. Dedica-se à produção de laranjas, indicam reportagens da Folha.
Em Pernambuco, a candidatura cítrica da desconhecida Maria de Lourdes Paixão à Câmara obteve ridículos 274 votos. Entretanto, quatro dias antes da eleição, o pseudocomitê da hipotética candidata recebeu R$ 400 mil do fundo eleitoral bancado pelo Tesouro Nacional. Alega-se que 95% da cifra serviu para pagar a impressão de panfletos e adesivos. No endereço gravado na nota fiscal, porém, não há vestígio de gráfica.
Um país de morte - Vinicius Torres Freire

Quase todo morticínio brasileiro tem firma reconhecida. Até no assassinato em massa somos cartoriais, por assim dizer. Depois de uma desgraça, costuma aparecer um documento qualquer, a prova do descaso homicida, que, no entanto, apodreceu em uma gaveta da burocracia. Nada se fez.
Por vezes, se descobre em empresas um email que registra gambiarras mortais ou propina para abafar risco de mortandades. Ou, então, apresentam-se laudos de fancaria ou um papelório santarrão sobre "responsabilidade social", "valores", cinismos para camuflar negligências criminosas.
Está aí a tristeza infinita dos horrores no Flamengo ou na Vale da morte para demonstrar o caso.






