Datafolha: André Fernandes tem 25%; Capitão Wagner, 23%; Evandro Leitão, 19%, e Sarto, 18%
REDAÇÃO DO DIARIONORDESTE
A nova rodada da pesquisa Datafolha para a disputa eleitoral pela Prefeitura de Fortaleza, divulgada nesta quinta-feira (13) pelo jornal O Povo, mostra André Fernandes (PL) com 25% das intenções de voto do eleitorado, enquanto o Capitão Wagner (União Brasil) aparece com 23%.
Em seguida, estão Evandro Leitão (PT), com 19%, José Sarto (PDT), com 18%, e Eduardo Girão (Novo), com 2%.
Outros concorrentes ao pleito, como Tércio Nunes (Psol), Zé Batista (PSTU), George Lima (Solidariedade) e Chico Malta (PCB), foram apontados na pesquisa com 1%, 0%, 0% e 0% das intenções de voto, respectivamente.
O levantamento foi feito nos dias 11 e 13 de setembro de 2024, a partir de 826 entrevistas na Capital. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
A pesquisa Datafolha foi contratada pelo jornal O Povo e registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo CE-07203/2024.
Veja os resultados
- André Fernandes (PL): 25%
- Capitão Wagner (União Brasil): 23%
- Evandro Leitão (PT): 19%
- José Sarto (PDT): 18%
- Eduardo Girão (Novo): 2%
- Técio Nunes (Psol): 1%
- Chico Malta (PCB): 0%
- Zé Batista (PSTU): 0%
- George Lima (Solidariedade): 0%
- Branco/nulo/nenhum: 7%
- Não sabe: 3%
Rejeição
A pesquisa Datafolha perguntou ainda em quem os entrevistados não votariam de jeito nenhum. Os resultados foram os seguintes:
- José Sarto (PDT): 38%
- Capitão Wagner (União Brasil): 32%
- Evandro Leitão (PT): 29%
- André Fernandes (PL): 28%
- Eduardo Girão (Novo): 18%
- Zé Batista (PSTU): 15%
- Técio Nunes (Psol): 14%
- Chico Malta (PCB): 13%
- George Lima (Solidariedade): 13%
- Rejeita todos: 1%
- Votaria em qualquer um: 2%
- Não sabe: 4%
Pesquisa boa para Nunes faz Bolsonaro sair da toca para apoiá-lo após ratear e flertar com Marçal
Por Monica Gugliano / O ESTADÃO DE SP
Nos Estados Unidos, a cada eleição presidencial, os candidatos precisam redobrar os esforços nos chamados estados pêndulo. Eles mudam de pleito para pleito, alternando seu apoio entre democratas e republicanos. Nossa jovem e pluripartidária democracia está a anos luz disso. Mas também não ficamos atrás. Pois eis que, no Brasil, mal comparando, temos nesta campanha, o “apoiador pêndulo”, encarnado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Desde que começaram as conversas sobre a escolha das chapas para a disputa da eleição municipal, Bolsonaro tem oscilado ao sabor não dos ventos, mas das pesquisas eleitorais e das chances dos nomes que ora apoia, ora critica. Ainda lá no início das costuras políticas, o ex-presidente se movimentava em direção ao ex-ministro do Meio Ambiente, deputado Ricardo Salles (Novo), que tinha o apoio dos bolsonaristas. Salles, entretanto, não tinha a simpatia do governador Tarcísio de Freitas que, desde sempre, preferiu o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Com Salles descartado, Bolsonaro aceitou, mas nunca – nem ele nem os mais próximos - digeriu completamente o estilo de Nunes. E ficou nesse chove não molha durante os meses da pré-campanha e no início da campanha. O prefeito se acertou com Tarcísio, que passou a atuar ativamente na organização e a pedir votos para o aliado com o mote de que a afinidade entre ambos beneficiaria São Paulo.
O ex-presidente continuava em cima do muro. Não rejeitava o prefeito. Mas tampouco demonstrava muito empenho em ajudá-lo na campanha. Participou da convenção que escolheu o candidato, esteve por aqui algumas vezes e manteve Nunes em banho-maria. Até que apareceu o candidato Pablo Marçal, um nome que, segundo as primeiras pesquisas, surgia com chances reais de vitória e era mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro. O ex-presidente não resistiu.
À medida que, semana após semana, o influencer crescia nas pesquisas, o pêndulo Bolsonaro mais se inclinava em sua direção e menos atenção prestava a Nunes. Enviou sinais de que, após terem passado um período com a relação em crise, poderiam voltar às boas. Com uma campanha agressiva nas redes sociais, onde acumula milhares de seguidores, e nos debates em que destrata, xinga e não dá nenhum sinal de ter bons modos, Marçal foi ganhando terreno e, com ele, a simpatia da família Bolsonaro, que sempre achou Nunes acanhado demais.
Porém, Marçal, confiante nas redes sociais, ignorou o peso que a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão poderia ter nos eleitores. Concorrendo pelo nanico PRTB, o coach não tem um mísero segundo nesses veículos convencionais cuja influência ele faz questão de desprezar. E Nunes, que tem um latifúndio de 6 minutos e 30 segundos – uma eternidade na televisão – dos 10 minutos totais da propaganda, começou lentamente a dar sinais de que pode crescer e chegar ao segundo turno.
Bolsonaro, que aposta em São Paulo o título de líder da direita brasileira, não vacilou. E o pêndulo oscilou para o lado de Nunes. No mesmo dia em que o Datafolha mostrou o prefeito oito pontos percentuais à frente de Marçal, sem o menor constrangimento, o ex-presidente que até poucos dias atrás reclamava do prefeito com os mais próximos fez uma aparição surpresa ao vivo em um telão. Até há poucos dias ele dizia que ainda era cedo para manifestar apoio ostensivo a Nunes. Mas mudou de ideia. O pêndulo, numa ligação telefônica por vídeo ao vivo, declarou seu “amor” a Nunes em um jantar com mais de mil convidados no clube Monte Líbano e afirmou:
“Torço por você, tenho certeza que haverá segundo turno. E seremos vitoriosos no segundo turno”, disse Bolsonaro a Nunes. “Como disse Tarcísio, ele está credenciado a continuar à frente da Prefeitura. É a primeira disputa majoritária que ele participa e eu tenho certeza que ele será vitorioso.” A campanha do primeiro turno ainda tem 23 dias pela frente, os cenários podem mudar e o ex-presidente pêndulo ainda terá bastante tempo para escolher onde se posicionar.
Por que Marçal foi bem na pesquisa Quaest e mal no Datafolha
Por O GLOBO— São Paulo
As duas principais pesquisas de opinião pública divulgadas nesta semana trouxeram sinais distintos para a campanha do candidato do PRTB em São Paulo, Pablo Marçal. A começar pelo dado geral de intenções de voto. No levantamento da Quaest, divulgado na quarta-feira, o ex-coach tinha 23% das menções, só um ponto atrás do líder numérico, o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Já no Datafolha de ontem, Marçal marcou 19%, oficialmente abaixo do emedebista (com 27%) e empatado numericamente com Guilherme Boulos (PSOL), com 25%, ainda assim no limite da margem de erro.
Para além da ordem de grandeza dos percentuais auferidos pelos dois institutos, é na direção da curva de progressão que mora a principal distinção. A Quaest indicava Marçal ainda avançando, mas em ritmo menos intenso que em semanas anteriores. O Datafolha, por sua vez, mostra o ex-coach estagnado, já até ensaiando um recuo (houve variação negativa de três pontos percentuais, dentro da margem de erro da pesquisa).
Os levantamentos foram feitos com dois dias de diferença: a Quaest fez entrevistas de domingo a terça-feira, enquanto o Datafolha foi a campo entre terça e quinta-feira. Os institutos adotam metodologias próprias, o que reforça a inadequação de se comparar as pesquisas. Neste texto, o que se pretende é mostrar as distinções que ajudam a entender o cenário da disputa paulistana de modo mais completo.
Até quarta-feira, a campanha de Marçal acreditava ter saído vitoriosa do embate com Nunes no Sete de Setembro, quando ambos foram a um ato de direita na Avenida Paulista. O ex-coach apareceu na Quaest como detentor de 50% dos votos daqueles que disseram ter apoiado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022, contra 32% de Nunes nesse estrato. Um dia depois, o Datafolha mostrou maior equilíbrio entre bolsonaristas: Marçal tem 42%; Nunes, 39%.
A excursão de Marçal à Avenida Paulista no último sábado incomodou o ex-presidente, que acusou o ex-coach de “fazer palanque às custas do trabalho e do risco dos outros”. Quem também se voltou contra o candidato do PRTB foi o pastor Silas Malafaia, um dos organizadores do ato.
No público evangélico, que compõe cerca de um quarto do eleitorado paulistano, Marçal apareceu na Quaest com um crescimento de dez pontos, passando de 27% para 37% — bem à frente de Nunes, com 26%. De novo, o Datafolha veio para botar água no chopp marçalista: a pesquisa divulgada na quinta-feira indicou empate técnico no segmento: Marçal com 31%, e Nunes, com 29%.
Além de notícias menos positivas em segmentos mais à direita no espectro político, Marçal também viu sua rejeição atingir 44% no levantamento do Datafolha, o que o isolou como o nome a quem mais eleitores dizem “não votar de jeito nenhum”. Na Quaest, a taxa registrada foi de 41%.
O impacto mais nítido na disputa de rejeições aparece nas simulações de segundo turno entre Marçal e Boulos. O psolista tem o voto negado por 48% dos eleitores (segundo a Quaest) ou 37% (segundo o Datafolha). Como o primeiro instituto indica equilíbrio entre Boulos e Marçal nesse quesito, explica-se também o cenário de empate técnico entre os dois num eventual segundo turno (pelo placar de 40% a 39%, respectivamente). Já pelo Datafolha, Boulos venceria o ex-coach por 47% a 38%. É como se todos os que disseram ao instituto rejeitar Marçal decidissem votar em Boulos, e vice-versa.
As pesquisas foram registradas na Justiça Eleitoral sob os números SP-09089/2024 (Quaest) e SP-07978/2024 (Datafolha).
Quaest Fortaleza: veja o potencial de abstenção dos eleitores de cada candidato a prefeito
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A segunda rodada da pesquisa Quaest sobre a disputa pela Prefeitura de Fortaleza, divulgada nessa quarta-feira (11), também captou a percepção do eleitorado sobre a abstenção no dia da votação em primeiro turno, marcada para 6 de outubro. O levantamento mostrou a relação entre os eleitores que informaram se vão ou não comparecer às urnas e os candidatos escolhidos por eles na pesquisa estimulada de intenções de votos para o cargo.
O levantamento encomendado pela TV Verdes Mares ouviu 900 pessoas com 16 anos ou mais na cidade de Fortaleza, entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob protocolo CE-05405/2024.
Certeza de ir votar dividida por candidato
Entre eleitores de Capitão Wagner (União), a certeza de presença na votação em urna caiu em relação à primeira rodada da pesquisa. Antes, 29% dizia, com convicção, que iria votar em 6 de outubro. Agora, esse percentual está em 24%.
A pesquisa também mediu, entre os adeptos à candidatura de Capitão Wagner, aqueles que não têm certeza se vão comparecer no dia da votação. Nessa faixa, que tem margem de erro de 11 pontos percentuais, houve queda de 37% para 20% da primeira à segunda rodada da Quaest.
Entre eleitores do prefeito José Sarto (PDT), a certeza de comparecimento na votação em urna também caiu em relação à primeira rodada da pesquisa. Antes, 22% dizia, com convicção, que iria votar em 6 de outubro.
A pesquisa também mediu, entre os adeptos à candidatura de José Sarto, aqueles que não têm certeza se vão comparecer no dia da votação. Nessa faixa, houve oscilação de 25% para 22% da primeira à segunda rodada da Quaest.
Já entre eleitores de André Fernandes (PL), a certeza de comparecimento na votação em urna subiu em relação à primeira rodada da pesquisa. Antes, 16% dizia, com convicção, que iria votar em 6 de outubro. Agora, esse percentual está em 22%.
A pesquisa também mediu, entre os adeptos à candidatura de André Fernandes, aqueles que não têm certeza se vão comparecer no dia da votação. Nessa faixa, houve oscilação de 8% para 15% da primeira à segunda rodada da Quaest.
Entre eleitores de Evandro Leitão (PT), aconteceu o mesmo: a certeza de comparecimento na votação em urna subiu em relação à primeira rodada da pesquisa. Antes, 15% dizia, com convicção, que iria votar em 6 de outubro. Agora, esse percentual está em 22%.
A pesquisa também mediu, entre os adeptos à candidatura de Evandro Leitão, aqueles que não têm certeza se vão comparecer no dia da votação. Nessa faixa, houve crescimento numérico de 10% para 21% da primeira à segunda rodada da Quaest.
Branco, nulo ou não vai votar representam 7% dos entrevistados, no levantamento mais recente, enquanto no anterior, esse número era 8%. Os indecisos saíram de 3% para 4% entre as duas pesquisas. Outros – em referência aos candidatos que pontuaram menos de dois dígitos, como Eduardo Girão (Novo), Chico Malta (PCB), Zé Batista (PSTU), Técio Nunes (Psol) e Geroge Lima (Solidariedade) – caíram de 7% para 3%.
A margem de erro na faixa dos convictos com a ida à votação em urna é de 3 pontos percentuais. Já na faixa dos que não têm certeza se vão votar, a margem de erro é de 11 pontos percentuais.
Histórico de abstenção
Nas eleições municipais de 2024, o 1º turno do pleito está marcado para 6 de outubro e o 2º turno será no dia 27 de outubro, caso necessário, em municípios com mais de 200 mil eleitores. A votação será aberta a partir das 8h, conforme o horário de Brasília, com encerramento às 17h.
Nas eleições municipais de 2020 em Fortaleza, em meio à pandemia de Covid, o eleitorado da Capital era de 1,8 milhão. Conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), o comparecimento foi de 1,4 milhão (78,1%) e a abstenção foi de 397 mil eleitores (21,8%).
Nos anos anteriores, o cenário foi o seguinte: em 2016 teve 82,96% de comparecimento e 17,04% de abstenção e em 2012, 83,98% do eleitorado apto foi às urnas e outros 16,02% não compareceram.
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Candidatos de direita lideram entre evangélicos em dois terços das capitais, enquanto resistência à esquerda persiste
Por Luísa Marzullo — Rio de Janeiro / O GLOBO
Um dos segmentos mais refratários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os evangélicos mantêm posicionamento oposto ao governo federal nas eleições municipais deste ano. Levantamento do GLOBO feito a partir dos dados da Quaest nas corridas de 21 capitais aponta que em 13 os postulantes de direita largam na frente no segmento. Em outras seis, nomes do centro lideram e apenas em duas — João Pessoa e Curitiba, onde há empate entre candidatos de cada campo — opções da esquerda surgem em primeiro lugar. Nenhum deles, no entanto, pertence ao PT, sigla do atual presidente.
Segundo pesquisa Quaest de julho, Lula é reprovado por 52% deste eleitorado. A rejeição também era aparente na disputa presidencial: na última pesquisa Datafolha do pleito de 2022, Jair Bolsonaro tinha quase 70% dos votos do grupo.
No entanto, apesar desta adesão ao ex-presidente, os evangélicos não embarcam necessariamente na campanha de candidatos indicados por ele. Apenas metade dos nomes da direita que vão bem entre os religiosos disputam o pleito com a bênção de Bolsonaro.
O caso mais marcante ocorre em São Paulo, onde o empresário Pablo Marçal (PRTB) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) aparecem empatados tecnicamente no eleitorado geral na Quaest da última quarta-feira, mas distantes neste segmento. O ex-coach tem 37% dos evangélicos, enquanto Nunes soma 26%.
Discursos direcionados
Com um discurso muito associado à chamada teologia da prosperidade, que associa a riqueza ao desejo de Deus e é repetida entre pentecostais, Marçal tem uma alta penetração nas bases de igrejas menores, que concentram a maior parte dos fiéis. Apesar disso, ele se identifica apenas como cristão e disse em entrevista, durante as eleições de 2022, que entende o cristianismo enquanto um estilo de vida.
Líder em aprovação no segmento, o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB) tem 94% da preferência deste eleitorado, mesmo disputando sem o apoio do ex-presidente. O alto índice acompanha sua intenção de voto entre o restante da população, de 91%.
Outro exemplo é o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que tem 58% do voto evangélico na capital capixaba e um passado de rusgas com Bolsonaro. Preferido para a reeleição, enfrentará nas urnas o deputado estadual Capitão Assumção, do PL, partido do ex-presidente.
Quando foi eleito há quatro anos, Pazolini teve o apoio do ex-mandatário, mas optou por escondê-lo ao longo da campanha. Com uma postura mais moderada, em 2022, não declarou voto à Presidência, irritando os apoiadores do então candidato à reeleição e consolidando o distanciamento entre os dois.
Em Belo Horizonte, um outro candidato sem padrinhos nacionais tem a preferência dos fiéis, o deputado estadual Mauro Tramonte. Filiado ao Republicanos e apresentador licenciado da Record TV, ambos comandados pela Igreja Universal do Reino de Deus, Tramonte vê sua vantagem se expandir no segmento.
Atual líder da disputa geral, com 27% das intenções de voto, Tramonte tem dez pontos percentuais a mais entre os evangélicos. Em contrapartida, há nove postulantes apoiados por Bolsonaro que transitam melhor entre os religiosos do que no eleitorado geral. O caso mais significativo ocorre em Cuiabá, onde o deputado federal Abílio Brunini (PL) é o segundo colocado na disputa, mas tem uma vantagem de nove pontos percentuais entre os evangélicos em relação ao líder, o deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil).
A preferência de 35% do segmento se justifica pela defesa dos valores cristãos: Brunini é neto do pastor Sebastião Rodrigues de Souza, que chegou a presidir a Assembleia de Deus no estado e morreu em agosto de 2020, vítima de Covid-19.
Em Maceió, Salvador e Boa Vista, os prefeitos que concorrem com o apoio do ex-presidente também têm melhor performance no grupo. No capital alagoana, João Henrique Caldas, o JHC, alcança 83% entre evangélicos; no eleitorado geral, suas intenções de voto estão em 74%.
Apoiados por Lula
Apenas dois candidatos apoiados por Lula são os preferidos pelos evangélicos: os prefeitos e favoritos à reeleição no Recife e no Rio, João Campos (PSB) e Eduardo Paes (PSD), respectivamente. Com suas gestões bem avaliadas, Campos e Paes têm, nesta ordem, 69% e 54% no segmento — na população geral eles chegam a 76% e 64%.
No Rio, Paes é conhecido por seu bom trânsito com lideranças evangélicas e conseguiu apoios-chaves. O bispo Abner Ferreira, do maior ministério da Assembleia de Deus, em Madureira, liberou o deputado federal Otoni de Paula (MDB) para coordenar a campanha de Paes no segmento.
Nas demais denominações, a postura é de neutralidade. Até mesmo de um dos maiores defensores de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
— Sempre fui amigo de Paes, mas com essa guinada para Lula, ficou mais difícil apoiá-lo. Vou seguir o que sempre fiz: neutralidade no primeiro turno e, caso (Alexandre) Ramagem esteja no segundo, o apoiarei — disse Malafaia.
Um eventual segundo turno no Rio, contudo, pode não ocorrer. Segundo a Quaest, Paes tem 64% das intenções de voto e, hoje, ganharia na primeira etapa.
Inicialmente ao lado de Paes, a Igreja Universal do Reino de Deus teve um atrito com o prefeito após perder espaço em seu secretariado. Apesar da desavença, a principal aposta da igreja para a Câmara Municipal, o pastor DeAngeles, faz parte do quadro do partido do prefeito, o PSD, e embarcou em sua campanha.
— A esquerda está percebendo que se ela quiser ganhar as eleições terá que conquistar o setor, mas ainda enfrenta desvantagens. Se os evangélicos continuarem crescendo no ritmo que estão e mantiverem essa ideologia, Lula não ganha em 2026 — avaliou o cientista político Vinicius do Valle, do Observatório dos Evangélicos.


