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Em Juazeiro, Moro se diz decepcionado com Bolsonaro, nega perseguição a Lula e critica Camilo

Escrito por  / DIARIONORDESTE

Pela primeira vez no Ceará como pré-candidato à Presidência da República, o ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro (Podemos) falou sobre seus principais adversários nacionais. Ele diz ter se decepcionado com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e nega ter perseguido o ex-presidente Lula (PT) quando era juiz. O político ainda criticou a conduta do governador do Ceará, Camilo Santana (PT), durante o motim da Polícia Militar.

Ele desembarcou, na manhã deste domingo (6), em Juazeiro do Norte, no Cariri. O ex-juiz, que também passará por Fortaleza, busca aproximação com o eleitorado cearense. No Estado, ele lançará ainda uma carta de compromisso com os evangélicos, tentando atrair essa fatia dos eleitores que foi decisiva em 2018.

Moro exaltou a “proximidade com os cearenses" ao relembrar as duas crises na segurança pública do Estado em que atuou quando era ministro. “Na primeira, provocada pelo crime organizado, o Ministério veio socorrer o Estado. Debelamos a crise, tiramos lideranças criminosas para presídios federais, tanto que não ocorreram mais essas crises”, disse.

MOTIM DA PM

Em seguida, ao citar o motim da Polícia Militar do Ceará (PMCE), ele criticou a conduta do governador Camilo Santana (PT). “Foi uma greve ilegal, havia uma reclamação, mas a greve não podia ocorrer. Viemos atender a população para que o Governo do Estado pudesse negociar, o que acho que não foi bem feito, porque gerou um desapontamento das forças policiais, o que refletiu nos índices de criminalidade em 2020 e 2021”, disse. 

Moro chegou a Juazeiro do Norte por volta de 11 horas e foi recepcionado por eleitores no aeroporto. Quem também esperou o ex-ministro no local foi o prefeito da Cidade – e correligionário – Glêdson Bezerra (Podemos). O mandatário presenteou o visitante com um busto da imagem de Padre Cícero. O senador Eduardo Girão (Podemos) também compõe a comitiva.

Em seguida, o ex-juiz seguiu para a Colina do Horto, onde fica a Estátua de Padre Cícero, tradicional ponto turístico e religioso do Cariri. O local também virou parada – quase – obrigatória de políticos que visitam a região e buscam a aproximação com o eleitorado devoto do “Padim”.

EM BUSCA DOS ELEITORES

Desde o fim da semana passada, Moro está no Ceará. Ele já teve encontros com o senador Eduardo Girão, seu principal aliado no Ceará. A intenção de Moro é atrair mais aliados da região, que historicamente é alinhada a nomes como do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e do ex-presidente Lula (PT).

Moro disse que irá rebater durante a campanha a acusação de que agiu politicamente ao condenar o ex-presidente Lula. “A Lava Jato não foi só a prisão de Lula, ele foi só mais um entre diretores, gerentes e políticos inescrupulosos que foram presos”, afirmou. 

O ex-juiz disse ainda considerar que o Supremo Tribunal Federal (STF) cometeu “o grande erro do judiciário brasileiro” ao anular as sentenças contra o ex-presidente proferidas por ele. “Lula é, hoje, o símbolo da impunidade do Brasil”, disse. 

EX-ALIADOS

Sobre o ex-aliado e atual presidente, Moro disse não se arrepender de ter assumido o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“A palavra é decepcionado, desapontado, mas arrependido, não. Era um presidente que dizia ser contra a corrupção, que faria reformas, faria outras alianças, mas não fez nada disso. O Brasil está estagnado, há pessoas sofrendo, passando fome, além dele ter desmantelado o combate à corrupção”, concluiu.

O ex-ministro também foi questionado sobre o motivo de não aceitar debates com o também pré-candidato Ciro Gomes. "Os reais adversários são Lula e Bolsonaro, queremos romper essa polarização", concluiu.

PADRE CÍCERO

A visita do ex-juiz ao Ceará ocorre também em um novo momento de desgaste de seu antigo aliado com a região. Na semana passada, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, o atual presidente chamou assessores de “pau de arara", expressão pejorativa para se referir aos nordestinos. 

O presidente também confundiu a cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, com algum município pernambucano. "Falaram que eu revoguei o luto de Padre Cícero. Lá do Pernambuco, é isso mesmo? Que cidade que fica lá?", perguntou.

“Cheio de pau de arara aqui e não sabem em que cidade fica Padre Cícero?”, acrescentou o presidente. Ao ser informado de que a estátua fica em Juazeiro do Norte, ele concluiu. "Parabéns aí. Ceará, desculpa aí, Ceará", disse. 

TURBULÊNCIA

Por outro lado, o próprio Moro enfrenta um momento de turbulência em sua pré-campanha. Ele é acusado de suposta sonegação de impostos sobre os pagamentos que recebeu da consultoria Alvarez & Marsal, responsável pela administração judicial de empresas condenadas pela Lava Jato.

Moro rebateu que tenha recebido dinheiro de forma ilegal. “Já prestei todos os esclarecimentos sobre isso, mostrei os documentos, a regularidade de minha relação com a empresa privada. Jamais recebi dinheiro de empresa investigada”, disse. 

Na última sexta-feira (4), O subprocurador-geral Lucas Furtado pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que declare a indisponibilidade de bens do ex-ministro por conta das suspeitas de crime. Em reação, senadores do Podemos – entre eles Eduardo Girão – acionaram a Procuradoria-Geral da República para investigar o sub procurador por abuso de poder.

AGENDA NO CEARÁ

Ao longo dos próximos dias, a previsão de aliados é de que Moro tenha uma agenda recheada de conversas com políticos e empresários cearenses, passando por municípios como Crato, Barbalha, Limoeiro do Norte, Morada Nova e Fortaleza.

Na Capital, o ex-juiz lança, na próxima terça-feira (8), o livro “Contra o Sistema da Corrupção”, no qual ele relata a experiência vivida na Lava Jato. 

Em Fortaleza, Moro também planeja lançar uma carta-compromisso com os evangélicos. No texto, o ex-ministro deve criticar as políticas de “ideologia de gênero” e se posicionar de forma contrária a flexibilizações na legislação sobre o aborto. A mensagem também deve ter um cunho de valorização da política e de combater a corrupção.

Ciro defende aliança com Paes e diz que Lula 'está destruindo os partidos' de esquerda

Italo Nogueira / FOLHA DE SP

 

RIO DE JANEIRO

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) afirmou neste domingo (7) ter paciência para transformar a aliança regional firmada com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), num acordo nacional.

PDT e PSD fecharam uma aliança no estado cuja cabeça de chapa ainda será definida. A sigla de Paes, comandada pelo ex-ministro Gilberto Kassab, mantém publicamente a intenção de lançar um candidato à Presidência.

Ciro afirmou que a aliança no Rio de Janeiro independe de um acordo nacional, mas declarou ter paciência para manter as conversas.

"Sob o ponto de vista nacional, paciência, paciência, paciência. Hoje ele tem uma delicadeza que eu respeito muito. Ele pertence a um partido que tem [pré-]candidato", disse o ex-ministro, após participar da reunião do secretariado comandado por Paes.

O pedetista afirmou que a forma de construção de sua candidatura difere da do ex-presidente Lula, a quem acusou de prejudicar os partidos de esquerda.

"Não sou como o Lula. Lula está destruindo os partidos, o PSOL, PC do B, PSB porque para o Lula tem que ficar o PT sozinho. O único partido progressista que resiste a isso é o PDT", disse ele.

"Derrotar Bolsonaro é uma questão gravíssima, urgente e imediata. O Lula está tentando que seja só essa, quando não é só essa. Mais grave do que essa é o que pretendemos colocar no lugar da terra arrasada que vai ficar. O Lula tem despolitizado o debate de uma forma muito perigosa."

 

O PSD tem como pré-candidato o presidente do Senado, Rogério Pacheco. As dúvidas do senador em abraçar a campanha iniciaram uma discussão sobre a troca do postulante da sigla. Há articulações para atrair o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ou o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung para o partido e assumir o posto.

Os dois partidos têm pré-candidatos ao governo fluminense: o ex-prefeito Rodrigo Neves (PDT) e o ex-presidente da OAB Felipe Santa Cruz (PSD). Os dois participaram do encontro neste domingo.

Ciro afirmou que o deputado federal Marcelo Freixo (PSB), pré-candidato ao governo com apoio do PT, "entrou no jogo do Lula".

"Não é um jogo sério para o Rio de Janeiro. É um jogo de carreirismo particularista que não tem nada a ver com a sorte do Rio. Lula lançou a Márcia Tiburi candidata a governadora no Rio de Janeiro. Apoiou Sérgio Cabral a vida inteira. O Freixo não tem nenhuma opinião sobre isso? Eu tenho", disse Ciro.

​Eduardo Paes não falou após a reunião de seu secretariado. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, afirmou que Lula está com "certo salto alto" na discussão sobre alianças políticas no estado.

Rodrigo Neves afirmou que aliança busca unir "as duas melhores escolas de gestão do Rio de Janeiro". O discurso tem como objetivo ressaltar a falta de experiência de Freixo em cargos do Executivo.

"[Vamos unir a] Tradição do PDT em Niterói de boas administrações, antes do meu governo e depois, e a boa escola de gestão do prefeito Eduardo Paes. Essa unidade é importante para ganhar a eleição e para fazer o diálogo para reconstruir o Rio. Nossos adversários não têm o que mostrar ou histórico de boa gestão. Freixo nem experiência tem."

O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que ainda há articulação para incluir novos partidos na aliança para ampliar a presença da chapa na Baixada Fluminense.

Negócios eleitorais - Por Merval Pereira

A busca de uma alternativa à polarização entre o passado e o presente que não satisfazem esbarra em interesses amesquinhados que impedem uma visão mais ampla de futuro. São tantos partidos, e tão baixas as negociações comerciais, não políticas, que trabalhar em cima de um consenso ou de um programa comum torna-se tarefa impossível nesta fase da campanha eleitoral. Nem se fala nisso, na verdade.


O PL teria oferecido R$ 30 milhões para assumir o controle societário do PTB? O União Brasil, fruto de uma joint venture entre o PSL e o DEM, será dominado pelo caixa milionário de Bivar ou pelos interesses baianos do ACM Neto? O MDB vai apoiar mesmo Simone Tebet, ou está apenas marcando posição para vender no mercado futuro seu apoio? O PSDB de Doria terá condições de conseguir uma federação partidária que o apoie ou ficará isolado diante da resiliência do governa- dor paulista, cujo objetivo é a Presidência da República?


O instituto da federação partidária é dos mais importantes já concebidos na nossa geleia geral partidária. Daria consistência à união de legendas, pois teriam que atuar em conjunto nos próximos quatro anos, o que geraria uma homogeneidade de atuação que se refletiria nos votos. Além do mais, enxuga- ria, na prática, o número de partidos em ação no Congresso.


Mas até agora não se consegue chegar a um acordo, mesmo entre partidos de esquerda que geralmente são satélites do PT, mas se vendem caro nessa fase do processo. O PSB é o único que tem condições de caminhar pelas próprias pernas, com força real em Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Espírito Santo, mas ideologicamente tem setores que se aproximam do PT.


PSOL e PCdoB precisam da federação para sobreviver às cláusulas de barreira. Rede, PV e Cidadania também, mas desses, o único que pode fazer uma federação mais ao centro é o Cidadania, que tem no PSDB seu parceiro preferencial. Todos estes casos são circunscritos à esquerda, onde provavelmente será mais fácil um acordo, devido à vantagem que o ex-presidente Lula tem nas pesquisas eleitorais.


Lula, que não se deixa morder pela mosca azul, sabe que a vitória não está garantida, embora provável. Não cai na esparrela de alguns setores da esquerda que, certos da eleição oito meses antes, já começam a desdenhar dos opositores, a apresentar planos mirabolantes de repetir os mesmos erros de sempre. Ao contrário, o ex-presidente trata de consolidar sua dianteira procurando setores não alinhados ideologicamente, como o representado pelo ex-tucano Geraldo Alckmim.


Outro objetivo de Lula é o PSD de Gilberto Kassab, que está à cata de um candidato para seu partido, porque Rodrigo Pacheco não decolou. Apareceu agora a ideia de convidar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para ir para o PSD e fazer o papel de candidato à presidência. É possível que aconteça, mas vai ter um impacto muito menor do que se tivesse vencido as prévias do PSDB. Aí sim, ele apareceria como um grande líder político dentro de um partido forte, ao derrotar o governador João Doria.


Teria outra importância a vitória dele, viabilizando uma campanha eleitoral importante. Hoje, se acontecer essa adesão, não vejo muita novidade, nem possibilidade de ele levantar apoios e empolgar eleitores a ponto de se transformar em uma alternativa a Lula e Bolsonaro.


A política tem símbolos e momentos importantes, e acho que o momento de Eduardo Leite já passou. Ele não tem carisma, nem história política que justifiquem uma mudança do quadro eleitoral. Não é uma escolha que tenha consequências no jogo político. Se não der certo, Kassab vai para o plano C, que sempre foi, na verdade, seu plano A: aderir a Lula, mas numa posição de independência, de força, e não uma adesão pura e simples. Por isso, tenta viabilizar um candidato que dê a ele cacife para nego- ciar apoio a Lula no segundo turno. Se não der certo, Kassab vai para o plano C, que na verdade sempre foi seu plano A; aderir a Lula, mas numa posição de independência de força, e não uma adesão pura e simples. Por isso, tenta viabilizar um candidato um candidato que dê a ele cacife para negociar apoio a Lula no segundo turno. Se não der certo esta manobra com Eduardo Leite, e não aparecer outro candidato, é provável que Kassab apoie Lula ainda no primeiro turno.


A novidade da vez pode ser a senadora Simone Tebet, com notável capacidade de mobilização do eleitorado feminino, que representa mais da metade do brasileiro. Se contar com o apoio do MDB, que tem capilaridade nacional, pode ter viabilidade.

 

MERVAL PEREIRA

Merval Pereira participa do Conselho Editorial do Grupo Globo. É membro das Academias Brasileira de Letras, Brasileira de Filosofia e de Ciências de Lisboa. Recebeu os prêmios Esso de Jornalismo e Maria Moors Cabot, da Columbia University.

Ciro: 'Derrotar Bolsonaro é urgente, mas mais grave é o que pretendemos colocar no lugar'

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2022 | 14h59

RIO — Ao comentar a formalização da aliança entre o PSD e o PDT para as eleições estaduais no Rio, fechada na última quarta-feira, 2, o pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “despolitizar” o debate eleitoral e de “destruir” partidos aliados, como PSOL e PSB, na formação de palanques regionais para as eleições gerais de outubro. O pré-candidato, que veio ao Rio se encontrar com o prefeito Eduardo Paes (PSD), disse que gostaria de ter o apoio do partido no plano nacional, mas esperará por uma decisão.

“O Brasil está vivendo um plebiscito, em que a força dominante, na proporção de 70% a 80%, é contra (o presidente Jair) Bolsonaro. E o Lula está tentando que a questão seja só essa, quando a questão não é só essa. Derrotar o Bolsonaro é uma questão gravíssima, urgente, imediata, mas mais grave do que ela é o que pretendemos colocar no lugar da terra arrasada que vai ficar. Nesse sentido, o Lula tem despolitizado o debate de forma muito perigosa”, afirmou Ciro, após participar de reunião do secretariado da Prefeitura do Rio, na manhã deste domingo, 6.

Ciro Gomes
Segundo Ciro, Lula tem despolitizado o debate 'de forma muito perigosa'.   Foto: Dida Sampaio/ ESTADÃO

Segundo o pré-candidato do PDT, o PT errou porque, ao longo de quatro mandatos, não mudou instituições nem ofereceu uma estratégia para fazer o País voltar ao crescimento econômico e ao desenvolvimento.

A aliança entre PDT e PSD no palanque fluminense foi tramada por Paes e pelo presidente nacional do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi. A aliança se dá em torno dos nomes do ex-prefeito de Niterói (RJ) Rodrigo Neves (PDT) e do ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Felipe Santa Cruz (PSD). A definição de quem encabeçará a candidatura a governador ficará para depois.

Ciro acusou Lula de “destruir” partidos aliados na formação dos palanques regionais ao ser questionado sobre como ficará a divisão do palanque no Rio entre a sua candidatura e a do PSD, já que o presidente do partido, Gilberto Kassab, tem repetido publicamente que terá candidato próprio a presidente – por enquanto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é o mais cotado para sair candidato. Paes deixou a reunião de seu secretariado sem falar com a imprensa, ao lado de Ciro.

“No Rio, fizemos um entendimento que é local, não tem a ver com a questão nacional, ainda”, afirmou Ciro, que minimizou o fato de Paes, de quem se disse amigo, não ter acompanhado a entrevista ao seu lado. “Hoje, ele (Paes) tem uma delicadeza que eu respeito muito. Ele pertence a um partido que tem candidato (a presidente). Não sou como Lula, que está destruindo os partidos, o PSOL, o PCdoB, o PSB, porque, para o Lula, tem que ficar o PT sozinho. O único partido progressista que resiste a esse assédio é o PDT, já desde antes, com o Brizola. Mas eu, não. Eu respeito muito e quero que o PSD tenha o tempo dele. Gostaria muito de ter esse apoio, mas respeito o tempo deles”, afirmou Ciro.

Na quarta-feira, Paes ignorou o plano nacional, ao comentar a aliança regional com o PDT nas redes sociais. “Os desafios do Rio são muito grandes. Felipe (Santa Cruz) e Rodrigo (Neves) representam um projeto consistente e maduro para fazer nosso Estado voltar a dar certo. Lembrem-se do ex-juiz em 2018. Não temos mais como errar”, escreveu Paes no Twitter, numa referência a eleição de Wilson Witzel (PSC) em 2018.

Sobre as articulações no plano nacional, Ciro disse também que é preciso “paciência, paciência e paciência”. Segundo o pré-candidato, as articulações são conduzidas por Lupi. Ao lado de Ciro neste domingo, 6, o presidente do PDT afirmou que, no momento, “todo mundo conversa com todo mundo” e garantiu que Ciro será candidato em outubro. A definição de apoios dependerá do desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Março, prazo final para as filiações a partidos políticos dos candidatos, e julho, prazo para a formalização das coligações partidárias, são datas importante, disse Ciro.

O pré-candidato do PDT e o ex-prefeito Neves aproveitaram também para criticar o pré-candidato do PSB ao governo fluminense, o deputado federal Marcelo Freixo, que terá o apoio do PT. Para Ciro, Freixo se rendeu ao “jogo de Lula”.

Acenos de Doria à unificação da 3ª via esbarram em federações e rejeição

Carolina Linhares / folha de sp
SÃO PAULO

Na mesma semana em que o presidenciável João Doria (PSDB) acenou aos seus concorrentes na chamada terceira via em busca de uma candidatura única, partidos desse campo anunciaram conversas para federações. Os apoios que o tucano espera receber, no entanto, dependem dessas tratativas e esbarram em sua alta rejeição.

No último domingo, em uma live promovida por um grupo de empresários, Doria falou em construir uma única candidatura, citando os nomes de Sergio Moro (Podemos)Simone Tebet (MDB)Alessandro Vieira (Cidadania) e Rodrigo Pacheco (PSD).

Aliados de Doria acreditam que ele seria esse candidato principal e apostam no crescimento de seu nome conforme a campanha avance. Mas, se o governador paulista não conseguir capitalizar em cima da vacinação e de outras vitrines, tucanos veem chances de o partido desistir de lançá-lo.

A possibilidade de ampliar a bancada, de contar com um tempo significativo de TV, a proximidade ideológica e a boa relação de Doria com líderes das demais siglas são pontos apontados como atrativos para uma aliança com o tucano.

"Isso só vai se materializar provavelmente entre o final de junho e o início de julho", completou Doria a respeito das alianças em coligações majoritárias.

Mas o debate sobre federações atravessou na frente, já que a data para sua formalização é 2 de abril –a não ser que o STF (Supremo Tribunal Federal) amplie o prazo em julgamento sobre o tema previsto para quarta-feira (9).

O PSDB de Doria já tornou públicas as negociações para a formação de uma federação com o Cidadania, de Vieira, e com o MDB, de Tebet. Em paralelo, o MDB também ensaia uma federação com a União Brasil, partido formado por PSL e DEM e que não tem presidenciável próprio –cujo apoio também é cobiçado pelos tucanos.

Membros dos partidos da terceira via consultados pela Folha afirmam que as conversas sobre coligações andam a passos lentos e devem se intensificar em junho, já que o momento é o de discutir federações.

FEDERAÇÕES PARTIDÁRIAS EM NEGOCIAÇÃO

  • PT/PSB/PV/PC do B

  • PSOL/Rede

  • MDB/PSDB

  • União Brasil/MDB

  • Cidadania/Podemos

  • Cidadania/PSDB

  • Cidadania/PDT

O presidente do PSDB e coordenador da campanha de Doria, Bruno Araújo, afirma que não concentrar as candidaturas da terceira via significa consolidar a polarização. "A pauta agora é a das federações. As coligações serão discutidas mais para frente, nada acontecerá antes de junho".

Em ambas as modalidades, porém, Doria enfrenta obstáculos para se consolidar como a candidatura única da terceira via segundo representantes das siglas citadas por ele.

No caso das federações, que exigem das siglas envolvidas a atuação conjunta por quatro anos, inclusive nas eleições municipais de 2024, os entraves para o PSDB são os mesmos de todas as legendas, sobretudo das maiores: aplacar disputas regionais para chegar a candidatos únicos nos estados e cidades, além de traçar um programa comum.

Tucanos e emedebistas do alto clero admitem que a federação entre os partidos tem poucas chances de prosperar. O mais esperado é que se consolide o acerto entre PSDB e Cidadania, o que na prática obrigaria Vieira a retirar sua candidatura, embora isso não seja admitido de cara pelo partido.

"Defendo um processo de concentração de forças no centro democrático, mas dentro de uma construção de projeto nacional, sem imposição de nomes ou atropelos. Mais adiante é preciso um gesto daqueles que não se veem viáveis", declara Vieira.

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, diz saudar a fala de Doria a favor de unidade. "Seria importante para o país e para a democracia. Em junho vamos analisar o quadro e isso vai ter que ser decidido", afirma.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada em dezembro, Vieira não pontuou, enquanto Doria chegou a 3%.

Para atrair os demais –Moro (9%), Tebet (1%) e Pacheco (1%)— restaria ao tucano realizar coligações, mas nesse caso sua alta rejeição se torna uma objeção, embora haja concordância entre esses partidos sobre as vantagens de uma candidatura única.

De acordo com a leitura de líderes dessas legendas, evitar a fragmentação é o caminho para tentar chegar ao segundo turno num cenário em que o ex-presidente Lula (PT) marca 47% e o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 21%.

Por isso, o aceno de Doria foi bem-visto em todos os partidos, que ressaltam a necessidade de abertura para o diálogo –algo que o tucano vem demonstrando. Na prática, porém, membros da campanha de Doria afirmam haver conversas com MDB, Cidadania e União Brasil, enquanto Podemos e PSD estariam em polos mais distantes.

Aliados de Doria admitem que o cenário mais provável é o de fragmentação, com ao menos Doria e Moro concorrendo na terceira via. Dado que o ex-juiz está à frente nas pesquisas, tucanos não veem como atraí-lo e muito menos o Podemos está disposto a abrir mão em prol do governador.

Só haveria um caminho, segundo o entorno de Doria, se Moro desistisse da corrida ao Planalto para se candidatar ao Congresso, garantindo ao menos algum cargo diante da vitória incerta no plano nacional. Então, o Podemos poderia migrar para a campanha tucana.

O clima entre Doria e Moro segue cordial. Na quarta (2), o ex-juiz evitou criticar o governador durante um evento em São Paulo.

O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) afirma que o aceno de Doria contribui para a convergência. "Mas isso tem que respeitar quem tem viabilidade maior. Não há uma pesquisa que não coloque Moro como o mais viável", pontua.

Ainda na visão de estrategistas de Doria, o PSD está mais próximo de um acerto com Lula do que com a terceira via. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, afirma que seu partido não deve fazer federações ou coligações e que terá candidatura própria.

"Nosso candidato é o Pacheco", afirma. O partido fará em março uma avaliação sobre a viabilidade de Pacheco e já buscou um plano B, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), que perdeu as prévias tucanas para Doria.

Caso Doria suba nas pesquisas, a campanha tucana acha possível consolidar os apoios de União Brasil e MDB –sobretudo desse último, mesmo se a federação não vingar.

Doria é próximo do presidente do MDB, Baleia Rossi, e Tebet é vista como a vice ideal para o governador paulista, que já indicou buscar uma mulher para sua chapa.

No MDB, o discurso oficial é o de manutenção da candidatura de Tebet, enquanto membros do partido veem a aliança com Doria problemática diante da baixa intenção de votos do tucano. A aposta é a de que a senadora pode crescer, enquanto o governador não.

Baleia afirma esperar que Tebet seja a candidata que consiga agregar os demais. "Estamos trabalhando no fortalecimento da Simone, estamos buscando parcerias, nossa vaga de vice está em aberto", diz.

Membros da União Brasil afirmam que os dirigentes da legenda não cogitam apoiar Doria devido a sua estagnação, e oscilam entre compor com Moro ou manter a neutralidade. Outra opção é a união com Tebet, na possibilidade remota de a federação prosperar.

Já o candidato de Doria ao Governo de São Paulo, seu vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), tem sido mais bem-sucedido em atrair alianças –incluindo União Brasil e MDB, que separaram o apoio a Garcia de uma coligação com Doria.

A base tucana no estado inclui ainda o Cidadania e até prefeitos e parlamentares do Podemos, partido que lançará Arthur do Val para o Palácio dos Bandeirantes. Mesmo partidos do centrão de Bolsonaro são aliados de Garcia em São Paulo.

Aliados de Doria afirmam que isso se deve à diferença de conjuntura nacional e estadual e não à capacidade do titular e do vice. Alguns tucanos admitem, porém, que Garcia não é rejeitado, enquanto Doria caminha para o isolamento, com pesquisas indicando perspectivas ruins.

 

 
 
 

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