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Em vez de se unir, os candidatos de centro se multiplicam e se ‘autocristianizam’

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2022 | 03h00

A política brasileira, e não é a única, está tão bagunçada que criou a figura da “cristianização consentida” na eleição de 2022. O/a político/a assume a candidatura, faz discurso, viaja e dá entrevista, mas ninguém, nem ele e os comandantes do partido, levam a sério. É só para inglês ver e ganhar tempo.

O candidato “cristianizado” é aquele abandonado pelo próprio partido e pelos correligionários, uma alma penada. A expressão vem de 1950, quando o então PSD jogou fora Cristiano Machado e apoiou o favorito Getúlio Vargas, do PTB.

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João Doria (PSDB) ganhou as prévias e tenta evitar que tucanos apoiem outros candidatos. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Machado foi “cristianizado”, mas os candidatos atuais se “autocristianizam”, oferecendo seus nomes e biografias a suas siglas, enquanto os caciques conversam, ou negociam, o apoio principalmente a Lula, do PT, e a Jair Bolsonaro, do PL.

Quem está sendo “cristianizado”, mas se rebela, é João Doria, do PSDB, que ganhou as prévias apertado, mas ganhou, e tenta evitar uma revoada tucana, sobretudo para Lula. Doria é guerreiro, mas os tucanos estão fazendo picadinho do PSDB – entre Lula, Bolsonaro, Sérgio Moro (Podemos), Simone Tebet (MDB) e até o voto nulo.

Se o partido de centro com mais densidade está assim, imagina o resto. Moro irá até o fim? Ciro Gomes não está sendo ainda “cristianizado”, mas patina, apesar do recall de três candidaturas presidenciais e de ter o melhor marqueteiro. Quantos pedetistas já buscam alternativas?

Simone Tebet é muito elogiada, mas tem como se impor às raposas do MDB? Improvável, se o MDB de Alagoas, Piauí, Ceará, Paraíba, Maranhão e Rio Grande do Norte já está mais para lá do que para cá, ou seja, para Lula. E o do Sul e do Centro-Oeste tem uma queda por Bolsonaro.

Rodrigo Pacheco foi lançado pelo PSD quando Gilberto Kassab já acertava nos bastidores o que admite agora em público: o apoio a Lula. Logo, se deixou “cristianizar”. E é para não ser um novo Cristiano Machado, ou um novo Pacheco, que Eduardo Leite (RS) até libera que trabalhem seu nome, mas sem compromisso.

Outros que se lançam, mas o eleitor nem sabe, são Alessandro Vieira, bom senador do Cidadania, Luiz Felipe d’Avila, cientista político que entrou na vaga de João Amoêdo para ser “cristianizado” pelo Novo, André Janones, do Avante, e Aldo Rebelo, independente.

Sempre há candidato de mentirinha, mas em 2022 a polarização veio cedo demais e os partidos estão infiltrados pelo lulismo, pelo bolsonarismo ou por ambos. A “janela partidária”, de 3/3 a 1.º/4, será um teste. Ou os comandantes garantem uma retirada organizada ou haverá uma debandada: o estouro da boiada e dos próprios partidos.

Simone Tebet aposta em União Brasil, fuga de estados petistas e divisão tucana

Renato MachadoJulia Chaib / FOLHA DE SÃO PAULO
BRASÍLIA

O MDB passou a apostar suas fichas na formação de uma federação com a União Brasil, com o intuito de garantir alianças estaduais e assim fortalecer a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência da República.

Em outra frente, a campanha de Tebet também busca avançar em território tucano e atrair o partido para uma futura chapa.

Enquanto membros de peso do PSDB vocalizam e tentam aumentar a dissidência à pré-candidatura de João Doria, governador de São Paulo, Tebet envia sinais de proximidade política e ideológica com o PSDB.

Nesta terça-feira (15), o tema de uma candidatura única estará na pauta de uma reunião envolvendo os presidentes dos três partidos: Baleia Rossi (MDB-SP), Luciano Bivar (União Brasil-PE) e Bruno Araújo (PSDB-PE).

As tratativas para a formação de uma federação entre MDB e União Brasil evoluíram nos últimos dias, ao ponto de alguns caciques considerarem "praticamente fechada".

"O caminho mais provável da União Brasil é a federação com o MDB. Não sendo possível essa federação, vamos fazer aliança", disse à Folha o presidente da União Brasil, Luciano Bivar.

O mapeamento de estrategistas das duas siglas aponta que uma aliança é possível em 20 das 27 unidades da federação.

Emedebistas buscam avançar nas negociações nesses estados onde não há um antagonismo aberto entre os dois partidos e fogem inicialmente dos estados de grande influência do PT —muitos membros do MDB são favoráveis a uma aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dentre os estados mais problemáticos estão Pernambuco, Bahia e Amapá.

Na Bahia, por exemplo, o partido se encontra dividido, com uma ala mais próxima de ACM Neto e outra ligada ao senador Jaques Wagner (PT-BA).

No Amapá o entrave seria o ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manda-chuva da União Brasil local e que articula sua reeleição ao Senado.

A situação de Alcolumbre vem se tornando desconfortável, com a perspectiva de a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) disputar a vaga do estado para o Senado.

Por outro lado, um estado tratado inicialmente como problemático, o Rio Grande do Sul, viu as condições se assentarem com a provável saída de Onyx Lorenzoni da União Brasil, para acompanhar Jair Bolsonaro no PL.

Mesmo as divergências são tratadas como facilmente solucionáveis por dirigentes do MDB. Além de apoios estaduais, a federação com a União Brasil também tem o apoio de caciques de peso na legenda, como o senador Eduardo Braga (MDB-AM), líder da bancada, e o ex-senador Romero Jucá (RR).

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), embora defenda o apoio à candidatura do ex-presidente Lula caso Tebet não fique competitiva, também não se opõe à federação.

Em relação à parceria com os tucanos, os estrategistas emedebistas apostam que a contestada pré-candidatura de Doria pode chegar dizimada na janela partidária, em abril, tornando-se necessária uma aliança em favor de outro nome ao Planalto.

Neste cenário, apostam que a melhor saída para os tucanos será buscar a federação com a União Brasil.

O PSDB também está em tratativas avançadas com o Cidadania para formar uma federação, mas isso não é visto como entrave por emedebistas.

Oficialmente, os negociadores do MDB não se envolvem nas questões internas do outro partido, mas contam com o apoio de alguns nomes de peso tucanos que vociferam contra a candidatura do governador paulista, em particular o senador licenciado Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o José Aníbal (SP).

Ao mesmo tempo, Tebet realiza gestos em favor da base tucana. Escolheu como marqueteiro Felipe Sotello, mais ligado à ala do senador e ex-governador José Serra (PSDB-SP). Sotello foi o responsável pela campanha vitoriosa pela reeleição do falecido prefeito Bruno Covas.

coordenadora da área econômica da campanha será Elena Landau, que atuou no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como diretora do programa de desestatização e também no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Se por um lado a direção nacional do MDB entrou nas articulações, por outro ficou a cargo de Tebet tornar-se conhecida nacionalmente e assim reverter a descrença em sua candidatura de alguns líderes do partido.

Na legenda, mantém-se a perspectiva de que ela precisa atingir dois dígitos nas pesquisas até abril para seguir na corrida. Pesquisa Datafolha em dezembro apontou que a congressista contava com 1% da intenção de votos.

Tebet esteve na cidade de São Paulo, onde visitou projetos sociais na favela de Paraisópolis, acompanhada do prefeito Ricardo Nunes (MDB), no dia 29 de janeiro.

Estão previstas para depois do Carnaval viagens para as regiões Sul e Nordeste no roteiro do que a senadora vem chamando de "caminhada da esperança". A distância, ele concede entrevistas para rádios regionais de diversas partes do país, para tentar se tornar conhecida.

Um parlamentar emedebista, no entanto, questiona a série de agendas para conhecer projetos sociais e para se reunir com membros da sociedade civil, enquanto outros pré-candidatos ganham destaque em fotos ao lado de políticos cujo apoio pode influenciar nas eleições.

 

Bolsonaro inventa para se manter em evidência

 O presidente Bolsonaro busca uma maneira de contestar ou até mesmo desistir da eleição, para não perder, como parece que vai acontecer. Ele procura, com suas reclamações, dar um ar de que está respaldado pelas Forças Armadas, o que é desmentido pelos fatos. O relatório do representante convidado pelo TSE para verificar a segurança das urnas é totalmente técnico e não há a mínima suspeição de que possa haver interferência no resultado das eleições. Bolsonaro inventa todo dia alguma coisa para se manter em evidência e deixar um clima de ameaça no ar. Mas ele não tem condições políticas, nem apoio das Forças Armadas para tentar um golpe com o fim de não realizar eleições. Mantem seu grupo unido com essas declarações, dizendo que foi roubado, mas não vejo perigo para as eleições, ainda mais agora com a redução de popularidade do presidente. O apoio de 25% não é suficiente para paralisar o país e tentar um golpe. Já tentou, no 7 de setembro, quando estava mais forte, e não conseguiu nada.  Talvez seja o mote da campanha dele, mas não vejo problema.

Frente ampla de Lula esbarra em programa de governo, ataques e antipetismo

Joelmir Tavares / FOLHA DE SP
SÃO PAULO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve avanços no esforço de construir uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro (PL), mas tem adiante obstáculos como desconfianças na área econômica, antipetismo, entraves partidários e um previsível massacre na campanha.

Hoje favorito da corrida presidencial, ele tem dito que não quer ser o candidato do PT ou da esquerda unicamente, mas de "um movimento" com alcance maior, incluindo forças sociais. Entra nessa conta a escolha do ex-tucano Geraldo Alckmin como vice, já apalavrada, mas ainda por ser concretizada.

As movimentações para convencer o universo político e o eleitorado de que seria o único capaz de liderar uma articulação que vá da esquerda à direita não bolsonarista envolvem também conversas de Lula com outrora rivais, como quadros históricos do PSDB, e líderes de partidos como de MDB e PSD.

Se no discurso petista o selo de candidato da unificação nacional já está grudado e não sai mais, fora das projeções otimistas —que martelam a possibilidade de vitória no primeiro turno— outros fatores se impõem.

Bolsonaro e aliados deixam claro que vão jogar pesado na desconstrução de Lula e seu arranjo. Falam em desenterrar escândalos de corrupção da era petista e explorar a derrocada econômica do fim do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

"O Lula está escondidinho, mas vamos relembrar tudo o que ele fez no verão passado", diz o deputado federal e vice-presidente nacional do PL, Capitão Augusto (SP). "Aliança em torno dele? Se fosse um nome diferente, até poderia se pensar. Mas a rejeição dele é muito alta."

No cálculo do bolsonarista, a campanha desidratará Lula, mas não a ponto de tirá-lo do segundo turno. "E aí vamos ver. A esquerda ainda tem uma força no Brasil, mas nunca será a maioria", afirma.

Na pesquisa Datafolha de dezembro, o petista teve taxa de rejeição de 34%, mesmo percentual de João Doria (PSDB), com quem empata na segunda colocação. Bolsonaro tem a maior, com 60%.

"Só os petistas mais otimistas mesmo para acreditarem que dá para ganhar no primeiro turno", alfineta o dirigente do PL. "Lava Jatopetrolão, a desastrosa gestão da Dilma... Vamos fazer questão de recordar tudo isso. Não creio que o discurso do Lula vá muito longe além da esquerda."

antipetismo, apesar de ter refluído, será reavivado com a aproximação do pleito, na ótica de Capitão Augusto.

Até mesmo o ex-governador Márcio França (PSB), próximo de Lula, tem feito prognóstico nessa linha. Ele usa as dificuldades que o PT poderá encontrar como argumento para defender sua candidatura ao Governo de São Paulo, em detrimento de abrir mão para o petista Fernando Haddad.

França, que foi vice de Geraldo Alckmin no governo, sustenta ser um nome mais palatável ao eleitor de perfil conservador, principalmente no interior do estado, que seria mais suscetível à retórica anti-PT. O apoio pleiteado por ele é um dos empecilhos na negociação da federação PSB-PT.

Obstáculos no caminho de Lula também são apontados na chamada terceira via, que tenta fabricar uma alternativa aos dois líderes. Operadores de candidaturas como as de Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos) rebatem a tese de que o petista seja a figura da conciliação.

"Ninguém pode, no mês de fevereiro, fazer a análise de que já há alguém específico liderando as forças contra o bolsonarismo, enquanto outros partidos do campo de centro estão construindo uma unidade que pode desempenhar esse papel", diz o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo.

Embora tenha escolhido Doria, o partido viu se agravar o racha interno após as prévias e tem agora correntes discutindo outras opções, que envolvem aproximação com Simone Tebet (MDB) e o resgate do derrotado na votação interna tucana, Eduardo Leite, em eventual jogada com o PSD.

"Lula, pessoalmente, carrega o ativo de ter tido um papel importante na distribuição de renda, mas o tema dos males causados pelo PT seguramente cresce no processo eleitoral", avalia Araújo, para quem "até aqui o bolsonarismo é o maior cabo eleitoral do PT".

O setor tem discutido também a falta de clareza, até o momento, do programa econômico petista, diante de incertezas sobre guinadas na condução da política fiscal e desequilíbrio nas contas públicas. Lula já discute, por exemplo, rever o teto de gastos e a reforma trabalhista.

Um proeminente articulador da centro-direita, que participa das costuras para fortalecer um projeto desse segmento e falou à Folha sob reserva, diz que o momento de crise aguda exige que as campanhas eleitorais apontem caminhos em duas direções.

Uma delas é no âmbito institucional, propondo a recuperação da ordem democrática e dos pilares constitucionais. E a outra é na esfera econômica, com um projeto claro e de longo prazo, que proponha saídas para a estagnação do crescimento e o isolamento internacional.

É sobretudo nesse segundo aspecto, conforme a visão do político, que Lula é tratado com ceticismo no mercado e nos círculos liberais. A sigla, em resposta às insinuações de radicalismo, afirma que o setor privado já sabe que a gestão do ex-presidente ofereceu segurança e que não há riscos.

O ex-ministro petista Tarso Genro, afinado com a proposta de que o PT "não deve liderar uma frente exclusivamente de esquerda", defende "um programa que gere uma interação entre setor público e privado, balizada pelo Estado, mas em conjunto com a iniciativa privada, que demanda previsibilidade".

"Estamos vivendo outra época [em relação à da primeira gestão de Lula], não é mais um projeto baseado em commodities. Tem que ter uma dinâmica nova, mas não será norteada pelo capital financeiro especulativo", diz à Folha o ex-governador do Rio Grande do Sul.

Aloysio Nunes, um dos tucanos históricos que foram procurados pelo ex-presidente, endossa parte das críticas. "O programa para a economia ainda tem que ser entendido. E essa história da [regulação da] mídia causa estranhamento, temos que ficar atentos", afirma.

Aloysio, que esteve com o petista em duas ocasiões desde o fim do ano passado, tem repetido que a mensagem de Lula nas conversas foi a de que, caso eleito, precisará de "um mutirão para governar".

Candidato a vice de Aécio Neves (PSDB) em 2014, o ex-senador diz que o petista não fez pedidos, embora se saiba que ele espera que as chamadas forças democráticas o abracem ao menos em um segundo turno contra Bolsonaro.

"O plano de se criar em torno dele um movimento pressupõe ideias capazes de juntar gente e mobilizar vontades, e isso ainda não está claro. Não sei se o Lula será esse aglutinador. O fundamental para mim é derrotar o Bolsonaro, e isso passa acima de qualquer questão de ordem partidária", segue Aloysio.

Para ele, no entanto, é salutar "diante da excepcionalidade da situação" o diálogo entre lados antagônicos. "Essa intenção de fazer um grande mutirão é muito positiva, mas tem que ver a partir de quais propostas", reitera.

O ex-presidente falou com outros tucanos considerados discípulos do "PSDB da Constituinte", como Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati. A mensagem é a de que é preciso recuperar a credibilidade da política após os ataques de Bolsonaro e buscar consensos mínimos.

"Do ponto de vista da política, Lula está correto em buscar demonstrar que tem amplitude no diálogo quando parte da sociedade continua desconfiando do PT na Presidência da República", diz Bruno Araújo. "Encontrar-se com ele é algo do foro íntimo de cada uma dessas lideranças [tucanas]."

Em 2018, quando o ex-presidente foi impedido de concorrer e acabou substituído por Haddad, o PT estava coligado só com PC do B e Pros. Desta vez, são dadas como certas na composição siglas como PC do B, PSOL, PSB, PV e Solidariedade.

De fora do segmento da esquerda, há a sinalização de setores e nomes influentes do MDB e do PSD. Se o primeiro dificilmente fechará apoio formal —hoje trabalha a pré-candidatura da senadora Simone Tebet—, o segundo não está totalmente descartado —seu presidente, Gilberto Kassab, é assediado, mas resiste.

A expectativa é que a candidatura do PT seja favorecida pela acentuada divisão interna na maioria dos partidos. Com o favoritismo do ex-presidente, os mais pragmáticos não querem comprar briga com eleitores dele.

Até siglas do centrão alinhadas a Bolsonaro podem liberar seus diretórios estaduais do apoio ao atual presidente, diante da pressão de deputados e candidatos a governador que são simpáticos a Lula ou querem ao menos o benefício da neutralidade, preservando suas próprias campanhas.

Nos últimos dias, surgiram indícios nessa linha. O PP, um dos símbolos do centrão, dispensou as direções estaduais de mencionarem Bolsonaro ou o governo na propaganda partidária em TV e rádio, conforme noticiou o jornal O Globo. Líderes regionais da legenda flertam com o petista.

Em uma movimentação inusitada, antecipada na Folha pelo Painel, integrantes do governo Romeu Zema (Novo) ensaiam apoio ao ex-presidente em Minas Gerais, em tática para atrair eventuais eleitores lulistas e distanciar o governador de Bolsonaro. No estado, o PT negocia com Alexandre Kalil (PSD).

RECENTES SINALIZAÇÕES FAVORÁVEIS A LULA

  • Contrariedade interna à escolha de Geraldo Alckmin (ex-PSDB) como vice foi debelada, simbolizando movimento ao centro
  • Aproximação de Lula com líderes históricos do PSDB rendeu declarações sobre moderação do petista e busca de consensos
  • Partidos da base de Bolsonaro e de outros rivais ensaiam afrouxar exigências nos estados, liberando eventual apoio ao PT
  • Líderes do MDB como Renan Calheiros (AL) trabalham pelo petista; apoio do PSD ao menos no segundo turno é dado como certo
  • Aliados do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ventilam pregar voto casado nele e em Lula

Bolsonaro lidera no uso do TikTok entre pré-candidatos à Presidência

Daniel Gullino / O GLOBO

Após se destacar pelo uso das redes sociais nas eleições de 2018, o presidente Jair Bolsonaro tem ao menos um novo trunfo nessa área para a disputa deste ano: até o momento, é o pré-candidato à Presidência com maior presença no TikTok, rede social em ascensão. A maioria dos rivais de Bolsonaro nem mesmo possuem conta na plataforma, enquanto os que têm ficam bem atrás do presidente em número de seguidores.

O Brasil tem cerca de 4,72 milhões de usuários de TikTok, de acordo com dados de 2021 da consultoria alemã Statista. É o segundo país que mais usa o aplicativo no mundo, atrás apenas da China. Apesar do potencial de crescimento, que incomoda as concorrentes, o número ainda é baixo se comparado ao Facebook e ao Instagram (que têm 148 milhões e 114 milhões de usuários no país, respectivamente).

Bolsonaro tem 769 mil seguidores na rede social, que usa desde junho do ano passado. A presença no TikTok ainda é raridade entre os principais pré-candidatos: Luiz Lula da Silva (PT), Sergio Moro (Podemos), João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB) não tem contas.

Os únicos outros postulantes à Presidência que também marcam presença são André Janones (Avante), com 148 mil seguidores, e Ciro Gomes (PDT), com 59 mil. Os dois começaram a utilizar o TikTok em abril de 2021, poucos meses antes de Bolsonaro, mas os dois tem um volume de postagens menor do que o do presidente. 

Como o GLOBO mostrou na semana passada, outros políticos também investem na rede, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) e o deputado estadual Arthur do Val (Podemos-SP).

Bolsonaro tem uma produção específica para a rede social, publicando geralmente montagens com trechos de discursos seus ou de suas interações com apoiadores, sempre com uma música ao fundo. Já foram postados mais de 300 vídeos.

Aproveitando o estilo mais descontraído e jovial da rede social, o presidente publicou na semana passada um trecho de uma série de animação do grupo X-Men, para lamentar a morte de Isaac Bardavid, dublador do personagem Wolverine.

Se não entra diretamente na moda das "dancinhas" do TikTok, Bolsonaro ao menos terceiriza isso para sósias seus, publicando vídeos de pessoas parecidas com ele. No mês passado, postou uma dessas gravações com as hashtags "#gingado" e "#danca".

A rede social, contudo, não é bem-vista por todos os integrantes do governo. Há duas semanas, a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) afirmou que a gravidez de crianças e de adolescentes “está muito atrelada” ao uso do TikTok.

Ciro Gomes também tem investido na rede social, chegando a publicar vários vídeos por dia. Suas publicações, no entanto, tem um formato mais tradicional e geralmente se limitam a apenas cortes de discursos ou entrevistas, sem grandes edições.

Janones, que é o único do três que não tem uma conta verificada, tem uma produção menor e publicou apenas quatro vídeos neste ano.

Apesar de não ter um perfil oficial, Lula conta com produção de apoiadores. Há duas contas dedicadas ao ex-presidente, uma com 539 mil seguidores e outra com 139 mil. Apesar das suas utilizaram o nome "oficial", a assessoria do petista afirmou que ele não tem perfil no TikTok.

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