Quando o trânsito mata mais que assassinatos
Em sete estados brasileiros, o trânsito matou mais, em números absolutos, que os homicídios entre 1998 e 2017. É o caso de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Piauí e Tocantins.
Um estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária chegou a um número ainda maior, de 15 estados, ao comparar taxas de homicídios para cada 100 mil habitantes e o índice de mortes no trânsito em relação à fronta de veículos, no período de 2011 a 201
Em Santa Catarina, as mortes relacionadas ao trânsito chegam a representar o triplo dos assassinatos. Foram 38,7 mil contra 14,3 mil homicídios em 20 anos. A tragédia do trânsito tem impacto direto nos hospitais públicos. O diretor do Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis, Marcelo Moreira, conta que por dia a unidade, às margens da BR-101, recebe 15 pacientes com fraturas, a maioria jovens motociclistas, que acabam submetidos a cirurgias e ficam internados por até sete dias.
— Um paciente custa mais de R$ 10 mil durante uma internação. É um gasto elevadíssimo — relata.
Geração perdida: jovem é a principal vítima
Quase 40% dos mortos no trânsito têm até 29 anos. São vítimas como a universitária Mariana Paranhos, de 22 anos, atropelada no Centro do Rio. Nove anos depois do acidente, o coração da funcionária pública Cibele Paranhos, de 61 anos, sua mãe, ainda aperta ao passar pela Presidente Vagas. O acidente aconteceu numa segunda-feira após o Dia das Mães. Mariana havia saído mais cedo da faculdade, onde estudava Administração, para comprar o bolo de aniversário da avó, que hoje tem 89 anos.
A GUERRA DO TRÂNSITO
Tragédia que deixou mais de 734 mil mortos em 20 anos no Brasil, a maioria jovens até 29 anos, os acidentes de trânsito despedaçam famílias e sobrecarregam a saúde pública. No mesmo período, o SUS desembolsou R$ 5,3 bilhões em procedimentos médicos relacionados a acidentes nas ruas e estradas. Especialistas temem piora no cenário com alterações no Código de Trânsito Brasileiro propostas por Bolsonaro.
Créditos
Reportagem: Marlen Couto e Marcelo Remigio | Arte e desenvolvimento: Christiano Benicio Pinto | Edição: Daniel Lima | Coordenação: Rubens Paiva
País tem uma morte a cada 15 minutos
Mães perdem filhos, filhos perdem pais. São milhares as histórias atravessadas pela epidemia de mortes no trânsito que o Brasil, há décadas, vive e não tem sido capaz de controlar. A cada 15 minutos, em média, uma morte é registrada nas ruas e estradas do país. Em 20 anos, foram 734.938 óbitos, segundo levantamento do GLOBO a partir de dados públicos do Ministério da Saúde — número superior à população de nove capitais, como Vitória, Cuiabá e Florianópolis.
Após decreto de Bolsonaro, Sistema S terá de detalhar suas contas
Por Alexandro Martello, G1 — Brasília
As empresas do chamado Sistema S deverão detalhar suas contas na internet, conforme as regras já aplicadas ao setor público, determinadas pela Lei de Acesso à Informação (LAI). A determinação está em decreto do presidente Jair Bolsonaro, assinado também pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e o chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário.
De acordo com o decreto (9.781/2019) publicado em maio, as novas regras entram em vigor em 90 dias, ou seja, em agosto, mas a data inicial das prestações de contas, e o período englobado, ainda não foram definidos. "Ato conjunto da CGU e Ministério da Economia disciplinará essa questão", informou a Controladoria-Geral da União.
SIMPLES NACIONAL PASSARÁ POR PENTE-FINO DA EQUIPE ECONÔMICA
Principal responsável pelos gastos tributários do governo federal, o Simples está entre os programas que vão passar por um pente-fino da equipe econômica. Um estudo que está nas mãos de técnicos do governo mostra que, a cada ano, quase 20 mil empresas podem estar sendo criadas apenas para se beneficiar das alíquotas mais baixas que são cobradas no regime.
O trabalho, feito por técnicos do Ipea, analisou os períodos de 2006 a 2010 e de 2011 a 2018. E afirma: “um montante de 12 a 18 mil firmas podem estar sendo criadas anualmente apenas para burlar o sistema”. Isso representa entre 3,6% e 5,2% das novas firmas criadas no país a cada ano.
‘FALTA GRATIDÃO AO GOVERNO DO CAPITÃO’, DIZ PAULO MARINHO
Quartel-general da vitoriosa campanha de Jair Bolsonaro ao Planalto, a mansão do empresário Paulo Marinho, na Zona Sul do Rio de Janeiro, abrigou um jantar há duas semanas para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).
A sede da campanha do atual presidente mudou de cor e se prepara para dar guarida ao tucano, que tentará acabar com a sequência de cinco derrotas consecutivas do partido em disputas para o Palácio do Planalto.
Embora suplente do senador Flávio Bolsonaro, Marinho está distante da família “do capitão” (é só assim que se refere ao presidente). Em entrevista a ÉPOCA, concedida após ter assumido o comando do PSDB do Rio, ele diz que esperava mais consideração por parte do presidente.
“Acho que está faltando gratidão ao governo do capitão. É um sentimento muito importante na vida pessoal. Na política, mais ainda”, disse Marinho.
Ele ressaltou a influência negativa exercida pelos filhos de Bolsonaro: “Toda vez que qualquer filho se excede na linguagem, repercute no governo. Eles tinham de observar mais essa questão. Têm atrapalhado mais do que ajudado. O 02 (referência ao vereador Carlos Bolsonaro) opera na rede social o dia inteiro”.
Também mencionou a síndrome conspiratória que ganhou força ainda durante a campanha. “O atentado aumentou ainda mais a síndrome da conspiração que a família tem em relação a tudo do mundo real. O caso Adélio é como o caso Kennedy para eles, sempre defenderão que há algo por trás da história”.
Leia a entrevista completa na edição de ÉPOCA desta semana: 18 PERGUNTAS PARA PAULO MARINHO

