Avanço do PIB
Estabilizada, a economia brasileira conseguiu, enfim, crescer — embora não tenha escapado de crises severas nas décadas que sucederam o Plano Real. Em 1994, o Produto Interno Bruto (PIB) somou US$ 1,258 trilhão (em paridade de poder de compra), segundo Alex Agostini, da Austin Rating. Quase duas décadas e meia depois, em 2018, a economia havia mais que dobrado, para US$ 3,365 trilhões.
A expansão do PIB, no entanto, não foi suficiente para que o Brasil avançasse muitas posições no ranking mundial de crescimento. Em 1994, o Brasil estava na 9ª posição; em 2018, figurava na 8ª — depois de ter caído da 6ª colocação que havia alcançado antes da última recessão.

Redução da pobreza
Um dos efeitos mais imediatos do Plano Real foi a redução da pobreza. Ao diminuir o poder de compra em ritmo diário, a hiperinflação era mais perversa com os mais pobres, que não tinham acesso a instrumentos financeiros que preservavam o valor da moeda.
A parcela de pobres no país caiu de 43%, em 1993, para 35,1%, em 1995. A tendência se manteve nos anos seguintes, ajudada por programas de transferência de renda como o Bolsa Família. Em 2017, ficou em 13%.
Real, 25 anos: Estabilidade da moeda permitiu avanços sociais no Brasil
RIO — Em junho de 1994, quando a população brasileira somava 156 milhões e a expectativa de vida era 68 anos, a inflação corroía os salários diariamente. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, acumulava alta de 4.922,60% em 12 meses. No mês seguinte, entrava em cena o real , após cinco meses com o país convivendo com o cruzeiro real e a Unidade Real de Valor (URV) , que variava diariamente conforme a inflação. A URV seria transformada na nova moeda e, a partir de 1º de julho, só o real passou a circular.
Plano Real: 25 anos após entrada em vigor, tecnologia muda relação do brasileiro com a moeda
RIO — Em 1994, o Plano Real começava a deixar para a História ahiperinflação , que acumulava quase 5.000% em um ano, mudando radicalmente os hábitos dos brasileiros no supermercado, no banco e no cotidiano com a recuperação da confiança na moeda . Hoje, 25 anos depois da estabilização , o brasileiro experimenta uma nova revolução na sua relação com o dinheiro: a digitalização de operações financeiras.
Entrevista: ‘A população é a grande fiadora da estabilização’, defende Pérsio Arida
Cada vez mais transações, incluindo as mais cotidianas, são feitas sem o uso de dinheiro vivo. A mudança vem acontecendo aos poucos — e não praticamente da noite para o dia, como foi no 1º de julho de 1994 com o início da circulação do real — e terá impacto não só nos hábitos dos brasileiros, como também na economia. A digitalização e as inovações financeiras, dizem os analistas, ajudarão na redução dos juros e na expansão do crédito.
Nas ruas, motociclistas e crianças mais expostos
O projeto de Bolsonaro pode tornar as vias ainda mais perigosas para quem mais morre hoje no trânsito. O governo pretende tornar mais branda a multa para motociclistas que usam capacetes sem viseira ou óculos de proteção (de gravíssima para média) e transportam mercadorias em desacordo com as normas (de grave para média). No primeiro caso, a lei prevê a suspensão do direito de dirigir, o que também será suprimido se o projeto for aprovado.
Em 2017, os motociclistas representaram 34% das vítimas fatais. As mortes são mais comuns no Norte e no Nordeste.
Eles também já são hoje as vítimas de trânsito que mais geram despesas ao SUS, representaram 55% do gasto em 2018.
Presidente da Federação de Motociclistas do Estado do Rio, Humberto Montenegro diz que as grandes vítimas são jovens de 18 a 23 anos. E faz um alerta em relação aos ciclomotores, que incluem as “cinquentinhas”. No início do mês, o governo publicou uma resolução que permite, por um ano, obter a autorização para dirigi-los sem fazer aulas antes. Só em 2018, o Seguro DPVAT pagou 3.457 indenizações a vítimas de acidentes envolvendo esse tipo de veículo. A maior parte ficou com invalidez permanente.
— Quando falamos das cinquentinhas o risco é ainda maior. São frágeis, inseguras. Em geral, quem guia esses modelos são os jovens, muitos sem conhecimento de leis de trânsito — diz Montenegro.
Outra proposta que pode ter impacto principalmente nos espaços urbanos é o fim da multa para quem não transportar crianças em cadeirinhas adaptadas, que passa a ser substituída por uma advertência. Segundo a OMS, o equipamento reduz as mortes em até 60%. O GLOBO
Projeto de Bolsonaro pode aumentar risco nas estradas
Enquanto o país convive com uma epidemia de mortes no trânsito, o governo Bolsonaro enviou ao Congresso um projeto de lei que, se aprovado, flexibilizará multas e exigências a motoristas. Uma das mudanças mais polêmicas pode se transformar em uma bomba-relógio nas estradas: o fim do exame toxicológico para motoristas profissionais, como caminhoneiros e motoristas de ônibus.
Um levantamento do SOS Estradas, com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), aponta que houve redução de 34% nos acidentes envolvendo caminhões nas estradas federais do país, após a obrigatoriedade do exame toxicológico, instituída em 2015.
— Nas estradas as mortes estão diretamente ligadas a caminhoneiros que acabam trabalhando mais do que deveriam e usam substâncias. O exame é uma avanço importante — diz o perito criminal Rodrigo Kleinübing, que complementa:
— Mas a questão da velocidade é a que mais impacta. Se aprovar qualquer medida em que se alivia a penalidade para excesso de velocidade, com pontuação na carteira ou redução de radares, o governo vai assinar o atestado de óbito de milhares de pessoas.
Bolsonaro já ordenou o cancelamento da instalação de 8 mil radares em rodovias federais. Como justificativa, diz que existe uma indústria da multa. Porém, não há estatística unificada de quanto se arrecada no país e do que é feito com o dinheiro. O Denatran diz que não dispõe de dados sobre as multas aplicadas pelos estados.
— Para cada multa aplicada, dez mil não são. Essa tal indústria da multa é ineficiente. O radar está ali para ajudar a sociedade. Quem vai ser prejudicado é quem estiver fora da lei. O gasto com saúde é maior. A conta não fecha — diz José Aurelio Ramalho do ONSV. O GLOBO

