ONG recordista só em repasses refederais
A reportagem do Estadão esteve na terra indígena de Dourados (MS), a 230 km de Campo Grande, para verificar as denúncias de malversação da verba repassada pelo governo federal à ONG Missão Evangélica Caiuá, controlada pela Igreja Presbiteriana do Brasil, destinada ao atendimento médico dos cerca de 17 mil índios das etnias terena, kaiowá e guarani que vivem naquela região. “No meu caso, o resultado ainda veio errado, pois fiz exame da coluna e veio como gordura no fígado”, disse a kaiowá Maurícia Fernandes, de 67 anos. A ONG é recordista em repasses federais por meio de convênios nos seis primeiros meses do governo Jair Bolsonaro, superando Estados e municípios nas chamadas transferências voluntárias de dinheiro.
Dados do portal Transferências Abertas, alimentado pelo governo, mostram que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assinou, em janeiro deste ano, nove convênios no valor total de R$ 262 milhões com a ONG controlada pela igreja, quantia que representa quase metade dos R$ 603 milhões em convênios assinados por Bolsonaro neste primeiro semestre. Nos últimos cinco anos, durante os governos Dilma Rousseff e Michel Temer, a entidade recebeu R$ 2,1 bilhões. O próprio Mandetta disse que a ONG recebia o maior volume de recursos e tinha os piores índices de atendimento da saúde indígena, que custa R$ 1,4 bilhão ao ano. Em resposta, a pasta afirmou que assinou os convênios com a Missão Evangélica Caiuá neste ano por orientação do Ministério Público para evitar a interrupção dos serviços de saúde nas aldeias indígenas, mas que “avalia que a assistência indígena precisa ser reformulada para qualificar esse atendimento”.
Heleno em ato: ‘Previsão de esquerdopatas fracassou’
O ministro Augusto Heleno estreou como o primeiro integrante de alto escalão do Palácio do Planalto presente em ato pró-governo desde que Jair Bolsonaro assumiu a Presidência, informa o Estadão. Em Brasília, Heleno chegou de camisa amarela e boné azul e subiu no carro de som onde estava o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
“Mais uma vez, as previsões dos esquerdopatas, dos derrotistas, fracassou (sic). O presidente do Brasil volta de Osaka devidamente homenageado pelos grandes chefes de Estado do mundo. Foi recebido com todas as honras não só pelo governo japonês, mas por todos que estavam lá presente, incluindo o presidente (Emmanuel) Macron, a presidente (Angela) Merkel, o presidente (Donald) Trump e todos os outros dignitários dos países”, afirmou o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional.
Para Ciro, acordo pode ‘liquidar’ indústrias
O ex-ministro Ciro Gomes apoia com reservas o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, destacando o agronegócio como um dos setores mais beneficiados. Em contraste, as indústrias argentina e brasileira, para o ex-presidenciável, podem amargar tempos difíceis com a entrada de produtos industrializados da Europa no Brasil. O pedetista primeiro diz que a taxa de juros que financia a indústria lá é menor “que um sexto daquela que financia o industrial brasileiro”. Ele cita também a “sofisticação tecnológica” do produto europeu frente ao brasileiro.
Da Vera: Qual o peso das ruas?
Os atos deste domingo tiveram dimensão parecida aos de 26 de maio, mas com a volta de alguns atores, como o MBL, ausentes dos atos anteriores por discordarem de seu caráter de confronto com o Congresso e o Judiciário. Focados no apoio à Lava Jato, a Sérgio Moro e à reforma da Previdência, os movimentos deste domingo também levaram para cima dos carros de som integrantes do governo, como o ministro Augusto Heleno, e um dos filhos de Jair Bolsonaro, Eduardo. Mas qual o efeito concreto de atos como esses e de sua repetição a cada vez que o governo precisa de endosso?
Certamente congressistas não são imunes à pressão popular, mas querer fazer desse instrumento um substituto à inexistente articulação política do governo não fará com que ele passe a ter mais sucesso nas votações no parlamento. Da mesma forma, incitar a população contra o Legislativo, dando corda à falsa narrativa de que é ele o responsável, por exemplo, pela demora da votação da reforma da Previdência será contraproducente para Bolsonaro –deputados e senadores foram tão eleitos como o presidente, e não vão enfiar o rabo entre as pernas porque as pessoas foram às ruas. Por fim, o apoio a Moro e à Lava Jato pode até sensibilizar o STF, que, em última instância, será o responsável por decidir se as revelações da Vaza Jato têm peso para alterar alguma decisão da operação. Mas dificilmente ministros decidirão questões complexas como a suspeição de Moro com base em gente de verde e amarelo nas ruas. Portanto, as manifestações, por mais volumosas que sejam, não têm o condão de mudar os rumos das instituições, nem deveriam virar um elixir para todos os temas nacionais. / Vera Magalhães
Sul é a região mais fiel ao presidente Bolsonaro
30 de junho de 2019 | 15h50
A avaliação positiva do governo e a popularidade do presidente Jair Bolsonarodiminuíram de forma constante nos primeiros seis meses do ano. Ao fim deste período, é possível dizer que o bolsonarista mais fiel se notabiliza por duas características marcantes: ele carrega o sotaque do Sul do País e está na faixa dos que possuem renda mais alta.
Por outro lado, os habitantes do Nordeste e de menor renda foram os que mais desembarcaram do apoio ao presidente na primeira metade do ano. Em relação ao penúltimo levantamento do Ibope, em abril, três a cada dez nordestinos que apoiavam Bolsonaro pularam do barco. Hoje, apenas 17% dos moradores da região, reduto do PT, consideram a gestão boa ou ótima.
Três lições dos 25 anos do Plano Real, e que não são óbvias
Escrevo sobre o aniversário do real a cada ano, desde o primeiro, e o assunto não termina. Sempre se encontra um jeito de trazer alguma lição importante para a atualidade e desta vez me ocorre elaborar sobre três coisas que o Plano Real fez muito certo, e que não são óbvias.
A primeira é sobre como trabalhar com públicos hostis, no caso, irritados tanto com a inflação quanto com o combate à inflação. Em lugar de panaceias como “pactos sociais” e “controle social dos preços”, introduzimos a URV, um mecanismo compatível com os incentivos das pessoas físicas e jurídicas diante dos riscos introduzidos tanto pela inflação quanto pelo programa de estabilização.
Hoje temos um nome para isso, consagrado em 2007, quando a Academia Sueca deu o Nobel de Economia a três pioneiros da “teoria do desenho de mecanismos” (Eric Maskin, Leonid Hurwicz e Roger Myerson). Trata-se de construir mercados, jogos ou mecanismos cujas regras são tais que pessoas egoístas seguem seus piores instintos, mas o resultado coletivo é o melhor para a sociedade.


