‘MINHA CASA MINHA VIDA CONSTRÓI, HOJE, AS FAVELAS DE AMANHÃ’, DIZ ANTONIO RISÉRIO
1. Em seu livro, o senhor analisa um arco histórico que vai da oca tupi às atuais habitações do Minha Casa Minha Vida e aos luxuosos condomínios fechados. Por que pensar a casa brasileira? Como nossas moradias ajudam a interpretar o Brasil?
Pensar a cidade e a casa, em perspectiva histórica e socioantropológica, é fundamental para o entendimento de nós mesmos. Escrevendo em meados do século XIX, ( o arquiteto francês ) Viollet-le-Duc já dizia que a casa é certamente o que melhor caracteriza “os costumes, os gostos e os usos de um povo”. Mas não se trata só de especificidades culturais. A casa é também o objeto construído onde mais acintosamente se expressa a desigualdade social. Entre o barraco de madeira e a cobertura de luxo, isso diz muito de nós mesmos. O sociólogo Louis Wirth está certíssimo quando diz que uma civilização pode ser julgada pelas condições mínimas de moradia que tolera.
2. É possível falar em “a” (no singular) casa brasileira?
No livro, digo que não existe a casa romana — o domus não é a mesma coisa que a insulae —, assim como não existe a casa medieval ou a casa brasileira. Tudo isso tem de ser encarado em termos plurais. Não posso confundir uma casa-grande senhorial com um flat ou um loft. Ao mesmo tempo, parafraseando Gertrude Stein, uma casa é uma casa é uma casa. As necessidades básicas da espécie humana, às quais a casa responde, permanecem no tempo e no espaço: comer, dormir, fazer sexo etc. É o que faz com que as casas variem muito, mas sejam sempre reconhecíveis como tais.
3. Além da miscigenação étnica e cultural, também houve uma miscigenação da arquitetura da casa no Brasil? Que elementos arquitetônicos ilustram esse sincretismo?
A casa que os portugueses trouxeram para cá era já sincrética, misturando traços romanos e árabes, dos muxarabis à azulejaria. Aqui, essa casa se rendeu ao influxo tupi, que já tinha a bela e eficaz arquitetura das grandes malocas vegetais. Até os elementos se misturaram. Quando Tomé de Sousa construiu Salvador, as casas traziam cobertura de palha e cipó em lugar da pregaria. Tivemos, ainda, embora bem mais diluída, uma pequena influência negro-africana. O tipo de moradia mais persistente na história da casa brasileira é o mocambo. Ele está desde nas palhoças coloniais até nos barracos de favelas. É também um exemplo de total sincretismo afro-luso-ameríndio.
Bolsa Família reduziu 25% da taxa de extrema pobreza, aponta Ipea


O Programa Bolsa Família reduziu as taxas de extrema pobreza em um quarto (25%) e de pobreza em 15%. A conta é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que analisou a evolução das condições de vida dos mais pobres entre os anos de 2001 e 2017.
“Em 2017, as transferências do programa retiraram 3,4 milhões de pessoas da pobreza extrema e 3,2 milhões da pobreza”, descreve estudo publicado esta semana e disponível na internet. Os dados sobre a renda dos mais pobres foram obtidos nas Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicilios (Pnad/IBGE), que eram bianuais e a partir de 2016 passaram a ser contínuas.
Somados, os contingentes de pessoas que se beneficiaram com essa mobilidade de classe (6,5 milhões) equivalem à população do Maranhão (Censo de 2010). No total, o Bolsa Família transfere recursos a 14 milhões de famílias ou 45 milhões de pessoas, número semelhante a de toda população da Argentina.
Jair Bolsonaro está unindo o Brasil
O presidente Jair Bolsonaro (Valter Campanato/Agência Brasil)
Jair Bolsonaro, com seu discurso de ódio, está conseguindo um feito inédito nos últimos anos: fazer com que pessoas que discordam em quase tudo voltem a conversar.
O exemplo mais recente ocorreu nesta semana com o vídeo da conversa entre Marcelo Freixo, do PSOL, e Janaina Paschoal, do PSL, que agitou as redes sociais.VEJA
SUS incorpora novo medicamento contra insuficiência cardíaca
De acordo com o estudo PARADIGM, a nova terapia reduziu o risco de morte por causas cardiovasculares em 20% e a taxa de hospitalizações em 21% em relação ao enalapril, tratamento anterior (iStock/Getty Images)
O Ministério da Saúde decidiu incorporar um novo medicamento contra insuficiência cardíaca ao Sistema Único de Saúde (SUS): o Entresto (sacubitril/valsartana). A incorporação aconteceu em menos de dois anos após seu lançamento, tempo considerado recorde para os padrões brasileiros. A portaria foi publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União. O medicamento é indicado para pacientes adultos cujos sintomas são desencadeados por atividades cotidianas, mas que ocorrem também quando estão em repouso. De acordo com o estudo PARADIGM, a terapia reduziu o risco de morte por causas cardiovasculares em 20% e a taxa de hospitalizações em 21% em relação ao enalapril, tratamento anterior.
Propinas da Odebrecht favoreceram poderosos de Angola e sobrinho de Lula
AMIGOS - Os ex-presidentes Lula e José Eduardo dos Santos: propina para combater a pobreza (Ricardo Stuckert/PR)
Em maio de 2014, o ex-presidente Lula foi recebido em Angola como “convidado especial” do então presidente José Eduardo dos Santos, com direito a honras de chefe de Estado, tratamento vip e um jato à disposição. De avião, Lula foi até uma usina de açúcar e etanol, na província de Malanje, construída e controlada por meio de uma parceria da Odebrecht com o governo local. O ex-presidente era o palestrante mais vistoso de um seminário de combate à fome organizado pela Fundação Eduardo dos Santos (Fesa), cujo patrono era o próprio presidente angolano. Pelos minutos em que falou sobre os programas sociais de seu governo, Lula recebeu quase meio milhão de reais de cachê, pago pela empreiteira brasileira, que um ano depois cairia na rede da Lava-Jato. Para conseguir obras e gordos contratos no país africano, a Odebrecht pagou 166 milhões de reais em propina.
Reforma vai precisar enfrentar 66 tributos
O número total de impostos, contribuições e taxas no Brasil é controverso.
Cruzamento de dados da Secretaria da Receita Federal e do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) aponta a existência de ao menos 66 tributos nas esferas federal, estadual e municipal —14 impostos, 35 tipos de contribuição e 17 taxas.
O número, porém, é maior, pois essas listas não especificam, por exemplo, todas as contribuições. Há ainda dificuldade em mapear as taxas em mais de 5.000 municípios.
No momento em que a equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Congresso, prefeitos, governadores e representantes do setor produtivo discutem a reforma tributária, a Folha organiza o mapa da tributação. Foram considerados impostos e contribuições que respondem por 90% da arrecadação da União, estados e municípios.
O símbolo da guerra fiscal, o estadual ICMS, é o que mais arrecada. Por sua complexidade, é um dos principais alvos das reformas que unificam tributos sobre bens e serviços.
Outro alvo é o recordista de alíquotas, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Seu regulamento ocupa quase 500 páginas, que classificam inúmeros produtos.
Para “cigarros que contenham tabaco” e “cigarros não contendo tabaco, exceto os feitos à mão”, por exemplo, a alíquota é de 300% sobre 15% do preço de varejo. Cigarro feito à mão paga 30%, assim como o tabaco para fumar que não vem no cigarro.
Quase toda cobrança prevê exceções em um dos inúmeros regimes especiais de tributação diferenciada.
Também se destacam na arrecadação tributos sobre renda e folha de pagamento, que devem ser alvo de uma proposta de reforma do governo federal. Entre as mudanças sugeridas estão a desoneração da folha, novas regras para o Imposto de Renda e uma contribuição previdenciária sobre movimentações financeiras, a CP.
As propostas não alteram a carga tributária de 34% do PIB (Produto Interno Bruto), próxima da de economias europeias, mas podem equilibrar o sistema, que hoje recai mais sobre o consumo, onerando os mais pobres, do que sobre a renda e o patrimônio.
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