Mitomania - Marcelo Rubens Paiva, O Estado de S. Paulo
É uma sensação midiática, muito mais pelo estranho ou incorreto do que pela lógica. Muitas personalidades, como Churchill, Nelson Rodrigues, Nelson Piquet e até Romário faziam a festa dos repórteres, com suas declarações brilhantes e sarcásticas.
Ele dá declarações bombásticas, exageradas, incomuns e mentirosas, numa sinceridade que cativa parte do eleitorado, mas de uma irresponsabilidade sem tamanho, que até já derrubou bolsas. A mentira abafa a falta de conhecimento e erros cometidos. A mentira mina as pretensões do inimigo. Na guerra, chama-se contrainformação.
Falo o que penso, diz. Seu superego é do tamanho de uma noz. Seu filtro é mais vazado do que meia de uma punk-rock. Não se incomoda em desagregar. Não se preocupa com a liturgia do cargo.
Vitória do País
09 de agosto de 2019 | 03h00
A conclusão da votação da reforma da Previdência na Câmara, aprovada em dois turnos por ampla margem, é inequívoco sinal de bom senso da classe política, que soube compreender o momento delicado que o País atravessa.
A decisão de apoiar a reforma, medida desde sempre tida como politicamente tóxica, indica que os parlamentares afinal compreenderam não só que a manutenção do atual sistema de aposentadorias provocaria o colapso das contas públicas e ameaçaria o próprio funcionamento da máquina do Estado, como também que a necessidade de financiar o enorme déficit da Previdência já estava inviabilizando o investimento em setores cruciais para o País, como educação, saúde e infraestrutura.
Os placares elásticos de aprovação – 379 votos a 131 no primeiro turno e 370 votos a 124 no segundo – indicam que se construiu no País um amplo consenso sobre a urgência de uma reforma abrangente, como a que foi chancelada pela Câmara e agora irá ao Senado, onde também passará por duas votações. Alguns deputados que haviam votado a favor no primeiro turno, antes do recesso parlamentar, temiam uma reação negativa de suas bases eleitorais e uma consequente pressão para mudar o voto no segundo turno, mas nada disso aconteceu.
‘O PT tinha diálogo com nóis cabuloso’, diz líder do PCC grampeado, ao atacar Moro
Luiz Vassallo, Pedro Prata e Fausto Macedo
09 de agosto de 2019 | 05h50
Reprodução de grampo da Operação Cravada
LEIA TAMBÉM >‘Cravada’ da PF mira núcleo financeiro do PCC, bloqueia 400 contas e prende 28 da facção
Uma liderança do PCC interceptada pela Polícia Federal afirmou que a facção tinha um ‘diálogo cabuloso’ com o PT e criticou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Os telefonemas, de abril deste ano, obtidos pelo Estado foram captados pela Operação Cravada, que mira o núcleo financeiro da organização.
Instituto Federal do Paraná cancela evento com Boulos e palestra acontece na rua
O Instituto Federal do Paraná (IFPR ) cancelou na véspera o evento "Educação e Democracia", organizado pelo movimento estudantil, que aconteceria nesta sexta-feira, 9, no Campus Curitiba , com a presença de Guilherme Boulos , que foi candidato à Presidência da República pelo PSOL em 2018. O encontro foi realocado pelos estudantes e aconteceu na rua, na frente do instituto, a partir das 10h.
O instituto, que conta com 19.818 alunos presenciais e 13.449 matriculados em cursos à distância, está em processo de eleição para os cargos de reitoria e direção-geral, e alegou, em nota divulgada em seu site, que o evento foi desmarcado por "medida preventiva".
Jogos da nova temporada
09 de agosto de 2019 | 03h00
Com a volta do Congresso e do STF, o delicado equilíbrio de forças entre os três Poderes precisa ser decifrado.
Comecei a ler o livro Os Onze, de Felipe Recondo e Luiz Weber, na busca de mais informações sobre os bastidores e a história recente do STF. A ideia era entender melhor como esse Poder se desdobra no futuro próximo. Constatei no livro que um marco profundo na dinâmica do STF foi a morte de Teori Zavascki. Não só foi alterada a correlação de forças entre eles, mas perdeu-se uma figura agregadora. Isso impulsionou a criação de ilhas independentes, com grande desenvoltura para decisões monocráticas.
“Está claro que o objetivo é soltar Lula”
Sergio Moro comemorou 47 anos no último dia 1, mas nem tudo são flores e festas na vida do ministro da Justiça e Segurança Pública. Hoje, como quando esteve à frente da Operação Lava Jato, ele está novamente no centro dos holofotes. É o homem da vez. Só que diferentemente do período em que tomou posse como o principal ministro de Jair Bolsonaro, Moro experimenta um dos momentos mais delicados da carreira. É alvo preferencial de grupos do Poder Judiciário — leia-se STF —, por ter contrariado poderosos e inconfessáveis interesses, e vítima de fogo-amigo até mesmo dentro do Palácio do Planalto, por razões que nem a nossa vã filosofia pode imaginar.
No final da semana, a República parecia girar em torno dele. Foi criticado por cometer deslizes semânticos, ao declarar que os homens recorriam à violência contra as mulheres por se sentirem intimidados por elas, virou manchete de todos os sites ao encaminhar um documento ao ministro Luiz Fux em que repetia o que disse em entrevista exclusiva à ISTOÉ, ou seja, que jamais houve qualquer determinação para destruição do material colhido com os hackers presos pela PF, e chegou a ser admoestado pelo próprio presidente da República, ao discorrer sobre o projeto anticrime em tramitação no Congresso.

