Governo ‘descobre’ ter fatia em 637 empresas
03 de outubro de 2019 | 22h16
O governo federal “descobriu” ter mais empresas do que imaginava. São 637 companhias entre controladas pela União, subsidiárias, coligadas e participações, de acordo com balanço divulgado nesta quinta-feira, 3, pelo Ministério da Economia.
Até então, o governo trabalhava com o número de 133 empresas estatais, que só considerava controladas e subsidiárias. Foi a primeira vez que as participações minoritárias foram incluídas no levantamento, o que acabou inflando o número.
Depois do pente-fino, mesmo o total de empresas controladas e subsidiárias cresceu, passando para 205, com a inclusão, principalmente, de sociedades de participação especial (SPE) e empresas internacionais. O balanço mostrou que só a União tem participação minoritária em 43 empresas, fora as participações de empresas como BNDES e Banco do Brasil.
Manutenção de abono salarial beneficia mais o Sudeste
04 de outubro de 2019 | 04h00
A decisão do Senado Federal de manter inalteradas as regras do abono salarial vai beneficiar mais os trabalhadores do Sul e do Sudeste, segundo dados do Ministério da Economia obtidos pelo Estadão/Broadcast. Dos 8,3 milhões de trabalhadores formais que ganham entre R$ 1,4 mil e R$ 2 mil mensais e perderiam o benefício, caso o texto da Câmara tivesse sido aprovado no Senado, 4,2 milhões estão no Sudeste e 1,7 milhão no Sul – mais de dois terços dos afetados.
O abono é um benefício de até um salário mínimo (R$ 998) pago anualmente a trabalhadores com carteira assinada que ganham até dois salários (hoje R$ 1.996). O texto aprovado pelos deputados restringia o repasse a quem recebe até R$ 1.364,43 por mês. Em meio a embates com o governo, os senadores decidiram retirar da reforma da Previdência as mudanças no abono. A medida pouparia R$ 76,4 bilhões em uma década.
A ‘anatomia’ do mensalão na delação de Palocci
Coluna do Estadão
04 de outubro de 2019 | 05h00
O anexo da delação de Antonio Palocci no qual ele explica o loteamento da máquina pública pelo governo Lula (2003-2010) já é considerado por integrantes do Judiciário e do Congresso uma narrativa histórica sobre a estrutura que o PT e vários partidos políticos (inclusive parte do PSDB) montaram para desviar recursos públicos, uma aula sobre “a anatomia de um crime”, na expressão de um membro do STF, especialmente quando o relato do ex-todo-poderoso ministro petista é cotejado com o acervo do julgamento do mensalão (2012).
‘Filling… Segundo Palocci, desde o início e com raras exceções (BB e BC), todos os órgãos foram usados para desviar recursos. Ele dá detalhes da engenharia e afirma que ela foi responsável pelo caso do mensalão.
…the blanks’. A interpretação é de que o teor da delação de Palocci nessa parte do loteamento preenche lacunas do julgamento e corrobora condenações.
Para lembrar. Em 2012, Palocci e todos os demais membros dos governos petistas ainda negavam sistematicamente as acusações de compra de apoio político no Congresso.
Nego. O PT e a defesa de Lula rechaçam a delação de Palocci. O partido a classifica como uma “farsa”.
CLICK. Davi Alcolumbre postou foto de encontro com João Doria, em Brasília. O governador de SP pediu a ele para apreciar o quanto antes a reforma da Previdência.
Todos os poderes do Supremo / Fernando Gabeira*, O Estado de S.Paulo
04 de outubro de 2019 | 03h00
Embora não conheça os bastidores e meu trabalho costume ser distante de Brasília, às vezes sou tentado a dar explicações simples sobre esse complexo movimento do Supremo. Toffoli num certo momento, atendendo Flávio Bolsonaro, proibiu o Coaf de passar informações financeiras aos órgãos de investigação. Em seguida, Alexandre de Moraes suspendeu uma investigação do Coaf, na esteira da decisão de Toffoli. Finalmente, Gilmar confirmou a suspensão do processo de Flávio e Queiroz.
A decisão de Toffoli é problemática em si, pois traz prejuízos à luta contra a corrupção e se choca com compromissos internacionais do País. De sua parte, Bolsonaro escanteou o Coaf e o transformou num órgão de inteligência financeira no Banco Central.
Tudo começou com o dinheiro de Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro. O mínimo que se pode dizer e que é difícil de explicar, senão não haveria tanto empenho em bloquear as investigações. Mas o Coaf numa outra dimensão estava também examinando as contas bancárias da mulher de Toffoli e da de Gilmar. Pobre Coaf: uniu o presidente e dois Poderes contra ele. Sem contar Senado e Câmara, cujos líderes não morrem de amores por quem segue o curso do dinheiro.
Lava Jato chega aos bancos. Demoroooo
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A visita de procuradores e agentes federais à sede do BTG-Pactual, em São Paulo, simboliza a incursão da Lava Jato num terreno praticamente inexplorado: o território do sistema bancário. O caso específico envolve a suspeita de vazamento da taxa de juros. Privilegiado com a informação, um fundo de investimento fez gols de mão no mercado financeiro. Coisa delatada pelo ex-czar da economia petista Antonio Palocci. A investigação seguirá o seu rumo. Os acusados se defenderão. O Ministério Público e o Judiciário tirarão suas conclusões.
Há muito a ser investigado nessa área, contudo. Num cenário de hipercorrupção, com o vaivém intenso de verbas sujas, seria uma ingenuidade supor que não tenha havido algum tipo de cumplicidade do sistema bancário. Há muitas logomarcas na mira da investigação.
Um detalhe contribuiu para que o melado escorresse para dentro das casas bancárias: na história da roubalheira nacional, que atravessa vários governos, a bandalheira costumava obedecer a uma regra tácita: a área econômica era excluída do balcão. Esse pedaço do organograma era ocupado por gente técnica —ou presumivelmente técnica. Nos governos do PT a fronteira tênue foi rompida.
Já se sabia que, na era petista, a Odebrecht comprara até medida provisória na gôndola da Fazenda. Agora, essa suspeita de que a taxa de juros também era mercadoria disponível no varejão da gestão petista. Se o Supremo permitir, talvez seja possível conhecer em toda a sua plenitude o elo entre as duas ruínas que implodiram o país: a derrocada econômica e a decadência ética. A desfaçatez conduziu a um pesadelo longevo, do qual o Brasil ainda não conseguiu acordar.
Palocci conta como PT loteou governo para gerar recursos ilícitos
BRASÍLIA — Em um vídeo inédito de sua delação premiada assinada com a Polícia Federal e homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, o ex-ministro Antonio Palocci apresenta detalhes de como o governo do ex-presidente Lula teria loteado os órgãos da administração pública para arrecadar recursos aos partidos da base do governo — e às vezes até mesmo para a oposição. Segundo Palocci, somente alguns órgãos considerados “sensíveis” ficaram de fora do suposto esquema ilícito, como o Banco Central.
O relato faz parte de um dos anexos da delação do ex-ministro, que aborda uma suposta "organização criminosa" relacionada ao PT. O partido nega as acusações e afirma, em nota, que a farsa foi denunciada nos autos e comprovada pelas mensagens vazadas dos procuradores no Telegram.
Ex-ministro da Fazenda no governo Lula e homem da estrita confiança do ex-presidente, fundador do PT em Ribeirão Preto em 1980, Palocci começa o seu depoimento relatando que o partido cometia ilícitos pontuais, mas que os desvios se tornaram "sistemáticos" após a chegada de Lula ao Palácio do Planalto, com o objetivo de consolidar a hegemonia política do PT.
— Os ilícitos da organização do PT vêm de antes da eleição, mas eles se tornam sistemáticos, mais determinados e organizados a partir da posse do ex-presidente Lula. Na verdade, partem da visão de que, uma vez o PT tendo conquistado o governo federal, deveria montar máquinas políticas e financeiras capazes de enfrentar as outras forças políticas e estabelecer uma hegemonia do PT e de seus aliados na política brasileira — afirmou Palocci.
O ex-ministro afirma que essa forma de atuação acabou sendo responsável por provocar o escândalo do mensalão, porque o PT montou um esquema de arrecadação de recursos para financiar partidos aliados e fechar apoio nas eleições de 2004. Palocci cita que a estatal Petrobras foi vista desde o início como uma forma de fazer caixa para os partidos políticos, devido à independência de cada uma de suas diretorias.
— Segunda coisa que vale a pena ressaltar: não eram todos os órgãos que tinham o mesmo modelo de atuação. Por exemplo, a Petrobras foi desde o início montada para fazer caixa, a diretoria da Petrobras. Não dá para dizer a mesma coisa do Banco do Brasil ou de outras estatais, da Caixa e de outras. Isso veio ao longo do tempo, a forma foi muito mais atenuada. Por que isso? Primeiro, porque se procurou os locais que poderiam gerar valores mais significativos. Segundo, porque existiam organismos mais resistentes. Então o Banco do Brasil era um organismo resistente ao ilícito, dessa forma era mais difícil organizar um processo de contratações, de ilegalidades dentro do Banco do Brasil. A Petrobras era uma máquina enorme, e os departamentos eram muito independentes — explicou Palocci.





