Lava Jato chega aos bancos. Demoroooo
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A visita de procuradores e agentes federais à sede do BTG-Pactual, em São Paulo, simboliza a incursão da Lava Jato num terreno praticamente inexplorado: o território do sistema bancário. O caso específico envolve a suspeita de vazamento da taxa de juros. Privilegiado com a informação, um fundo de investimento fez gols de mão no mercado financeiro. Coisa delatada pelo ex-czar da economia petista Antonio Palocci. A investigação seguirá o seu rumo. Os acusados se defenderão. O Ministério Público e o Judiciário tirarão suas conclusões.
Há muito a ser investigado nessa área, contudo. Num cenário de hipercorrupção, com o vaivém intenso de verbas sujas, seria uma ingenuidade supor que não tenha havido algum tipo de cumplicidade do sistema bancário. Há muitas logomarcas na mira da investigação.
Um detalhe contribuiu para que o melado escorresse para dentro das casas bancárias: na história da roubalheira nacional, que atravessa vários governos, a bandalheira costumava obedecer a uma regra tácita: a área econômica era excluída do balcão. Esse pedaço do organograma era ocupado por gente técnica —ou presumivelmente técnica. Nos governos do PT a fronteira tênue foi rompida.
Já se sabia que, na era petista, a Odebrecht comprara até medida provisória na gôndola da Fazenda. Agora, essa suspeita de que a taxa de juros também era mercadoria disponível no varejão da gestão petista. Se o Supremo permitir, talvez seja possível conhecer em toda a sua plenitude o elo entre as duas ruínas que implodiram o país: a derrocada econômica e a decadência ética. A desfaçatez conduziu a um pesadelo longevo, do qual o Brasil ainda não conseguiu acordar.

